VARIAÇÃO DO HUMOR POR MEIO DE EXERCÍCIOS DE PILATES EM ADOLESCENTES ACAUTELADOS

Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 16, nº 90, Jan/Fev de 2013. https://www.novafisio.com.br

Variação do humor por meio de exercícios de Pilates em adolescentes acautelados

CHANGE MOOD THROUGH PILATES EXERCISES IN ADOLESCENTS SAFEGUARDED

Marcelo Jorge de Souza Bezerra¹; Rodrigo Silva Perfeito ²

¹Graduado em Educação Física pela Bennett; Especializando em diversidade de gêneros na escola pela UFRJ: mjsbbb@hotmail.com

² Graduado em Educação Física – Licenciatura pela UERJ; Graduando em Educação Física – Bacharelado pela UERJ; Graduado em Fisioterapia pela FRASCE; Especialista em Educação Física Escolar pela UERJ; Mestrando em Ciências da Atividade Física pela UNIVERSO; Fundador e diretor do Instituto Fisart: rodrigosper@yahoo.com.br

Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 16, nº 90, Jan/Fev de 2013. https://www.novafisio.com.br

Resumo

Introdução: é sabido que a prática regular de exercício físico está associada à maior quantidade e qualidade de vida da população e que a sensação de bem estar pessoal, por sua vez, relaciona-se com as duas variáveis citadas. É, portanto, conveniente que, do ponto de vista clínico e de saúde pública, existam instrumentos com alta sensibilidade que permitam administrar estas variações psicobiológicas. O método Pilates é uma dessas ferramentas. Objetivo: analisar a variação do humor em adolescentes acautelados no Instituto Padre Severino (IPS) após treinamento de exercícios físicos por meio do método Pilates. Métodos: Foi utilizado o questionário de POMS antes e após os cinco meses de treino para avaliar a variação do humor em 51 adolescentes do sexo masculino com idades cronológicas entre 12 e 18 anos. Para o tratamento estatístico, foi utilizado o teste qui-quadrado nas variáveis pré e pós- teste com significância de p > 0,05. Conclusão: existe relevante variação no nível de humor dos adolescentes custodiados após treino físico pelo método Pilates, sugerindo a atividade como uma ferramenta útil no trabalho de ressocialização de adolescentes e no cumprimento de suas medidas cautelares.

Palavra chave: Variação de Humor; Método Pilates; Adolescente Infrator

Abstract

Introduction: It is known that regular exercise is associated with increased quantity and quality of life and the sense of personal well-being, in turn, relates to the two variables mentioned. It is therefore appropriate that, in terms of clinical and public health, there are instruments with high sensitivity to administer these psychobiological changes. The Pilates method is one such tool. Objective: To analyze the change of mood in adolescents respected in Instituto Padre Severino (IPS) after training exercises using the Pilates method. Methods: We used the POMS questionnaire before and after five months of training to evaluate the change of mood in 51 adolescent males with chronological ages between 12 and 18 years. For statistical analysis, we used the chi-square variables in pre-and post-test with significance set at p <0.05. Conclusion: There is significant variation in the level of humor of teenagers in custody after physical training at the Pilates method, suggesting the activity as a useful tool in the work of re-socialization of adolescents and in fulfilling their protective measures.

Keyword: Change Mood; Pilates; Adolescent Offender

Introdução

Antes de iniciarmos a discussão sobre os efeitos do método Pilates em adolescentes acautelados, é preciso conceituar adolescência. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o período estabelecido entre a fase infantil e adulta. Pode ser caracterizada também com base em aspectos sexuais secundários (TANNER, 1962). É a passagem de um estado de dependência para o de autonomia, estabelecido entre os 10 anos e 19 anos (FEIJÃO, 2005).
Momento de mudança da juventude para vida adulta, com grandes transformações somáticas, psicológicas e sociais. De acordo com a OMS a adolescência está compreendida entre 10 e 19 anos (WHO, 1995) e segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 12 a 18 anos (BRASIL, 1990). No início da puberdade (10 a 14 anos) existe um aumento rápido nas secreções hormonais e maturação sexual (GARCIA et al., 2003).
Após sucinta conceituação da adolescência em seu aspecto cronológico, faz-se necessário breve dialogo sobre a violência que atinge o referido grupo social.
É possível relatar que a violência praticada por crianças e adolescentes é um grande problema para a sociedade brasileira, acompanhando uma tendência mundial de incremento deste fenômeno. Além das violências físicas que causam detenção, outro exemplo, dessa vez violência simbólica, seria o bullying (PERFEITO, 2011a). Tais jovens violentos, cada vez mais considerados perigosos pela sociedade, são frequentemente detidos e internados nas instituições correcionais conforme determinação das medidas socioeducativas presentes no Estatuto da Criança e Adolescente – ECA (BRASIL, 1990) (LEI Nº 8.069 de 1990), fruto da ratificação da Declaração Universal dos Direitos da Criança e do Adolescente da Organização das Nações Unidas (ONU), que passou a considerar a população infanto-juvenil como sujeito de direito e merecedora de cuidados especiais e proteção prioritária. Esta lei revogou o Código de Menores de 1979 (MONES, 1992; SHOEMAKER, 1996; OLIVEIRA e ASSIS, 1999).
As causas para as ações agressivas podem ser compreendidas, ou talvez sugeridas, pelo processo de desenvolvimento emocional do adolescente ao qual chamamos de dinamismo para formar sua própria identidade, existindo a necessidade de elaboração de três principais perdas, que são denominadas: luto pela perda do corpo infantil; luto pela perda dos cuidados advindos dos pais; e luto pela perda da identidade e do papel infantil. No processo de resolução desses lutos, o adolescente passa a apresentar características de comportamento que são agrupadas, formando a “Síndrome da Adolescência Normal” (ABERASTURY e KNOBELL, 1981).
Sendo assim, a conduta do adolescente é dominada pela ação, forma de expressão mais típica nesta etapa da vida, em que o próprio pensamento necessita fazer-se em ação para ser controlado (CAMPOS, 2002). Ponderando de maneira complementar, a personalidade do adolescente pode ser entendida como uma “esponja”: é uma personalidade permeável que recebe tudo e projeta seus sentidos, onde o processo de projeção e introjeção são intensos, variáveis e frequentes (ABERASTURY e KNOBELL, 1981).
Devido à complexa ligação entre o corpo e a mente, no século XVIII, a formação da criança e do jovem passou a ser concebida como educação integral englobando tanto a mente como o corpo, associados ao desenvolvimento pleno da personalidade, momento em que a educação pelo corpo veio somar-se à educação intelectual e moral (BETTI e ZULIANI, 2002).
Esta integração físico/psíquico tem estado presente em inúmeras pesquisas direcionadas à qualidade de vida, as quais vêm evidenciando, cada vez mais, a importância da atividade física e do exercício físico à saúde mental (WEINBERG, 2001). Mediante o exercício, principalmente o aeróbio, o sistema nervoso central é estimulado, liberando maiores quantidades de endorfina que, quando inserida na corrente sanguínea, agem na musculatura provocando a sensação de relaxamento e bem-estar.
Assim, existem diversas vantagens da prática de atividade física para o adolescente, reforçando sua autoestima, o estímulo a socialização, ocasionando maior empenho na busca de objetivos, além de convir como um “antídoto” natural aos vícios por drogas ilícitas (BARBOSA, 1991). Pensando assim, nada melhor do que utilizar o método Pilates, um dos exercícios mais discutidos nos últimos tempos (PERFEITO, 2011c), para melhorar o humor de jovens custodiados e auxiliar em sua recuperação e ressocialização. Apenas a cunho de curiosidade iremos conceituar sucintamente o método Pilates, vide que já existem diversos trabalhos que o fizeram com embasamento relevante.
O método Pilates foi criado pelo Alemão Joseph Pilates, nascido em 1880 e falecido em 1967 (CHANG, 2000; MELO et al., 2011). Sua prática iniciou em 1920 sustentado pela contrologia, conceituada como o controle de modo consciente das musculaturas envolvidas em cada exercício. A contrologia é utilizada no auxílio do domínio da força e equilíbrio do corpo (PILATES, 2000). No princípio, o público alvo em grande maioria era tido por bailarinos e atletas. Nos últimos tempos, se tornou uma categoria de treino muito utilizada em academias de musculação e em clínicas de reabilitação (PERFEITO, 2011c). Somente nos Estados Unidos existem mais de 5 milhões de praticantes (CHANG, 2000). Pode ser conceituado como um treinamento contra resistência sistematizado que utiliza de aparelhos e princípios próprios do método (PERFEITO, 2011b).
Iniciada a discussão, o objetivo deste artigo é o de investigar se existe variação significativa do humor em adolescentes do sexo masculino com idades cronológicas entre 12 e 18 anos que estão cumprindo medida sócioeducativa, diante da prática de exercício físico pelo método Pilates.
Esta pesquisa se justifica pela familiaridade e facilidade da coleta de dados dos autores e pela necessidade de adicionar novos valores a literatura já existente. É relevante cientificamente, pois busca acrescentar um tema ainda não discutido aqui no Brasil aos olhos do método Pilates. Socialmente, se comprovada a melhora do humor nos adolescentes, servirá como material para embasar a prática do Pilates nestes locais e sugerir uma ferramenta facilitadora para a ressocialização destes jovens considerados desviantes e marginalizados.

Metodologia

A amostra foi composta por 51 adolescentes do sexo masculino com idades cronológicas entre 12 e 18 anos, custodiados no Instituto Padre Severino e selecionados por conveniência e aleatoriamente. A participação dos mesmos obedeceu aos princípios de ética em pesquisa (Conselho Nacional de Saúde – Resolução nº 196/96), do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), com permissão do Juizado da Infância e Juventude – Comarca da Capital, respeitando as Normas da Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire – ESGSE –Divisão de Estudos, Pesquisas e Estágios (DEPE) e do Diretor do DEGASE.
O estudo é transversal analítico, pois consiste na análise das relações entre o exercício físico por meio do método Pilates e a variação do humor; e inferencial, quando alcançamos conclusões com base na observação dos fenômenos e suas probabilidades (THOMAS et al., 2012).
Os participantes realizavam exercícios em circuito com duração de 60 minutos (10 minutos de aquecimento, 45 minutos com o circuito e 5 minutos com a volta a calma), de maneira aeróbia, durante aproximadamente 5 meses (12/04/2011 a 06/09/2011) com intensidade de 60% da FC de pico média do grupo. Para verificar o quantitativo e qualitativo da variável humor foi feita uma adaptação do questionário de variação do humor POMS (VIANA et al., 2001). O POMS possui 42 itens que são adjetivos das escalas de tensão, depressão, hostilidade, vigor, fadiga e confusão. Houve a aplicação antes e após o período de treino.
Para o tratamento estatístico, foi utilizado o teste qui-quadrado nas variáveis pré e pós- teste. Para todas as análises utilizou-se p > 0,05.
Tanto a execução dos exercícios de Pilates, quanto o preenchimento do questionário foram acompanhados por um profissional habilitado. A aplicação do questionário foi feita por uma pessoa cega a pesquisa. Ou seja, o aplicador não sabia para que se destinava as informações, não existindo a possibilidade de indução das respostas. Ao questionário inicial, foram acrescentadas três perguntas. A primeira, se eles praticavam com regularidade algum exercício físico (pelo menos duas vezes por semana); a segunda, se tinham alguma restrição médica para a prática de atividades físicas; e a terceira, se estavam fazendo uso de algum medicamento. Os que responderam de forma positiva a alguma destas perguntas foram excluídos da amostra, destituindo discrepância relevante no condicionamento físico e capacidade de se manter na atividade, ou ainda, outros fatores que atrapalhassem a coleta de dados mais fidedignos.

Resultados

Para realizar o objetivo proposto inicialmente e levantar a existência de variação do humor com a prática do método Pilates, trabalhou-se com 26 itens do questionário de POMS de Viana et al. (2001), nos quais o respondente teve que escolher uma das respostas entre: nada, um pouco, moderadamente, bastante ou muitíssimo. Este estudo foi trasversal analítico, e consistiu na análise das relações entre o exercício físico e a variação do humor; instrumento, pelo qual alcançamos conclusões com base nas observações dos fenômenos e suas variáveis nos fatores “Depressão e Melancolia”, “Tensão e Ansiedade” além de “Hostilidade e Ira”. Como se pode constatar nas Tabelas 1 a 6. Apenas para o item “Depressão e Melancolia” os valores encontrados não foram significativos.


Discussão

Os benefícios da atividade física embasados pela Fisiologia

A variação do humor através do exercício físico, como no método Pilates, pode estar relacionada à maior produção de endorfinas, que tem efeito analgésico similar à morfina, reduzindo a dor e causando sensação de euforia; pode também, ter relação com a melhora do afeto associado às alterações de uma ou todas monoaminas cerebrais (dopamina, serotonina e noradrenalina); ou ainda, melhora fisiológica com a termogênese. A elevação da temperatura corporal diante da atividade física pode atuar com efeitos antidepressivos (NICOLOFF & SCHWERNK, 1995; RIBEIRO, 1998).
Há algum tempo, a Medicina iniciou a suspeita da probabilidade existencial de substâncias químicas atuantes no metabolismo cerebral capazes de influenciar o estado depressivo. Isso resultou nos conhecimentos atuais dos neurotransmissores e neuroreceptores, muito relacionados à atividade cerebral. De fato, alguns neurotransmissores, notadamente a serotonina, noradrenalina e dopamina, estão muito associados ao estado afetivo das pessoas. (BALLONE e MOURA, 2008).
Sendo assim, os antidepressivos são drogas que atuam nos neurotransmissores aumentando o tônus psíquico, melhorando o humor e, consequentemente, aprimorando o desempenho social da pessoa que o utiliza. É provável que o efeito antidepressivo ocorra pelo aumento da disponibilidade de neurotransmissores no SNC, notadamente da serotonina (5-HT), da noradrenalina ou norepinefrima (NE) e da dopamina (DA). Quando existe o bloqueio dos receptores 5HT2 da serotonina, os antidepressivos também funcionam como drogas antienxaqueca (BALLONE e MOURA, 2008).
O aumento dos níveis de excreção e síntese de serotonina no cérebro é influenciado pelo exercício físico. Ao analisar o fluido cerebroespinal (CSF) de pacientes com depressão, antes e depois do aumento da quantidade de atividade física, foi constatado um acréscimo dos níveis do metabólito 5-HIAA, não sabendo, ao certo, se o 5-HIAA demonstra secreção de serotonina ou vazamento do CSF para as regiões mais altas do cérebro. Além disto, existe uma possível correlação entre a fadiga e a elevação das concentrações do aminoácido triptofano, precursor da serotonina no cérebro (YOUNG, 2007).
A tirosina é produzida no fígado a partir da fenilalanina, sendo transportada para os neurônios secretores, onde, através de diversas reações químicas, se transforma em catecolaminas (norepinefrina, epinefrina e dopamina), proporcionando efeitos excitatórios e inibitórios no SNC (KING, 2011). Um estado de equilíbrio psicossocial parece ser consequência do efeito tranquilizante e analgésico da atividade física, proporcionado pela liberação da b-endorfina e da dopamina (MARIN-NETO, 1995).
O exercício físico proporciona a excreção de endorfinas no cérebro, provocando um sentimento de bem estar e euforia, de maneira bem semelhante às causadas pela morfina. Alguns dizem que a atividade física é um tipo de morfina natural (ROBERTS, 1989; MARTINS e JESUS, 1999). A produção de endorfinas e encefalinas durante o exercício físico aeróbico, liberadas 45 minutos ou mais após a realização do exercício, incrementa o processo de alívio do estresse (DINTIMAN et al., 1989 ).
Os exercícios do método Pilates contribuem para a integridade cerebrovascular, para o aumento no transporte de oxigênio para o cérebro, para a síntese e a degradação de neurotransmissores, bem como para a diminuição da pressão arterial, dos níveis de colesterol e dos triglicérides, para a inibição da agregação plaquetaria, para o aumento da capacidade funcional e, consequentemente, para a melhora da qualidade de vida (McAULEY e RUDOLPH, 1995; MELLO et al., 2005).
O hormônio norepinefrina é secretado em situações estressantes, a fim de por o organismo em estado de alerta (MICHAL, 1998). Já a serotonina é uma substância transmissora inibitória que pode produzir o sono, secretada, portanto, para apaziguar o indivíduo (GUYTON, 1985).
Os exercícios de Pilates, além de provocar uma série de alterações no metabolismo enérgico, induzem também no comportamento humano. Dependendo da atividade física exercida e como essa atividade é feita, há uma série de possíveis alterações, como por exemplo, o aumento na síntese de alguns neurotransmissores e uma maior rapidez na degradação dos neurotransmissores que já participaram da transmissão sináptica. Algumas mudanças chamam mais a atenção, como a modificação no processo cognitivo, onde uma pessoa que pratica atividades físicas tem uma maior rapidez e eficiência nesse processo. Além disso, a resposta ao estresse também é modificada, devido a uma alteração nos níveis de catecolaminas e a diminuição da tensão muscular (McARDLE et al., 2008).
Dependendo do tipo, intensidade, duração e frequência, o exercício físico provoca reações hormonais das mais diversas, pois é acompanhado de inúmeras mudanças bioquímicas e fisiológicas. Ficam evidentes as respostas e adaptações ao exercício das catecolaminas, vasopressina, ACTH e do opióide b-endorfina. Algumas hipóteses buscam justificar a melhora da função cognitiva em resposta ao exercício físico. São elas: alterações hormonais (catecolaminas, ACTH e vasopressina); na β-endorfina; na liberação de serotonina, ativação de receptores específicos e diminuição da viscosidade sanguínea (SANTOS et al., 1998).
Conforme o Manual de Campanha de Treinamento Físico Militar (TFM) a inatividade física, além de reduzir a capacidade física do indivíduo, acarreta vários riscos para a saúde, além de estar relacionado com o aumento da prevalência de mortalidade precoce. A inatividade física leva a um quadro geral de hipocinesia. A atividade física auxilia na saúde mental positiva e no bom humor dos praticantes (BRASIL, 2002).

Depressão-melancolia

A depressão é uma doença psíquica que, além de afetar o emocional de um indivíduo tornando-o incapaz de sentir prazer, afeta seu funcionamento fisiológico. É uma das doenças que causam maior índice de incapacitação psicofísicosocial à população geral (DEL PORTO, 1999).
A medicação farmacológica antidepressiva apresenta influências positivas no tratamento da depressão, porém, muitos pacientes não aderem ou não persistem a esse tipo de terapêutica devido aos seus efeitos colaterais e ao seu alto custo. A falta de acesso e persistência ao tratamento farmacológico aumenta a procura por tratamentos antidepressivos alternativos, como eletroconvulsoterapia, psicoterapia e a atividade física por meio do Pilates, como estamos sugerindo (SILVEIRA, 2001; MATTOS et al., 2004).
A atividade física é um importante aliado do tratamento antidepressivo devido ao seu baixo custo e sua característica preventiva de patologias que podem levar um indivíduo a situações de estresse e depressão. Pessoas que praticam atividade física de forma regular reduzem significantemente os sintomas depressivos (SHARKEY, 1998).
Em nosso estudo não foi encontrada diferença significativa entre o pré e o pós-teste para estes fatores, sendo assim, não sugerem a hipótese de que um circuito de exercícios aeróbios de Pilates substitua o tratamento farmacológico para depressão.
Porém, destacamos a importância de determinar que a intensidade e duração adequadas do exercício para que sejam observados os efeitos em sintomas depressivos é a chave para desvendar como o exercício físico pode atuar na redução desses sintomas, pois embora haja um consenso de que esta prática reduz os transtornos de humor, não há uma conformidade de como isso ocorre. Sendo assim, apenas quando compreendermos a etiologia destes transtornos poderemos perceber esta relação.
É necessário ter o conhecimento de como ocorre a redução das desordens de humor após o exercício (agudo ou após um programa de treinamento), para explicar os seus efeitos bem como outros aspectos relacionados à prática desta atividade. Fatores genéticos podem estar implicados na ocorrência, mas a gênese dos transtornos está também implicada na função biológica, comportamental e do meio (BUCKWORTH & DISHMAN, 2002).
Também constatamos em nosso estudo que existe uma probabilidade de viés de prevaricação – falsa resposta ou de não aceitação –, pela característica da população. Os fatores como imprestável, desencorajado, deprimido, miserável, inútil e culpado podem gerar discriminação ou embaraço para os envolvidos.
Cabe ressaltar que a análise detalhada dos fatores para “Depressão e Melancolia” revela que os valores “não variados” também são positivos, uma vez que em sua grande maioria foi respondido com “nada” ou “muito pouco”.

Tensão-ansiedade

Em meio às teorias da ansiedade, constata-se que não existe um estimulo específico que identifique essa sensação, sendo que o conceito central da teoria existencial é o de que as pessoas se tornam conscientes de um profundo vazio em suas vidas, e a ansiedade é uma resposta ao imenso vazio da existência (KAPLAN e SADOCK, 1993; BATISTA e OLIVEIRA, 2005).
A ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão e perigo de algo que é desconhecido ou estranho (CASTILLO et al., 2000).
Para Skinner e Freud há a concordância de que o medo e a ansiedade constituem formas de defesa do organismo contra a ameaça a algum perigo. A diferença para os dois, no entanto, é que o medo se instala sempre que há uma ameaça real, já a ansiedade é um estado emocional que prevê algum estímulo como ameaçador, antecipando-se ao que poderá ou não ocorrer no futuro (RODRIGUES, 1976).
A melhoria do bem estar psicológico está relacionado com a atividade física. Esta diminui a ansiedade, a depressão, a tensão, a ira, as fobias, além de melhorar a autoconfiança e a estabilidade emocional, sugerindo que o exercício físico mais intenso, influi positivamente para redução do estado de ansiedade entre 2 e 24 horas após o exercício (WEIMBERG e GOULD, 2001).
A diferença significativa entre o pré e o pós-teste encontrado em nossos estudos para os fatores “Tensão e Ansiedade”, pode estar relacionada ao vazio do cotidiano dos entrevistados, à perda de perspectivas e inatividade física.
Como foi relatado, ocorre uma ação química estimulada pelo exercício físico que provoca alteração dos níveis de serotonina, além de outras adaptações no metabolismo enérgico, possivelmente alterando o comportamento dos sujeitos.
Cabe ressaltar que a análise detalhada dos fatores para “Tensão e Ansiedade” revela que os valores “não variados” também são positivos, uma vez que em sua grande maioria foi respondido como “nada” ou “muito pouco”.

Hostilidade-ira (raiva)

A agressão como comportamento que ofende ou tem o potencial para ofender outra pessoa ou objeto. Pode ser um ataque físico (bater, dar pontapés, morder), ataque verbal (gritar, xingar, depreciar) ou violação dos direitos alheios. A agressão está relacionada com a intenção de causar danos à outra pessoa ou objeto, levando em conta a intenção do agente. Este comportamento nocivo é considerado agressão, principalmente quando o adolescente está consciente da sua capacidade de ferir alguém (MUSSEM et al., citado por, SILVEIRA, 2003).
Encontramos como determinantes da agressividade fatores biológicos, como altos níveis de testosterona. Já a raiva é uma emoção sentida desde a primeira infância (NEWCOMBE, 1999).
Embora seja de conhecimento da comunidade científica que os níveis da testosterona sejam elevados com os exercícios intensos, sabemos que em indivíduos destreinados, mesmo o exercício aeróbico moderado, contribui para a sua elevação. No cérebro a testosterona tem funções como aumento considerado da memória e atenção. A diferença significativa entre o pré e o pós-teste para variação da raiva nos indica que os exercícios de Pilates realizados em forma de circuito são de grande valia no processo de aprendizagem dos internos e na participação das atividades nas demais áreas de ensino da instituição, colaborando com a melhoria no trabalho para a ressoaciabilização destes.
Cabe ressaltar que a análise detalhada dos fatores para “Hostilidade e Ira” revela que os valores “que variaram” não sofreram com os efeitos da tetosterona, uma vez que em sua grande maioria foram respondidos com “nada”, “muito pouco” e “moderadamente”.

Considerações finais

A melhoria da qualidade de vida com auxílio dos exercícios por meio do método Pilates não é novidade na comunidade ciêntífica. Nos últimos anos, o interesse das pesquisas tem se voltado para o âmbito psicológico a fim de conhecer os efeitos da aplicação do exercício físico em tratamento de transtornos mentais. Estudos procuram verificar a relação entre a depressão e ansiedade com a atividade física. Outras buscam a relação entre distúrbios mentais e desvios de condutas ou ato infracional.
Este estudo encontrou evidências que o método Pilates bem orientado pode se tornar uma ferramenta eficaz na qualidade de vida, no bem estar físico e emocional, colaborando com a capacidade de enfrentamento da situação, modificando a percepção do interno diante de uma visão mais positiva e confiante, gerando mudanças comportamentais.
De acordo com os resultados da pesquisa, é possível inferir que os profissionais que atuam com o Pilates podem trabalhar de forma preventiva contra comportamentos desviantes em adolescentes e crianças custodiadas, pois proporcionaria ocupação do tempo ocioso desses jovens privados de liberdade. Auxiliaria ainda no desempenhar de funções diversas com finalidade de incentivos e de melhoraria na autoestima e humor. Sendo assim, assessoraria na aceitação dos jovens ao internamento e na perspectiva futura de reinserção à sociedade.
A carência de estudos sobre os efeitos do exercício físico, principalmente com o método Pilates, nos adolescentes infratores ainda é uma realidade e espera-se que este trabalho contribua com novos esclarecimentos auxiliando na elaboração de projetos que visem promover o ensinamento de valores como lideranca, tolerância, disciplina, confiança, equidade etnico-racial na população carcerária como um todo.
Entre os fatores que limitaram este estudo, podemos destacar as questões internas de segurança atrelada às Normas e Leis observadas com rigor pelos profissionais da Instituição que impossibilitam qualquer adaptação ao previamente autorizado pelo Ministério Público, Direção Geral do Departamento e da Direção do Instituto Padre Severino. No entanto, entendemos que tudo isto evita males a instituição e aos adolescentes.
Algumas restrições incapacitaram o trabalho com um número maior de adolescentes e a realização de testes de força e condicionamento físico para verificar a variação do humor nos adolescentes nos estados: destreinados, em treinamento e adaptado ao treino, quando seria possível aplicar uma carga mais intensa de exercícios físicos e observar a forma ideal do exercício físico, para melhor e mais rápida obtenção da variação do humor. Além disso, foi entendido que, como eram sedentários, já que não pudemos realizar os testes, todos estavam em níveis de condicionamento físicos semelhantes.
Recomendamos que novos trabalhos sejam desenvolvidos nesta população. Desejamos com alegria também, que estes dados sejam úteis e incentivadores para novas pesquisas.

Agradecimentos

A professora e psicóloga Sueli de Fátima Ourque de Avila pelo apoio e insentivo nos momentos difíiceis diante da realização deste trabalho e a Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire – ESGSE (Divisão de Estudos, Pesquisas e Estágios) do DEGASAE pela permissão e disponibilidade de seus Servidores possibilitando a execução da pesquisa.

Referências bibliográficas

ABERASTURY, A;  KNOBEL, M. Adolescência Normal. Porto Alegre: Artmed, 1981.

BALLONE, G; MOURA, E. Serotonina. PsiqWeb, 2008. Disponível em <www.psiqweb.med.br>. Acesso em: 11 nov. de 2011.

BARBOSA, D. O adolescente e o esporte. Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1991.

BATISTA, M; OLIVEIRA, S. Sintomas de ansiedade mais comuns em adolescentes. PSIC – Revista de Psicologia da Vetor Editora. vol. 6; n. 2; pp. 43-50, 2005.

BETTI, M; ZULIANI, L. Educação Física Escolar: Uma proposta de diretrizes pedagógicas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo: Editora Mackenzie. Ano 1, n. 1, pp. 73-81, 2002.

BIAZUSSI, R. Os benefícios da atividade física aos adolescentes. Disponível em: <http://www.saudecomaventura.com.br/dicasaventureiro/Beneficio1.pdf>.  Acesso em: 11 nov. de 2011.

BRASIL. Ministério da Defesa. Exército Brasileiro. Estado Maior do Exército. Manual de Campanha – Treinamento Físico Militar. 3.ed, 2002.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Normas de Atenção a Saúde Integral do Adolescente. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/editora/produtos/livros/pdf/06_0004_M.pdf>.  Acesso em: 10 de set. de 2011.

BRASIL. Ministério da Justiça. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília: Ministério da Justiça; 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/l8069.html>.  Acesso em: 10 de set. de 2011.

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm>. Acesso em: 10 abr. de 2011.

BRASIL. Secretaria Especial de Direitos Humanos. Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo – SINASE Brasília, 2006. Disponível em: <http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/spdca/sinase/Sinase.pdf>.  Acesso em: 12 nov. de 2011.

BUCKWORTH, J; DISHMAN, R. Exercise psychology. Champaign: Human Kinetics, 2002.

CAMPOS, D. Psicologia da adolescência: normalidade e psicopatologia. 18.ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

CASTILLO, A; RECONDO, R; ASBAHR, F; MANFRO, G. Transtornos de ansiedade. São Paulo: Rev. Bras. Psiquiatr. N. 22; suplemento II, 20-3, 2000.

CHANG, Y. Grace under pressure. Ten years ago, 5,000 people did the exercise routine called Pilates. The number now is 5 million in America alone. But what is it, exactly? Newsweek, USA. 2000; 135(9):72-3.

DEL PORTO, A. Entendendo a depressão. Revista Brasileira de Medicina – Psiquiatria e Prática Médica, São Paulo: Grupo Editoria Moreira Jr., 1999.

DINTIMAN, J. et al. Discovering lifetime fitness: concepts of excercise and weight control. Minnessota (EUA): West Publishing Company, 1989.

FEIJÃO, G. Experiência de gravidez no primeiro ano de atividade sexual das gestantes adolescentes do bairro Terrenos Novos – Sobral-CE [monografia]. Sobral: Universidade Estadual Vale do Acaraú, 2005.

GARCIA, G; CANBARDELLA, A; FRUTUOSO, M. Estado nutricional e consumo alimentar de adolescentes de um centro de juventude da cidade de São Paulo. Ver Nutr. 2003;16(1):41-50.

HOLANDA, A. Dicionário da Lingua Portuguesa. EP Edição: Curitiba, 2004.

KAPLAN, B; SADOCK, B. Compêndio de psiquiatria: ciências comportamentais. Psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

KATZ, L. Fisioterapia na depressão: discussão dos efeitos da atividade física, através da cinesioterapia, em idosos com depressão unipolar leve a moderada. Quiz Fisioterapia.com. Disponível em: <http://www.fisioterapia.com.br>. Acesso em: 03 maio 2003.

MARIN-NETO, J. et al. Atividades físicas: “remédio” cientificamente comprovado? A Terceira Idade. 1995; 10 (6): 34-43.

MARTINS, C; JESUS, J. Estresse, Exercício Físico, Ergonomia e Computador. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, setembro, 21(1), p.807-813, 1999.

MATTOS, A; ANDRADE, A; LUFT, C. Contribuição da atividade física no tratamento da depressão. EFDeportes Revista Digital. Buenos Aires. Ano 10; n.79; dez. de 2004.

MCARDLE, W; KATCH, F; KATCH, V. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2008.

MCAULEY, E; RUDOLPH, D. Physical activity, aging, and psychological well-being. J Aging Phys Act 1995;3:67-96.

MELLO, M; BOSCOLO, R; ESTEVES, A; TUFIK; S. O exercício físico e os aspectos psicobiológicos. Rev Bras Med Esporte. vol. 11. n. 3. Maio/Junho, 2005.

MELO, M; GOMES, L; SILVA, Y; BONEZI, A; LOSS, J. Análise do torque de resistência e da força muscular resultante durante exercício de extensão de quadril no Pilates e suas implicações na prescrição e progressão. Rev. bras. fisioter. 2011, vol.15, n.1 [cited  2011-11-14], pp. 23-30.

MENDES, L; FERREIRA, C. Comparação de dois protocolos indiretos na avaliação da capacidade aeróbica de alunos do núcleo de preparação de oficiais da reserva.  Brasília: Educação Física em Revista. vol.4; n.2; mai/jun/jul/ago, 2010.

MICHAEL, W. Neurotransmissores: Diversidade e Funções. Mente e Cérebro, 2000. Disponível em: <http://www.cerebromente.org.br/n12/fundamentos/neurotransmissores/nerves_p.html>. Acesso em: 24 de nov. de 2011.

NEWCOMBE, N. Desenvolvimento Infantil: abordagem Mussem. 8.ed. Porto Alegre: Artemed, 1999.

NICOLOFF, G; SCHWENK, T. Using exercise to ward off depression. The Physician and Sports Medicine, v.23; n.9; p. 241-251, 1995

OLIVEIRA, M; ASSIS, S. Os adolescentes infratores do Rio de Janeiro e as instituições que os “ressocializam”. A perpetuação do descaso. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 15(4):831-844, out-dez, 1999.

PERFEITO, R. A Educação Física e o Bullying: a desutilização da inteligência. Livre expressão: Rio de Janeiro, 2011a.

PERFEITO, R. A importância de pensar no método Pilates como uma modalidade de treinamento. Revista Negócio & Fitness.  São Paulo, v. 19, Dezembro de 2011b.

PERFEITO, R. Pilates: Studio, solo e bola. Instituto Fisart: Rio de Janeiro, 2011c.

PILATES, J. The complete writings of Joseph H. Pilates: Return to life through contrology and your health. In: Sean P, Gallagher PT, Romana Kryzanowska, editors. Philadelphia: Bain Bridge Books, 2000.

RIBEIRO, S. Atividade física e sua intervenção junto a depressão. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. Madrid, vol. 3; n. 2; pp. 73-79, 1998.

ROBERTS, S. Health/wellness: an introductory approach. New York (EUA): Eddie Bowers Publishing Company, 1989.

RODRIGUES, M. Psicologia educacional: uma crônica do desenvolvimento humano. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1976.

SANTOS, D; MILANO, M; ROSAT, R. Exercício físico e memória. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v. 12, n. 1, p. 95-106, jan./jun. 1998.

SILVEIRA, L. Níveis de depressão, hábitos e aderência à programas de atividades físicas de pessoa com transtorno depressivo. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, Santa Catarina, 2001.

SOUZA, E. Criando textos segundo as normas da ABNT em Word. Registro, 2005. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/1816529/Normas-ABNT-no-Word>. Acesso em: 19 de nov. 2011.

TANNER, J. Growth at adolescence. 2. ed. Oxford: Blackwell Scientific Publications, 1962.

THOMAS, J; NELSON, J; SILVERMAN, S. Métodos de pesquisa em atividade física. 6. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2012

VIANA, M; ALMEIDA, P; SANTOS, R. Adaptação portuguesa da versão reduzida do Perfil de Estado de Humor – POMS Lisboa: Análise Psicológica: 2001:1(XIX):77-92.

WEINBERG, R; GOULD, D. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 2.ed. Porto Alegre: Artemed Editora, 2001.

WEIMBERG, R; GOULD, D. Psicologia do esporte e da atividade física. São Paulo: Manole, 2000.

WHO, Word Health Organization. WHO Expert Committee on Physical Status. Physical status: the use and interpretation of antropometry. (Techinical report Series, 854). Geneve: WHO; 1995.

Se desejar, use os botões abaixo para compartilhar.

1 comentário em “VARIAÇÃO DO HUMOR POR MEIO DE EXERCÍCIOS DE PILATES EM ADOLESCENTES ACAUTELADOS”

  1. Pingback: Pilates para adolescentes: Pode! Conheça os benefícios

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.