VAGINISMO: UMA REVISÃO LITERÁRIA ACERCA DOS BENEFÍCIOS DA CINESIOTERAPIA NO TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO DO VAGINISMO

Alexia Carvalho Barbosa
Jeronice Rodrigues.

Trabalho de Conclusão do Curso de Fisioterapia, Centro Universitário Fametro, para obtenção do título de Fisioterapeuta.

Orientador (a): Prof. Jeronice Rodrigues.

Alexia Carvalho Barbosa ¹ Graduada do Curso de Bacharel em Fisioterapia no Centro Universitário Fametro

Jeronice Souza Rodrigues ² Orientadora do TCC – descendente do Curso Universitário – FAMETRO

RESUMO

Introdução: O vaginismo é uma contração involuntária recorrente ou persistente que impede a penetração do pênis, dedo ou tampão na vagina. A cinesioterapia pélvica é indicada para o tratamento do vaginismo, com os objetivos de melhorar a mobilidade do assoalho pélvico, aliviar a dor pélvica ou abdominal, tratar limitações, reduzir medo e ansiedade, contribuindo desta forma para uma melhora na qualidade de vida destas mulheres. Objetivo: Esta pesquisa tem como objetivo analisar os benefícios da cinesioterapia no tratamento do vaginismo. Metodologia: Revisão de literatura com bases de dados da biblioteca virtual, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Scientific Eletronic Library Online – SciELO; National Library of Medicine National Institutesof Health dos EUA – PubMed e Physiotherapy Evidence Database – PEDro. Resultados: Foram selecionadas quatro revisões bibliográficas, uma revisão integrativa um estudo descritivo e um relato de caso. Conclusão: Os principais resultados foram aumento de força muscular, conscientização e propriocepção do assoalho pélvico e melhora na relação sexual demonstrando assim a eficácia da cinesioterapia no tratamento.

Palavras-Chaves: vaginismo, recursos terapêuticos, tratamento, cinesioterapia.

ABSTRACT

Introduction: Vaginismus is a recurrent or persistent involuntary contraction that prevents penetration of the penis, finger or tampon into the vagina. Pelvic kinesiotherapy is indicated for the treatment of vaginismus, with the objectives of improving pelvic floor mobility, relieving pelvic or abdominal pain, treating limitations, reducing fear and anxiety, thus contributing to an improvement in the quality of life of these women. Objective: This research aims to analyze the benefits of kinesiotherapy in the treatment of vaginismus. Methodology: Literature review with virtual library databases, Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (Lilacs), Scientific Eletronic Library Online – SciELO; National Library of Medicine National Institutes of Health of the USA – PubMed and Physiotherapy Evidence Database – PEDro. RESULTS: Four bibliographic reviews, an integrative review, a descriptive study and a case report were selected. Conclusion: The main results were an increase in muscle strength, awareness and proprioception of the pelvic floor and improvement in sexual intercourse, thus demonstrating the effectiveness of kinesiotherapy in the treatment.

Keywords: vaginismus, therapeutic resources, treatment, kinesiotherapy.

INTRODUÇÃO

O vaginismo é uma contração involuntária recorrente ou persistente que impede a penetração do pênis, dedo ou tampão na vagina. Ocorre à contração dos músculos perineais e elevador do ânus, e sua intensidade pode variar de leve quando se tolera algum tipo de penetração, à grave quando a penetração é totalmente impedida (AVEIRO, GARCIA e DRIUSSO, 2013; YARAGHI et al., 2012).

Essa disfunção gera consequências negativas para a saúde física e mental da mulher, podendo causar: dispareunia, anorgasmia, problemas psicológicos, psiquiátricos, sociais e ginecológicos. Caracterizado pela fraqueza da musculatura do assoalho pélvico, dor no ato sexual e contração involuntária, aumentando o medo que pode levar a sintomas como taquicardia, sudorese, náusea e consequentemente mais espasmos musculares. Mulheres portadoras do vaginismo tendem a apresentar um quadro depressivo, que pode afetar no relacionamento, ambiente de trabalho e convívio social (TOMEN; et al, 2016).

Esta disfunção pode ser causada por dor no primeiro ato sexual, experiências traumáticas na infância, causas socioculturais bem como igreja e família, tabus e crenças, inibição sexual, conflitos emocionais, falta de comunicação entre o casal, traumas físicos e sequelas cirúrgicas. (ANTONIOLI; SIMÕES, 2010).

Sugere-se a fisioterapia pélvica para o tratamento do vaginismo, com os objetivos de melhorar a mobilidade do assoalho pélvico, aliviar a dor pélvica ou abdominal, tratar limitações, reduzir medo e ansiedade, contribuindo desta forma para uma melhora na qualidade de vida destas mulheres (WOLPE et al., 2015; BATISTA, 2017). Para alcançar esses objetivos alguns dos recursos são os exercícios de fortalecimento dos músculos do assoalho pélvico (MAP), cinesioterapia, eletroterapia, além da terapia manual (WOLPE et al., 2015).

O objetivo deste trabalho é descrever os benefícios da cinesioterapia no tratamento do vaginismo, a fim de esclarecer dúvidas e contribuir sobre as condutas mais utilizadas na prática clínica já que há uma limitação na literatura sobre os recursos terapêuticos que podem ser utilizados no tratamento dessa disfunção, devido a rara prevalência e a escassez de evidências científicas.

METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão de literatura, utilizando método dedutivo, com objetivo descritivo explicativo. O tema proposto teve como base o grau de importância e a presença das palavras chaves, consecutivo a isso, realizou-se leituras centradas de materiais, obtendo assim informações que condizem com o objetivo do estudo. Para a inclusão dos artigos foram empregados os seguintes critérios: Livros e artigos referentes ao tema abordado que teve sua publicação entre os anos de 2010 à 2020. Foram excluídos livros e artigos com publicação inferior ao ano de 2010.

Sendo assim surge o seguinte problema: Quais os benefícios da cinesioterapia no tratamento de vaginismo? Com o intuito de buscar informações científicas atualizadas para obter respostas eficazes a este questionamento, surgiu o objetivo desta pesquisa em analisar esse recurso.

O levantamento bibliográfico teve inicio com a pesquisa de artigos dos últimos 10 anos (2010 – 2020) nas bibliotecas virtuais com bases, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Scientific Eletronic Library Online – SciELO; National Library of Medicine National Institutes of Health dos EUA – PubMed e Physiotherapy Evidence Database– PEDro, utilizando os seguintes descritores: vaginismo, recursos terapêuticos, tratamento, cinesioterapia.

Foram inclusos estudos que demonstrem os benefícios da cinesioterapia no tratamento do vaginismo. Para que essa revisão bibliográfica pudesse ser criada, foi realizada uma minuciosa analise nos seguintes livros: Sexualidade humana e seus transtornos (ABDO, 2010); Efetividade de intervenções fisioterapêuticas para o vaginismo (AVEIRO, 2010); Tratamento clínico das inadequações sexuais (CAVALCANTI, 2016). Nas revistas: Revista Brasileira de Medicina (Vol. 03, 2012); Revista Neurocientífica (Vol. 02, 2010) e Revista IGT Rede (Vol. 10, 2011). Para coleta de referências relevantes com intuito de desenvolver uma revisão coerente.

RESULTADOS

Após o levantamento de artigos nas bases de dados da Biblioteca Virtual de Saúde/Brasil, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Scientific Eletronic Library Online – SciELO; National Library of Medicine National Institutesof Health dos EUA – PubMede outros, realizou-se uma vasta leitura e elaboração de um fichamento, para a construção de um quadro onde apresentamos dados dos materiais levantados, apresentando-o a seguir no quadro 01.

Quadro 01: Fichamentos levantados a partir do levantamento de dados.

AUTOR/ANOMETODOLOGIADESFECHO
DIONISI e SENATORI (2011) PIASSAROLLI et al (2010)Pesquisa realizada com bases de dados, o período da pesquisa bibliográfica foi de Agosto de 2016 à Abril de 2017. Foram utilizados 28 artigos.Melhora na função sexual. Melhora dos espasmos e força muscular do assoalho pélvico.
(BARBOSA LMA, 2011).
A pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica. A coleta de dados foi realizada nos meses de Maio à Julho de 2014. Foram encontrados 24 artigos.Reabilitação perineal. Conscientização da musculatura do assoalho pélvico.
ANTUNES (2014)A pesquisa trata-se de uma revisão integrativa no período de Setembro de 2016 nas bases de dados online ScientificElectronic Library Online (Scielo) e artigos de literatura cinzenta (Scholar Google). Foram analisados 5 artigos científicos.Propriocepção do assoalho pélvico. Melhora na condição sexual. Consciência corporal.
WOLPE et al (2015)Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Phisiotherapy Evidence Database (PEDro), LILACS e PubMed/Medline, buscando-se estudos publicados entre os anos de 2005 a 2019 nos idiomas inglês e português.Vascularização e sensibilidade clitorial. Melhora Lubrificação Conscientização e propriocepção da musculatura perineal.
ANTINIOLI RS et al (2010) KORELO RIG et al (2011) PACIK PT (2011)Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa e com características transversais. No período de Fevereiro à Maio de 2015. Foram realizados 15 atendimentos cada um com duração de 15 minutos.Conscientização do assoalho pélvico. Controle de contrações rápidas e lentas.
Tomen et al (2016)Pesquisa trata-se de uma revisão bibliográfica considerando o período de publicação dos artigos no período de 2009 à 2019, onde foram encontrados 12 artigos. Sendo assim, apenas 6 artigos dentro dos critérios de inclusão.Melhora na relação sexual. Força da musculatura e redução da contração.
LOWENSTEIN et al. (2010)Trata-se de um relato de caso onde participaram da pesquisa 48 mulheres no período de Março à Abril com a realização de 10 sessões.Melhora funcional do assoalho pélvico. Melhora na função sexual. Domínio do orgasmo

DISCUSSÃO

De acordo com Dionisi e Senatori (2011), no estudo realizado com 45 mulheres com vaginismo foram submetidas a cinesioterapia com treino da musculatura do assoalho pélvico orientadas a realizar contração e relaxamento perineal em casa durante 15 minutos pela manhã e 10 minutos a noite por 5 semanas.

Em concordância Piassarolli et al (2010), realizou um estudo com 45 mulheres, realizando 10 sessões de cinesioterapia, ao final do tratamento concluiu-se que o treino da musculatura do assoalho pélvico resultou na melhora da força muscular, assim como a melhora da função sexual.

A cinesioterapia consiste na realização de exercícios perineais com objetivo de restaurar a força, função e conscientização da musculatura do assoalho pélvico, o que reflete na melhora da qualidade de vida, do estado psicológico e do bem-estar. (BARBOSA LMA, 2011).

De acordo com Antunes (2014), utilizou o método observacional com 9 sessões de fisioterapia durante o período 5 meses, com acompanhamento do companheiro. O método se procedeu com identificação do órgão genital através do conhecimento perineal no espelho, obtendo propriocepção da musculatura com exercício de Kegel e exercícios de relaxamento associados à respiração abdominal.

Na cinesioterapia pélvica direcionada para os tratamentos das disfunções sexuais, é observado que o recrutamento da musculatura local, gera um aumento da vascularização e sensibilidade clitoriana. Auxiliando assim a melhora na lubrificação e excitação da Mulher. Tais exercícios interferem diretamente, na propriocepção e conscientização da musculatura perineal proporcionando uma acessibilidade do pênis na hora da relação sexual (WOLPE et al., 2015).

Segundo Pacik Pt (2011) a fisioterapia almeja uma promoção da conscientização corporal e do assoalho pélvico com concomitante dessensibilização da parede vaginal e percepção apropriada do assoalho pélvico, controle das contrações rápidas e lentas a fim de que se obtenha um fortalecimento do assoalho pélvico, além do treinamento do padrão respiratório diafragmático que impacte positivamente na qualidade de vida da paciente.

Para obtenção progressiva do controle da MAP, a cinesioterapia é de suma importância incitando ao relaxamento voluntário. A contração e o relaxamento é o foco dos exercícios; com o indivíduo em decúbito dorsal e membros inferiores fletidos e apoiados na maca, o fisioterapeuta realiza a palpação na região perineal com os dedos e posteriormente solicita que o indivíduo efetue uma contração e um relaxamento. Após o domínio dos movimentos do assoalho pélvico sem a compensação por sinergismos musculares, foram agrega dos exercícios locais de Kegel, (contração lenta, rápida ou isométrica- sustentada).(ANTONIOLI RS et al (2010), KORELO RIG et al. (2011)).

Para Tomen et al (2016), a fisioterapia é imprescindível no tratamento e melhora do quadro de vaginismo, com redução significativa nos sintomas, sendo um recurso inovador e eficaz nos casos de vaginismo primário e secundário. Com redução de espasmos musculares, levando a paciente a uma consciência e conhecimento corporal que influencia na redução da contração involuntária e alívio de dor na relação sexual.

O domínio do orgasmo apresentou melhora, o que é compatível com a melhoria funcional do assoalho pélvico observada após o tratamento. Esta observação está de acordo com as de (LOWESNTEIN et al, 2010), que demonstraram que a melhoria funcional do assoalho pélvico especialmente no parâmetro força e melhora sexual feminina.

CONCLUSÃO

Portanto conclui-se que, o tratamento para o vaginismo através da cinesioterapia promove efeitos significativos sobre a qualidade de vida e satisfação sexual de mulheres portadoras dessa disfunção.

Observou-se também a importância da fisioterapia pélvica e a atuação do fisioterapeuta nas disfunções sexuais femininas. Existem muitas técnicas utilizadas no tratamento dessas disfunções com resultados satisfatórios e eficazes demonstrando a importância da fisioterapia ginecológica na saúde da mulher, os exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico são a terapia mais utilizada pelos fisioterapeutas para intervenção dessa disfunção, melhorando a qualidade da vida sexual da mulher.

Também foi possível observar que existe a necessidade de mais estudos para a discussão do tema abordado, especialmente a organização de ensaios clínicos controlados testando e comparando a eficácia de técnicas para que a prática clínica possa realmente ser baseada em evidência e, dessa forma, mais eficaz.

REFERÊNCIAS

ANTONIOLI, R.V e Simões, D. Abordagem fisioterapêutica nas disfunções sexuais femininas. Revista neurociências, Teresópolis, v. 18, n. 02, p.267-274, 24 ago. 2010.

ANTUNES, A. Abordagem multidisciplinar no tratamento do vaginismo: adicionar fisioterapia ao modelo clássico. Relato de um caso- Followup, 2014.

AVEIRO, Mariana Chaves; GARCIA, Ana Paula Urdiales; DRIUSSO, Patrícia. Efetividade de intervenções fisioterapêuticas para o organismo: uma revisão de literatura. Fisioterapia e pesquisa, São Paulo v. 16, n.3, p. 279-83 2010.

BARBOSA LMA, Lós DB, Silva IB, Anselmo CWSF. The effectiveness of biofeedback in treatment of women with stress urinary incontinence: A systematic review. Ver Bras Saúde Mater Infant. 2011; 11(3):217-25.

DIONISI, Barbara; SENATORI, Roberto. Efeito da estimulação elétrica transcutânea do nervo no tratamento da dispareunia pós-parto. Journal of Obstetrics and Gynecology Research, v. 37, n. 7, p. 750-753, 2011.

KORELO RIG, Gruber Cr, Nagata As, Kuhnen Ey, Dutra E, Santos Efn, Xavier Md, Oliveira Pd, Antochecen T. Atuação da fisioterapia na síndrome do assoalho pélvico e vaginismo – uma revisão da literatura. Fisioter Evid, 2011.

LOWENSTEIN L, Gruenwald I, Gartman I, Vardi Y. Can stronger pelvic floor muscle improve sexual function? Int Urogynecol J. 2010.

PIASSAROLLI, V.P. et al. Treinamento dos músculos do assoalho pélvico nas disfunções sexuais femininas. Rev Bras Ginecol Obstet. 2010.

PACIK PT. Vaginismus: Review of current concepts and treatment using Botox injections, bupivacaine injections, and progressive dilatation with the patient under anesthesia.2011

TOMEN, Amanda et al. A fisioterapia pélvica no tratamento de mulheres portadoras de vaginismo.Revista de Ciências Médicas, v. 24, n. 3, p. 121-130, 2016.

WOLPE, Raquel Eleine et al. Atuação da fisioterapia nas disfunções sexuais femininas: uma revisão sistemática. Revista Acta Fisiátrica, v. 22, n. 2, p. 87-92, 2015.

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