UTILIZAÇÃO DA FISIOTERAPIA COMO FORMA DE PREVENÇÃO DE QUEDAS DE IDOSOS NO ÂMBITO FAMILIAR

TAYARA NAZÁRIO DE SOUZA

Trabalho de Conclusão do Curso de Fisioterapia, Uninassau, para obtenção do título de Fisioterapeuta.
Orientador: Prof. Francisco Carlos Santos Cerqueira.

Prof. Francisco Carlos Santos Cerqueira.

DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho em especial à minha família; estendo a todas as pessoas que em mim confiaram, apoiaram e me deram forças para que ele pudesse ser realizado. OBRIGADO.

AGRADECIMENTO
Agradeço primeiramente à Deus e Nossa Senhora Aparecida pela graça infinita, em seguida agradeço à minha mãe, Maria Auxliadora e minha irmã, Shirley Viana, por serem a minha base e pelo muito que fizeram e contribuíram para a minha formação, e por serem a minha força para continuar nesta caminhada; e estendo à família de forma geral. Agradeço aos meus amigos; Ádian Lafaelle, Diogo Francisco e Jhonatan Fernandes, que estiveram comigo durante todo o período da graduação. Agradeço também aos meus professores, por toda contribuição com seus ensinamentos que à mim foram passados. Obrigada a todos que estavam por perto dando força e o incentivo que eu precisava para que pudesse chegar até aqui. A minha gratidão por cada caminho percorrido e aprendizado.

EPIGRAFE
“A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria.”
São Tomás de Aquino.

RESUMO

O artigo verifica a importância do fisioterapeuta como orientador na prevenção e/ou diminuição de riscos de quedas de idosos causadas por fatores ambientais e apresentar uma cartilha de prevenção.Trata-se de um estudo individual transversal descritivo com abordagem qualitativa, que foi realizado através de pesquisa onde foi abordado e realizado o instrumento de Leitura documental. O estudo foi feito realizado com base em artigos, dados científicos, livros, e bancos de dados da saúde como Biblioteca Virtual de Saúde do Ministério da Saúde (BVSMS). Concluiu-se que a partir da pesquisa foi observado a importância da fisioterapia na prevenção de quedas e a necessidade de um programa de intervenção acessível à todos os idosos que facilite a informação sobre a qualidade de vida e prevenção.

Palavras-chaves: Fisioterapia, Idoso, Prevenção de quedas.

ABSTRACT

The article verifies the importance of the physiotherapist as a guide in preventing and / or decreasing the risk of falls in the elderly caused by environmental factors and presenting a prevention guide. It is a descriptive individual cross-sectional study with a qualitative approach, which was carried out through research where the documentary reading instrument was approached and carried out. The study was carried out based on articles, scientific data, books, and health databases such as the Virtual Health Library of the Ministry of Health (BVSMS). It was concluded that from the research it was observed the importance of physiotherapy in the prevention of falls and the need for an intervention program accessible to all the elderly that facilitates information about quality of life and prevention.

Keywords: Physiotherapy, Elderly, Fall prevention.

1. INTRODUÇÃO

Cair faz parte do nosso cotidiano e a queda pode representar sérios problemas. Mas a população que mais tem comprometida sua qualidade de vida devido à queda é a dos idosos. As consequências de queda para o idoso são muito mais graves do que para um jovem, já que causa impacto para o idoso e família e, muitas vezes, coloca em risco a sua vida. Por conta disso, a queda é considerada um problema de saúde pública para o idoso e deve ser prevenida por meio de programas voltados para isso.

A queda tem por definição o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, sem correção em tempo hábil, tendo como causa circunstâncias multifatoriais extrínsecas ou intrínsecas que comprometem a estabilidade. Pode resultar em comprometimentos físicos, funcionais e psicossociais, além da redução da qualidade de vida e da capacidade para realizar tarefas do dia a dia, seja por medo de expor-se ao risco ou por atitudes protetoras da sociedade, familiares ou cuidadores (MENEZES; VILAÇA; MENEZES, 2016).

A incidência de quedas na terceira idade é um acontecimento que vem aumentando cada vez mais e provocando um conflito biopsicossocial no idoso devido à morbimortalidade. A incidência anual de quedas em pessoas com mais de 65 anos de idade é de 28% a 35%, sendo que 40% dessas quedas acabam resultando em mortes por lesões, enquanto o risco de quedas fatais tem crescido, aumentando de acordo com a idade, sendo mais evidentes acima de 85 anos para ambos os gêneros (AZEVEDO, 2015). A queda pode resultar em diversas sequelas que afetam física e psicologicamente o idoso, prejudicar a mobilidade, reduzir o equilíbrio postural tornando-o dependente de outras pessoas para realizar suas atividades diárias, medo de cair, isolar-se da sociedade, amplia o risco de novas quedas, reduz a qualidade de vida, traz limitações de mobilidade (FERREIRA et al., 2016).

O alto número de casos de quedas na população idosa acaba resultando em hospitalizações e com isso, inevitavelmente eleva os gastos públicos com saúde e leitos hospitalares por maiores tempos. Sendo assim, se torna essencial a promoção de saúde e prevenção, tendo como exemplo o desenvolvimento de práticas de educação em saúde que aprimorem o conhecimento dessa população sobre os riscos que a queda pode causar.

A partir dos pressupostos, o presente trabalho tem como objetivo proporcionar medidas de orientações e demonstrar a importância da fisioterapia na prevenção de quedas, promoção da qualidade de vida e independência para a realização de ABVDS de idosos.

A dimensão das quedas na população idosa traz importantes aplicações no campo da saúde. Para compreender a complexidade com que o tema se relaciona a comunidade de idosos, o artigo traz alguns aspectos discutidos pela comunidade científica, e que servem de base para aplicabilidade de intervenções. É um assunto que merece o conhecimento não só daqueles que são vítimas deste processo, mas de todos os que apresentam relação direta com pessoas idosas, principalmente os profissionais de saúde e familiares. O artigo tem como objetivo demonstrar a importância do fisioterapeuta na prevenção de quedas, promover independência funcional do idoso e promover da qualidade de vida, propor uma visão ampliada, capaz de divulgar os aspectos ligados à queda que são de interesse comum e promover o conhecimento sobre os riscos e propor uma forma de prevenção deste evento.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 QUEDA

Queda pode ser definida como um evento descrito por vítima ou testemunha, em que a pessoa inadvertidamente vai de encontro ao solo ou a outro local de nível mais baixo em que o anteriormente ocupado consciente ou inconsciente, com lesão ou não. Tipos diferentes de quedas apresentam fatores de risco específico, tornando necessária uma determinação cuidadosa de suas circunstâncias. FREITAS, Elizabete Viana de; PY, Ligia. – Tratado de Geriatria e Gerontologia QUARTA EDIÇÃO, 2016. Segundo Coutinho Silva (2002) as quedas são reconhecidas como um importante problema de saúde pública entre os idosos, em decorrência da frequência, da morbidade e do elevado custo social e econômico decorrente das lesões provocadas.

A queda representa um problema de saúde pública, apresenta alta mortalidade e está entre a sexta causa de óbitos em idosos, sendo umas das principais causas de hospitalização. Em adição, eleva custos para os serviços de saúde e para os familiares (ANTES; SCHNEIDER; D’ORSI, 2015).

Segundo Azevedo (2015) os fatores de risco de queda podem ser classificados em três categorias: intrínsecos, extrínsecos e comportamentais, descritos em sequência.

  • Fatores intrínsecos: história prévia de quedas; aumento da idade; gênero feminino; uso de medicamentos; condições clínicas; distúrbios da marcha e equilíbrio; sedentarismo; estado psicológico; deficiências nutricionais; declínio cognitivo; deficiência visual; doenças ortopédicas; estado funcional; alterações musculoesqueléticas; patologias cardiovasculares; deformidades nos pés; diabetes mellitus ou depressão.
  • Fatores extrínsecos: responsáveis por 50% das quedas, referem-se à iluminação irregular, superfícies lisas, tapetes soltos ou dobrados, presença de degraus, acesso estreito, obstáculos no caminho, falta de adaptação de corrimão, banheiros inadequados, prateleira muito alta ou muito baixa, calçados e vestes inadequados, buracos ou irregularidades em vias de passagens, uso de órteses de forma incorretas.
  • Fatores comportamentais: pessoas inativas (sedentárias) ou muito ativas (que se movimentam) estão predispostas ao risco, podendo estar associado ou não com a presença de amnésia.

2.2 ÂMBITO FAMILIAR

O ambiente familiar é o local mais comum de queda do idoso, na maioria das vezes elas acontecem no banheiro, pode ocorrer também na sala e no quarto. O banheiro com tapetes soltos, com Box de vidro, privada baixa, com pouca iluminação, são os principais causadores de queda, pois o idoso pode escorregar com tapetes, já com o Box de vidro o idoso pode perder a noção de espaço pois ele perde a noção de onde vai sair, os idosos que tem alteração na visão, podem não enxergar os tapetes e escorregar levando assim a queda.

O quarto que possui tapetes soltos, o idoso que anda de meia pela casa pode escorregar, as camas muito baixas pode causar desconforto ao idoso na hora de deitar e levantar, o interruptor muito longe da cama propicia a queda porque dificulta a locomoção no quarto. Na sala, as casas que tem crianças que deixam brinquedos espalhados e tapetes, que o idoso pode tropeçar, pisar em falso e cair. Na cozinha os armários muito altos, fazem com que o idoso necessite utilizar um banco pra ter acesso as coisas que ele precisa pegar gerando um desequilíbrio do banco e consequentemente a queda. (RIBEIRO et al, 2016).

2.3 A IMPORTANCIA DO FISIOTERAPEUTA

O fisioterapeuta apresenta um papel de suma importância na prevenção de quedas em idosos através da orientação para a realização de atividades físicas, alongamentos, fortalecimento muscular, treino de marcha e equilíbrio, buscando a manutenção ou melhoria da capacidade funcional, redução das incapacidades e limitações e proporcionando maior independência (AVEIRO et al., 2008).

O campo de atuação do fisioterapeuta vem crescendo gradativamente. Além do enfoque na reabilitação, ele atua também na prevenção de doenças e promoção de saúde, em nível individual e coletivo (BRASIL, 2002).

Considerando-se a participação do fisioterapeuta na atenção primária, é importante que este desenvolva atividades com intuito de estimular hábitos saudáveis de vida, como a prática de atividades físicas, incentive uma alimentação saudável, proporcione orientações domiciliares e intervenha na organização do ambiente com objetivo de reduzir riscos de quedas (LEIVA-CARO et al., 2015; SANTOS et al., 2015).

Estudos realizados por Ishigaki, Ramos, Carvalho e Lunardi (2014) afirmam que as intervenções mais efetivas para a prevenção de quedas são baseadas no treino de equilíbrio e no fortalecimento de membros inferiores, este fator lembra-nos sobre a importância da Fisioterapia enquanto papel principal na prevenção de quedas de idosos. A inclusão de exercícios físicos é uma excelente estratégia para reduzir os riscos de quedas em pessoas idosas, pois devido ao envelhecimento há uma decadência das reservas fisiológicas, interferindo na capacidade funcional desses indivíduos, o que os torna mais frágeis fisicamente (FABIANO; LOVATO, 2012).

Segundo Lee e Kim (2017), o exercício tem a capacidade de reduzir a perda de massa muscular, melhorar a produção de força, marcha, equilíbrio e disposição. Pode também capacitar os idosos a realizar atividades de vida diárias sem cair ou medo de cair. Um programa de fisioterapia preventiva é uma alternativa viável que ajuda a elevar a autoestima e capacidade funcional do idoso, preservando sua função e retardando a instalação de patologias e incapacidades e, resultando numa melhor qualidade de vida (OLIVEIROS; SANTOS, 2014). Além disso, observa-se também uma expressiva redução dos riscos de quedas, hospitalização e gastos com a saúde. Portanto, aderir a um programa de exercícios físicos é de suma importância para a qualidade de vida dos idosos, uma vez que favorece para melhora na aptidão física, reduz os riscos de quedas e doenças relacionadas à idade (FAIER et al., 2014).

2.4 ANÁLISE, DISCUSSÃO E RESULTADO:

Questões relacionadas à terceira idade são extremamente importantes no que se referem aos conhecimentos que podem promover soluções as questões relacionadas aos idosos e uma destas questões é o evento de queda que atinge grande parte desta população.

Sáez et al.19 e Vidán et al. 20 pesquisaram o evento queda em idosos e verificaram que destas, 84% foram por fatores ambientais (escorregar, tropeçar), 10% por desmaio, ou seja, fator intrínseco, 2% por terceiros, 2% não recordavam o motivo da queda e 2% motivos não citados pelo estudo.

Para Berg et al 21 os fatores que propiciam as quedas podem variar e estar associados. Na maior parte, os problemas com fatores extrínsecos são causados por eventos que trazem risco, principalmente aos idosos que apresentam alguma deficiência na marcha ou no equilíbrio. Esses problemas serão mais perigosos quanto maior for o grau de vulnerabilidade do idoso e instabilidade que este problema poderá causar ou seja, a junção de fatores intrínsecos como, por exemplo, fraqueza muscular, com fatores extrínsecos tais como tropeçar em algo que foram os fatores mais reportados pelos participantes no estudo pode estar associado, pois devido à fraqueza, quando um idoso tropeça em algo, ele não consegue manter correção corporal que é dada por respostas neuromotoras que envolvem dentre outras coisas a força muscular.

Santos & Andrade relatam em seu trabalho que dos 104 episódios de quedas, 46% não buscaram ou não foram direcionados ao serviço médico, 31% foram encaminhados para enfermagem e 22% para fisioterapia. O estudo de Santos & Andrade também relatam que as atividades que geram quedas nos idosos também são andar e realizar transferências como levantar e sentar. Sendo assim, se faz necessário a conscientização sobre os riscos e a atenção na execução dos movimentos. As quedas não ocasionam somente hematomas como muitas das vezes elas resultam em fraturas, com isso acaba se tornando necessária a procura de uma emergência e urgência. O idoso quando cai acaba diminuindo algumas atividades habituais por medo de cair de novo devido ao trauma da queda.

Através do levantamento feito para este estudo pode ser observado a necessidade de uma intervenção que promova conhecimentos e soluções a comunidade idosa, assim podendo ser feito através de um programa de intervenção de educação em saúde. Necessitando desta forma, de medidas como incentivo à prática regular de exercícios físico, adaptações ambientais, visando minimizar a prevalência de quedas entre os idosos. O medo que o indivíduo sente à medida que sofre a queda, pode tornar-se um ciclo repetitivo e vicioso, fica apreensivo, para de movimentar-se com a agilidade anterior e assim reduz o equilíbrio e a mobilidade, predispondo-se a cair novamente.

O fato de que a queda em indivíduos idosos provoca também uma reação por parte dos familiares é sabido que, após a queda, indivíduos que convivem com o idoso por meio de seus atos aparentemente precavidos, facilitam o processo de dependência e o aumento da fragilidade. Com medo de que o evento de queda tenha episódios consecutivos, procura-se preventivamente restringir algumas atividades anteriormente executadas pelo idoso.

Ainda que o trabalho preventivo seja enfatizado como proposta determinante na redução das quedas, verificam-se algumas barreiras na implantação efetiva desse tipo de programa. É visto que idosos ainda têm dificuldade para reconhecer e conscientizar-se sobre os fatores de risco para quedas. Assim, muitas estratégias de prevenção acabam sendo negligenciadas, até que uma desordem física relevante, ocasionada por uma queda, possa ser um fator que estimule o idoso a se tratar.

3. CONCLUSÃO

Foi possível concluir a importância da atuação do fisioterapeuta na prevenção de quedas na comunidade idosa. Demonstrar a eficiência e eficácia que o trabalho de educação informativa sobre os fatores de risco de quedas tem tido um papel importante como alternativa de baixo custo na prevenção de quedas. A importância do exercício de forte impacto na prevenção de quedas e que a prática regular de exercícios físicos promove melhoras significativas no que se refere equilíbrio, flexibilidade, aumento da resistência muscular e funcionalidade, resultando na redução de quedas e consequentemente promovendo a independência funcional e melhora na qualidade de vida do idoso.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Carvalho AM, Coutinho ESF. Demência como fator de risco para fraturas graves em idosos. Revista Saúde Pública 2002;36(4):448-54.
  2. O perfil dos idosos. Disponível em: <http:www.ibge.gov.br>. Acesso em 10 ago. 2020.
  3. 3.Moura RN et al. Quedas em Idosos: Fatores de Risco Associados. Gerontologia 1999;7(2):15-21.
  4. Ferrer MLP et al. Prevalência de Fatores Ambientais Associados a Quedas em Idosos Residentes na Comunidade em São Paulo, SP. Revista Brasileira de Fisioterapia 2004;8(2):149-54.
  5. Carvalho AM, Coutinho ESF. Demência como fator de risco para fraturas graves em idosos. Revista Saúde Pública 2002;36(4):448-54.
  6. Pereira LSM et al. In: FREITAS, E.V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002. p. 846-856.
  7. Buksman, S., Vilela, A.L.S., Pereira, S.R.M., Lino, V.S & Santos, V.H (2008). Quedas em Idosos: Prevenção. Projeto Diretrizes, Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 01-10.
  8. Montenegro, S.M.R.S. & Silva, C.A.B. (2007). Os Efeitos de um Programa de Fisioterapia como promotor de saúde na capacidade funcional de mulheres idosas institucionalizadas. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 10(2), 161-178.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.