Usada pelos jogadores da Seleção Brasileira, quiropraxia auxilia a prevenção e o tratamento

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2014/06/usada-pelos-jogadores-da-selecao-brasileira-quiropraxia-auxilia-a-prevencao-e-o-tratamento-4537786.html

Saiba como a prática funciona e quais seus principais benefícios.

Em tempo de Copa do Mundo, todas as atenções se voltam para as grandes estrelas, os jogadores. Seus comportamentos, hábitos e até tratamentos são monitorados dentro e fora de campo. Não à toa, uma nota divulgada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informando a presença de uma quiropraxista na Granja Comary, local de treino e concentração da Seleção Brasileira, levantou dúvidas: qual a funcionalidade da prática? Os jogadores estariam lesionados? Elisa Dellagrave, que atendeu a equipe, logo acalmou os mais ansiosos.

— No caso deles, foi somente para bem-estar e prevenção — garantiu a quiropraxista, convidada pelo coordenador médico da CBF, José Luiz Runco, a pedido dos próprios jogadores.

Cada vez mais conhecida no Brasil, a quiropraxia é uma técnica bastante utilizada em países europeus e norte-americanos. O zagueiro da seleção brasileira, Dante, que joga pelo Bayern Munique, da Alemanha, já é familiarizado com o tratamento, e foi um dos que solicitaram a presença da profissional na Granja Comary.

Reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como uma especialidade da medicina complementar, a quiropraxia busca tratar pequenos desalinhamentos da coluna que podem prejudicar outras funções do corpo e, com o tempo, ocasionar problemas mais sérios, como a perda no controle da bexiga e a incapacidade de movimentar corretamente os braços e as pernas. No caso da vertente esportiva, o foco são as alterações que podem influenciar o rendimento do atleta.

Para entender como a quiropraxia funciona, especialistas costumam comparar o tratamento à geometria e balanceamento de um carro. Tanto quem pratica esportes quanto os sedentários exigem muito da coluna vertebral, seja por a sobrecarregarem demais durante atividades físicas intensas ou pela falta de uso — o que acaba “enferrujando” as articulações.

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Desalinhamentos nas vértebras podem causar dor

Isso pode causar pequenos desalinhamentos nas vértebras da coluna, também chamados subluxações, que normalmente não causam dor imediata. Mas, se não reajustados, podem evoluir para problemas mais sérios, como dores crônicas e hérnias de disco. É aquele alerta vermelho que aparece no carro e você nem sabe de onde vem.

As técnicas de quiropraxia agem tanto para prevenir as dores — seguindo a comparação com o carro, seriam as revisões anuais que fazemos no veículo — quanto para aliviá-las. Nesses casos, depois que o sinal vermelho já disparou.

— Ela age diretamente na biomecânica do corpo, melhorando a comunicação do sistema nervoso central. Outra vantagem do tratamento é o fato de ser conservador, ou seja, não utilizar medicamentos ou procedimentos cirúrgicos — resume a presidente da Associação Brasileira de Quiropraxia (ABQ), Juliana Piva.

Longe das dores, Márcia agora corre até maratona

Quando chegou ao consultório do quiropraxista, a gerente de projetos Márcia Pedrini, 44 anos, não imaginava voltar a caminhar normalmente algum dia. Muito menos correr uma maratona. Sofrendo com dores e limitações provocadas por uma hérnia de disco e compressão no ciático, ela sentia dificuldades em movimentar a perna esquerda, havia perdido a sensibilidade em três dedos do pé e convivia com dores em todo o corpo. O drama começou em 2009, quando uma curvatura nas costas indicou que algo não estava bem.

— Sentia dores leves, que foram piorando com o tempo, até atingir o nervo ciático. Tinha vontade de subir pelas paredes de tanta dor. Cheguei a ficar quase dois meses sem dormir direito — lembra.

O sedentarismo, o estresse (que pode causar contraturas musculares e outros desequilíbrios) e a má postura levaram Márcia a desenvolver o desalinhamento da coluna, que resultou, pela falta de tratamento adequado, na hérnia de disco:

— Fui alertada de que poderia perder o controle da bexiga e dos pés se não fizesse uma cirurgia, na qual teria de colocar pinos para fixar as vértebras. Tinha muito medo de outros tratamentos, mas quando vi que teria de passar por um procedimento invasivo, resolvi, como última tentativa, a quiropraxia.

Ela entrou descrente no consultório do especialista e, na saída, já tinha outro ânimo:

— Me assustei no início, porque ele estalou minhas costas. Mas senti os primeiros resultados de forma quase imediata — recorda Márcia.

Alívio da dor e maior capacidade de mover as pernas foram os primeiros sinais de melhora. Após alguns meses tratando com quiropraxia e fisioterapia, para reforço muscular e alongamentos, os benefícios foram comprovados. Márcia conta que levou as duas ressonâncias da coluna feitas antes e depois do tratamento a um ortopedista, que lhe perguntou onde havia feito a operação, já que os exames mostravam resultados excelentes. Ao explicar que o “ajuste” das costas era obra de um quiropraxista, até o especialista se surpreendeu.

Hoje, quatro anos depois, ela segue visitando o profissional para manutenções. E conta, orgulhosa, que depois de ajeitar as costas, decidiu emagrecer, passou a se exercitar e até a correr:

— Comecei caminhando bem devagar, mas um dia me perguntei: por que não correr? Já completei até uma maratona de 10 quilômetros.

Regulamentação da atividade divide opiniões

Estalos nas costas são comuns durante uma sessão de quiropraxia. Isso porque o profissional localiza os pontos exatos que estão fora do lugar e, com a própria mão ou com a ajuda de acessórios específicos, gira, empurra, puxa e reposiciona as vértebras no seu devido lugar. Daí vem o nome: os radicais gregos quiros e praxis podem ser traduzidos como “práticas de mãos”. Esse é o chamado ajustamento, que exige um conhecimento aprofundado sobre a anatomia e a fisiologia do corpo. Muito utilizada por atletas ao redor do mundo, a quiropraxia ainda engatinha para conquistar seu espaço no país.

Hoje, somente as universidades Anhembi Morumbi, em São Paulo, e a Feevale, no Rio Grande do Sul, oferecem graduação na área. E não é só no âmbito acadêmico que a prática luta por reconhecimento. Em tramitação no governo, o projeto de lei que busca a regulamentação da profissão ainda não foi aprovado (atualmente, a quiropraxia é considerada uma ocupação), e segue dividindo opiniões de especialistas em diferentes áreas. O fisioterapeuta e presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional do Rio Grande do Sul, Fernando Prati, explica que existe uma resolução no Brasil definindo a quiropraxia como uma especialidade da fisioterapia, e que alguns pontos do projeto de lei ainda devem ser debatidos para que a prática seja regulamentada como uma profissão. Já Kleber Prianti Fontolan, vice-presidente da Associação Brasileira de Quiropraxia Esportiva (SBQE), salienta que, em diversos países, a quiropraxia é uma profissão independente e regulamentada, com currículo e carga horária diferenciados.

Colaboração do paciente no tratamento é fundamental

Para o especialista, o benefício mais evidente da quiropraxista é o controle da dor músculo-esquelética, como nos casos de hérnia de disco, dores de cabeça, joelhos, ombros e outras articulações:

— Vários percebem uma melhora na movimentação articular, que se traduz em movimentos corporais mais livres. No ajustamento, reposicionamos as vértebras e articulações, facilitando a recuperação da postura correta e deixando que o corpo funcione na sua capacidade total. O quiropraxista também se preocupa muito com a educação do paciente, para que ele tome consciência de sua condição e faça sua parte no tratamento.

O tempo de tratamento — quantidade e frequência das consultas — é definido com o quiropraxista e depende de cada caso, mas são indicadas consultas regulares para manter o corpo alinhado.

A coluna

1- Da mesma maneira que o crânio envolve nosso cérebro, a coluna vertebral envolve nossa medula. Entre suas funções, está a de abrigar e proteger o sistema nervoso central (SNC), responsável por conduzir as mensagens do cérebro para as diferentes áreas do corpo.

2- Nossa coluna tem 33 vértebras. A cada duas, encontram-se os nervos espinhais, de onde saem as informações vindas do cérebro para o restante do organismo. Cada feixe de nervos é responsável por se comunicar com determinada parte do corpo.

3- Quando a coluna vertebral não está bem alinhada, as vértebras e discos intervertebrais podem comprimir e irritar os nervos, causando dor e prejudicando o caminho pelo qual passam as mensagens do cérebro ao restante do corpo. Esses desalinhamentos podem causar problemas que vão desde a paralisação de algum membro até a perda no controle da bexiga, problemas intestinais, entre outros.

Próximo curso de Quiropraxia da FisioBúzios: 14 a 17/08/2014.

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