UMA CLÍNICA DE FISIOTERAPIA EM UMA EMPRESA

Dr. Luís Guilherme Barbosa (RJ)

Doutor em Engenharia de Produção (COPPE/UFRJ), docente do Programa de Pós-Graduação Mestrado em Saúde da Família da Universidade Estácio de Sá UNESA.
PALESTRANTE CONFIRMADO

Contextualização: Mais um paradigma que tivemos de quebrar a fim de levar a Fisioterapia para a saúde do trabalhador nas empresas. A visão que se tem dobre uma Clínica de Fisioterapia ainda está muito próxima daquela que se tem de um Ginásio de Reabilitação. Hoje já trabalhamos com os Consultórios, onde o fisioterapeuta atua sem utilização dos vários equipamentos que caracterizavam a ação reabilitadora. A aplicação da Terapia Manual em diversas correntes trouxe a possibilidade dessa liberdade de ação com investimentos infinitamente menores em estrutura. Naturalmente, há que se especificar corretamente o empreendimento para poder buscar a excelência nos resultados. Quando o fisioterapeuta entendeu que pode agir sozinho, que é um profissional de primeiro contato também, que suas ações são insubstituíveis a coisa toda começou a tomar outra cara. Esse novo passo nos permitiu oferecer às empresas mais recursos de Fisioterapia Clínica, ultrapassando as palestras, as oficinas, a ginástica laboral e a cinesioterapia laboral.

Desenvolvimento: Se utilizarmos a ergonomia, corretamente, como ferramenta diagnóstica, fica fácil identificar os nós críticos, permitindo estabelecer as estratégias corretas de predição. Ao olharmos apenas para os nós críticos e a correção deles, sem atentarmos para o indivíduo, corremos o risco de concluirmos que a correção ergonômica não fora suficiente. Isso pode acontecer porque a correção ergonômica, por si só, não é suficiente para remover as compensações musculares adotadas pelo indivíduo ao longo daquela prática laboral. Essas compensações podem levar ao desequilíbrio articular, desencadeando lesões específicas oriundas da correção ergonômica, por assim dizer. Logo, não basta mudar o processo, o ambiente e a ferramenta, é preciso “mudar” também o indivíduo, recuperando-o das exigências antigas e preparando-o para as novas exigências músculo-articulares. Essa é uma intervenção que o Fisioterapeuta do Trabalho faz com perfeição, de modo a garantir a efetividade da correção ergonômica. Redução de perda de tempo, custo menor, menos improdutividade, mais qualidade, mais gestão da evolução e maior compromisso profissional.

Considerações finais: Uma Clínica de Fisioterapia em uma empresa fica claro que não se trata de uma Clínica qualquer, logo é preciso trabalhar melhor os projetos de saúde das empresas, no Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional – PCMSO, para que a oferta atenda da melhor maneira possível. Essa clínica deve fazer parte de um projeto maior da empresa, devendo estar relacionada com todos os médicos e enfermeiros, deve ser de conhecimento próximo dos gerentes de produção, os trabalhadores devem receber orientações sobre os objetivos da clínica. Todos devem vê-la como uma oportunidade grande de antecipação aos problemas de ordem musculoesquelética, tão como do tratamento de muitos casos.

Leitura complementar:

BARBOSA, L. G. Fisioterapia preventiva nos dorts. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 2008.

BAU, L. M.; KLEIN, A. A. O reconhecimento da especialidade em fisioterapia do trabalho pelo COFFITO e Ministério do Trabalho/CBO: uma conquista para a fisioterapia e a saúde do trabalhador. Rev. bras. fisioter. Rev. bras. fisioter. v. 13, n. 2, p. V-VI, Apr. 2009. https://doi.org/10.1590/S1413-35552009000200001

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