Trotes violentos nas Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI)

MP instaura inquérito para investigar trote que feriu alunos em Adamantina

Pelo menos dois estudantes foram atingidos por ácido durante ‘recepção’.
Promotoria quer saber se supostos agressores foram identificados.

O Ministério Público, por meio da Promotoria de Justiça de Adamantina, instaurou inquérito civil para apurar a ocorrência de trotes violentos nas Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI), que provocaram lesões em pelo menos dois estudantes nesta semana. A investigação teve início nesta quarta-feira (4).

Nathália estava com amiga na hora do trote (Foto: Reprodução/TV Fronteira)
Nathália estava com amiga na hora do trote
(Foto: Reprodução/TV Fronteira)

Uma das vítimas já foi ouvida pelo promotor de Justiça Rodrigo de Andrade Figaro Caldeira, responsável pela investigação que apura “agressões físicas e morais, atos desumanos e ofensivos à dignidade dos calouros praticados por alunos veteranos da faculdade”, segundo o MP.

O promotor ainda solicitou à direção da FAI informações sobre a existência, neste e em anos anteriores, de iniciativas para impedir a prática de trote aos novos alunos, indicando quais são elas; se os supostos agressores foram identificados e, em caso positivo, se houve a instauração de sindicância interna para apuração dos fatos e quais medidas foram tomadas pela faculdade em relação ao cumprimento da Lei Estadual 11.365, que instituiu a “Campanha para o Trote Solidário”.

A Promotoria também solicitou que a Procuradoria-Geral de Justiça expeça ofício para o Ministério da Educação (MEC), para que o órgão seja notificado da abertura da investigação.

A Polícia Civil já identificou quatro suspeitosde terem participado de um trote e utilizado uma substância química que causou queimaduras de terceiro grau nas pernas e no umbigo da estudante Nathália de Souza Santos, de 17 anos, e ainda atingiu os olhos de um jovem natural de Tupã (SP) que também estava em frente ao campus da FAI.

Natália, caloura de Pedagogia e natural de Flórida Paulista, precisou ser atendida na Santa Casa de Misericórdia do município após o trote, realizado por volta das 19h30. O caso foi registrado na Polícia Civil como lesão corporal e é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

Sueli Aparecida Dias, tia da vítima, diz que espera que os envolvidos no caso de Natália sejam identificados e punidos pela polícia. Segundo ela, os familiares já iniciam uma “apuração particular” para recolher provas que ajudem a localizar os rapazes que jogaram o ácido.

“Eu estou ajudando a minha sobrinha a descobrir quem fez essa ‘ato de barbaridade’, já que ela estava de costas e não conseguiu ver os culpados. Por isso tenho procurado nas redes sociais algumas informações que possam colaborar com as investigações”, afirma.

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Investigação
O delegado responsável pelo caso, Rodrigo Pigozzi Alabarse, explicou que foi possível chegar aos nomes dos indivíduos por meio de fotografias nas redes sociais. Além disso, os depoimentos de outros alunos que testemunharam a ação de rapazes que jogaram o produto químico.

Nas imagens coletadas pela Polícia Civil, alguns jovens aparecem utilizando luvas que cobriam as mãos e se estendiam até o cotovelo. Os suspeitam ainda seguravam garrafas, cujo conteúdo ainda não foi identificado. “Não queremos cometer injustiças. O que temos até agora são os nomes, por isso, vamos ouvir os depoimentos dos indivíduos e pedir que tanto a vítima quanto a amiga dela tentem identificá-los”, pontou Alabarse.

Na manhã desta quinta-feira (5), o diretor geral das Faculdades Adamantinenses Integradas (FAI), Márcio Cardim, concedeu uma entrevista coletiva e classificou o ocorrido como “um fato isolado”. Ele ainda disse que os envolvidos, caso sejam identificados, serão expulsos e que a instituição de ensino abriu um canal de denúncia para que os alunos enviem fotos, vídeos ou informações que possam colaborar com as investigações. As informações pode ser enviadas pelo ouvidoria@fai.com.br.

Uma outra estudante também afirma ter sido atingida. Bruna Massuia Soares, de 23 anos, sofreu queimaduras leves. A aluna contou ter visto quando um rapaz de camiseta branca atirou a substância. “Ele tinha pele clara e estava com um vidrinho, semelhante a um medicamento. Era uma substância escura”, contou, em entrevista ao SPTV 2ª Edição.

Jovem já foi atendida na Santa Casa de Misericórdia (Foto: Sueli Aparecida Dias)
Jovem já foi atendida na Santa Casa de Misericórdia (Foto: Sueli Aparecida Dias)

Fonte: http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/2015/02/mp-abre-inquerito-para-investigar-trote-que-feriu-alunos-em-adamantina.html

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