Traumatismos Raque Medulares. É bom relembrar para saber sempre o que fazer.

Sobre o tema traumatismo ou lesões raque medulares, pode-se pensar ou descrever várias lesões difusas ou localizadas, que darão origens a alterações clinicas com características diversas no comprometimento delas e principalmente em relação a altura onde se localiza o referido trauma ou a patologia que se manifesta nesta topografia.

De acordo com esta topografia, etiologia e cronologia, haverá um especifico comprometimento maior ou menor das funções motoras e ou sensoriais.

Maria Stokes no ano de 2008 descreveu que os traumatismos raque medulares se caracteriza principalmente pela secção nervosa total ou parcial da medula nervosa estabelecendo assim todo cortejo de sinais e sintomas viscerais, osteoarticulares, dermatológicos, pois com a destruição e morte dos neurônios da medula determinando a quebra da comunicação entre o cérebro e de suas conexões com neurônios medulares.

A destruição dos tecidos nervosos medulares podem ocorrer por traumas diretos provocando o estiramento, compressão e isquemia deste tecido nervoso.

O edema pós traumático acentua as lesões que recebe o nome científico de choque medular determinando a fase aguda que só terminará quando o choque medular acabar.

As lesões medulares podem ser completas ou incompletas sendo as completas classificadas como transecção medular, fazendo imediatamente o aparece do que chamei anteriormente de choque medular.

A incidência de traumatismos raque medulares vem aumentando consideravelmente nas últimas décadas em um total aproximadamente de 250.000 casos somente nos Estados Unidos e mais de 10.000 por ano.

No Brasil já chegamos a um número que excede aos 5000 ano sendo que em um percentual de 63% evoluíram para severas sequelas definitivas.

Traço agora uns perfis destes paciente conforme estatísticas recolhidas por pesquisas…

IDADE: entre 16 e 30 anos. 61% e 85% com idade inferior a 45 anos.
SEXO: masculino 82%. / feminino 18%.
ETIOLOGIA: Acidente automobilístico e de motocicleta 48%, quedas 21%, traumas esportivos 15% entre eles o mergulho em água rasa, artes marciais e hipismo, e por arma de fogo que não foi determinado o percentual pelo aumento da violência.

Quanto a topografia as lesões medulares são classificadas em altas (cervicais C4/C7) as médias (T1 / T7 médias altas) (T8 / T12 médias baixas) e as baixas (L1 / L5).

Com a saída do choque medular o paciente passa a ser classificado como paciente sub-agudo e será considerado crônico depois de mais de seis meses de atendimento médico fisioterapêutico, terapêutico ocupacional no que se diz respeito ao tratamento físico das sequelas.

As principais situações que acarretam as lesões são:

a) Concussão medular (perda transitória das funções medular e em uma paralisia em fase flácida com perda da sensibilidade e paralisia esfincteriana,não havendo lesões macroscópica visível.
b) Contusão medular ou laceração (ocorre alterações anatômicas visíveis. Há edema que aumenta a compressão tecidual associada a hemorragias provocando isquemia tecidual com comprometimento do tecido nervoso).
c) Transecção (neste caso também ocorre alterações anatômicas da medula. Neste caso o traumatismo é completo havendo plegia e anestesia imediatamente abaixo do nível da lesão).

No encerrar desta coluna escrevo sobre o que se torna necessário do imediato do trauma até a possibilidade da alta hospitalar e do continuísmo do tratamento Fisioterapêutico na fase crômica e do encaminhamento destes pacientes para a pratica de esporte ou desporto paralímpicos.

O serviço de Fisioterapia é de suma importância para o imediato e bom atendimento ao paciente com TRM em hospital especializado no atendimento inicial de urgência a transferência para um hospital especializado em pacientes com TRM. Como já havia sido escrito estes pacientes serão classificados em:

a) Agudo. deverão sofrer atendimento médico cirúrgico possivelmente em situação de laminectomoa (para aliviar a compressão medular) seguida de fixação óssea (artrodese) por placas fixadas anteriormente ou posteriormente. Externamente estes pacientes deverão usar coletes cervicais ou instrumental tipo Minerva. No caso de lesão torácica o instrumental de Harrington (fixação interna) e externamente pelo colete de Jewet. Nesta fase o fisioterapeuta especializado em intensiva prestara apoio na mecânica ventilatória, controle dos respiradores mecânicos e postura e higiene no leito. As estimulações constantes das musculaturas também serão obrigatória bem como a movimentação das articulações, em 75% de sua amplitude máxima com o objetivo de não provocar lesões da cápsula, ligamentos e tendões das mesmas. As mudanças de decúbito também são obrigatórias para evitar as lesões cutâneas (úlceras de pressão) pelo contato das “pontas” ósseas com o leito.

b) Sub-Agudo. Esta fase é reconhecida pela saída do choque medular, pelo aparecimento dos reflexos bulbo cavernoso, perianal, Babiski e da pressão arterial quando em ortostátismo. As atividades da Fisioterapia serão aumentados em até duas vezes ao dia objetivando principalmente as condições articulares, musculares e a posição ortostática progressiva em 15º, 30º, 45º, 60º, 75º 90º sempre com a pressão arterial medida antes na posição sentada e em cada 15º grau de elevação e quando novamente em decúbito dorsal após o ortostatismo e o tempo será ditado conforme o paciente não ter lipotimia durante sua elevação. A manobra de Marie Foix é parte constante do programa de Fisioterapia sempre no sentido certo de cada padrão observado (flexor ou extensor) dos membros inferiores. Técnica de suspensão facilita o inicio da movimentação, induções contralaterais, sincinesias, métodos específicos como o de Kabat e a obrigatoriedade da assistência ventilatória. A reeducação vesical por cateterismo e por manobras de Valsava e de Crede, e sobre atenção do urologista. Também a reeducação fecal se faz presente nesta hora, na obrigatoriedade de se evitar fecalomas.

c) Crônico. Esta fase pode ser considerada após um período de tratamento (+ ou -) seis meses depois da fase sub aguda. Sua programação será baseada no quadro de incapacidade apresentada pelo paciente. Fortalecimentos da musculatura dos membros superiores, cinesioterapia articular e muscular, continuísmo das atividades fisioterapêuticas para a ventilação e respiração, hidroterapia e principalmente quando houver a possibilidade de deambulação com tutores que serão prescritos em relação a altura da lesão. A reeducação sexual do paciente com TRM tem importância para o continuísmo da sua vida sexual que poderá ter seu inicio pelo próprio Fisioterapeuta explicando ao paciente o mecanismo reflexo da ereção e “Platô” de excitabilidade. Também nesta fase, com a certeza da estabilidade da coluna vertebral, o paciente poderá ser encaminhado a prática esportiva ou desportiva mediante analise e avaliação do caso e pela escolha do desporto que mais se adaptar.

Dr. Edson Virginio Rodrigues

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