Tratamento Fisioterapêutico gratuito para couro cabeludo violentamente retirado pelo motor.

A partir do próximo ano, mulheres ribeirinhas do Amapá que sofreram acidentes em embarcações e tiveram o couro cabeludo violentamente retirado pelo motor vão receber um importante apoio para amenizar as dores na cabeça, além de outras sequelas. Elas terão consultas na área de fisioterapia e receberão todo o acompanhamento de saúde necessário, gratuitamente.

Nesta quarta-feira (20), elas receberam informações de como se dará o tratamento, no Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram), no Centro de Macapá.

Uma iniciativa do curso de fisioterapia da Universidade Federal do Amapá (Unifap), coordenada pela professora Vânia Tie Ferreira, vai oferecer reabilitação para as vítimas de escalpelamento. Antes de dar início ao tratamento, os profissionais avaliaram por um ano 37 mulheres, para identificar os comprometimentos físicos que elas têm.

“Fizemos uma série de avaliações nelas, com baterias de avaliações fisioterapêuticas, postural, temperatura cutânea da cabeça, e vários questionários para saber o quanto de dor elas sentem. Agora vamos fazer a intervenção com tratamento”.

Professora do curso de fisioterapia da Unifap, Vânia Ferreira (Foto: Rita Torrinha/G1)Professora do curso de fisioterapia da Unifap, Vânia Ferreira (Foto: Rita Torrinha/G1)

Professora do curso de fisioterapia da Unifap, Vânia Ferreira (Foto: Rita Torrinha/G1)

O principal desafio da professora Vânia e da Secretaria Extraordinária de Política para Mulheres, que é parceira na ação, será trazer essas mulheres para aceitar o tratamento e cumpri-lo até o fim. É que segundo a presidente da associação das escalpeladas, Socorro Damasceno, muitas voltaram para a terra natal, nos interiores do estado, e abandonaram o tratamento de saúde.

“Estamos resgatando elas, para mostrar a importância de cuidar das lesões. Muitas abandonam o tratamento por causa da vergonha, da baixa autaestima. Mas nós que tivemos o acidente sabemos que as dores são constantes, febres e dores na cabeça nunca passam. Além disso, elas precisam cuidar da pele”, conta Damasceno.

Mulheres receberam informações de como se dará o tratamento nesta quarta-feira, no Cram em Macapá (Foto: Rita Torrinha/G1)Mulheres receberam informações de como se dará o tratamento nesta quarta-feira, no Cram em Macapá (Foto: Rita Torrinha/G1)

Mulheres receberam informações de como se dará o tratamento nesta quarta-feira, no Cram em Macapá (Foto: Rita Torrinha/G1)

A professora Vânia atentou para os cuidados com os ferimentos e com a pele. “Muitas delas não sabem cuidar da higiene da cabeça, porque é uma pele enxertada, extremamente fina. O uso constante da peruca atrapalha muito. Para elas, a proteção do sol tem que ser triplicada, além disso elas têm que usar hidratante e sabonete neutros ou glicerinados, sem cheiro”, pontuou.

A Associação das Mulheres Escalpeladas do Amapá aponta o registro de 167 mulheres vítimas de acidentes em embarcações, mas apenas pouco mais de 50 delas fazem o tratamento corretamente. Segundo a presidente, mais dez acidentes ainda não foram cadastrados. A última ocorrência, de acordo com ela, foi no dia 12 de junho, na comunidade de Ipixuna Miranda, região ribeirinha no interior de Macapá.

Além da fisioterapia, a técnica e gestora de saúde Socorro Nascimento, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) conta que as escalpeladas recebem também tratamento com cirurgião plástico, fonoaudiólogo, otorrinolaringologista e agora conseguimos a fisioterapia, em parceria com a Unifap.

Fonte: https://g1.globo.com

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