Tratamento adequado após derrame facilita atividades diárias

 

Derrame, derrame cerebral ou AVC – Acidente Vascular Cerebral. A nomenclatura pode ser diferente, dependendo da região do país, no entanto, o importante é saber que todas as definições referem-se ao mesmo problema: a principal causa de morte no Brasil e de incapacidade no mundo, que resulta em sequelas e interrupção das atividades rotineiras. Por isso, muito se fala em como prevenir ou que atitudes assumir rapidamente quando detectado um ataque. Porém, o que muitos não sabem é como proceder após alguém ter sofrido um AVC, ter sido socorrido e ter que encarar algumas sequelas que não faziam parte de suas vidas. Você saberia o que fazer?

Para responder a esta e outras perguntas, a Dra. Carla Moro, neurologista e vice-presidente da Associação Brasil AVC (ABAVC), esclarece: “Claro que, como médicos, temos batalhado ao longo dos anos para as campanhas e esclarecimentos de como prevenir e socorrer rapidamente uma pessoa vítima de AVC. Nos dias atuais, temos vivido um outro momento também: vemos uma falta de informação e, muitas vezes, de estrutura ainda muito grande para reabilitar este paciente após o AVC, torná-lo independente para as atividades da vida diária e incluí-lo à sociedade reduzindo também o trabalho do cuidador”.

Uma das principais sequelas pós-AVC é a espasticidade, que se caracteriza pelo aumento do tônus muscular e pela excessiva contração dos músculos. Os sintomas variam desde uma leve contração até uma deformidade severa, que afeta a mobilidade, tornando os pacientes dependentes de ajuda para atividades rotineiras, como andar, comer e vestir-se. A incidência pode chegar a 19% em três meses e 38% em 12 meses, além disso, causa dor e deformidade, ao longo do tempo. “O que muita gente ainda desconhece é que, com o uso da toxina botulínica tipo A, a reabilitação destes pacientes pode ser otimizada, diminuindo a dor e facilitando a fisioterapia. Assim, conseguimos aumentar a possibilidade do paciente executar os movimentos e retornar às atividades cotidianas”, explica a médica.

Uma pesquisa recente feita com 810 pessoas com espasticidade listou qual dos cinco sintomas abaixo tem um impacto negativo mais considerável referente à qualidade de vida para estes pacientes:

Rigidez ou amplitude de movimento limitada nos músculos afetados
Postura anormal
Dor
Incapacidade de dormir
Limitações nas atividades da vida diária, como tomar banho, vestir-se etc.

O resultado demonstrou mais de 40% dos participantes indicando que a rigidez ou a amplitude de movimento limitado em seu (s) membro (s) afetado (s) tinha o impacto negativo mais substancial para sua qualidade de vida. Em seguida, foram citadas a postura anormal, dor ou incapacidade de dormir com 34,5% e, por último, as limitações nas atividades da vida diária com 23,5%.

Segundo a Dra Carla, o paciente com espasticidade pode apresentar outros problemas secundários também: “Caso esta rigidez muscular excessiva não seja tratada, ela pode levar este paciente a ter deformidades, dor, lesões de pele, além de uma autoestima totalmente abalada levando à depressão e ao uso abusivo de medicamentos, muitas vezes na tentativa de diminuir a dor. O paciente e/ou seu cuidador podem ter dificuldades até mesmo para manter a higiene devido à falta de mobilidade e endurecimento dos membros. Imagina um braço dobrado, por exemplo, e a impossibilidade de poder esticá-lo e movimentá-lo sem dor”, comenta a neurologista.

Entre as sequelas que um paciente pós-AVC também pode ter estão a paralisia total ou parcial (de um lado do corpo), alteração da fala – afasia, alterações visuais e de memória.

E a vida continua…
Além do tratamento médico, é importante ressaltar também o trabalho de associações e instituições que visam informar e dar uma nova perspectiva para estes pacientes como a ABAVC e a Ser em Cena. Esta última visa por meio de arte dramática, canto coral e dança, auxiliar na reabilitação de portadores da afasia, um déficit geral da linguagem decorrente de uma lesão cerebral no hemisfério esquerdo do cérebro, que pode ter como causas mais comuns AVC, tumores cerebrais e traumatismos causados por acidentes automobilísticos, armas de fogo, quedas graves entre outros.

“Nós acreditamos que este trabalho que envolve toda uma expressão corporal, além da voz, seja muito benéfico para estas pessoas voltarem ao convívio social e se sentirem seguras e capazes de se expressarem novamente”, explica Nicholas Wahba, fundador da Ser em Cena e coordenador de Teatro Físico. A instituição sem fins lucrativos atua desde 2002 e já atendeu mais de 300 portadores de afasia, beneficiando indiretamente mais de 1.200 pessoas (cuidadores, amigos e familiares) envolvidas em projetos como teatro, coral e dança.

Sobre BOTOX® (toxina botulínica do tipo A)
A aplicação do BOTOX® ficou famosa no mundo todo pela indicação cosmética, no tratamento das rugas de expressão. No entanto, a substância foi descoberta para o tratamento terapêutico e aprovada em 1989 (pelo FDA, nos Estados Unidos), como uma alternativa para tratar o estrabismo.

No Brasil, a primeira toxina botulínica a ser aprovada foi o BOTOX®, marca comercial da Allergan, em 1992 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), para fins terapêuticos. Hoje, BOTOX® possui nove indicações aprovadas no país: distonia, estrabismo, blefaroespasmo, espasmo hemifacial, linhas faciais hipercinéticas, espasticidade, hiperidrose, bexiga hiperativa e migrânea crônica, popularmente conhecida como enxaqueca crônica.

Sobre a ABAVC
Associação Brasil AVC (ABAVC) é uma associação civil, sem fins lucrativos, fundada no dia 14 de fevereiro de 2005, com sede na cidade de Joinville, no estado de Santa Catarina. É nosso objetivo atender pessoas acometidas por AVC (derrame), assim como externar informações que orientem a prevenção da patologia. Diretamente na ABAVC ou junto aos seus meios de comunicação, web site e informativo bimestral, muitas divulgações importantes são repassadas para os indivíduos portadores de sequelas advindas do AVC. Existem várias possibilidades de melhorar, e muito, a sua qualidade de vida, em todas as esferas, tais como: a familiar, a social e até mesmo a profissional. A Associação pretende levar a seu conhecimento os endereços de onde poderão encontrar locais e profissionais, que possam auxiliá-lo em sua recuperação. Para mais informações, acesse: www.abavc.org.br

Sobre a Ser em Cena
A Ser em Cena é uma instituição sem fins lucrativos cujo objetivo é auxiliar a habilitar e reabilitar portadores de afasia e de outros distúrbios de comunicação e promover sua integração na sociedade por meio de arte dramática, canto coral e danceability, divulgando a arte como método eficaz e sensibilizando as autoridades e a população sobre a realidade vivida por eles. A organização criada em 2002 foi institucionalizada em julho de 2004 e em março de 2005 recebeu o título de OSCIP (Organização da sociedade civil de interesse público). Para mais informações, acesse: www.seremcena.org.br

1 comentário em “Tratamento adequado após derrame facilita atividades diárias”

  1. sonia maria cavalcante

    gostaria de saber se a pessoa que foi acometida de um avc e que ficou com dificuldades de se comunicar através da fala, mas que consegue demonstrar que está entendendo tudo a sua volta com demonstração de gestos ou pronuncia de monossílabos, pode ser considerado incapaz e lhe ser atribuido o diagnostico de dislexia vindo a determinar a sua interdição por incapacidade? esta pessoa compreende tudo o que esta ocorrendo a sua volta e consegue manifestar vontades e opinioes atraves de gestos e reaçoes e até algumas palavras. estes sintomas pode caracterisar incapacidade?

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