TERAPIA OCUPACIONAL NA ERGONOMIA

Ana Carolina Sousa Rodrigues da Cunha
Acadêmica de Terapia Ocupacional e Fisioterapia
da Universidade de Uberaba- MG
( Graduação em ambos – Dez de 2008)

Resumo

Esse estudo traz a ergonomia como instrumento ícone, segundo Lida (1990), a definição de ergonomia é estudo do trabalho em uma acepção bastante ampla, abrangendo não apenas aquelas máquinas e equipamentos utilizados para transformar os materiais, mas também, toda a situação em que ocorre o relacionamento entre homem e seu trabalho.
Desta forma, é importante a realização de estudos científicos que investiguem o universo que é o ambiente de trabalho do indivíduo, aplicando a ele os conhecimentos de ergonomia e ao mesmo tempo mantendo preservado o corpo, através de estudos de forma anatômica, fisiológica e psicológica.
A abordagem terapêutica é uma forma de prevenção e promoção de saúde. Nos dias atuais, com o stress de trabalho, ansiedades do cotidiano, essa busca desenfreada por maior produção e mudanças constantes do mercado, gera a necessidade de uma interação com o sistema e um equilíbrio. A atuação da terapia ocupacional proporciona esse laço através da ergonomia, fazendo a interação do homem no seu mercado de trabalho, adaptando e evitando riscos aos quais estão expostos, fazendo do terapeuta o modificador do espaço.
Unitermos: Ergonomia e Terapia Ocupacional

Abstract

This survey brings ergonomics as an icon tool. According to LIDA (1990), the definition of ergonomics is the study of work in a very wide perspective, comprehending not only that machinery and equipment used to transform materials, but also all the situation relating men and his work.
Therefore, it is important to make scientific research about the universe that is the work environment of an individual applying to it the ergonomics knowledge and at the same time preserve the body throughout studies in an anatomical, physiological and psychological way.
The therapeutic approach is a way to prevent disease and promote health. Nowadays, with the stress at work and everyday’s anxieties this unbridled search for bigger production and constant market changes leads to the necessity of interaction with the system after balance. The Occupational Therapy actuation promotes this link through ergonomics making the interaction between men and the work market, adapting himself and avoiding risks, which he is exposed to, and making the therapist the space modifier.
Uniterms: Ergonomics and Occupational Therapy

Introdução

Para realizar o objetivo da ergonomia, é necessário estudar diversos aspectos do comportamento do homem no seu meio de trabalho, sendo assim, o terapeuta necessita avaliar o homem nas suas condições físicas e psicológicas; a máquina sendo considerados os equipamentos, ferramentas, mobiliários e instalações; os ambientes onde são estudados as características físicas, como temperatura, ruídos, vibrações, luzes, cores, gases e outros; a organização dos quesitos acima citados, de certa forma, evitam conseqüências do trabalho, as quais podem ser consideradas como gastos excessivos de energia, acidentes, fadigas e stress (LIDA,1990).
Hoje, a terapia do trabalho expandiu-se, transformando-se em serviços de terapia industrial. A prevenção de lesões no trabalho e o escopo de administração incluem tratamento intensivo, análise do emprego, recolocação profissional, avaliação da capacidade funcional, preparação para o retorno ao trabalho e condicionamento para o trabalho (PEDRETTI e EARLY, 2005).
O neologismo “ergonomia”, do grego ergos, que significa trabalho e o nomos, que significa regras, leis naturais, tem sua definição como sendo o estudo da adaptação do trabalho ao homem. O trabalho é visto de forma ampla, abrangendo não apenas aquelas máquinas e equipamentos utilizados para transformar os materiais, mas também, toda a situação em que ocorre o relacionamento entre o homem e seu trabalho. Não envolvendo somente o ambiente físico, mas também, os aspectos organizacionais de como esse trabalho é programado e controlado para produzir os resultados desejados (LIDA, 1990).

Desenvolvimento

A atuação terapêutica na ergonomia, aborda a análise de sistemas onde o T.O. (Terapia ocupacional) preocupa-se com o funcionamento global da empresa e com sua equipe de trabalho, partindo de aspectos mais gerais, como a distribuição de tarefas entre o homem e a máquina, mecanização de tarefas, confiabilidade, segurança e outros. Podendo ser aprofundada a análise de sistemas até chegar ao nível de cada um dos postos de trabalho. Outra abordagem, é a análise dos postos de trabalho no estudo do sistema de onde atua o trabalhador, essa abordagem, faz a análise da tarefa, da postura e dos movimentos do trabalhador e das suas exigências físicas e psicológicas, ou seja, homem-máquina devem formar um conjunto coeso e harmônico. Observe que essa abordagem é diferente daquela tradicionalmente adotada pelos projetistas, que se preocupam inicialmente com o projeto da máquina, para, posteriormente, fazer adaptações para que ela possa ser operada pelo trabalhador (LIDA, 1990).
A demanda da T.O. na atuação da área ergonômica é justificada pela crescente consciência das relações entre os fatores ocupacionais e o adoecimento, sobretudo pelo advento dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), inicialmente denominados de lesões por esforços repetitivos (LER), além da necessidade de as empresas investirem em programas preventivos como forma de se precaverem de possíveis indenizações trabalhistas por parte dos lesionados (DE CARLO e BARTALOTTI, 2001).
A análise do ambiente de trabalho pelo terapeuta deve estar associada a uma participação da pessoa que irá exercer sua ocupação no ambiente de trabalho, podendo chamar de ergonomia participativa. Esta prática maximiza as chances de que as motivações, preferenciais e crenças do funcionário sejam consideradas e incorporadas a qualquer solução ergonômica. Desconsiderar estes elementos, pode acarretar em falta de cooperação e talvez em fracasso da intervenção ou adaptação. Os terapeutas ocupacionais são especialmente habilidosos na comunicação para tratar e encorajar a inclusão do indivíduo e sua participação (PEDRETTI e EARLY, 2005).
De acordo com as autoras acima citadas, o papel do trabalho para o T.O. tem propósito e significado, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Envolver-se com o trabalho é considerado uma atividade produtiva e, como tal, um objetivo da intervenção da terapia ocupacional.
O diagnóstico da doença não é da competência do terapeuta ocupacional, mas os dados de sua avaliação, bem como os de evolução clínica e do impacto emocional da doença na vida do trabalhador, podem guiar o médico especialista num completo e fiel diagnóstico, que pode ser diferente do inicial. As lesões por esforços repetitivos (LER/DORT), têm sido a grande causa de licença por afastamento do serviço, em indústrias que utilizam intenso trabalhos com as mãos, por exemplo em linhas de montagem. Para reduzir o adoecimento relacionado ao trabalho é crucial identificar os problemas relacionados às tarefas específicas do trabalhador e suas características individuais ( COURTS, 1995).
O processo de recuperação do paciente acometido por LER envolve aspectos tanto de ordem médica como de outros profissionais. A variedade do tratamento é ampla e depende do estágio em que se encontra a doença. Pode ser indicada desde uma cirurgia até uma simples imobilização com terapia antiinflamatória, entre outros recursos. Os fatores de risco são de dois tipos em média de caráter biomecânico como: repetitividade, movimentos manuais com empregos de força, posturas inadequadas dos membros superiores, pressão mecânica localizada por contato e uso de ferramentas manuais. E de caráter psicossocial como sendo: grande pressão do trabalho, baixa autonomia, ou seja, pouco controle sobre o seu trabalho, falta de ajuda ou apoio de colegas de trabalho e pouca variedade no conteúdo da atividade (LIMA,2004).

Tratamento

O Terapeuta tem como objetivo maximizar a capacidade do trabalhador minimizando os riscos. Estão entre as metas: 1. atingir níveis ótimos em tolerância física e capacidade; 2. maximizar o funcionamento cognitivo e psicossocial; 3. desenvolver comportamentos apropriados no trabalhador; 4. reduzir o medo e aumentar a confiança na retomada do trabalho produtivo; e 5. identificar problemas que possam necessitar de colocação em um emprego alternativo. Os critérios analisados pelos terapeutas seriam o histórico médico, fariam uma entrevista com o trabalhador, descrição do emprego com suas principais demandas, avaliação da dor, avaliação física, posturas e mobilidades no trabalho como: força, sensação, coordenação, questões como erguer, alcançar, empurrar, carregar, puxar, inclinar, agachar, ajoelhar, rastejar, ficar em pé ou sentada (PEDRETTI e EARLY,2005).
Para Ferreira e Santos (2001), os terapeutas atuam desde a abordagem clínica das patologias inflamatórias relacionadas ao trabalho quanto nos procedimentos de uma avaliação inicial que determinará os objetivos de tratamento e as metas finais de retorno ao trabalho, às atividades de vida diária e de vida prática para cada paciente individualmente. O tratamento deve ser dividido em etapas de acordo com o grau de lesão, intensidade dos sintomas e grau de tolerância do paciente. As etapas serão modificadas de acordo com a regressão dos sinais inflamatórios, melhora da força e endurence do paciente, culminando com restabelecimento da função e retorno ao trabalho. O tratamento foi dividido em estágios, o primeiro o paciente continua com sua atividade produtiva tanto quanto possível valendo-se de modificações viáveis no ambiente e posturas de trabalho, uso de órteses e dos conceitos de autocontrole da dor e relaxamentos. Enquanto no segundo estágio da doença o terapeuta ocupacional deverá focar seus objetivos de tratamento principalmente em auxiliar o trabalhador a encontrar recursos pessoais de modificação de hábitos de vida diária e lazer de autoconhecimento de seu corpo e de como este reage às agressões externas (físicas e psíquicas).
Para Dejours (1994), os grupos de reflexão com técnicas psicodinâmicas são instrumentos muito importantes, para o trabalhador buscar uma nova identidade, se necessário um redirecionamento da atividade profissional.
Em atividades grupais a instilação de esperança proporciona resultados no plano individual aumentando a duração da participação diária do funcionário na empresa, aumentando as tolerâncias físicas até o nível das principais demandas do emprego, melhorar a postura e a mecânica corporal, desenvolver estratégias de controle da dor, desenvolver capacidades de solucionar problemas para a auto-administração no local de trabalho e facilitar comportamentos apropriados para o trabalhador (PEDRETTI e EARLY,2005).

Conclusão

De modo geral, quando tratamos da saúde do trabalhador, devemos ter em mente a sua ocupação para que se possa relacionar criteriosamente o trabalho físico com o intelectual, o repouso ativo com o trabalho produtivo, levando em consideração o tipo de esforço com o tipo de atividade que servirá para proporcionar o restabelecimento, determinando o nível de fadiga a que este trabalhador está sendo submetido, para que não seja extrapolado seus limites fisiológicos (LACMAN, 2004).
A saúde deve ser promovida, preservada e discutida socialmente em uma visão holística, sendo que a doença, resultado do desgaste do trabalhador na relação com o processo de produção (cargas de trabalho), tem também um caráter social. O terapeuta ocupacional intervém, então, sobre ou pela ação, atitude, fazer, produto, isto é, sobre a relação do trabalhador e seu trabalho, contextualizando no ambiente e na cultura organizacional, considerando a avaliação ergonômica seu principal recurso (DECARLO e BARTALOTTI, 2001).
Enfim, esse profissional tem a capacidade de regular e intervir em todas as fases do ciclo vital, em especial na idade intermediária da fase adulta, minimizando os efeitos negativos e maximizando o bem estar do homem.

Referências bibliográficas

COURTS, R. B. Splinting for symptoms of carpal tunnel syndrome during pregnancy: Journal Hand Therapy. Philadelfhia, v.6, p. 31-34, jan-mar. 1995.

DE CARLO, M. R. P.; BARTALOTTI, C. C. Terapia ocupacional no Brasil: fundamentos e perspectivas. São Paulo : Plexus, 2001. p. 19-154.

DEJOURS, C. et al. Psicodinâmica do trabalho. São Paulo: Atlas, 1994. In: LER: Dimensões Ergonômicas e Psicossociais. Belo Horizonte: Health, 1998.

FERREIRA, J. G.; SANTOS, M. C. O tratamento terapêutico ocupacional para o paciente portador de LER-DORT. Revista: O mundo da saúde. São Paulo, ano 25. v. 25. n. 4 out/dez. 2001.

LACMAN, S. Saúde, Trabalho e Terapia Ocupacional. São Paulo: Roca, 2004.

LIDA I; Ergonomia: Projeto e Produção; Editora Edgard Blücher LTDA; 9 ed. São Paulo, SP; 1990, pág. 01-14.

LIMA, D. G. Ginástica Laboral: Metodologia de Implantação de programas com abordagem Ergonômica. Jundiaí, SP: Editora Fontoura, 2004.

PEDRETTI L. W.; EARLY M. B. Terapia Ocupacional: Capacidades Práticas para as Disfunções Físicas; Editora Roca LTDA; 5 ed.; São Paulo, SP. 2005, pág. 241-260.

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