TERAPIA NEURAL: UMA FERRAMENTA PARA O TRATAMENTO DA DISMENORREIA PRIMÁRIA

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Dr Clailson Henriques de Almeida Farias (RJ)
Fisioterapeuta, Crefito2 83627-F, Presidente da Abrasfipics (Associação Brasileira de Fisioterapia Integrativa e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde), Conselheiro do Crefito2, Membro da Comissão Intersetorial de Práticas Integrativas do Conselho Nacional de Saúde.

Contextualização: Com a chegada da pandemia do Sars-CoV-2, em nossa unidade de Estratégia de Saúde da Família (ESF) Ponta Grossa Maricá-RJ, passamos a receber um significativo número de queixas de mulheres com dores abdominais inferiores ligadas ao período menstrual. Com a suspensão do exame citopatológico no período pandêmico, não consideramos os fatores secundários para este trabalho. Desenvolvemos em nosso município um tratamento com a Terapia Neural, que propõem estimular o Sistema Nervoso Autônomo (SNA) em suas autorregulações. As mulheres foram convidadas a realizar o tratamento onde tiveram o alívio em pelo menos 7 pontos na Escala Analógica Visual de Dor (EVA). O presente estudo teve como objetivo aliviar a dismenorreia e proporcionar maior qualidade de vida as mulheres em tempos de quarentena, cumprindo as exigências sanitárias de biossegurança.


Desenvolvimento: A partir da busca ativa de mulheres que apresentavam dismenorreia primária, passamos a convida-las a realizar o tratamento com a Terapia Neural, a qual utiliza o Cloridrato de procaína a 0,7% em pontos abdominais e outros pontos de acordo com a história de vida colhida, a procaína possui uma meia-vida média de 10 minutos, onde não há qualquer intensão anestésica e sim de repolarização celular, com o despertar da cascata inflamatória imunológica, promovendo a autorregulação da dismenorreia. As pacientes assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), realizamos um protocolo de 10 consultas com periodicidade semanal, para poder acompanhar pelo menos 2 ciclos menstruais, onde realizamos a análise pela EVA antes e depois do tratamento semanalmente. Inicialmente foi realizado um Teste Imunológico de Gravidez (TIG), Testes rápidos de Sifilis, Hepatites e HIV, em todas as mulheres e solicitação de exames bioquímicos hormonais para descartar dismenorreia secundária (maio). Como resultados, observamos que as mulheres relataram uma melhora de pelo menos 7 pontos na EVA com a Terapia Neural. As que estavam com dismenorreia durante a consulta relatavam esta melhora, chegando a zerar o quadro álgico. As que foram tratadas antes do ciclo menstrual relataram mudança no fluxo menstrual, se tornou mais fluído e a redução ou ausência da dismenorreia. Após as 10 consultas, solicitamos um folow up do próximo ciclo menstrual para verificar a dismenorreia, onde das 30 mulheres tratadas 9 afirmaram não possuir dismenorreia e 21 apresentavam pela EAV a nota de 1 a 3.


Considerações finais: Concluímos que a terapia neural é uma técnica segura, eficaz e eficiente no tratamento da dismenorreia primaria. Uma vez que após 10 consultas, 70% das mulheres apresentaram redução de 7 pontos na EVA e 30% uma redução de total do quadro álgico. A dismenorreia é uma síndrome, e em decorrência da pandemia, em muitos casos, se agravou pelos diversos fatores que levaram a quarentena ou ao stress do trabalho sob pressão de possível contaminação. Passamos a solicitar os exames bioquímicos em maio.

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