Tem de superar, diz jovem que ficou 136 dias internada após fogo na Kiss

Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia

Em casa desde junho, jovem que ficou internada 136 dias reaprende a sorrir (Foto: Luiza Carneiro/ G1)
Em casa desde junho, jovem que ficou internada 136 dias reaprende a sorrir (Foto: Luiza Carneiro/ G1)

O principal aprendizado que Renata Pase Ravanello, de 25 anos, tirou do incêndio na boate Kiss foi aprender a ter paciência. A bacharel em direito ficou internada por 136 dias após ter os braços queimados e o pé machucado durante a tragédia que matou 242 pessoas em Santa Maria. Em casa desde o dia 12 de junho, a jovem agora se prepara agora para continuar a vida.

Na semana em que o incêndio na boate Kiss completa seis meses, o G1 Rio Grande do Sul conta histórias de seis vidas transformadas pela maior tragédia do Brasil nos últimos 50 anos. De sábado (27) até quinta-feira (1), familiares, sobreviventes, amigos falarão sobre superação, dor, luta e esperança.

Desde que voltou para o apartamento em Santa Maria, Renata conta com o apoio da mãe, Jacira. Ela vive com o irmão Jonas desde os 17 anos, quando se mudou para a cidade para estudar. “Vou sentir falta principalmente da comidinha da mãe”, conta ao G1 Renata, que a partir de segunda-feira (29) perderá os mimos diários da mãe. “Preciso voltar para casa, para o meu marido”, completa Jacira, que mora emIvorá.

Com bom humor e sorriso no rosto, Renata supera os obstáculos causados pelo acidente. No dia do incêndio, foi à boate com as amigas. Elas estavam em frente ao palco quando começou o tumulto. “Caí por causa daquelas barras. Pingaram em mim coisas do teto, por isso me queimei. A sandália machucou muito meu pé também”, recorda.

Desde que percebeu que tinha sobrevivido a uma tragédia que matou 242 pessoas, cada dia é momento de agradecer. “Ainda não estou 100%, mas quero voltar a trabalhar. Reaprendi a caminhar, é um sentimento que não dá para explicar”.

O importante é que cada um tente buscar seu conforto” Renata, sobrevivente da tragédia

As mudanças influenciaram até mesmo o visual. Antes, Renata cultivava um longo cabelo loiro. Agora, teve de cortar na altura do ombro, já que os fios começaram a cair pelo tempo em que ficou na cama do hospital.

“A gente aprende a valorizar as pequenas coisas. Passei a descobrir novas formas de fazer tudo. Antes era muito ansiosa, tive de aprender a ser paciente”, pontuou.

A mãe acrescenta que durante o tempo de internação a filha chorava muito. “Era muito pela falta de paciência, eu tive novamente um bebê, só que agora de 25 anos. Falei para ela que estou desmamando de novo”, brinca Jacira.

Amigos e família foram essenciais para a recuperação de Renata em Porto Alegre (Foto: Arquivo Pessoal)
Amigos e família foram essenciais para a
recuperação de Renata em Porto Alegre
(Foto: Arquivo Pessoal)

Antes do incêndio, Renata trabalhava na Prefeitura de Júlio de Castilhos, atividade que pretende continuar. “Todo mundo sofre, cada um do seu jeito, da sua forma. O importante é que cada um tente buscar o seu conforto. Temos de evoluir espiritualmente”, aconselha.

O apoio dos amigos e colegas de trabalho foi essencial para suportar os dias de internação. “Ficamos com uma UTI praticamente para a gente. As enfermeiras nos enfeitavam. Tinha dias que era todo mundo de chiquinha, outra de trança”, lembra.

Durante pelo menos dois anos, Renata terá de continuar na fisioterapia. Ela tem visitado também o Acolhimento, local onde tem consultas com uma psicóloga. “O principal é o apoio da família e a força de vontade. A gente tem de superar”, finaliza.

Renata aproveita os mimos e a comida da mãe (Foto: Luiza Carneiro/ G1)
Renata aproveita os mimos e a comida da mãe (Foto: Luiza Carneiro/ G1)
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