Será que estamos voltando às nossas origens?

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Nos últimos anos, na área da saúde, houve um resgate da importância da qualidade de vida, funcionalidade, exercício físico alimentação adequada, entre outros. Décadas atrás, a ênfase na medicação, hospitalização era clara (“modelo curativista”), pouco se falava em prevenção! Hoje a mídia intensifica essa visão preventiva, toneladas de estudos ratificam-na, e nós o que estamos fazendo?
Os aspectos clínicos laboratoriais ainda estão fortemente imbricados na formação do profissional Fisioterapeuta, em termos de terapia intensiva, essa mudança de paradigma é notória. Tínhamos a ventilação mecânica como o cerne de nossa atuação, porém as evidências atuais dos últimos 13 anos reforçam a mobilização de pacientes críticos como o principal papel do Fisioterapeuta intensivista.  Ué, mas o nosso papel não é o movimento? Isso não é contraditório, nos afastamos da nossa principal missão e agora estamos retomando o curso? Ou seja, recebemos um carrinho por trás (jargão futebolístico).
Talvez por um encantamento normal pela tecnologia, o movimento humano foi sendo deixado de lado, pouco discutido… Mobilização passiva em um plano de movimento apenas e quando dava tempo era suficiente. Isso caiu por terra, cada vez mais pacientes sobrevivem às internações em UTI e cada vez mais recebem alta com sua capacidade funcional extremamente comprometida. Soma-se às discussões sobre Classificação Internacional de Funcionalidade (que ainda não estamos fazendo adequadamente) e pimba – VAMOS TER QUE VOLTAR A MOBILIZAR AS PESSOAS!!!
O interessante é que hoje percebemos o retorno da eletroestimulação em UTI, uma preocupação em mobilizar progressivamente e de maneira sistematizada, pesos, alteres, deambulação, ortostatismo passivo, sedestação beira do leito e em poltrona, conceitos do PNF e Bobath, cicloergômetros… Nada disso é novo, porém abandonamos… Ficamos fazendo tudo menos o nosso real papel.
Aspiramos, titulamos oxigênio, parametramos o ventilador, e a capacidade funcional do paciente onde fica? Pegue um prontuário de um serviço de fisioterapia, quantos marcadores funcionais existem lá? A maior parte são aspectos clínicos e laboratoriais, mas isso está mudando, estamos retomando a consciência perdida. Não posso dizer que mobilizei globalmente, que fiz cinesioterapia, temos que ser mais específicos, qual a carga, tempo, frequência… E temos que provar, temos que mensurar os ganhos funcionais de nossos pacientes.
Ainda não temos escalas funcionais específicas para UTI, porém a adaptação do Barthel, da MIF, SF 36 e de outros testes, estão sendo fortemente estimulados. Talvez o teste mais simples, e que possui crescente evidência científica é o teste manual de força muscular (aquele mesmo de 0-5 que teimamos em não fazer). Hoje aplicamos ele de uma maneira sistematizada com grupos musculares específicos e foi apelidado de MRC.
Vamos discutir o movimento humano meu povo, mas vamos medir, vamos dosar… O caminho é esse!

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