O salário do Fisioterapeuta – parte II

Continua após anúncios...

 

Caros colegas. Em função do texto da edição passada, volto ao tema referente ao salário do fisioterapeuta, agora voltado para o próprio profissional. Apesar de ser uma colocação desconfortável, considero o profissional responsável por grande parte da culpa pela maior parcela das situações inadequadas pelas quais passamos.

Sabe-se que, no Brasil, os profissionais da área da saúde não são bem remunerados via de regra. A exceção fica por conta do serviço público federal e algumas unidades estaduais que tenham alguma autonomia e apresentam salários diferenciados. No mais, os salários oferecidos chegam a ser um deboche com as categorias.

Em relação à fisioterapia o problema torna-se mais angustiante por vários motivos: o tratamento fisioterápico de médio e longo prazos apresentam custo financeiro elevado, sendo impossível para as famílias manterem por muito tempo um tratamento sequencial de qualidade. A partir daí, se o tratamento não puder ser interrompido, inicia-se uma competição absurdamente desastrosa, onde quem cobrar menos pelo atendimento passa a tratar do paciente.

Há relatos de atendimentos por R$2,00. Não foi erro de digitação, o atendimento por dois reais é uma realidade. Em função disso, vários desdobramentos passam a ser evidentes. Se o profissional cobra dois reais, porque o paciente pagará oitenta, cem reais pelo mesmo tratamento (dentro do raciocínio leigo de que é o mesmo tratamento); o profissional que cobra esse valor ou proporcionalmente menos para competir é um fisioterapeuta consciente da sua responsabilidade junto àquele que recebe seu atendimento e junto à sociedade? O fisioterapeuta qualificado, consciente, comprometido, estudioso, ético, que valoriza seu trabalho e o desempenha com qualidade, seriedade e amor não merece receber o valor proporcional e justo pela sua competência?

É nesse ponto que focalizo o porque de achar que o fisioterapeuta é o principal culpado da situação salarial e, por conseqüência, de mercado que presenciamos hoje.

É fundamental que o profissional se nivele por cima. Não importa o comportamento das outras categorias; o que interessa é que o fisioterapeuta seja sempre muito bom e valorize o próprio trabalho para que todos também o façam. Costumo afirmar que, só encara com argumentos aquele que sabe e tem embasamento para o que está falando; quem não sabe se submete e se submete como conseqüência direta da sua incompetência, não tem o que reclamar. Se todos forem bons, não haverá como nivelar por baixo nem como permitir a vulgarização e mesmo a prostituição da  profissão. Para isso começar a acontecer é necessário que a graduação melhore urgentemente a formação dos profissionais não só no aspecto técnico-científico, como também ético e de conhecimento a respeito do que é realmente a fisioterapia. É fundamental que os docentes fisioterapeutas tenham pleno vínculo com a profissão e não, como faz uma minoria, falem em sala de aula que a fisioterapia está com o mercado saturado, que os alunos deveriam procurar outra carreira, que não sabem o que os alunos estão fazendo ali, entre outros comentários desastrosos e sem ética.

Continua após anúncios...

Quanto mais consciente for o aluno do primeiro período a respeito da profissão que escolheu, quanto mais subsídios ele tiver precocemente para crescer e entender que o profissional se forma quando inicia o curso e não quando termina, melhores profissionais teremos e, com certeza, não haverá lugar para as submissões que vemos acontecer no dia-a-dia.

Outro ponto que contribui para o quadro atual é a falta de opções e de vagas na esfera pública (federal, estadual e municipal) uma nação decente para com os seus habitantes. Se os governos entendessem e agilizassem a funcionalidade da saúde, o panorama seria outro. Em relação à fisioterapia faz-se necessária uma literal invasão dos hospitais públicos.

Há anos que venho repetindo que, o futuro da fisioterapia de qualidade está nos hospitais. Porque no hospital público essa noção torna-se mais clara? Porque lá está o contingente mais necessitado da atenção fisioterapêutica primária, secundária e terciária. Lá a fisioterapia se mostra em toda a sua amplitude e competência na busca pela respeitabilidade e dignidade profissionais. Nos hospitais e clínicas particulares encontramos até fisioterapeutas em maior quantidade, mas a realidade é bem mais preocupante, pois os problemas e distorções são bem mais graves, mas nem por isso o fisioterapeuta é menos responsável.

Na próxima edição volto ao tema para finalizar com a interferência dos planos de saúde e da exploração aviltante dentro da categoria.
Até a próxima.

Se desejar, use os botões abaixo para compartilhar.

7 comentários em “O salário do Fisioterapeuta – parte II”

  1. André Luiz Vieira

    É um prazer concordar e ter trabalhado com você, o profissional tem que se valorizar,para ser remunerado dignamente.

  2. Parabéns pelas colocações. Concordo plenamente, cabe a nós profissionais mudarmos esse cenário, estamos atrasados mas não podemos desistir.

  3. Gostaria só de agradecer a Deus pois vendo os depoimentos dos colegas me sinto tranquilo porém triste pois não é justo isso acontecer, como eu sendo um aluno mediano consegui abrir um consultório e me manter até agora. São 8 anos em um país tão ruim como nosso! Deus obrigado!!! Desejo tudo de bom aos meus colegas de profissão fique com Deus.

  4. No Brasil nao se investe nem em equipamentos pra se prestar um serviço de fisioterapia com descendência …sou fisioterapeuta..e acho um desperdício a competência…

  5. Sou fisioterapeuta e sinceramente desisto…cade os equipamentos que o governo dispõe pra atender….nem aparelhos…nem profissionais….tudo jogado ao deus dara…….

  6. Olá, José. Em primeiro lugar, parabéns pelo texto. Concordo em praticamente todos os aspectos q vc citou.
    Mas vc há de convir q, literalmente, o buraco da fisioterapia é mais embaixo. Sou formado há 7 anos dos quais sempre trabalhei em UTI e vi o crescimento, reconhecimento e respeito da nossa profissão nessa área. Porém, o retorno financeiro não caminha junto com esses três fatores q citei. Tenho uma especialização em UTI e vários cursos, mas q, algumas vezes, não adiantam muito. Recentemente fiz um concurso para o HU da minha cidade e tive até uma boa pontuação. Porém, esbarrei nos anos de serviço, haja vista q os q entraram tinham 10 anos, q era o máximo q o concurso permitia. No fim, acabei me fazendo uma pergunta: de q adianta?!?!?
    Voltando ao investimento profissional, são cursos, aperfeiçoamentos e especializações caríssimos em comparação com o q ganhamos e lhe digo q quem diz q trabalha SÓ por amor desconhece a realidade.
    Claro q há casos em q temos profissionais bem sucedidos, mas são poucos. A maioria, assim como eu, tem q ralar em duas escalas, além de pacientes particulares, pra pagar as contas e sobrar uma “laminha” no fim do mês.
    Infelizmente, tb, existem os q se prostituem e acabam por prejudicar ainda mais a nossa profissão.
    Por fim, queria dizer q por esses e vários outros fatores, q muitos sabem, estou fazendo outro curso superior (e não, não é medicina) com o intuito de obter um reconhecimento, um retorno maior. E não quero ficar rico, se o quisesse jogaria na mega-sena e torceria pra ganhar ou seria jogador de futebol ou então político. Quero apenas um salário digno dos meus anos de estudo investidos.
    Não larguei minha profissão e amo o q faço, mas como alguém citou no texto anterior “amor não paga contas”.

    Abraço, sucesso e saúde.
    Att.

  7. Olá pessoal, meu nome é Guilherme sou formado a 10 anos e a 6 trabalho em UTI neo. Concorco com tudo que foi dito até aqui, porém acho que existe um problema que ainda não foi citado, a organização “politica” da área da saúde tanto no âmbito publico como no privado. Temos hoje no comando da saúde publica e principalmente privada, os médicos, que dominam os altos cargos de planos de saúde, e da áreas publicas. Criando assim uma distribuição desigual e imparcial do dinheiro. Temos como exemplo os repasses dos planos de saúde, quem decide de quanto será o repasse? MEDICOS! A maior prova disso é que não é só a fisioterapia que esta afundando, toda área da saúde esta afundando!Temos hoje uma area da saúde que engloba aproxidadamente 10 profissões e que só uma ganha dinheiro,MEDICOS! Fisios,enfermeiros, fonos,nutricionistase etc… Tiveram sua responsabilidade e atuação aumentadas( o que é bom!)Porém o retorno financeiro não condiz com esse aumento.Nào acho que essa seja a única causa de tudo, mais que tem uma grande parcela de culpa tem! O que vcs acham?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.