Reflexões sobre o dia do fisioterapeuta

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Estamos nos aproximando do dia do fisioterapeuta. Como de hábito, muitas comemorações acontecem, além de eventos científicos como Jornadas e Congressos. Considero muito importante refletirmos sobre a data, focalizando dois pontos – das conquistas e do que falta conquistar.
Nesses 44 anos de regulamentação da profissão muito se caminhou. Saímos de uma condição restrita às ações terciárias da saúde, passamos a atuar em todas as especialidades clínicas, mais evidências científicas ajudam a consolidar e dar credibilidade à fisioterapia, saindo do achismo e empirismo, argumento tão comumente utilizado por outras categorias em épocas passadas com o objetivo de denegrir nossa imagem e diminuir nosso valor profissional; passamos a atuar em todas as unidades hospitalares, desde o ambulatório até as unidades fechadas, sempre com pertinência e competência. No campo acadêmico, passamos a ter especialistas, mestres, doutores e docentes com maior qualificação, as pesquisas vêm aumentando de forma gradual e o fisioterapeuta vem ocupando cargos de maior destaque na gestão e em setores políticos.
Tomando por base essas conquistas importantes e definitivas, deveríamos nos considerar uma categoria plenamente satisfeita e realizada; porque não ocorre dessa maneira na vida prática, no dia-a-dia do fisioterapeuta? Aí entra o segundo ponto a que me referi – o que falta conquistar. Sabemos que a saúde no Brasil está um caos. Somos mais de 200 milhões de brasileiros, sendo que mais de 150 milhões dependem do SUS. A mídia retrata a decadência e o sucateamento dos hospitais públicos universitários ou não, chama a atenção para a falta de médicos e de profissionais de enfermagem, mas em relação ao fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo? Ninguém ressalta a relevância desses profissionais desde os aspectos preventivos até o processo pleno reabilitacional. Constantemente a fisioterapia é citada pela mídia quando alguma personalidade necessita de nossos atendimentos, as novelas volta e meia apresentam algum personagem sendo submetido a tratamento fisioterápico. Isso é suficiente? Obviamente que não. A sociedade e as demais categorias da saúde, além das autoridades desconhecem a real atuação nossa e a relevância do que fazemos. São muitas frentes sem fisioterapeutas. Os hospitais, de modo geral, apresentam um quantitativo abaixo das necessidades, o que o SUS e os planos de saúde repassam em relação à fisioterapia é aviltante; os atendimentos domiciliares estão cada vez mais escassos, pois os honorários não são viáveis para a grande maioria da população.
Qual é o resultado mais imediato desse quadro? Debandada significativa de profissionais. Muitos estão abandonando a profissão, outros estão mudando de categoria, há aqueles que estão buscando concursos públicos em áreas que nada têm a ver com a fisioterapia; os cursos de graduação vêm encolhendo a cada semestre e, por consequência, os cursos de pós-graduação, extensão e stricto sensu. Não há dinheiro, não há estímulo, não há aprimoramento e o resultado é a piora da qualidade dos serviços prestados.
Esse quadro precisa mudar com urgência e é possível mudar. Há profissionais que estão bem financeiramente e bem situados no mercado, mas não é a regra. A maioria está decepcionada, desestimulada, sub-empregada e com ganhos bem abaixo do razoável. É momento de nos valorizarmos perante as demais categorias da saúde e mostrarmos que somos tão importantes quanto qualquer uma delas. O trabalho que realizamos é de extrema relevância, mas nós é que temos de mostrar isso pelas nossas ações práticas. É necessária a união de todos os profissionais em âmbito nacional para que os salários melhorem, a quantidade de profissionais aumente nas unidades de saúde, assim como a qualificação desses mesmos profissionais.
É necessária a união entre os Conselhos, Sindicatos, Associações, assim como ações políticas direcionadas à fisioterapia.
Nos Congressos e Jornadas científicas, é fundamental que haja sempre espaço para se discutir a situação e os rumos da profissão. Não podemos fechar os olhos a essa realidade cruel pela qual passa a nossa categoria. Não dá para, simplesmente, comemorar como se tudo estivesse ótimo. A luta é permanente e o tempo perdido não volta. Vamos refletir sobre isso, divulgar, arrebanhar mais e mais colegas para que o movimento cresça e possamos comemorar de outra maneira no próximo dia do fisioterapeuta. Quem ama realmente a profissão sabe do que estou falando e há de me dar um voto de confiança.
Até a próxima

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