Rede pública tem déficit de fisioterapeutas

Quem precisa de tratamento de fisioterapia em Rio Preto chega a esperar mais de um ano. O motivo pode estar no número insuficiente de profissionais que atuam na rede municipal de saúde. Hoje são 37, enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda, como padrão mínimo de garantia de assistência, um fisioterapeuta para cada mil habitantes, ou seja, seriam necessários 450 profissionais desta área – tanto na rede pública quanto privada. O serviço municipal oferece apenas 8% do mínimo necessário.

A rede estadual não informou o número de fisioterapeutas que realizam atendimento na cidade. Para o Conselho Regional de Fisioterapia, o número é insuficiente. O órgão afirma que existe um número de profissionais capaz de prestar atendimento à população, no entanto, a maior parte deles está na rede privada.

A Secretaria Municipal de Saúde se recusou a fornecer o número de pessoas na fila para tratamento. Limitou-se a dizer, em nota, que “os pacientes que necessitam dos serviços de reabilitação são acolhidos e são avaliadas as prioridades clínicas e, a partir deste momento é agendado o atendimento conforme a necessidade”.

A média mensal de atendimentos de fisioterapia é de 5.070/mês, realizados em nove locais, entre eles, o Centro Especializado em Reabilitação e o Núcleo Integrado em Reabilitação.

Difícil espera

Com um problema na coluna chamado protrusão de disco (distensão do anel fibroso que envolve os discos intervertebrais) e sentindo fortes dores, o advogado Henrique Daniel, 44 anos, conta que demorou mais de um ano para conseguir ser encaminhado a uma clínica na zona norte. Ao chegar com o encaminhamento, foi informado que entraria em outra fila de espera. “O atendimento de fisioterapia foi ótimo, mas até chegar lá demorou muito. Primeiro, você espera uns dois meses para passar por um clínico, que te encaminha para o especialista, e aí são mais quatro ou cinco meses. Até conseguir fazer a ressonância, sair o resultado para o especialista encaminhar para o tratamento foi mais de um ano.”

Henrique passou pelo tratamento durante nove meses e após a alta ainda sente dores, que ele tenta amenizar com fortalecimento praticando musculação e exercícios que aprendeu durante as sessões de fisioterapia. “Deveria ser um tratamento com mais tempo.”

Reuniões

Para tentar reverter essa situação, presidente e diretores do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de São Paulo (Crefito-3) estão desde esta terça-feira, 17, em Rio Preto fazendo uma série de visitas a instituições. E nesta quarta, 18, terá reuniões com autoridades municipais e representantes do setor privado de ensino e saúde. A preocupação da entidade também se refere ao número de profissionais de terapia ocupacional: a rede municipal conta com 13, que atendem em seis locais, somando a média mensal de 1.480 atendimentos.

“A falta desses profissionais acarreta dano quase que irreparável, à medida que piora a qualidade de vida das pessoas que não têm acesso ao atendimento que necessitam. Os profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional ajudam não só na reabilitação, mas na socialização do indivíduo como um todo, na volta à sua família, ao trabalho à escola sobretudo num tempo mais curto e com melhor qualidade, apto e pronto à sua atividade”, disse o presidente do Crefito-3, José Renato de Oliveira Leite.

Ainda de acordo com José Renato, dados do IBGE relativos ao último censo, em 2010, indicam uma carência de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais nos serviços públicos de todo o país. “Essa carência fica mais aguda quando fazemos o cruzamento de dados do censo com a renda familiar. A maior parte dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais está no serviço privado, e a maior demanda está no setor público. A conta não fecha”, alerta.

Crefito quer ampliar serviço

No primeiro dia de visitas, nesta terça, o grupo visitou o HB e Hospital Criança e Maternidade, além de reuniões com representantes da Famerp e setor privado.

Nesta quarta, a reunião acontecerá com o prefeito Edinho Araújo e secretário de Saúde, Aldenis Borim. “Há um estudo para contratações e vamos discutir a ampliação do serviço municipal desses profissionais”, disse o conselheiro do Crefito-3, Demosthenes Santana.

Os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, segundo Santana, são responsáveis também pela prevenção e promoção da saúde física e mental. “São profissionais que podem auxiliar de forma preventiva, melhorando a qualidade de vida do cidadão.”

‘Cuidado integral’

Em resposta ao déficit apontado pelo Crefito, a Secretaria de Saúde, em nota, diz contar com profissionais qualificados “para um cuidado integral e humanizado”. E que “o número de profissionais “está contemplado no planejamento na rede de reabilitação”. (TP)

Fonte: www.diariodaregiao.com.br

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