PROGRAMA DE REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR NOS REEDUCANDOS USUÁRIOS DE CRACK NA AGÊNCIA GOIANA DO SISTEMA PRISIONAL

APPLYING A SCHEDULE OF ACTIVITIES FOR CARDIOPULMONARY CONDITIONING AT CRACK USERS GROUP IN AGENCIA GOIANA DO SISTEMA PRISIONAL.

AUTOR:
RAPHAEL CESAR ARANTES DE OLIVEIRA
GRADUADO EM FISIOTERAPIA PELA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIAS NO 1 º SEMESTRE DE 2005.

LOCAL DE TRABALHO:
AGENCIA GOIANA DO SISTEMA PRISIONAL
END: BR 153, SETOR INDUSTRIAL, APARECIDA DE GOIANIA
FISIOTERAPEUTA
FONE: 62 3201-2962

ENDEREÇO PARA CORRESPONDENCIA:
RUA 13, QUADRA I, LOTE 07, VILA ISAURA, GOIÂNIA-GOIAS.
FONE: 62 8401-3689

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE GOIÂNIA ESEFFEGO
ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E FISIOTERAPIA DE GOIÁS
COORDENAÇÃO DE PESQUISA E EXTENSÃO

PROGRAMA DE REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR NOS REEDUCANDOS USUÁRIOS DE CRACK NA AGÊNCIA GOIANA DO SISTEMA PRISIONAL

RAPHAEL CÉSAR ARANTES DE OLIVEIRA

GOIÂNIA, 2005

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS
ESCOLA SUPERIOR DE EDUAÇÃO FISICA E FISIOTERAPIA DE GOIÁS

PROGRAMA DE REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR NOS REEDUCANDOS USUARIOS DE CRACK NA AGÊNCIA GOIANA DO SISTEMA PRISIONAL

RAPHAEL CÉSAR ARANTES DE OLIVEIRA

Trabalho de final de curso apresentado como exigência parcial para obtenção do título de bacharelado em Fisioterapia, pela Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia do Estado de Goiás – UEG, sob orientação do Prof. Ms. Marcelo Silva Fantinati.

GOIÂNIA, 2005.
Monografia apresentada e aprovada como exigência parcial para obtenção do grau em bacharelado em Fisioterapia em ¬¬¬¬27 de junho de 2005, pela banca examinadora constituída pelos professores:

___________________________________________________________________
Prof. Ms. Marcelo Silva Fantinati

______________________________________________________________________
Profª Esp. Lucieli Boschetti

______________________________________________________________________
Profª Esp. Gilda Soares Faria

SUMÁRIO

RESUMO 04
PALAVRAS CHAVE 04
ABSTRACT 05
KEYWORDS 05
1. INTRODUÇÃO 06
2. O CRACK SOBRE O SISTEMA CARDIOPULMONAR 09
3. REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR 12
3.1. Eficiência Cardiovascular. 12
3.2. Alterações no Sistema Cardiovascular Induzidas pelo Condiciona-
mento Físico. 13
3.3. Outras Adaptações ao Condicionamento Físico. 14
3.4. Circulação Pulmonar Durante o Exercício. 14
3.5. Remoção de Secreção para o Exercício. 16
3.6. Treinamento dos Músculos Ventilatórios Reeducação da Respiração 16
3.7. Importância da Reabilitação Cardiopulmonar 17
3.8. Prescrição de Exercícios no Programa de Reabilitação Cardio-
Pulmonar. 18
3.9. Zona Alvo de Treinamento (ZAT). 20
3.10. A Importância do Fisioterapeuta na Prescrição do Treinamento. 22
3.11. Atividades que Compõe o Programa de Recondicionamento 22 Cardiopulmonar.
4. METODOLOGIA 24
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 26
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 42
7. BIBLIOGRAFIA 44
Anexo 1
Anexo 2
Anexo 3

RESUMO

Pesquisa realizada na Agência Goiana do Sistema Prisional com aplicação de um programa de exercícios para condicionamento cardiopulmonar em uma amostra de usuários de crack, a fim de reduzir a debilidade física, uso de medicamentos e necessidade de hospitalizações. Foram acompanhados 10 reeducandos divididos de forma randomizada em 02 grupos. Um grupo seguiu um protocolo de tratamento e o outro participou como grupo controle. A amostra foi submetida ao Teste Ergométrico de Cooper de 12 minutos em esteira rolante como parâmetro de evolução e comparação, colhendo os dados vitais em repouso, após 6 minutos e imediatamente após 12 minutos. O programa foi utilizado num período de 3 meses com 3 a 5 sessões semanais. O estudo mostrou que o programa de exercícios melhora a aptidão cardiorrespiratória sempre que há um afastamento total ou mesmo parcial do consumo do crack; e que, em caso de inatividade física, somado ao consumo do crack, ocorre alterações negativas dos níveis hemodinâmicos. Também ficou claro que o programa apenas mantém os níveis hemodinâmicos em caso de continuidade do consumo do crack.

Palavras Chave: Crack, Sedentarismo, Exercício Aeróbico.

ABSTRACT

This research was developed in the “Agência Goiana do Sistema Prisional”, applying a schedule of activities for cardiopulmonary conditioning at crack users group, due to reduce the physical weakness, medicine use and the need of hospitalization. Ten patients were attended randomized into two groups. One group followed a treatment register and the other one, played like a control group. The sample was submitted to the “Ergometric Test of Cooper” for twelve minutes in a rolling mat for a evolution and comparisson parameter, picking vital data in a rest, after six minutes and imediatly after twelve minutes. The program was applied through three months with three until five weekly sessions. The study revealed that the schedule of activities increases the cardiopulmonary capacity as long as the consuming of crack is stopped or reduced; in the case of physical inativity, along with the crack consuming, negative changes occurs in breath and blood levels. It was evident that the program only keeps breath and blood levels in the case of persisting crack consuming.

Keyworks: Crack, Sedentary, Aerobic Exercises.

1. INTRODUÇÃO

A importância do exercício físico é demonstrada pelas adaptações fisiológicas ao treinamento de resistência cardiovascular, como aumento do volume e peso do coração, do tamanho do ventrículo esquerdo, redução das freqüências cardíacas de repouso e submáxima, aumento do débito cardíaco, do volume de ejeção, da formação de capilares periféricos, das enzimas aeróbicas, além da redução das pressões sistólica e diastólica (HALL, 2001).
Segundo Leite (2000) as adaptações fisiológicas ao treinamento de resistência muscular incrementam fortalecimento das estruturas esqueléticas, músculo e articulações ósseas, com melhora de força, flexibilidade e coordenação.
Alterações respiratórias também são observadas pelo treinamento de resistência à fadiga, elevando os volumes pulmonares sem alteração do volume corrente, ampliando a capacidade de difusão pela superfície alvéolo-capilar aumentada, uma quantidade mais baixa de ar ventilado com o mesmo consumo de oxigênio com aumento na eficiência ventilatória (KISNER, 1998).
O exercício aeróbio aumenta a tolerância ao exercício, diminuindo a dispnéia e gerando maior eficiência para o trabalho muscular, isto faz com que o paciente tenha ao longo do tempo uma diminuição no número de hospitalizações. Melhora a relação ventilação/perfusão (V/Q), porque ele vai aumentar a abertura dos alvéolos, bem como a vascularização dos mesmos. Isto faz com que o paciente melhore a absorção de oxigênio para poder realizar sua atividade de vida diária, ser mais independente, pois ocorre uma diminuição na fadiga e como conseqüência haverá uma diminuição da dispnéia.(UNIFESP, 2005)
Foi demonstrado que um programa de treinamento de exercícios é capaz de reduzir substancialmente a necessidade ventilatória para qualquer exercício, e o melhor mecanismo para a redução na ventilação é a redução nas concentrações de ácido lático. O treinamento estimula alterações nos músculos exercitados, os quais aumentam a densidade capilar, o número de mitocôndrias e a concentração de enzimas do metabolismo aeróbio. A principal conseqüência dessas alterações é a maior capacidade de extração de oxigênio pelos músculos treinados, o que retarda a acidose lática. (UNIFESP, 2005)

Os benefícios de um programa de treinamento de exercícios são:
“Como podemos observar, os benefícios são físicos, metabólicos, psicológicos e sociais, melhorando “qualidade de vida” do participante. Como foi mencionado anteriormente, nosso organismo necessita de trocas bioenergéticas e nosso corpo necessita de exercícios aeróbicos vigorosos e regulares, principalmente se nosso trabalho for sedentário e nosso estilo de vida, parado.” (LEITE, 2000).

Isto explica o porque da publicação em Healthy People, 2000; onde, um dos objetivos para os americanos neste século, é aumentar consideravelmente a proporção de pessoas que estejam engajados em atividade física vigorosa, que promova o desenvolvimento e manutenção do preparo cardiorrespiratório. (PALMA, 2000)
O sedentarismo criou “a doença hipocinética ocidental” que gera um indivíduo inápito fisicamente, estressado, com hábitos de substituição nocivos à saúde como o tabagismo, alcoolismo e drogas (LEITE, 2000).
Na Penitenciaria Coronel Odenir Guimarães, antigo CEPAIGO, esta realidade não é diferente. O espaço recreacional, denominado “convívio”, é separado em nove alas, sendo que duas dessas alas estão subdivididas em mais três e quatro alas respectivamente. Tal situação denota melhor segurança, mas, por outro lado, agrava ainda mais o espaço para as atividades esportivas, que tanto afasta os reclusos das drogas.
Com isso, podemos afirmar que exista uma estreita relação entre o sedentarismo e o consumo de drogas dentro da Penitenciaria de Goiás, onde, segundo Nappo (1996), a última droga a ser consumida, numa seqüência, é o crack, pelas novas sensações buscadas pelo químico dependente.
O crack, que é uma forma fumável de cocaína afeta o sistema cardiovascular do mesmo modo que o estresse, estimulando o sistema nervoso simpático a aumentar sua produção de adrenalina. A oscilação de adrenalina causa constrição severa das artérias, um aumento súbito da pressão sanguínea, batimentos cardíacos rápidos e irregulares e convulsões (GOODMAN & SNYDER, 2003).
Nos últimos anos tem havido uma mudança drástica nos padrões de uso da cocaína (COC) quanto a via de administração: devido o advento do crack, mudou da intranasal e/ou intravenosa para a via respiratória, através do ato de fumar. As razões para este fato parecem estar embasadas no alto potencial de abuso desta forma de uso, onde os efeitos prazerosos buscados ocorrem mais rápida e intensamente quando comparados à via intravenosa. Ressalta-se ainda o acrescimento de fatores ambientais e sociais, como, por exemplo, conveniência e facilidade de aquisição, não-necessidade da parafernália relativa às drogas injetáveis e segurança quanto à impossibilidade de transmissão de doenças por esta via.
A prática de fumar a forma básica da COC, o mais comumente crack, é fenômeno relativamente recente, que, para Zeizi (2003) data de meados da década de 80 a referência de o crack ter se tornado sério problema nas principais cidades americanas. Na Europa, o problema emergiu no início da década de 90. Na cidade de São Paulo, a primeira apreensão de crack ocorreu no final de 1992 e, semelhança do que vem ocorrendo em outros países, o número de apreensões de crack subiu significativamente, superando, por vezes, aqueles relativos à forma de sal de cocaína.
O fácil acesso ao crack deve-se à preferência dos traficantes por comercializar esta forma, pois gera maior lucro em curto prazo. Como a farmacodependência instala-se rapidamente, o usuário torna comprador assíduo. Além disso, as quantidades de crack utilizadas pelos usuários são maiores quando comparados com outras formas.
Dada a facilidade na utilização do crack, é importante se considerar a população potencialmente exposta composta basicamente de indivíduos jovens do sexo masculino (ZEIZI, 2003).
Para Nappo (1996), identifica-se um comportamento muito similar entre esses indivíduos, os quais estão sempre buscando novas sensações e desafios, o que também inclui aumento de riscos no consumo de drogas, buscando outras que, apesar de oferecerem novas sensações, geram mais riscos, estimulando ainda mais ao consumo. Os usuários de droga avançam nessa busca de emoções até depararem com uma que lhes impossibilitem troca ou dificultem volta devido à dependência e/ou compulsão que se instala, onde concluiu ser essa droga o crack.
Unindo essas três vertentes, temos a tríade: crack, sedentarismo e reclusão; sendo esta última o fator que acentua e acelera o mecanismo de interação entre inatividade física e consumo de substâncias nocivas à saúde.
Neste estudo objetiva-se comprovar a eficácia do programa de recondicionamento cardiopulmonar nos usuários de crack ao reduzir a debilidade física, uso de medicamentos e necessidade de hospitalizações; além de melhorar a qualidade de vida dos reeducandos e retorno às atividades de vida diária (AVD), utilizando-se de recursos fisioterapêuticos como a cinesioterapia, manobras pulmonares reexpansivas, manobras pulmonares obstrutivas e exercícios aeróbios.
2. O CRACK SOBRE O SISTEMA CARDIOPULMONAR

A cocaína (COC) é um dos alcalóides presentes nas folhas provenientes de Erytroxylum coca e E. truxillense, vulgarmente denominado coca. A Erytroxylum coca é a principal fonte da produção ilícita. Após maceração, as folhas são convertidas em pasta de coca, que constitui a forma de tráfico e que é eventualmente utilizada para produzir o cloridrato de cocaína – COCHCl sal mais comumente empregado na auto-administração. Estima-se que 100 kg de folhas de coca dão origem a 1 kg de pasta de coca e 0.8 kg do respectivo cloridrato. (ZEIZI, 2003).
O crack é uma forma fumável de cocaína capaz de causar grande dependência; é processada a partir do hidrocloreto de cocaína pela adição de amônio ou bicarbonato de sódio e água, aquecendo-se a mistura ate produzir a base livre. Quando resfriado, forma-se a pequena “pedra” cristalina que pode ser vendida em pequenas quantidades, o que torna o crack mais barato e contribui para sua popularidade. O nome crack alude ao som que se ouve quando as “pedras” de cocaína são fumadas.(ROBES, 1997).
Um subproduto da cocaína é a merla, de consistência pastosa que é e que é obtido através do tratamento remanescente das folhas de coca após o processo de refino (chamada de cocaína oxidativa) e pela adição de acido sulfúrico, querosene, cal e pó barilha (produto utilizado para limpar piscinas).(ROBES, 1997).
O mecanismo de ação mais conhecido da cocaína é o bloqueio da recaptura pré-sináptica da Norepinefrina (NE) e, também, a inibição da Monoamina-Oxidase (MAO). Como conseqüência, a cocaína provoca um acúmulo do neurotransmissor; mecanismo este explicativo do aumento da atividade física observada em usuários de droga.
Quando fumada, a cocaína é absorvida pelos capilares pulmonares; saindo dos pulmões, vai para o lado esquerdo do coração, e daí diretamente para o encéfalo; seus efeitos são perceptíveis em sete ou dez segundos.(ROBES, 1997). Na realidade é rapidamente metabolizada e por isto seus efeitos são pouco duráveis, e a depressão crônica é uma das razões de repetidas doses em poucas horas.(D. B. FILHO, 1988).
A administração da cocaína na forma de base livre (crack, merla, pasta de coca) fumada pode ser comparada à via intravenosa em termos de velocidade de absorção, pico de concentração plasmática, duração e intensidades dos efeitos. O ato de fumar COC na forma de base livre oferece o meio mais rápido de penetração do fármaco na corrente sanguínea, através da absorção pelos alvéolos pulmonares. Isso resulta em maior rapidez de aparecimento e intensidade de efeitos experimentados pelo usuário, se comparada à via intravenosa, onde, para Zeizi (2003) os efeitos intensos ocorrem em 1 a 2 minutos. A duração dos efeitos é considerada curta para as duas vias, sendo que aqueles relacionados à via respiratória são considerados mais pronunciados e rápidos que os observados pela via intravenosa.
Daí a mudança de padrão de uso verificada nos últimos anos, pois a não estigmatização relacionada ao uso de agulhas e a possibilidade de busca imediata de doses adicionais do fármaco constituem um componente particular de reforço. (ZEIZI, 2003).
Os efeitos no sistema vascular independem da via de administração pela qual se dá a exposição. A capacidade que a COC apresenta de aumentar a freqüência cardíaca e a pressão sistólica, bem como a sobrecarga cardíaca pela vasoconstricção periférica, resultam num aumento da demanda cardíaca de oxigênio. Aumenta também a resistência vascular da coronária, reduzindo o aporte de sangue para o miocárdio. (ZEIZI, 2003).
Como é sabido, o tabaco, tal como a cocaína, também induz a uma vasoconstrição coronária, pela estimulação dos receptores alfa. Como a maioria dos usuários de cocaína também usa tabaco, observa-se uma sinergia dos efeitos vasoconstritores. O uso prolongado da COC pode levar a aterosclerose prematura, como foi demonstrado em estudos com animais e em autopsias de usuários jovens. A capacidade da COC aumentar o consumo de oxigênio pelo miocárdio, ao mesmo tempo que diminui o fluxo sanguíneo pela vasoconstrição coronária e o aumento da agregação plaquetária, com formação de trombo intra coronário, faz dessa droga um causador de isquemia miocárdica, infarto agudo do miocárdio e morte súbita. (PORTO, 1998).
A taquicardia resulta tanto por ação periférica, por aumento da estimulação dos receptores ß-adrenérgicos no miocárdio, como por estimulação central hipotalâmica. Os experimentos mostram que o limiar de fibrilação ventricular é diminuído na estimulação cardíaca simpática. Parece explicar este fato o desequilíbrio homeostásico do cálcio intracelular, que contribuiria para o inicio e manutenção da fibrilação ventricular, com comprometimento ainda maior na já comprometida condução do impulso nervoso, devido ao bloqueio dos canais de sódio. O coração pode responder à intensa estimulação ventricular ectópica com taquicardia, fibrilação ventricular e parada cardíaca. Cita-se também o aparecimento de miocardite, cardiomiopatia e endocardites. (ZEIZI, 2003).
A cocaína fumada é mais freqüentemente associada a complicações pulmonares. Na produção do crack, nem sempre todo éter é evaporado, o que aumenta o risco que queimaduras na via aérea superior. Na intoxicação aguda, os sintomas respiratórios mais freqüentes são: tosse com escarro carbonáceo, dor torácica com ou sem limitação da respiração, hemoptise e broncoespasmo. A dor torácica pode representar resposta a irritação aguda das vias aéreas ou alta concentração de cocaína inalada ou de produtos da combustão do crack. Contudo, deve ser diferenciada da isquemia miocardica e infarto, pneumotórax e pneumomediastino. A tosse e a manobra de valsalva durante o uso da cocaína podem levar a ruptura alveolar com ar dissecando o tecido conectivo peribronquiolar dentro do mediastino, pericárdio, espaço pleural ou tecidos subcutâneos. Outras manifestações agudas são: bronquiolite obliterante com pneumonia, edema pulmonar cardiogênico e não cardiogênico, infiltrados com eosinofilia ou pneumonite intersticial, hemorragia ou infarto pulmonar. (B. FILHO, 1988).
Os danos respiratórios do hábito de fumar crack são conhecidos como “pulmões de crack”. Entre os efeitos inclui-se o aparecimento de bronquiolite obstrutiva, infiltrados e granulomas pulmonares, broncoespasmos, dispnéia, tosse, opacidades pulmonares e rinorréia de liquido pleural. (ADEBAL, 2001)
Quando o adulterante é o talco ou cal, pode levar á fibrose pulmonar. Dependendo da procedência da forma básica utilizada, outros compostos são passiveis de inalação. A pasta de coca, por exemplo, além dos alcalóides da planta, apresenta resíduos de querosene, gasolina, chumbo e manganês. (ZEIZI, 2003).
As vias dopaminérgicas parecem estar envolvidas com os mecanismos da euforia e do comportamento compulsivo de busca da cocaína, que caracterizam o fenômeno de dependência desenvolvido pelo fármaco. A cocaína é considerada a substância com maior potencial de abuso que se tem conhecimento e isso se deve à sua poderosa capacidade de produzir reforço positivo (efeito desejado), o que é atribuído à potenciação da neurotransmissão dopaminérgica dos neurônios mesocorticais e mesolímbicos.
A depleção da dopamina (DA) após o aumento que ocorre no inicio da exposição à COC está relacionada com o comportamento de busca: o usuário crônico se auto-administra repetidamente o fármaco para aumentar os níveis de DA. A cronicidade desse processo, ou seja, reforço/comportamento de busca, expresso por aumento/diminuição dos níveis de DA, constitui a base bioquímica do ciclo euforia/disforia, que caracteriza o desenvolvimento da farmacodependência à cocaína.

3. REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR

O sistema cardiopulmonar modifica-se significativamente após condicionamento físico. As alterações ocorrem anatômica e fisiologicamente, afetando o sistema de transporte, extração e utilização do oxigênio. As modificações podem ser quantificadas e comparadas aos valores pré-treinamento. (LEITE, 2000)
Segundo Leite (2000) o condicionamento físico é a pratica regular do exercício físico visando melhores condições cardiopulmonares e músculo esqueléticos sem caráter competitivo e em intensidades baixas e moderadas. À medida que cresce a intensidade do exercício físico, cresce a necessidade de oxigênio, pelos músculos em atividade. Para esforços contínuos e prolongados o sistema energético predominante é o aeróbico que para funcionar adequadamente necessita de um eficiente sistema cardiorrespiratorio, ou seja ele depende da capacidade do organismo:
1. absorver oxigênio
– ar atmosférico
– vias aéreas superiores
– pulmão
2. transportar oxigênio
– coração
– vasos sanguíneos
– sangue
3. entregar e utilizar oxigênio
– respiração interna
– diferença arteriovenosa

A reabilitação cardíaca é hoje uma terapia da área de saúde aceita e incorporada na terapia médica tradicional, um fato consumado internacionalmente.(LEITE, 2000).

3.1 – Eficiência Cardiovascular

Para Leite (2000) o conceito de eficiência cardiovascular baseia-se no fato que indivíduos que tem freqüência cardíaca menor, associada a volume sistólico maior em indivíduos normais (não cardiopatas), em repouso ou numa intensidade de esforço físico implica num sistema cardiovascular mais eficiente. Esta eficiência é obtida nos programas de recondicionamento físico aeróbio. Quanto maior a eficiência cardíaca, menor será o consumo de oxigênio para um determinado trabalho produzido. O coração é mais eficiente em freqüências cardíacas menores para um determinado nível de trabalho cardíaco realizado.
As capacidades de reserva inotrópica e cronotrópica melhoram significativamente após programas de condicionamento físico. (LEITE, 2000).

3.2 – Alterações no Sistema Cardiovascular Induzidas pelo Condicionamento Físico. (LEITE, 2000).

Em Repouso:
-diminuição da freqüência cardíaca;
-aumento do volume sistólico;
-aumento da contratilidade miocárdica;
-hipertrofia cardíaca.
Durante Exercícios Sub-máximos:
-diminuição da freqüência cardíaca;
-aumento do volume sistólico;
-aumento da contratilidade miocárdica;
-aumento do tônus vagal;
-aumento da diferença arteriovenosa;
-diminuição do duplo produto;
-pequena alteração no débito cardíaco.
Durante Exercícios Máximos:
-aumento do VO2 max;
-aumento do débito cardíaco;
-aumento do volume sistólico;
-baixa na freqüência cardíaca máxima;
-aumento na diferença arteriovenosa.

Segundo Leite (2000) além das alterações cardíacas dos programas de treinamento físico, muitos outros autores concordam que a melhora da tolerância de esforço deve-se a alterações na periferia, ou seja, na diferença arteriovenosa. A diferença arteriovenosa aumenta com o treinamento físico principalmente por:
1. aumento do volume sanguíneo total, aumento do volume sistólico e aumento do oxigênio total transportado;
2. aumento da mioglobina no músculo esquelético;
3. aumento da densidade capilar;
4. aumento das atividades das enzimas aeróbias;
5. aumento da distribuição do fluxo sanguíneo para os músculos ativos.

Isto explica que bradicardia sinusal induzida pelo condicionamento físico é compensada pelo aumento da diferença arteriovenosa que resulta em maior extração de oxigênio pelos músculos esqueléticos em níveis sub-máximos. Mostrando a importância à saúde dos programas de exercícios físicos regulares. (LEITE, 2000)

3.3 – Outras Adaptações ao Condicionamento Físico

A vascularização do miocárdio é aprimorada especialmente em nível arteriolar pelo treinamento de endurance. Mcardle (1992) relata um aumento na massa mitocondrial e na concentração celular de enzimas respiratórias nos corações de animais treinados em corrida e natação forçada. Novos componentes estavam sendo acrescentados às mitocôndrias preexistentes. Essas alterações induzidas pelo treinamento podem permitir que o miocárdio funcione com menor percentual de sua capacidade oxidativa total durante o exercício. Alem disso, podem proporcionar alguma proteção em relação ao processo degenerativo cardíaco vascular.

3.4 – Circulação Pulmonar Durante o Exercício

Durante exercícios intensos, os pulmões são solicitados a absorver até 20 vezes mais oxigênio para o sangue, em relação aos valores de repouso. Esta absorção aumenta de duas maneiras: primeiro, aumentado o numero de capilares funcionantes (abertos) nos pulmões; segundo, aumentando o débito cardíaco em concomitante aumento do fluxo sanguíneo pulmonar, de modo a proporcionar maior quantidade de sangue para troca gasosa alvéolo-capilar na mesma unidade de tempo. (LEITE, 2000)
Parte do débito cardíaco durante o esforço físico é dirigida aos músculos respiratórios, esta fração é proporcional ao esforço ventilatório e ao consumo de oxigênio destes músculos. O débito cardíaco atinge seu valor máximo quando a ventilação pulmonar ainda não o atingiu, mostrando que o custo de consumo de oxigênio da ventilação não é o fator limitante na maioria dos exercícios físicos; portanto, para transportar grandes volumes de oxigênio, a freqüência respiratória, o volume corrente e a capacidade de difusão de oxigênio (alvéolo-capilar) devem aumentar acentuadamente. A difusão e o volume-minuto aumentam com a intensidade do exercício. A difusão de oxigênio aumenta às custas do aumento da área alvéolo-capilar funcionante (abertos) e do aumento do débito cardíaco. (LEITE, 2000)
Os atletas apresentam maiores capacidades volumétricas e de difusão do que os não atletas, em repouso e durante o exercício. O treinamento físico aumenta os volumes pulmonares e a área de trocas gasosas alvéolo-capilar nos pulmões. Somente aumentando o fluxo sanguíneo, nos capilares pulmonares, pode-se aumentar os capilares não funcionantes, havendo dilatação capilar e maior débito cardíaco. Um bom índice para avaliar o estado funcional da ventilação em relação ao fluxo sanguíneo pulmonar é a relação Ventilação/Perfusão. (LEITE, 2000)
Como se sabe, a absorção máxima de oxigênio nos pulmões depende do débito cardíaco máximo. Se o débito cardíaco já esta no máximo e o sangue completamente saturado, então, qualquer aumento do volume-minuto pulmonar não acarretará aumento da absorção de oxigênio. Também, quando a freqüência cardíaca excede a 180 batimentos por minuto haverá menos tempo para saturação da hemoglobina, assim, parte do sangue que sai dos pulmões para as veias pulmonares estará dessaturado, ou seja, em exercícios intensos há uma diminuição da quantidade de oxigênio (com saturação) transportado pelo sangue arterial. Durante o exercício, a pressão sanguínea nos vasos pulmonares aumentam de 10 mmHg para até próximo de 50 mmHg durante um exercício máximo. O aumento na pressão sanguínea pulmonar força o sangue para dentro das áreas pulmonares não difundidas. Em resumo, a eficiência dos pulmões aumenta quando a ventilação pulmonar e a pressão sanguínea aumentam. Durante o exercício, a velocidade circulatória aumenta e o tempo de exposição do sangue ao alvéolo reduz-se para valores significativamente menores: 0,3 a 0,4 segundo (em repouso, o tempo que o sangue fica exposto ao ar alveolar é da ordem de 1 segundo). (LEITE, 2000)

3.5 – Remoção de Secreção para o Exercício

A retenção de secreções pode interferir na ventilação e difusão de oxigênio e dióxido de carbono. A avaliação do sistema pulmonar irá identificar as áreas de retenção de secreções. Um programa personalizado de técnicas para remoção de secreções, voltado às áreas comprometidas, pode otimizar as capacidades de ventilação e, conseqüentemente, de trocas gasosas. Se as técnicas de remoção adequadas forem aplicadas antes da sessão, os pacientes que apresentam retenção de secreções melhoram o seu desempenho em um regime de exercícios. (O’SULLIVAN, 2004).

3.6 – Treinamento dos Músculos Ventilatórios e Reeducação da Respiração

A sensação de falta de ar e a incapacidade de aumentar suficientemente a ventilação costumam ser fatores limitantes para as atividades funcionais e a tolerância ao exercício dos pacientes portadores de disfunção cardiorrespiratório. A otimização da função respiratória pode diminuir a dificuldade de respiração, reduzir a gravidade da falta de ar e aumentar a capacidade de realizar trabalho. O treinamento dos músculos respiratórios tem sido utilizado para melhorar a força e a resistência dos músculos responsáveis pela ventilação, aumentando a eficiência da respiração.
O Treino dos Músculos Ventilatórios (VMT), oferece resistência à inspiração ao abrir gradualmente as aberturas. O paciente respira por essa abertura estreitada, e essa ação carrega os músculos inspiratórios, propiciando o treino dos músculos da ventilação. É possível formular programas de treinamento de força e resistência (endurance) dos músculos respiratórios alterando-se o tamanho da abertura. Embora o VMT não seja considerado como componente essencial da reabilitação pulmonar, pode ser usado em pacientes que apresentam diminuição da força dos músculos respiratórios ou limitação ao exercício causado pela falta de ar. (O’SULLIVAN, 2004).
Apesar de não ser uma técnica de treinamento fisiológico, a reeducação da respiração ensina um padrão respiratório mais eficiente e pode reduzir a dificuldade de respiração. A redução do uso dos músculos acessórios também diminui a dificuldade de respiração.
O’Sullivan (2004) provou que a respiração com o lábio franzido (freno-labial) reduz a freqüência respiratória e aumenta o volume corrente. A respiração freno-labial pode retardar ou evitar o colapso das vias aéreas, possibilitando uma troca gasosa melhor.

3.7 – Importância da Reabilitação Cardiopulmonar

Para O’Sullivan (2004) os programas de reabilitação pulmonar vem sendo estabelecidos com sucesso nos últimos anos. Normalmente, os componentes desse programa são treinamento com exercícios, instruções sobre cuidados respiratórios, educação e apoio psicossocial. A redução lenta e constante do ritmo das atividades do individuo, em decorrência do aumento do desconforto pulmonar, pode ser interrompida pela reabilitação pulmonar. Estudos de seguimento documentaram e sustentaram o aumento na tolerância ao exercício. A reabilitação pulmonar teve como resultado a melhoria dos sintomas, especialmente a dispnéia, durante o exercício e as atividades de vida diária. O aumento das capacidades funcionais pode fazer a diferença entre um estilo de vida independente ou dependente. Provou-se que, entre pacientes que não tiveram reabilitação pulmonar, o percentual de indivíduos internados em clinicas, não sendo capazes de prestar os autocuidados, era maior que entre as pessoas que tiveram reabilitação pulmonar. Relatou-se uma redução no numero de hospitalizações ou de dias passados no hospital pelos pacientes após a reabilitação pulmonar. Também houve relatos de melhora na qualidade de vida dos pacientes que participaram de programas de reabilitação pulmonar.
Os fisioterapeutas têm a importante função de avaliar os pacientes, determinar o seu potencial e garantir, por meio da prescrição e dos programas de exercício, que os objetivos da reabilitação sejam cumpridos. (O’SULLIVAN, 2004).
Os efeitos da diminuição no nível de atividade física podem ser devastadores. Entretanto, existe um paradoxo: quanto menos atividade se fizer, menos atividade poderá ser feita, em decorrência da diminuição da capacidade para o trabalho. O descondicionamento provoca uma queda na capacidade aeróbia funcional. Assim sendo, o custo energético relativo de todas as atividades aumenta e o coração, na verdade, trabalha mais intensamente em qualquer tipo de tarefa. (O’SULLIVAN, 2004).
Na qualidade de fisioterapeutas, a função é clara: entender a fisiopatologia do processo mórbido, fazer uma avaliação precisa do paciente e estabelecer um programa seguro de exercícios. Em última análise, a meta é melhorar a resposta fisiológica do paciente a uma maior demanda de oxigênio e, por meio disso, diminuir o trabalho do sistema cardiopulmonar, particularmente o custo de oxigênio do miocárdio. (O’SULLIVAN, 2004).

3.8 – Prescrição de Exercícios no Programa de Reabilitação Cardiopulmonar

Os exercícios aeróbios seguem protocolos de tratamento individualizado de acordo com a aptidão física do indivíduo, evoluindo na intensidade para gerar os efeitos desejados. Para tanto, a melhor forma de avaliarmos o condicionamento cardiorrespiratório é através de testes físicos que coloquem em estresse o sistema cardiorrespiratorio. (LEITE, 2000).
Nesse sentido, a ergoespirometria computadorizada veio proporcionar um avanço importante para o desenvolvimento de um programa de condicionamento físico, uma vez que possibilita avaliar, de maneira precisa, a capacidade cardiorrespiratória e metabólica, através da medida direta do consumo de oxigênio máximo e da determinação dos limiares ventilatórios, limiar anaeróbio (LA) e ponto de compensação respiratória. Esses limiares fornecem, de forma não-invasiva e com grande precisão, as intensidades de exercício em que predominam o metabolismo aeróbio e anaeróbio, possibilitando uma prescrição adequada e individualizada da intensidade do condicionamento físico. O acesso pouco freqüente e o alto custo da avaliação ergoespirométrica, no entanto, fazem com que os testes de esforço convencionais sejam mais utilizados que a ergoespirometria na avaliação da capacidade funcional. Se por um lado, os testes convencionais avaliam adequadamente as respostas cardiovasculares durante o exercício, por outro, utilizam-se de métodos indiretos para prescrever a intensidade de exercício a ser desenvolvida no programa de condicionamento físico aeróbio. (RONDON, 1998).
É certo dizer que, na prática, avaliações simples como o teste de Cooper de 12 minutos em esteira rolante é eficaz. (LEITE, 2000).
A prescrição de exercícios envolve quatro variáveis que, em conjunto, fornecem uma fórmula de exercício ajustada individualmente, voltada para aumentar a capacidade funcional. Essas variáveis são: tipo, freqüência, duração e intensidade. (O’SULLIVAN, 2004).
Tipo: qualquer tipo de exercício aeróbio sustentado é recomendado para reabilitação cardiopulmonar. Atividades com os membros inferiores (MMII), como andar, correr e pedalar são recomendadas para aumentar a tolerância ao exercício. Exercícios aeróbicos com os membros superiores (MMSS), ergômetro de braço ou pesos livres também devem ser incluídos, a fim de melhorar o desempenho no exercício com os braços. A combinação do treino de MMSS e MMII no programa de reabilitação teve como resultado um estado funcional melhor, em comparação com o exercício isolado dos membros superiores ou inferiores. Muitos programas adotam a abordagem de circuito para treinar grupos musculares diferentes e manter o interesse do participante. (O’SULLIVAN, 2004).
Freqüência Semanal: Os efeitos do treinamento só se desenvolverão com um mínimo de três sessões-treino por semana e a freqüência semanal ideal esta entre 4 a 5 vezes. São necessárias 4 a 5 semanas para observar e sentir os efeitos do treinamento. (LEITE,2000).
Duração: Os efeitos do treinamento de um programa de condicionamento físico só ocorrem devido à interação da duração e da intensidade do programa. O período de condicionamento deve durar de 15 a 60 minutos podendo atingir 1 hora e meia. Este período é a parte ativa continua do programa, podendo sofrer intervalos de 2 minutos. (LEITE,2000).
Intensidade: A intensidade do exercício é de extrema importância para aumentar a aptidão cardiopulmonar e é, para muitos, a parte mais difícil da prescrição. A razão da dificuldade é que o calculo desta intensidade depende de medidas e avaliações da aptidão física total na fase inicial (pré-condicionamento). Muitas prescrições empíricas, sem bases cientificas, tornam-se perigosas para pacientes cardíacos, pneumopatas e idosos. (LEITE,2000).
Para Novaes (1998) existem vários protocolos para determinar a intensidade do treino; todos procuram identificar a freqüência cardíaca máxima (FCmáx.). Entre os mais conhecidos, pode citar o Karvonen (NOVAES, 1998), em que, além da FCmáx., devem-se identificar a freqüência cardíaca de repouso (FCrep.) e a freqüência cardíaca de reserva (FCres.).
Segundo o mesmo autor para obter de forma consistente a FCrep., é necessária alguma prática. A melhor hora de aferi-la é quando despertamos, enquanto ainda estamos deitados. O procedimento mais fácil, caso não possua um monitor de FC, é colocar o dedo indicador e anular da mão esquerda na face interna do pulso direito, aproximadamente 2 cm abaixo da base do polegar, podendo agora, observar o pulso durante 60 segundos. Deve-se observar a freqüência cardíaca toda manha durante uma semana, selecionar o menor resultado ou fazer a media aritmética.
De acordo com Novaes (1998) a Freqüência Cardíaca de Reserva é o valor obtido da subtração entre a FCmáx. e a FCrep.: FCres = FCmáx – FCrep.
A FCmáx é obtida através da seguinte equação: FCmáx = 220 – idade.
Para obter a freqüência cardíaca de treinamento (FCt), utiliza-se a seguinte fórmula: FCt = FCrep + (FCres x % de intensidade). (NOVAES, 1998).
Para Leite (2000) pouco efeito do treinamento é obtido em programas cujas intensidades são menores que 60% da freqüência cardíaca máxima do indivíduo, cujos exercícios aeróbios tem duração menor que 15 minutos e são executados em duas ou menos vezes por semana.

3.9 – Zona Alvo de Treinamento (ZAT)

Novaes (1998) disse que a Zona-Alvo de Treinamento (ZAT) é uma faixa de treino em que o cliente deve trabalhar. Ela compreende um limite superior, ou seja, uma FCmáx de trabalho e um limite inferior, ou seja, uma FCmin. de trabalho. Existem vários tipos de ZAT, definidos a partir dos objetivos individuais e/ou da condição inicial do paciente que seguem abaixo:
a) Zona de Manutenção (restauração)
É a faixa de intensidade utilizada no trabalho com iniciantes ou no retorno das atividades após um período de interrupção, nas sessões de recuperação após um treino exaustivo ou com pessoas dos grupos especiais.
Para identificar a zona de manutenção, a partir da FCmáx, deve-se utilizar 50% para um limite inferior e 60% para o superior. (NOVAES, 1998).
b) Zona Aeróbica Lipolítica
A maior parte do treinamento semanal ocorrerá dentro desta faixa de intensidade, que varia de 60% a 70% da FCmáx.
É utilizada para melhorar o condicionamento físico aeróbio dos clientes e nos programas de emagrecimento. (NOVAES, 1998).
c) Zona de Limiar Aeróbio (aeróbio glicolítico)
É um ritmo de treino adequado para clientes que buscam a melhoria da performance, sendo desaconselhável para iniciantes. Pela alta intensidade do esforço, o não-atleta sente dificuldade de manter por muito tempo um exercício continuo dentro da zona de treino. O treino nessa intensidade provoca o aumento do consumo Maximo de oxigênio (VO2 máx.). A fonte energética predominante nesta intensidade é o glicogênio. O percentual de utilização da FCmáx fica entre 70% e 80%.
Observação: Em um indivíduo não muito bem condicionado, os músculos utilizarão carboidratos como combustível, armazenados na forma de glicogênio. À medida que for melhorando o condicionamento, o organismo passará a utilizar uma percentagem maior de gordura como fonte energética, permitindo um desempenho melhor em um tempo maior, economizando os estoques limitados de glicogênio. (NOVAES, 1998).
d) Zona Mista
Nesta intensidade, o treino é indicado para atletas na busca de resultados competitivos. Os não-atletas só devem treinar neste nível, após um bom período de treinamento básico.
Os benefícios de treinar na zona mista estão no aumento da capacidade do organismo em metabolizar o ácido lático, possibilitando ao atleta suportar, por maio tempo, um determinado esforço em anaerobiose.
O limiar anaeróbio é o momento no qual o ácido lático (produto derivado da contração muscular) começa a aumentar mais rapidamente do que pose ser reabsorvido ou ressintetizado. A FC no limiar anaeróbio aumenta à medida que o indivíduo melhora o seu condicionamento físico.
A FC na zona mista situa-se entre 80% e 90% da máxima. (NOVAES, 1998).
e) Zona de Esforço Máximo
É indicado apenas para atletas de velocidade ou potência. A zona de esforço máximo situa-se numa faixa entre 90% a 100% da FCmáx. Esta intensidade, mesmo para atletas de alto nível, deve ser buscada apenas uma ou duas vezes por semana, evitando os riscos de lesões musculares e articulares. (NOVAES, 1998).
O treinamento físico estimado através da FC deverá levar em conta os seguintes percentuais em relação aos objetivos, conforme Novaes (1998):
100%
Zona de esforço máximo
90%
Zona mista (limiar anaeróbio)
80%
Zona aeróbia glicolítica
70%
Zona aeróbia lipolítica
60%
Zona de manutenção
50%
3.10 – A Importância do Fisioterapeuta na Prescrição do Treinamento.

A prescrição e a administração dos exercícios é feita pelo fisioterapeuta. Pois este possui um profundo conhecimento da fisiologia do exercício, compreende os aspectos fisiológicos que o regulam, conhece os processos metabólicos envolvidos na atividade física e as condições de sua utilização para o treinamento. Além disso, também detém um bom conhecimento dos mecanismos de doença, suas implicações e repercussões fisiológicas assim como também de sua terapêutica. Dessa forma, possui parâmetros de avaliação global do paciente, que o habilita a prescrever exercícios e promover adaptações no tipo e intensidade da atividade física, que sejam seguras e ideais para os quadros clínicos específicos, de situações e patologias específicas, para pacientes igualmente específicos. (O’SULLIVAN, 2004).

3.11 – Atividades que Compõe o Programa de Recondicionamento Cardiopulmonar.

Para permitir que o paciente usufrua os benefícios proporcionados por um programa de exercícios, existem os princípios gerais de treinamento. Primeiramente é feito o treinamento específico. Portanto, com base na avaliação do paciente, é desenvolvido um programa de exercícios que venha minimizar sua dificuldade em particular. No caso da Reabilitação Pulmonar, a caminhada, geralmente é o exercício aeróbico eleito, pois é sem dúvida o mais funcional; os exercícios para membros superiores sempre incluem diagonais de Kabat, também por ter características mais próximas do movimento funcional. Da mesma forma, carga e intensidade devem ser programadas com base nas atividades de vida diária do paciente. Para o paciente o ideal é trabalhar com carga baixa a média por um período prolongado de tempo, melhorando a qualidade do sistema oxidativo, proporcionando maior resistência à fadiga. (UNIFESP, 2005).
Para os pneumopatas, atividades que utilizam a cintura escapular apresentam um problema especial, principalmente aquelas que requerem o uso dos braços sem apoio. Pelo desempenho das atividades do braço, os músculos da cintura escapular (acessórios) deixam de auxiliar na função respiratória e a carga é forçada naturalmente para os músculos respiratórios. Estudos têm demonstrado que a simples elevação dos braços em indivíduos normais resulta num considerável aumento no consumo de oxigênio e da ventilação pulmonar. De um modo geral os indivíduos passam a ter percepção de sua demanda ventilatória. Os resultados de trabalhos disponíveis na literatura indicam que os exercícios com levantamento de peso acima dos ombros, ou seja, não sustentados contra gravidade, parecem oferecer resultados mais satisfatórios. Os exercícios para membros superiores sempre são associados com coordenação da respiração, a fase expiratória deve coincidir com o estiramento no alongamento ou com o esforço durante um exercício de fortalecimento. Pelo treinamento, as demandas ventilatória nesse tipo de atividade são reduzidas, melhorando a eficiência nas atividades de vida diária. (UNIFESP, 2005).
Treinamento de membros superiores tem como objetivo dessensibilizar a dispnéia para atividades que envolvam os membros superiores e a cintura escapular. É realizado através de halteres. São utilizados para este treinamento a primeira e a segunda diagonais do Método de Facilitação Neuroproprioceptiva de Kabat, pela funcionalidade e por solicitar a ação de vários grupos musculares, utilizados na realização de atividades de vida diária que envolvam os membros superiores. Cada diagonal é realizada duas vezes por dois minutos cada, com intervalo de repouso de um minuto entre elas. É solicitado aos pacientes que realizem a expiração durante o movimento para que estes músculos sejam apenas utilizados para esta atividade motora, diminuindo, assim, a dispnéia. Alongamentos são realizados antes e após o treinamento com os membros superiores e inferiores. (UNIFESP, 2005).

4. METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa de campo, com abordagem quanti-qualitativa, realizada na Agência Goiana do Sistema Prisional de Goiás. Situada na Br 153 Km 611, área industrial em Aparecida de Goiânia – CEP 74923-650.
A amostra será recrutada por meio da técnica em cadeias Snowball, (BIERNACKI, 1981), na qual os primeiros entrevistados indicarão outros a serem entrevistados, e assim, sucessivamente.
A seleção do conjunto amostral será através de um questionário fechado (em anexo), para critérios de inclusão ou exclusão.

Como critérios de inclusão será estabelecido:
1. Estar recluso na Penitenciária Cel. Odenir Guimarães.
2. Idade entre 18 e 50 anos.
3. Sexo masculino.
4. Consumidor do crack pelo menos 25 vezes na vida.

Como critérios de exclusão será estabelecido:
1. Estar a mais de 30 dias com abstinência do crack, evitando-se a entrada de usuários e/ou ex-usuários experimentais ou iniciantes para não interferir no resultado.
2. Possuir qualquer defeito músculo-esquelético congênito ou adquirido que prejudique a realização dos testes bem como a realização dos exercícios.
Os reeducandos que possuírem os requisitos para admissão no estudo, serão convidados a participar, após seu consentimento livre esclarecido e serão submetidos a uma avaliação físico-funcional o qual receberão orientações quanto ao plano de tratamento fisioterapêutico.
Serão acompanhados 10 reeducandos divididos em 02 grupos A e B. O grupo A seguirá um protocolo de tratamento enquanto que o B será o grupo controle, isto é, não seguirá nenhum protocolo.
O critério de seleção para a inclusão nos grupos será randomizada.
Todos reeducandos serão avaliados e submetidos ao Teste Ergométrico de Cooper de 12 minutos em esteira rolante. Neste teste, o reeducando percorrerá a maior distancia possível em 12 minutos, ditando seu próprio ritmo. Em repouso é aferida a pressão arterial (P.A), freqüência cardíaca (F.C), freqüência respiratória (F.R); após 6 minutos de corrida ou caminhada, com angulação baixa da esteira, é efetuada novamente a coleta dos dados vitais; imediatamente após 12 minutos com angulação alta da esteira rolante, é coletado os dados vitais finais do teste. É um método de avaliação simples e de baixo custo. Estes resultados serão utilizados como parâmetro na evolução do treinamento aeróbio.
Será iniciado o programa de recondicionamento cardiorrespiratório através de exercícios aeróbios com bicicleta ergométrica e esteira rolante.
Será utilizado o protocolo de Karvonen (NOVAES, 1998), mensurando gradativamente a progressão do treinamento dentro das Zonas Alvo de Treinamento. Zona Alvo de Treinamento de Manutenção nas primeiras 4 semanas, Zona Alvo de Treinamento Aeróbica Lipolítica nas 4 semanas seguintes e Zona Alvo de Treinamento Limiar Aeróbio nas ultimas 4 semanas.
Como parte do recondicionamento cardiorrespiratório, exercícios cinesioterápicos ativo-livre global de membros associado a manobras e padrões ventilatorios reexpansivos, tais como, Padrão Ventilatório de inspiração fracionada em tempos; Padrão Ventilatório de soluços inspiratórios; Padrão Ventilatório de expirações abreviadas e Padrão Ventilatório de respiração diafragmática com propriocepção, sempre com freno-labial. O incentivador inspiratório reexpansivo pulmonar (Respiron) será utilizado a volume com padrão diafragmático.
O programa de recondicionamento cardiopulmonar será utilizado num período de 3 meses ou 12 semanas, com 3 a 5 sessões semanais com duração de 20 a 60 minutos cada sessão.
Ao final do tratamento, será realizado o Teste Ergométrico de Cooper de 12 minutos em esteira rolante para avaliar as repercussões do tratamento.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Comparação da Freqüência Cardíaca (FC), da Pressão Arterial (PA) e da Freqüência Respiratória (FR) ao repouso e nos dois estágios do teste ergométrico na primeira e segunda avaliação. Do 1º ao 5º caso é comentado o grupo submetido ao condicionamento cardiopulmonar.

 


Grupo Controle
Comparação da Freqüência Cardíaca (FC), da Pressão Arterial (PA) e da Freqüência Respiratória (FR) ao repouso e nos dois estágios do teste ergométrico, na primeira e segunda avaliação. Do 6º ao 10º caso é comentado o grupo controle que não participou do programa de recondicionamento cardiopulmonar.


6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Aplicar um programa de tratamento fisioterapêutico clinicamente efetiva para o recondicionamento cardiorrespiratório em usuários de crack, requer um embasamento teórico e prático muito rico. Além disso, torna-se necessário todo um suporte de exames diagnósticos, através dos quais nos seria possível analisar com maior precisão o real quadro do sistema cardiorrespiratorio e também o possível prognóstico de recuperação. Todavia, não podemos contar com tais exames freqüentemente. Dessa forma, torna-se bastante complicada a obtenção de parâmetros mais fidedignos de avaliação que concorreriam para uma melhor adequação da intensidade e qualidade do trabalho a se impor sobre o sistema cardiorrespiratório do usuário de crack. Diante desta impossibilidade de obter índices e parâmetros cardíacos e hemodinâmicos não menos concretos, a prescrição de exercícios para reeducandos usuários de crack passa a depender de parâmetros muito indiretos e um tanto inespecíficos, necessitando bom senso e experiência prática do fisioterapeuta ao utilizar abordagens menos agressivas de tratamento em usuários que estejam ainda sobre os efeitos simpatomiméticos do crack, preservando assim o miocárdio.
Foi observado que o programa de exercícios melhora significativamente o sistema cardiorrespiratório desde que haja abstinência do consumo do crack. Todavia, é verificado que, quando apenas é reduzido o consumo do crack, há discreta melhora do condicionamento cardiorrespiratório. É possível ainda verificar que o programa de recondicionamento cardiopulmonar sustenta os níveis hemodinâmicos praticamente sem alterações quando ocorre uso contínuo do crack . Também ficou evidente que a não execução do programa torna-se ineficaz frente o uso contínuo do crack associado á inatividade física, como ficou demonstrado no grupo controle, pois mantiveram o mesmo estilo de vida, levando a repercussões hemodinâmicas importantes, como é demonstrado na segunda avaliação do teste ergométrico, com elevação dos valores da Freqüência Cardíaca e Pressão Arterial com discreto aumento da Freqüência Respiratória.
Neste estudo foi possível comprovar que um programa de exercícios aeróbicos recondiciona o sistema cardiorrespiratório em usuários de crack, desde que haja afastamento total do consumo do crack, todavia o afastamento parcial do consumo do crack melhora de forma discreta o sistema cardiorrespiratório. Contudo, pudemos comprovar que, diante da clínica e do consumo do crack, apresentados pela maioria dos reeducandos, o programa foi crucial e determinante, não só para que se prevenisse a instalação de complicações cardiorrespiratórias, como também, para que os ele obtivessem um recondicionamento compatível com a efetiva realização de suas atividades de vida diária e readquirissem segurança para retomar seu convívio social, e acima de tudo, para que lhes fosse proporcionada uma sensação de bem estar físico e emocional, a fim de se afastarem do vício do crack.

7. BIBLIOGRAFIA

BIERNACKI, P. Snowball sampling-problems and techniques of chain referral sampling. Sociol meth res. 1981.

FILHO, A. A; et al. Toxicologia na pratica clínica. Ed. Folium. Belo Horizonte-MG, 2001.

FILHO, D. B. Toxicologia humana e geral. 2ª ed. Livraria Atheneu. São Paulo-SP, 1988.

GOODMAN & SNYDER. Diagnóstico diferencial em fisioterapia. 3ª ed. Ed. Guanabara koogan. Rio de Janeiro-RJ. 2002.

HALL, C. M.; et al. Exercício Terapêutico. Na busca da função. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro-RJ. 2001.

KISNER, C.; et al. Exercícios Terapêuticos. Fundamentos e técnicas. 3ª ed. Manole. São Paulo-SP. 1998.

LEITE, F. P. Aptidão física esporte e Saúde. 3ª ed. Robe Editorial. São Paulo-SP. 2000.

LEITE, F. P. Fisiologia do exercício. Ergometria e condicionamento físico desportiva. 4ª ed. Robe Editorial. São Paulo-SP. 2000.

MCARDLE, W. D.; et al. Fisiologia do Exercício. 3ª ed. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro-RJ. 1992.

NAPPO, A. S.; et al. Crack use in São Paulo. Subst use misuse. São Paulo. 1996; 31:565-79.

NOVAES, J. S & VIANA, J. M. Personal training & condicionamento físico. Shape Editora. Rio de Janeiro-RJ. 1998.

O` SULLIVAN, D & SCHMITZ, T. Fisioterapia: Avaliação e Tratamento. 2ª ed, Barueri-SP. Manole, 2004.

PALMA, A. Atividade física, processo saúde-doença e condições sócio-econômicas: Uma revisão da literatura. Health People 2000. Rev. Paul. Educ. Fís., São Paulo, 14(1):97-106, jan./jun. 2000.

PORTO, C. Doenças do coração. prevenção e tratamento. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro-RJ. 1998.

ROBES, J. E.; et al. Farmacognosia biotecnologia. Editorial Premier. São Paulo-SP, 1997.

RONDON, M. U. P. B.; et al. Comparação entre a prescrição de intensidade de treinamento físico baseada na avaliação ergométrica convencional e na ergoespirométrica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Volume 70, (nº 3). São Paulo-SP, 1998.

UNIFESP. Protocolo de Atendimento e Reabilitação [on-line]. Disponível: http://www2.prudente.unesp.br/DFISIO/fisioresp/Trabalho%20%20Protocolo%20de%20Avalia%C3%A7%C3%A3o%20.doc. [capturado em 6 de março de 2005].

ZEIZI, O. Fundamentos de toxicologia. 2ª ed. Atheneu Editora. São Paulo-SP. 2003.
ANEXO 1

Goiânia, 2005

Prezado senhor,

Solicitamos permissão para realizarmos a pesquisa Programa de Reabilitação Cardiopulmonar nos Reeducandos Usuários de Crack na Agência Goiana do Sistema Prisional.
Trata-se de uma monografia de conclusão de curso, com graduação em Fisioterapia, sob orientação do Professor Ms. Marcelo Fantinati. O objetivo é demonstrar a importância do tratamento fisioterápico em reeducandos químico dependentes, melhorando o estilo de vida e reduzindo hospitalizações.
O reeducando será esclarecido sobre a natureza da pesquisa e terá liberdade de retirar o seu consentimento sem causar qualquer prejuízo ao mesmo.

________________________________

Raphael César Arantes de Oliveira

_______________________________

Ms. Marcelo Silva Fantinati
Professor UEG-ESEFFEGO
Orientador da pesquisa

Ao Sr. Getúlio Ferreira Brunes
Diretor Gerencia e Produção da AGSP

Recebi:_____/_____/_____
ANEXO 2

QUESTIONÁRIO

Nome________________________________________________Idade___________

a) Consome cocaína ou crack há quantos anos?
1 ano ( )
2 anos ( )
5 anos ( )
10 anos ( )
+ de 10 anos ( )

b) Iniciou o consumo do crack após ser privado da liberdade?
Sim ( )
Não ( )

c) Caso a resposta anterior seja não, aumentou o consumo do crack após ser privado da liberdade?
Sim ( )
Não ( )

d) Qual a freqüência do consumo do crack?

Diário ( )
Semanal ( )

ANEXO 3

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS / U.E.G.
UNIDADE / UNIVERSITÁRIA/ GOIÂNIA
ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA E FISIOTERAPIA DE GOIÁS
ESEFFEGO
Avenida Anhanguera, 1420– St. Vila Nova – Fones:(62)522-3535; Fax:822-3522/3506
Criada pela Lei Nº 4.640 de 08/10/63
C.N.P.J. Nº 01078450/0001 – 60 – CEP: 74.705 – 010 – Goiânia – Goiás

COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO, PESQUISA E EXTENSÃO

CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO PARA PESQUISA

Você está sendo convidado (a) a participar, como voluntário, em uma pesquisa. Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir e no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é da instituição e a outra é do pesquisador responsável.
Caso existam dúvidas sobre o processo da pesquisa, você poderá entrar em contato com a Coordenadora de Pós Graduação, Pesquisa e Extensão ou a pesquisadora responsável na Escola Superior de Educação Física e Fisioterapia de Goiás, Avenida Anhanguera, 1420, Vila Nova.

INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA: A pesquisa consiste em um questionário e um teste ergométrico que visam possibilitar a realização de uma avaliação cardiorrespiratória e um programa de exercícios aeróbios.Os dados serão utilizados para a elaboração de uma monografia de conclusão do curso em fisioterapia e posteriormente de um artigo de possível publicação.

Pesquisador Responsável: Raphael César Arantes de Oliveira
Orientador (a): Marcelo Silva Fantinati
Instituição: ESEFFEGO
Curso: Fisioterapia
Período: 10° Período.

RISCO DE DESCONFORTO
Consideramos que esta pesquisa não oferece qualquer risco ou desconforto para os sujeitos envolvidos. Não existe, portanto, qualquer tipo de lesão física ou moral, relacionada aos procedimentos da pesquisa.

PARTICIPAÇÃO
A sua participação no estudo é voluntária. Depois de respondido o questionário e realizado os testes sua participação terá sido concluída.

CONFIDENCIABILIDADE
As informações que forem coletadas a partir desta pesquisa, serão privilegiadas e confidenciais e não serão liberadas ou reveladas a qualquer pessoa sem o consentimento por escrito do sujeito envolvido. Caso você aceite e participar dessa pesquisa, informamos que os resultados serão publicados em eventos ou periódicos científicos, sem que sua identificação apareça em nenhum momento.

_____________________________________________
Assinatura do Pesquisador

_____________________________________________
Assinatura do Sujeito da Pesquisa

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