PROGRAMA DE EXERCÍCIOS AQUÁTICOS PARA DOR LOMBAR CRÔNICA: ENSAIO CLÍNICO ALEATÓRIO COM FOLLOW-UP DE 3 MESES

Dr. Jefferson Rosa Cardoso (PR)
Fisioterapeuta, Professor Associado Universidade Estadual de Londrina – UEL, Líder do Grupo PAIFIT, Coordenador do Centro de Fisioterapia Aquática Prof. Paulo A. Seibert e Bolsista Produtividade em Pesquisa CNPq.
PALESTRANTE CONFIRMADO

Dra. Mariana Felipe Silva (PR)
Fisioterapeuta, Mestre e Doutora – UEL-UEM

Dra. Josilainne Marcelino Dias (MS)
Fisioterapeuta, Mestre e Doutora – UEL-UEM, Profa. Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Campo Grande – MS

Dra. Mabel Micheline Olkoski (SC)
Professora de Educação Física, Mestre e Doutora – UEL-UEM, Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, Lages – SC.

Dr. Rodrigo Gustavo da Silva Carvalho (PE)
Fisioterapeuta, Mestre e Doutor – UEL-UEM, Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco, Petrolina – PE

Dra. Laís Faganello Dela Bela (PR)
Fisioterapeuta, Mestre e Doutora – UEL-UEM, Professora da Universidade Positivo, Curitiba – PR.

Contextualização: Fisioterapia Aquática é um conjunto de procedimentos terapêuticos, influenciados pela mecânica de fluidos, realizados em uma piscina com temperatura adequada e aplicada por um profissional qualificado. Esses procedimentos, denominados exercícios aquáticos, variam entre alongamento, mobilização, resistência, aeróbio, coordenação, relaxamento, entre outros. Indivíduos com dor lombar crônica, específica e não específica, podem se beneficiar desses exercícios, uma vez que os desfechos estipulados como, por exemplo, dor, funcionalidade, capacidade aeróbia e qualidade de vida são modificáveis ao longo do tratamento [1]. As evidências encontradas na literatura são escassas e poucos ensaios clínicos aleatórios foram publicados nos últimos cinco anos [2-4]. Os estudos avaliaram a efetividade dos exercícios aquáticos versus exercícios em solo e apontam de forma geral, que não há diferença entre as abordagens, porém ao longo do tempo, ambas as terapias favorecem a melhora da dor e função. Essa apresentação tem o intuito de responder a seguinte pergunta: A adição de 20 minutos de exercícios aquáticos aeróbios é eficaz na melhora da dor, função, desempenho físico, resistência muscular e percepção de melhora em pacientes com dor lombar crônica específica e não específica quando comparado aos exercícios aquáticos, após nove semanas e três meses de follow-up?

Desenvolvimento: Foram aleatorizados 54 indivíduos, de ambos os sexos, com diagnóstico de dor lombar crônica (específica e não específica) em dois grupos, Fisioterapia Aquática (G1) e Fisioterapia Aquática + Deep-Water Running (G2). Os participantes realizaram os exercícios por nove semanas, 2x por sem., com sessões de 40 min (G1), sendo acrescidos 20 min de exercício aeróbio, após o mesmo protocolo do G1, para o grupo G2. Os grupos não apresentaram diferença para todos os desfechos e na caracterização da amostra no início do estudo. As diferenças com significância entre os grupos, após nove semanas, foram para o desfecho dor a favor do G2, com Diferença da Média (DM) = -1,3 cm; IC 95% [-2,17; -0,45] e resistência muscular lombar (teste de Sorensen) DM = 43,1 s IC 95% [9,6;76,6] e se manteve no follow-up DM = 40,2 s [7,21;73,3]. A percepção de melhora apresentou um aumento de 85% para o G1 e 93% para o G2. Resultados de uma revisão sistemática recente (Network meta-analysis) [5] apontaram a melhora da funcionalidade e a melhora da resistência muscular de tronco, a favor dos exercícios aquáticos, quando comparados com controles Recomenda-se considerar a relação dose-resposta aos exercícios, o tipo de lombalgia crônica (específica e não específica) e identificação se os indivíduos forem descondicionados para eventual ajuste na prescrição do exercício aeróbio.

Considerações finais: Em termos de implicação clínica, o uso dos exercícios aeróbicos (como por exemplo Deep-Water Running) em combinação com alongamentos, postura e resistência deveriam fazer parte do tratamento do indivíduo com dor lombar crônica. Vale lembrar que a prescrição de exercícios deve ser baseada na melhor evidência disponível na literatura e, ao mesmo tempo, profissionais deveriam identificar junto aos pacientes, qual modalidade e interesse eles desejam, no intuito de aumentar a probabilidade de eficácia do tratamento.

Leitura complementar:

  1. Shi Z, Zhou H, Lu L, Pan B, Wei Z, Yao X, Kang Y, Liu L, Feng S. Aquatic Exercises in the Treatment of Low Back Pain: A Systematic Review of the Literature and Meta-Analysis of Eight Studies. Am J Phys Med Rehabil. 2018;97(2):116‐122. doi:10.1097/PHM.0000000000000801.
  2. Homayouni K, Naseri M, Zaravar F, Zaravar L, Karimian H. Comparison of the effect of aquatic physical therapy and conventional physical therapy in patients with lumbar spinal stenosis (a randomized controlled trial). J Musculoskelet Res. 2015;18:1550002-9. doi:10.1142/S0218957715500025.
  3. Bayraktar D, Guclu-Gunduz A, Lambeck J, Yazici G, Aykol S, Demirci H. A comparison of water-based and land-based core stability exercises in patients with lumbar disc herniation: a pilot study. Disabil Rehabil. 2016;38(12):1163‐1171. doi:10.3109/09638288.2015.1075608.
  4. Sawant RS, Shinde SB. Effect of hydrotherapy based exercises for chronic nonspecific low back pain. Indian J Physiother Occup Ther, 2019;13(1):149-54. doi:10.5958/0973-5674.2019.00027.3
  5. Owen PJ, Miller CT, Mundell NL, Verswijveren SJJM, Tagliaferri SD, Brisby H, Bowe SJ, Belavy DL. Expression of concern: Which specific modes of exercise training are most effective for treating low back pain? Network meta-analysis [published online ahead of print, 2020 Mar 5]. Br J Sports Med. 2020;bjsports-2019-100886eoc1. doi:10.1136/bjsports-2019-100886eoc1

Fontes de Financiamento: Os autores agradecem o suporte financeiro da Fundação Araucária (PPSUS/SESA-PR/MSDecit/(04/2013), CNPq (Bolsa Produtividade) e CAPES (Financiamento Código 001).

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