Professora e filha massoterapeuta estão entre vítimas de acidente com Teori

Fonte: https://noticias.uol.com.br

A professora da rede municipal de Juína (MT) Maria Hilda Panas Helatczuk, 55, e a filha dela, a estudante de fisioterapia e massoterapeuta Maíra Panas, 23, são as duas mulheres que morreram no voo que também vitimou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki. Ao todo, cinco pessoas morreram na tragédia ocorrida na tarde dessa quinta (19) em Paraty (RJ).

Apesar de as identidades de mãe e filha ainda não terem sido confirmadas oficialmente pela Polícia Federal, que investiga o caso, amigos e familiares confirmaram as mortes –em entrevista ao UOL e por meio de posts no Facebook. Também o Grupo Emiliano confirmou as identidades das duas mulheres, por meio de nota, e informou que Maíra “prestava serviço a Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, que passava por tratamento no ciático”.

“Carlos Alberto as convidou para um fim de semana em Paraty. O Grupo Emiliano registra seus sentimentos e condolências para a família e amigos. E informa que está prestando apoio e informações aos familiares”, disse a nota.

Reprodução/Facebook

Maíra Panas, 23, massoterapeuta

“Família está transtornada”

Amiga de infância de Maíra e da irmã dela, Kely, a advogada Janaina Guariente, 30, casada com o irmão do marido de Kely, contou que a família “está transtornada”. Segundo ela, Maíra cursava fisioterapia em São Paulo e trabalhava havia seis meses como massoterapeuta do empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, 69, dono do Hotel Emiliano, uma das vítimas do acidente.

Maria Ilda, segundo Janaina, havia viajado de Juína para São Paulo, em férias, para visitar a filha há pouco mais de uma semana. No último domingo (15), foi o aniversário de 55 anos dela.

“Quando elas embarcaram, mandaram mensagens para a família, tiraram foto dentro do avião e avisaram que estavam indo a Paraty. Como a Maíra disse que era aniversário da mãe, o sr. Carlos quis presenteá-la com essa viagem”, contou. “Até então, ela [Maria Ilda] nem o conhecia”, disse.

Como souberam que eram elas que estavam no acidente aéreo? “Desconfiamos porque a Kely tentava contato com elas e não conseguia; além do mais, era um voo curto. Aí vimos a notícia e logo soubemos que eram elas. A família está muito transtornada, muito triste; foram duas perdas imensas”, declarou.

Ainda conforme a advogada, o pai de Maíra está a caminho de Angra dos Reis (RJ) para fazer o reconhecimento dos corpos. Os velórios e sepultamentos devem ocorrer em Juína.

“Conheço Maíra desde criança. A gente lê e ouve umas coisas desencontradas, mas a verdade é que ela era uma pessoa maravilhosa, uma menina muito batalhadora. Gostava de dança, mas fez um curso de massoterapia e gostou. Além de tudo, ainda cursava fisioterapia. Já dona Maria Ilda era pedagoga de educação infantil na rede municipal, uma pessoa extraordinária –a casa dela está cheia de amigos hoje manifestando carinho. Elas eram muito amadas”, contou.

Reprodução/Facebook

Maria Ilda Panas, 55 anos, era professora da rede municipal em Juína (MT)

Vítima sofreu assalto horas antes de morrer

Horas antes do voo, Maíra postou no Facebook que havia sido roubada. “Ontem [quarta-feira] me roubaram uma sacola de roupas e pertences que eu tinha acabado de comprar. Beleza. Que faça uso. Mas me deu tanta raiva destes miseráveis quanto seria se tivessem me roubado um carro”, escreveu.

Tio da jovem e irmão de Maria Ilda, Evivelton Panas, de Maringá, também as homenageou com um post e foto delas, juntas. “Elas eram assim: A distância não impedia de estarem juntas e sempre com o sorriso escancarado no rosto… Deus quis assim, e assim levou as duas juntas tb… Que o senhor conforte o coração de nós familiares e que coloque a minha amada maninha Maria Hilda Panas e a sobrinha Maíra Panas em um ótimo lugar… Descansem em paz minhas queridas…”

O acidente

Todos os cinco corpos já foram resgatados pelo Corpo de Bombeiros. Três deles –faltam um homem e uma mulher –estão no IML (Instituto Médico Legal) de Angra dos Reis para autópsia, reconhecimento e liberação.

A aeronave saiu de São Paulo e caiu nos arredores da Ilha Rasa. Durante a madrugada, três corpos, o do ministro Teori, o do empresário Carlos Alberto Filgueiras e o de uma mulher não identificada foram retirados do mar e levados para o IML de Angra.

As equipes de socorro deixaram o cais da Marina 188, na rodovia Rio-Santos, por volta de 7h em direção ao local onde está a fuselagem do avião. O perímetro foi isolado pela Marinha, que também participa dos trabalhos, mas com foco na apuração das causas do acidente.

Teori era o relator da Operação Lava Jato no Supremo. Segundo sua família, o magistrado estava indo a Paraty em viagem de férias.

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Do sonho da dança ao curso de fisioterapia

Vítima do acidente aéreo em Paraty (RJ), a estudante Maíra Panas, de 23 anos, trabalhava como massoterapeuta no Hotel Emiliano; a mãe, a professora Maria Hilda Panas Helatczuk, de 55 anos, a acompanhava na viagem.

Era agosto de 2016. O professor Maurício Luz ministrava a aula inaugural do curso de Fisioterapia da Universidade Paulista (Unip), no câmpus Paraíso, para uma turma jovem e ansiosa. Na ocasião, ele decidiu contar aos alunos como a profissão que eles tinham acabado de escolher era responsável por devolver a esperança e salvar a vida de muitas pessoas. No meio da narração, uma garota levantou a mão e pediu licença para contar a sua própria história.

A garota era Maíra Panas, de 23 anos, uma das vítimas do acidente aéreo que vitimou o ministro Teori Zavascki, de 68. À turma, ela revelou que a fisioterapia já havia salvado a sua vida. De acordo com o professor, um acidente de carro teria feito com que ela perdesse uma bolsa de estudos internacional, um curso de dança no exterior. O acidente teria sido grave o suficiente para deixá-la, por algum tempo, com dificuldades sérias de locomoção. “Segundo ela, foi um fisioterapeuta que fez com que ela voltasse a dançar”, disse Luz.

Maíra nasceu em Juína, cidade de 40 mil habitantes, localizada a 735 km de Cuiabá, em Mato Grosso. A família dela era bastante popular na cidade – principalmente por causa de sua mãe, Maria Hilda Panas Helatczuk – também vítima do acidente aéreo desta quinta-feira, 19, em Paraty.

Maria Hilda era professora de uma escola de ensino fundamental. Muitos moradores da cidade a descrevem como uma mulher “forte” e “divertida”. Além de Maíra, ela tinha outra filha, a advogada Kelli Cristini Panas Helatczuk. Por parte da família, quem falou com o Estado foi Heriton Guarienti, marido de Kelli: “Maíra era uma sonhadora talentosa”, contou.

Antes de ingressar na faculdade de Fisioterapia, Maíra teve diversos trabalhos em São Paulo. Ela foi babá, vendeu suco “detox”, atuou como professora de dança, bailarina de dança do ventre e massoterapeuta.

“Ela era uma menina bacana, que corria atrás mesmo. Há alguns dias, ela me enviou uma mensagem perguntando se eu já tinha alguma apresentação agendada”, disse o cantor de música árabe Tony Mouzayek. A última vez que ele esteve com ela foi em dezembro, coincidentemente em um bar no Campo de Marte, local de onde decolaria um mês mais tarde.

Uma amiga contou que Maíra tinha um namorado em São Paulo, o Joe. De acordo com ela, era um relacionamento de aproximadamente dois anos. Um relacionamento apaixonado, mas turbulento. No Facebook de Joe, uma mensagem que confirma a versão da amiga: “Entre tantas brigas, tantas idas e vindas, tantas coisas feitas um contra o outro…”.

Massoterapia. Como massoterapeuta, Maíra começou a trabalhar no SPA Emiliano, no Hotel Emiliano, em São Paulo. Foi nesse contexto que ela conheceu o empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras. Como sofria de fortes dores no ciático, ele valia-se dos serviços de Maíra (já havia seis meses).

O convite para acompanhar o empresário em uma viagem a Paraty coincidiu com a chegada da mãe de Maíra a São Paulo. A professora aproveitou as férias para visitar a filha. Mais do que isso, Maria Hilda acabara de completar 55 anos. “Quando Maíra contou da mãe para o Carlos Alberto, ele quis dar um presente para as duas. E também convidou Maria para a viagem”, disse Guarienti.

Ao embarcar, Maíra e Maria Hilda mandaram mensagens aos familiares e tiraram votos no avião. No mesmo voo, além do empresário e do piloto, estava uma importante figura da República, o ministro Teori Zavascki.

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