PREVENÇÃO DA FALHA DE EXTUBAÇÃO EM NEONATOS: REVISÃO INTEGRATIVA.

Autoras: Debora Spala Garcia1, Silvia Valderramas2, Marimar Andreazza3

1Residente em no Programa de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba (PR), Brasil; 2Fisioterapeuta; PhD; Professora do Curso de Fisioterapia e do Programa de Mestrado/Doutorado em Medicina Interna da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Programa de Residência Multiprofissional e em área Profissional Saúde HC/UFPR, Curitiba (PR), Brasil; 3Fisioterapeuta da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba (PR), Brasil.

Resumo:

Introdução: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerado prematuro o recém-nascido pré-termo aquele que nasce com idade gestacional menor do que 37 semanas e recém-nascido de baixo peso o que nasce com 2.500g ou menos (Oliveira e Moran, 2009). A utilização da ventilação mecânica tornou-se uma das terapias mais utilizadas e de maior impacto da sobrevida de recém-nascidos prematuros ou de baixo peso (Rimensberger, 2009). Apesar de auxiliar na sobrevida destes recém-nascidos, há grande preocupação referente às complicações causadas pelo uso inadequado e/ou prolongado desse recurso (Favero, et al. 2011). Desta forma, sua retirada torna-se tão importante quanto a sua utilização (Johnston, et al. 2008). Objetivos: Reunir e sintetizar resultados de pesquisas experimentais e não experimentais sobre os critérios de extubação de neonatos em ventilação mecânica invasiva, bem como verificar o melhor método para evitar a falha de extubação.

Métodos: Para interpretação dos estudos, utilizou-se um instrumento brasileiro que pretende nortear a coleta dos dados de artigos científicos para revisões de literatura (Ursi, 2005), o qual contempla os seguintes itens: Identificação do artigo, Instituição sede do estudo, Tipo de publicação, Características metodológicas do estudo e Avaliação do rigor metodológico.

Resultados: Após exclusão dos artigos que não fossem disponibilizados na íntegra e os não pertinentes ao objetivo da presente investigação, foram analisados 6 textos que atendiam aos critérios de inclusão.

Conclusão: A utilização da ventilação não invasiva logo após extubação é bastante positiva, bem como, o teste de respiração espontânea que apresentou maior significância para o sucesso de extubação.

Palavras-chave: Extubação; Unidade de Terapia Intensiva Neonatal; Recém-nascido.

ABSTRACT:

Introduction: According to the World Health Organization (WHO) a newborn can be classified as a premature if born with less than 37 weeks of age and as a low-weight newborn if it is born with 2.500g or less (Oliveira e Moran, 2009). The use of mechanical ventilation became one of the most common applied methods of treatment and with the highest impact on the life expectancy of low-weight or premature newborn babies (Rimensberger, 2009). Although this method is helpful in enhancing the survivability of these newborns there is great concern as to the complications caused by the inadequate and/or prolongued use of this method (Favero, et al. 2011). Thus its withdraw is as important as its adhibition (Johnston, et al. 2008).

Objectives: To gather and sintetize the results of experimental and non experimental researches of newbornes extubation when in invasive mechanic ventilation, as well as to ascertain the best method to avoid extubation failure.

Methods: In order to interpret such studies a brazilian instrument that has the objective to guide data gathering of cientific articles for literature revision (Ursi, 2005), and wich includes the following itens: identification of the article, institute headquarters where the study was conducted, type of publication, methodological characteristics of the study and the evaluation of the methodological stringency was used.

Results: After the elimination of the articles that weren’t avaliable in its fullness and those not pertinent to the objectives of the present investigation, 6 (six) publications met the inclusion criterias.

Conclusion: The application of non invasive ventilation right after extubation has shown very positive results, as well as the expontaneous breathing test wich indicates higher relevancy for a successful extubation.

Keywords: Airway Extubation; Intensive Care Units, Neonatal; Newborn.

Introdução

A prematuridade é avaliada como um problema de saúde pública, relacionada aos elevados índices de morbimortalidade e invalidez infantil (Favero, et al. 2011). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerado prematuro o recém-nascido pré-termo (RNPT) aquele que nasce com idade gestacional menor do que 37 semanas e recém-nascido de baixo peso o que nasce com 2.500g ou menos (Oliveira e Moran, 2009).

A morbimortalidade perinatal decorre da imaturidade anatômica e fisiológica do sistema nervoso central e respiratório levando a alterações como infecções congênitas ou adquiridas, anóxia, hemorragia intracraniana, episódios de apneia, síndrome do desconforto respiratório, dependência de oxigênio (Vaz, 1986).  Dos óbitos ocorridos no período neonatal, 50% tem relação com distúrbios respiratórios (Consolo, et al.  2002). Tais morbidades e complicações respiratórias podem levar a necessidade de auxílio ventilatório, neste sentido, a utilização da ventilação mecânica (VM), tornou-se uma das terapias mais utilizadas e de maior impacto da sobrevida de recém-nascidos prematuros ou de baixo peso (Rimensberger, 2009). Apesar de auxiliar na sobrevida destes recém-nascidos, há uma grande preocupação referente às complicações causadas pelo uso inadequado e/ou prolongado desse recurso (Favero, et al. 2011). Desta forma, sua retirada torna-se tão importante quanto a sua utilização (Johnston, et al. 2008).

O desmame dos pacientes em VM está relacionado a complicações e a mortalidade, por ser uma das etapas críticas da assistência ventilatória (Andrade, et al. 2010). Seguindo critérios pouco objetivos, a decisão de extubação é tomada com base na experiência da equipe médica e avaliação clínica subjetiva do paciente, tornando a retirada da ventilação mecânica invasiva uma ação de tentativa e erro (Davidson, et al. 2008). Sendo assim, a retirada do tubo endotraqueal e a sua substituição por formas não invasivas de suporte tem se tornado cada vez mais utilizadas na neonatologia, na tentativa de reduzir a falha da extubação (Johnston, et al. 2008 e Schmidt et al. 2006). Questiona-se qual seria a melhor forma de reduzir a falha na extubação.

Metodologia

Tratando-se de uma revisão integrativa da literatura, este estudo percorreu as seguintes etapas: estabelecimento da hipótese e objetivos da revisão, de critérios de inclusão e exclusão dos textos (seleção da amostra), análise dos resultados, e apresentação dos resultados. Onde a finalidade foi reunir e sintetizar resultados de pesquisas experimentais e não experimentais sobre os critérios de extubação de neonatos em ventilação mecânica invasiva, bem como verificar o melhor método para evitar a falha de extubação. A pergunta de investigação foi: É possível através de um protocolo diminuir a incidência de falha de extubação em neonatos?

Os critérios de inclusão definidos foram: presença dos descritores escolhidos no título do trabalho ou inseridos no resumo; artigos na íntegra, disponíveis gratuitamente na internet; produções com idioma em português, inglês ou espanhol publicados entre os anos de 2005 e 2015.

As buscas foram realizadas em maio de 2015 nas bases de dados: Physiotherapy Evidence Database (PEDro) Scientific Eletronic Library Online (SciELO), e Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem Online (MedLine/PubMed).  Utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Neonatologia”; “Unidade de terapia intensiva”; “Extubação”.

Para a coleta das informações dos estudos, utilizou-se um instrumento brasileiro, validado, que pretende nortear a coleta dos dados de artigos científicos para revisões de literatura (Ursi, 2005), o qual contempla os seguintes itens: Identificação do artigo, Instituição sede do estudo, Tipo de publicação, Características metodológicas do estudo e Avaliação do rigor metodológico. Para análise dos textos encontrados, foi realizada primeiramente uma tabela (Tabela 1 – Identificação dos artigos) contendo número para nortear busca, Título, Autores, Ano de publicação e Periódico; e uma tabela (Tabela 2 – Síntese dos Artigos) contendo identificação por número, Objetivo, Tipo de Estudo, Metodologia e Resultados.

Resultados

Inicialmente foram encontrados 47 textos, destes, 39 em idioma inglês e 8 em português, foram excluídos os que se repetiam, os não disponibilizados na íntegra e os não pertinentes ao objetivo da presente investigação. Foram analisados, então, 6 textos que atendiam aos critérios de inclusão (Tabela 1).

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Conclusão

Diante da pergunta elaborada para este estudo e dos resultados encontrados, observa-se que há possibilidade de diminuir as falhas de extubação em neonatos. A utilização da ventilação não invasiva logo após extubação é bastante positiva, bem como, o teste de respiração espontânea que apresentou maior significância para o sucesso de extubação. Porém, é preciso levar em consideração fatores como menores valores de apgar no primeiro minuto, menor idade cronológica, baixo peso e altos níveis de fração inspirada de oxigênio, que podem induzir a falha de extubação.

É possível então, definir que a realização do teste de respiração espontânea positivo associado à ventilação não invasiva logo após extubação pode diminuir as falhas de extubação em unidades de terapia intensiva neonatal.

Referências

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