PREVALÊNCIA DE DOR LOMBAR NO SETOR DE PRODUÇÃO DE UMA EMPRESA DO RAMO METALÚRGICO DA CIDADE FARROUPILHA – RS

MORAIS, Emilaine de
SIGNOR, Andressa1
RENOSTO, Alexandra

Resumo

O presente estudo foi realizado com o objetivo de verificar a prevalência de dor lombar em funcionários do setor de produção de uma empresa do ramo metalúrgico da cidade de Farroupilha, RS. A realização deste tipo de pesquisas se faz importante para a identificação e o tratamento precoce desta patologia, tal como a prevenção da mesma e de complicações advindas de seu estabelecimento crônico, ressaltando também a necessidade de um trabalho fisioterapêutico que atue em todos esses contextos, através de uma análise ergonômica que proponha maneiras inteligentes de se trabalhar sem prejudicar o rendimento, otimizando o processo produtivo. É um estudo descritivo-exploratório com amostra não aleatória ou de conveniência, constituída por 25 funcionários de ambos os sexos, que trabalham no setor de produção, entrevistados através de um questionário composto por questões de respostas abertas e fechadas (ANEXO 1), abrangendo variáveis quantitativas e qualitativas que possam ter relação com a patologia em questão. A prevalência de dor lombar encontrada no estudo foi de 80%.

Palavras-Chave

Dor Lombar – Prevalência – Fisioterapia

Introdução

“As dores lombares atingem níveis epidêmicos na população em geral (SILVA et al, 2004 apud DEYO, 1998). As lombalgias são comuns na população, sendo que, em países industrializados, sua prevalência é estimada em torno de 70% ( SILVA apud ANDERSSON, 1981). Em alguma época da vida, de 70 a 85% de todas as pessoas sofrerão de dores nas costas (SILVA apud ANDERSSON, 1999). Cerca de 10 milhões de brasileiros ficam incapacitados por causa desta morbidade e pelo menos 70% da população sofrerá um episódio de dor na vida (SILVA apud TEIXEIRA, 1999). Nos Estados Unidos, a lombalgia é a causa mais comum de limitação de atividades entre pessoas com menos de 45 anos, é a segunda razão mais freqüente para visitas médicas, a quinta causa de admissão hospitalar e a terceira causa de procedimentos cirúrgicos” (SILVA apud HART et al, 1995).
“A questão da dor lombar apresenta facetas extremamente interessantes, que enriquecem esta discussão sobre o impacto da ocupação sobre a morbidade de trabalhadores, e as implicações para o Setor Saúde. Excluídas causas específicas de dor lombar (causas inflamatórias, degenerativas, neoplásicas, e outras), e levados em consideração fatores de risco (defeitos congênitos, fraqueza da musculatura, predisposição reumática e sinais de degeneração da coluna ou dos discos intervertebrais), a causa mais comum é não-específica, de patologia indeterminada, e freqüentemente associada a problemas ergonômicos ou traumáticos” (MENDES, 1998 apud WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1985).
“Efetivamente, a dor lombar aparece com freqüência mais elevada em trabalhadores que exercem atividades pesadas, de ritmo intensivo, e em condições antiergonômicas, tais como estivadores, trabalhadores de transportes e cargas, mineiros em trabalhos subterrâneos, serventes de pedreiro na construção civil, além de trabalhadores expostos a vibrações de corpo inteiro, como é o caso de motoristas de caminhão, tratoristas e operadores de veículos pesados” (MENDES).
“Numerosos estudos chamam a atenção para a importância do esforço de flexão, principalmente pela posição incorreta de erguimento de pesos, em geral associado ao trabalho pesado. Estes fatores agravadores ou precipitantes têm sido identificados na imensa maioria dos casos, ainda que dificilmente possa ser evidenciada a lesão que corresponde ao trauma agudo desencadeador do quadro. Desta forma, a evidência inequívoca de nexo entre dor lombar e atividade ocupacional é a freqüência significativamente elevada nas atividades que exigem grande esforço físico, em ritmo ou intensidade excessivos e em condições claramente não ergonômicas. A evidência é fundamentalmente epidemiológica, isto é, detecta-se um excesso de risco atribuível à ocupação, como, aliás, ficou mostrado há pouco, quando as diversas taxas de prevalência foram mencionadas” (MENDES).
Em geral, 80% dos casos de dor lombar melhoram com o repouso e tratamento em duas a três semanas, embora 10 a 15% dos casos possam requerer tratamento que dure um ano, ou mais. Knoplich85 menciona que, de acordo com os dados dos relatórios da Perícia Médica do INPS, as doenças reumáticas necessitam em média de 240 dias, ou seja, oito meses para uma recuperação. Resulta daí uma perda anual de mais de 25 milhões de dias de serviço para serem pagos pela Previdência Social, referindo-se aos dados de 1975 (MENDES).

Materiais e Métodos

A coleta de dados ocorreu através da aplicação de um questionário (ANEXO 1) composto por 17 questões de respostas abertas e fechadas. As questões buscaram: dados de identificação referentes os funcionários entrevistados, identificar e relacionar variáveis quantitativas e qualitativas que pudessem ter influência na prevalência de dor lombar e abordar características referentes à dor propriamente dita. A amostra, classificada como não-aleatória ou de conveniência, foi composta por 25 funcionários de ambos os sexos que trabalham do setor de produção de uma empresa do ramo metalúrgico, abordados na própria empresa durante seu horário de almoço, nos dias 17 e 19 de Setembro de 2008. Após a coleta, os dados foram compilados e encontram-se expostos através de Figuras e Tabelas nos resultados deste trabalho.

Resultados

FIGURA 1 (questão 1) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto à faixa etária.

A figura 1 mostra que dentre os funcionários entrevistados 11 ou 44% têm idades entre 30 a 39 anos, aparecendo a faixa etária dos 40 a 49 anos em segundo lugar, com sete indivíduos ou 28% do total. Os dados apresentados mostram que a maior parte dos componentes da amostra, 18 indivíduos ou 72% da amostra, tem idades entre 30 e 50 anos, caracterizando a amostra como não sendo tão “jovem”, o que pode ter influência direta sobre os resultados encontrados. A faixa etária com menos de 20 anos de idade não teve nenhum representante na amostra e por tal motivo não aparece na figura acima.

FIGURA 2 (questão 2) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto ao sexo.


A figura 2 mostra que a maioria dos funcionários entrevistados é do sexo feminino com 22 indivíduos ou 88% do total da amostra, enquanto 3 indivíduos ou 12% do total são do sexo masculino, mostrando uma predominância de mulheres na amostra.

FIGURA 3 (questão 3) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto ao estado civil.

A figura 3 mostra que 14 dos funcionários entrevistados são casados, representando 56% da amostra, em seguida aparecem os solteiros com 5 representantes, ou 20% da amostra, após os que vivem em outra situação e os separados, representando 12 e 8% do total da amostra respectivamente, aparecendo em último lugar os divorciados, com apenas 1 representante, ou 4% da amostra.

FIGURA 4 (questão 4) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto ao nível de escolaridade.

Através da figura 4 nota-se que 11 dos funcionários da amostra possuem ensino médio completo, representando 44% do total da amostra, seguido por 7 funcionários ou 28% que possuem ensino fundamental completo, podendo-se concluir que 72% da amostra possui ao menos o ensino fundamental completo. As outras categorias presentes no questionário (anexo 1) não aparecem na figura porque não tiveram representantes.

FIGURA 5 (questão 5) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto ao Tabagismo.

A figura 5 mostra que 17 ou 68% dos funcionários entrevistados nunca fumaram, seguidos por 5 ou 20% que são ex-fumantes e em último lugar aparecem os fumantes atuais, com 3 representantes ou 12% da amostra.

FIGURA 6 (questão 6) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto à freqüência em que praticam atividades físicas.

A figura mostra que 14 funcionários ou 56% da amostra raramente praticam atividade física, seguidos por 24% que nunca praticam e 20% que praticam algumas vezes por semana, caracterizando a amostra com prevalência de sedentários.

FIGURA 7 (questão 7) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto profissão/ocupação.

Todos os funcionários entrevistados trabalham no setor de produção. A figura mostra que as profissões/ocupações com mais representantes são os metalúrgicos, com 7 representantes ou 28% do total da amostra, empatados com os operadores de máquinas, também com sete representantes ou 28% da amostra. As demais profissões ficaram com 24, 16 e 4% do total da amostra.

FIGURA 8 (questão 8) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto ao tempo que ocupa essa função.

A figura mostra que 84% da amostra ocupa a mesma função há mais de 1 ano, sendo que, um dos entrevistados está há mais de 20 anos na função.

Resposta referente à questão 9: todos os funcionários entrevistados têm uma carga horária de trabalho semanal de 44 horas, ou 8 horas e 48 minutos por dia (trabalhando de segunda a sexta-feira).

FIGURA 9 (questão 10) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto à posição em que trabalham a maior parte do tempo.

A figura mostra que 20 funcionários, correspondendo a 80% do total da amostra, trabalham sentados, enquanto 5 ou 20% trabalham em pé, o que pode ser uma variável muito importante na análise da prevalência de dor lombar. Na amostra não houveram representantes que trabalham em outras posições além destas.

FIGURA 10 (questão 11) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto à pesos carregados no trabalho.

Segundo os dados da figura, 13 funcionários, que correspondem a 52% da amostra afirmaram carregar peso no trabalho, enquanto 12 ou 48% afirmaram não carregar, o que mostra um equilíbrio na amostra nesta questão.

FIGURA 11 (questão 12) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto à presença de movimentos repetitivos no trabalho.

A figura mostra que, 21 funcionários, correspondentes à 84% do total de entrevistados afirmaram realizar movimentos repetitivos no trabalho, enquanto 4 ou 16% disseram que não realizam tais movimentos.

FIGURA 12 (questão 13) – Perfil dos funcionários entrevistados quanto à presença de dores lombares.

A figura mostra que 20 funcionários, correspondendo a 80% do total da amostra afirmaram sentir dor lombar, enquanto 5 ou 20% afirmaram não sentir.

As questões a seguir foram respondidas por 20 dos 25 funcionários entrevistados, já que os mesmos assinalaram sim à pergunta 13, afirmando que sentem dor lombar.

FIGURA 13 (questão 14) – Respostas dos funcionários entrevistados quanto à freqüência em que sentem dores lombares.

A figura 13 mostra que 13 entrevistados, ou 65% da amostra afirmaram sentir dor lombar mais de uma vez por semana, enquanto 4 ou 20% afirmaram senti-las raramente e 3 funcionários ou 15% afirmaram sentir essa dor diariamente.

FIGURA 14 (questão 15) – Respostas dos funcionários entrevistados quanto ao horário em que a dor é mais intensa.

A figura mostra que 15 ou 75% dos entrevistados afirmaram que a dor é mais intensa durante o dia, 3 ou 15% afirmaram que é durante a noite e 2 ou 10% disseram que é ao acordar.

TABELA 1 (questão 16) – Resultados referentes à questão 16, em que os funcionários entrevistados responderam se a dor ocorre durante alguma atividade específica e, se ela ocorre, qual é essa atividade.


A tabela mostra que 6 funcionários, representando 30% do total da amostra afirmaram que a dor lombar ocorre durante alguma atividade específica, citando o “trabalho na máquina, durante o trabalho e ficar sentada na mesma posição” como as atividades em questão. Os outros 14 funcionários ou 70% restantes relataram que a dor lombar não ocorre durante alguma atividade específica.

FIGURA 15 (questão 17) – Respostas dos funcionários entrevistados quanto à pontuação de dor na Escala Visual Analógica (EVA).

A figura mostra que a pontuação mais apontada na EVA foi de 6, com 6 funcionários ou 30% da amostra neste nível. 14 funcionários ou 70% da amostra tiveram escala de dor a partir de 6 pontos, enquanto 6 ou 30% pontuaram de 5 abaixo. Nenhum dos participantes pontuou sua dor no nível 10 na EVA. A média de dor na amostra foi de 5.9.

Discussão dos Resultados

A prevalência de dor lombar na amostra foi de 80%, ou seja, dos 25 funcionários entrevistados, 20 afirmaram sentir essa dor. As variáveis mais relacionadas com a presença, freqüência e intensidade da dor foram: idade, posição de trabalho e as cargas transportadas no trabalho. Dos 20 funcionários que afirmaram sentir dor lombar, 11 têm entre 30 e 39 anos, e as maiores pontuações na EVA foram realizadas pelos funcionários também pertencentes a esta faixa etária. A alta prevalência de dor lombar na amostra pode ter relação com a faixa etária em que a maior parte da amostra se situou, tal como as ocupações dos funcionários.

Conclusão:

A realização deste trabalho foi de suma importância para se ter conhecimento básico das etapas necessárias à realização de um trabalho com objetivo de pesquisa epidemiológica, através do contato prático com temas já trabalhados de forma teórica. Identificar a prevalência desta patologia, assim como de tantas outras se faz necessário para a realização de trabalhos de prevenção mais precoces e eficazes, além de otimizar a reabilitação funcional destes funcionários, ressaltando a necessidade da participação ativa do Fisioterapeuta em todos os setores de trabalho das empresas.

Referências Bibliográficas

> MENDES, R. O impacto dos efeitos da ocupação sobre a saúde de trabalhadores. I — Morbidade. Rev. Saúde públ., S. Paulo, 22:311-26, 1988.

> SILVA, M.C. et al. Dor lombar crônica em uma população adulta do Sul do Brasil: prevalência e fatores associados. Cad. Saúde Pública vol.20 no.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2004.

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