Polêmica: Cirurgias na coluna são realmente necessárias?

Um assunto polêmico e de incessantes discussões é sobre casos cirúrgicos quando não há necessidade ou há outras opções de tratamento para a lesão, mas o médico insiste na cirurgia. Há cerca de um ano, em Londres, foi apresentado durante o Fórum Internacional de Qualidade e Segurança do Paciente, um programa do hospital Albert Einstein, de São Paulo, em que foram reavaliadas indicações de cirurgias de coluna. Em dois anos, dos 1.679 pacientes que chegaram com pedido médico para a operação, só 683 (41%) foram confirmados como realmente necessários. Outros estudos e artigos publicados também mostram certo exagero por parte dos médicos na indicação de cirurgia por hérnia de disco.
Os governos e os planos de saúde estão no limite dos seus orçamentos em função dos altos custos pagos por cirurgia de coluna. Por outro lado, os planos de saúde remuneram mal os tratamentos conservadores (sem cirurgia).
Com isso, os fisioterapeutas e clínicas de reabilitação não conseguem realizar bons tratamentos, os profissionais são obrigados a atender vários pacientes em uma mesma sessão e os resultados não são satisfatórios.
Outra questão envolvendo o tratamento, é a necessidade de dar continuidade a ele, o que normalmente não ocorre. Uma pesquisa realizada pelo renomado fisioterapeuta australiano Paul Hoges, demonstrou que após o primeiro sinal de dor na coluna, os músculos que ficam próximos da lesão começam a ficar fracos e sem resistência. Com a melhora das dores e dos sintomas, esses músculos permanecerão fracos e atrofiados. Ou seja, eles não se recuperam naturalmente após o desaparecimento dos sintomas, nem mesmo após os tratamentos cirúrgicos.
“O que percebemos constantemente são propostas milagrosas de cirurgias ou de intervenções invasivas que na maioria das vezes, não são bem sucedidas. A cirurgia nem sempre é eficaz e o mais indicado seria um tratamento não cirúrgico, adaptado aos sinais e sintomas de cada paciente”, defende o fisioterapeuta Helder Montenegro, presidente da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRC) e do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral (ITC).
O profissional, aliás, se especializou a partir de diferentes pesquisas internacionais publicadas e baseou-se nos princípios da fisioterapia para criar a técnica de Reconstrução Músculo-articular da Coluna Vertebral (RMA da Coluna Vertebral), denominado de subclassificação da dor lombar e cervical. Com isso, nasceu o Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral (ITC), que hoje conta com mais de 71 unidades em 23 estados, além de uma em Portugal e outra a ser instalada nos EUA.

Oferecendo um método pioneiro no tratamento de doenças da coluna, principalmente a hérnia de disco, é realizado de acordo com o histórico de cada paciente. Não cirúrgico, dura em média dois meses. “Inicialmente, o fisioterapeuta utilizava as técnicas (fisioterapia manual e estabilização vertebral) e os equipamentos (mesa de tração eletrônica, mesa de flexo-descompressão e um biofeedback muscular) em todos os pacientes. Hoje os critérios de utilização das técnicas e dos equipamentos são baseados em evidências científicas”, explica Helder Montenegro.

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