Piso salarial dos Fisioterapeutas, considerações oportunas.

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Seguindo as regras da casa, o Projeto de Lei do Piso Salarial dos Fisioterapeutas tramita na Câmara dos Deputados, passando de Comissão em Comissão num processo tão vagaroso que quase caiu no esquecimento. Ninguém comenta. As entidades de classe não emitem qualquer pronunciamento. Afinal, quem se preocupa com a sobrevivência econômica da categoria? Por pressuposto seria essa a finalidade principal dos sindicatos, que não deveriam ficar restritos aos acordos salariais em seus respectivos territórios; visto que a circunstância é nacional.

Tal conjuntura, é responsável direta pela evasão registrada entre os estudantes da área, e bem acentuada entre os recém-formados. Aqueles que concluem o curso em faculdades particulares e não contam com auxílios ou bolsas de estudo, sentem muito mais o dissabor; quando entram no mercado de trabalho, passam a receber salários próximos ou iguais aos valores que pagavam às faculdades pelo curso de graduação. Qual o estímulo para prosseguir?

Daí resulta a procura por outra área profissional com melhor remuneração. Perde a categoria. Perde a população que, em grande parte, permanece desassistida, consumindo potenciais de recuperação funcional, enquanto espera uma vaga para início de tratamento.

É paradoxal, mas verdadeira a afirmação: “a população sofre, mas não reivindica”; e quando reclama, utiliza-se dos frágeis limites das prerrogativas do Controle Social nas conferências de saúde. Nessas condições, como todos sabem, é grande a distância entre a reclamação quanto ao deficit na assistência fisioterapêutica, e o efetivo compromisso dos gestores em atender tal demanda. Fica tudo no papel; por anos a fio.

Uma sensação de mal-estar vai tomando conta da categoria, em decorrência da evasão e do desequilíbrio no mercado de trabalho, num cenário em que não abrem-se vagas por concurso no serviço público, o que permite as terceirizações e os contratos temporários de trabalho, fragilizando os vínculos pela precarização; a rede privada complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS) remunera pessimamente os seus empregados; os planos e seguros de saúde são alvo de queixas, devido a tabelas de honorários aviltantes.

Recentemente o Ministério da Saúde lançou o programa “Mais Médicos”; porque não lançar também o “Mais Fisioterapeutas”? Um programa ministerial nesse sentido, acompanhado de justa remuneração daria novo alento à categoria que suporta tempos difíceis. Paralelamente, um incentivo oficial ao empreendedorismo proporcionaria a abertura de novos consultórios, visando atender as classes sociais em ascensão, bem como possibilitar convênios entre esses consultórios e o SUS. Parece fácil? Claro que não; pois nada acontece sem luta desde os primórdios da civilização. Vejamos o diz Nietzsche sobre luta, ao citar o filósofo Heráclito: “Todo o devir nasce do conflito dos contrários. As qualidades definidas que nos parecem duradouras só exprimem a supremacia momentânea de um dos lutadores, mas a luta não deixa de continuar, o combate prossegue eternamente”. Nietzsche, F: A Filosofia na época trágica dos dos Gregos – São Paulo – Editora Escala – 2008 (47).

Sabemos hoje que nada mudou desde então. Portanto, A LUTA CONTINUA! Por melhores condições de trabalho e por salário digno.

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4 comentários em “Piso salarial dos Fisioterapeutas, considerações oportunas.”

  1. Joao Pires

    o MAL DO FISIOTERAPEUTA É A INÉRCIA, O COMODISMO. NESSE MOMENTO A DICA É NÃO SOMENTE OS PACIENTES, MAS AOS PRÓPRIOS PROFISSIONAIS: MOVIMENTEM-SE!

  2. infelizmente é uma realidade o fato da classe dos fisioterapeutas nao terem vontade politica o suficiente para lutarem por seus direitos, nao é a toa que os médicos, que por sinal sao muito bem organizados nesse sentido, querem se impor a todas as outras áreas de saúde, o que é um retrocesso. cada área da saúde tem a sua importância e o fisioterapeuta tem conhecimentos e realiza procedimentos que a maioria dos médicos não são capazes, porque afinal de contas, cada um atua em sua especialização e ninguém sabe tudo, não é mesmo? se a propria classe nao reconhecer o seu valor, quem o fará? desabafo como estudante de fisioterapia que acredita que sua função nao é mais nem menos importante que a do médico, mas que é fundamental para que o trabalho médico tenha bons resultados e ai fica a pergunta: se estudamos tanto quanto quem faz graduação em medicina, porque o status e a remuneração tem que ser inferior?

  3. André Machado

    Blá, blá blá, mas a revista foi até o sindicato fazer uma entrevista com o presidente ou o departamento jurídico para saber da atual situação do PL ou das possibilidades????

  4. Marsan Beser Diniz da Silva

    Sugiro que a revista agende uma entrevista com o sinfito-sp pra saber a atuação dele nos últimos 10 anos

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