Piso salarial dos Fisioterapeutas, considerações oportunas

Seguindo as regras da casa, o Projeto de Lei do Piso Salarial dos Fisioterapeutas tramita na Câmara dos Deputados, passando de Comissão em Comissão, num processo tão vagaroso que poderá cair no esquecimento. Ninguém comenta.

As entidades representativas da classe não emitem qualquer pronunciamento. Afinal, quem se preocupa com a sobrevivência econômica da categoria? Por pressuposto, seria essa a finalidade principal dos sindicatos, que não deveriam ficar restritos aos acordos salariais em seus respectivos territórios; visto que a circunstância é nacional.

Tal conjuntura, é responsável direta pela evasão registrada entre os estudantes da área, e bem acentuada entre os recém-formados. Aqueles que concluem o curso em faculdades particulares e não contam com auxílios ou bolsas de estudo, sentem muito mais o dissabor; quando entram no mercado de trabalho, passam a receber salários próximos ou iguais aos valores que pagavam às faculdades pelo curso de graduação.

Isto, para não falar dos que ficam desempregados após a formatura. Qual o estímulo para prosseguir?

Daí resulta a procura por outra área profissional com melhor remuneração. Perde a categoria; perde a população que, sem contar com novos Fisioterapeutas no mercado de trabalho, permanece desassistida, consumindo preciosos potenciais de recuperação funcional, enquanto espera, na rede pública ou nas clinicas dos planos de saúde, uma vaga para início de tratamento.

É paradoxal, mas verdadeira a afirmação: “a população sofre, mas não reivindica”; e quando reclama, utiliza-se dos frágeis limites das prerrogativas do Controle Social, nas conferências e fóruns de saúde. Nessas condições, como todos sabem, é grande a distância entre a reclamação quanto ao deficit na assistência fisioterapêutica, e a resposta quanto ao efetivo compromisso dos gestores em atender tal demanda. Fica tudo no papel; por anos a fio.

Uma sensação de mal-estar vai tomando conta da categoria, em decorrência da evasão e do desequilíbrio no mercado de trabalho, num cenário em que não abrem-se vagas por concurso no serviço público, o que permite as terceirizações e os contratos temporários de trabalho, fragilizando os vínculos pela precarização. Por outro lado, a rede privada complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS) representada pelos planos e seguros de saúde, remuneram pessimamente os prestadores de serviço, utilizado tabelas de honorários aviltantes.

Recentemente o Ministério da Saúde lançou o programa “Mais Médicos”; porque não lançar também o “Mais Fisioterapeutas para o Brasil”?

Antes porém, um esclarecimento: para evitar interpretações errôneas, “Mais Fisioterapeutas para o Brasil” no sentido de contratação de profissionais exclusivamente brasileiros, pela via do CONCURSO PÚBLICO para o SUS, nos Estados e Municípios, na Atenção Básica, nos centros de saúde, policlínicas, UPAs especializadas e hospitais. Um programa ministerial dessa ordem, acompanhado de justa remuneração, daria novo alento à profissão que suporta tempos difíceis.

Paralelamente, um incentivo maior ao empreendedorismo, proporcionaria a abertura de novos consultórios, visando atender as classes sociais em ascensão, bem como, possibilitar convênios entre esses consultórios e o SUS. Parece fácil? Claro que não é assim; pois, desde os primórdios da civilização, nada acontece sem luta.

Vejamos o que diz Nietzsche sobre luta, ao citar o filósofo Heráclito: “Todo o devir nasce do conflito dos contrários. As qualidades definidas que nos parecem duradouras só exprimem a supremacia momentânea de um dos lutadores, mas a luta não deixa de continuar, o combate prossegue eternamente”. Nietzsche, F. – A Filosofia na época trágica dos Gregos – São Paulo – Editora Escala – 2008 (47).

Sabemos hoje que nada mudou desde então. Portanto, A LUTA CONTINUA! Por melhores condições de trabalho e por salário digno.

Dr. Geraldo Barbosa

Fisioterapeuta.

E-mail:

geraldobarbosa43@yahoo.com.br

http://geraldobarbosa43.blogspot.com

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