Pessoas com mais de 65 anos correm riscos ao andar e falar ao mesmo tempo

Responsável por vários problemas clínicos em idosos, os tombos durante a caminhada poderiam ser evitados com uma simples atitude: ficar em silêncio.

Foi o constatado por uma pesquisa, realizada em BH, que monitorou os passos de 81 pessoas com mais de 65 anos.

A explicação está na dificuldade do cérebro de controlar, ao mesmo tempo, duas atividades que são comandadas pela mesma área do principal órgão do sistema nervoso.

“O ato de andar e o de falar são automáticos para um jovem.

Mas quem já perdeu força muscular ou parte do equilíbrio em função do envelhecimento terá que ‘sobrecarregar’ o cérebro para que desempenhe as duas funções”, explica Rita de Cássia Guedes, autora da tese de doutorado sobre o assunto.

A dupla-tarefa atrapalha o movimento e aumenta o risco de queda.

Processo

Para chegar a essa conclusão, a pesquisadora, que também coordena o curso de fisioterapia do UniBH, pediu para que pacientes em tratamento na clínica de reabilitação da faculdade andassem sobre um tapete com sensores embutidos, analisando, assim, o comprimento e a velocidade, dentre outras características dos passos.

A primeira caminhada era feita em silêncio. Logo depois, eram desafiados a repetir o trajeto, mas respondendo a uma pergunta.

“Percebi que eles eram mais lentos quando tinham que falar, ficavam mais tempo com os dois pés no chão em busca de equilíbrio e o andar era arrastado. Qualquer obstáculo poderia ser um risco”, diz Rita.

Os resultados podem servir de referência para que clínicas façam ajustes nas metodologias de tratamento atualmente utilizadas em idosos.

O ideal, segundo a pesquisadora, é associar exercícios de fisioterapia com tarefas cognitivas, como falar e raciocinar.

“Dessa forma, poderemos acostumar o cérebro a desempenhar as duas atividades ao mesmo tempo, o órgão tem a capacidade de se adaptar a novos estímulos”.

Vítima

O ator Elias Gleizer, falecido no último dia 16, caiu em uma escada rolante, quando fraturou cinco costelas e teve o pulmão perfurado.

Ficou internado por 10 dias, mas não resistiu, morrendo em decorrência de falência circulatória, uma complicação da queda.

Medicação e falta de exercícios também influenciam tombos

Não é apenas a fala que prejudica a caminhada de idosos.

Outros fatores – como uso de medicamentos e sedentarismo – também os colocam em risco.

Além disso, as consequências da queda para uma pessoa mais velha são mais graves.

“Muitos já tiveram perda muscular significativa ou têm osteoporose. Com isso, facilmente fraturam o fêmur, punho ou alguma vértebra da coluna”, afirma Ana Cristina Nogueira Borges, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria, em Minas Gerais.

Ela ressalta, ainda, que os pacientes idosos demoram mais para se recuperar dos traumas.

Na pele

A aposentada Geralda Romeros da Fonseca, de 68 anos, sabe muito bem disso.

De 2011 para cá, já sofreu pelo menos quatro quedas.

Em uma delas, rompeu os ligamentos de dois dedos do pé.

“Depois de fazer uma cirurgia, levei mais de seis meses para me recuperar. Ainda tenho problemas de desequilíbrio porque perdi parte do movimento desses dedos”, conta.

Casos semelhantes são bastante frequentes. Em 2014, por exemplo, 3.338 idosos procuraram o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII após sofrer uma queda – média de 9 casos por dia.

“A prevenção é o melhor remédio. É preciso adaptar as casas para que ofereçam segurança aos mais velhos, seja com corrimões, barras no banheiro, lixas na escada, evitando tapetes ou até com uma bengala. Um tombo bobo pode levar tornar o idoso dependente ou até levá-lo à morte”, adverte Marcelo Lopes Ribeiro, coordenador da internação e do João XXIII.

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