PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE CRIANÇAS SUBMETIDAS À CORREÇÃO DE CARDIOPATIA CONGÊNITA NO BRASIL: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA

Anna Rayssa Costa Santos
Thaís Akemi Cândido Yama Kado
Juliana Lemos de Souza
Denilson da Silva Veras
Adria Yared Sadala

Anna Rayssa Costa Santos1, Thaís Akemi Cândido Yama Kado2, Juliana Lemos de Souza3, Denilson da Silva Veras4, Adria Yared Sadala5

1 – Acadêmica do Curso de Fisioterapia
2 – Acadêmica do Curso de Fisioterapia
3 – Acadêmica do Curso de Fisioterapia
4 – Mestre, Fisioterapeuta, Docente do Curso de Fisioterapia
5 – Mestre, Fisioterapeuta, Docente do Curso de Fisioterapia

EPIDEMIOLOGICAL PROFILE OF CHILDREN UNDER CONGENITAL HEART DISEASE CORRECTION IN BRAZIL: AN INTEGRATIVE REVIEW OF THE LITERATURE

Resumo

Introdução: Cardiopatia congênita é definida como uma malformação cardíaca que ocorre no período embrionário ou fetal causando alterações estruturais e funcionais nas funções cardiovasculares. No Brasil, cerca de 28,9 mil crianças nascem com cardiopatia congênita por ano, desse total espera-se que 80% necessite de correção cirúrgica, sendo metade no 1°ano de vida. Objetivo: O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão de literatura afim de caracterizar o perfil epidemiológico de crianças com cardiopatia congênita. Metodologia: Trata-se de um estudo de revisão sistemática, fundamentado em bibliotecas virtuais, nas bases de dados SciELO, NCBI PUBMED e LILACS, baseado em estudos publicados no período de 2010 a 2020. A busca dos artigos resultou em um total de 1,913 artigos. No entanto, apenas 8 artigos foram incluídos no estudo, após aplicação dos critérios de exclusão. Resultados: A maioria dos estudos selecionados para esta revisão demonstraram que as cardiopatias congênitas prevalentes nas diversas regiões do Brasil foram: Comunicação interventricular (CIV), Comunicação interatrial (CIA), Persistência do canal arterial (PCA). Em relação as cardiopatias congênitas cianóticas, a Tetralogia de Fallot, Atresia Tricúspide, Estenose pulmonar e Transposição das grandes artérias apresentaram maior prevalência.

Palavras-Chave: Cardiopatia Congênita, Perfil Epidemiológico, Unidade de Terapia Intensiva Abstract

Introduction: Congenital heart disease is defined as a cardiac malformation that occurs in the embryonic or fetal period causing changes and alterations in cardiovascular functions. In Brazil, about 28,900 children are born with congenital heart disease per year, this total expectation is that 80% need surgical correction, half of them in the 1st year of life. Objective: The aim of the study was to conduct a literature review in order to characterize the epidemiological profile of children with congenital heart disease. Methodology: This is a systematic review study, based on virtual libraries, in the databases SCIELO, NCBI PUBMED and LILACS, based on studies published from 2010 to 2020. The search for the articles resulted in a total of 1,913 articles. However, only 8 articles were included in the study, after applying the exclusion criteria. Results: Most of the studies selected for this review demonstrated that the congenital heart diseases prevalent in different regions of Brazil were: Ventricular Septal Defect (VSD), Atrial Septal Defect (ASD), Persistent Ductus Arteriosus (PDA). With respect to congenital cyanotic heart disease, Tetralogy of Fallot, Tricuspid Atresia, Pulmonary Stenosis and Transposition of the Great Arteries showed a higher prevalence.

Key – Words: Congenital Heart Disease, Epidemiological Profile, Intensive Care Unit.

INTRODUÇÃO

A Cardiopatia Congênita é definida como uma malformação cardíaca decorrente no período embrionário ou fetal, causando alterações estruturais e funcionais nas funções cardiovasculares, estão associados à fatores genéticos, alterações cromossômicas, exposições a teratogênicos, e cerca de 80% dos casos permanecem com uma incerteza em relação aos fatores de risco (LIU et al, 2019; AZHAR, 2016). Refere-se ao defeito congênito mais comumente encontrado em todo o mundo, afetando milhões de recém-nascidos a cada ano (LIU et al, 2019). Atualmente, no mundo, estima-se uma prevalência de 8 para cada 1000 nascidos vivos, sendo uma das principais causas de mortalidade infantil (VAN DER LINDE et al, 2011). No Brasil, a prevalência é cerca de 9,1 por 1000 nascidos vivos, sendo a comunicação interventricular e interatrial as mais comumente encontradas (CARNEIRO et al, 2012).

Segundo dados do ministério da saúde, as anomalias congênitas estão entre as principais causas de óbito na primeira infância, sendo as cardiopatias congênitas as mais frequentes e com maior índice de morbimortalidade (MINISTÉRO DA SAÚDE, 2017). No Brasil, cerca de 28,9 mil crianças nascem com cardiopatia congênita por ano, desse total espera-se que 80% necessite de correção cirúrgica, sendo metade no 1°ano de vida. No entanto, acredita-se que essa incidência ainda é desconhecida, devido notificações do Sistema Único de Saúde (SUS) indicarem uma ocorrência anual de 1,6 mil casos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2017; MINISTÉRIODA SAÚDE, 2011).

Segundo o sistema de informações de mortalidade (SIM), o Brasil apresenta uma taxa de mortalidade relacionada à cardiopatia congênita de aproximadamente 107 para cada mil nascidos vivos, totalizando 8% dos óbitos infantis, sendo 30% dos óbitos ocorrendo nos primeiros sete dias de vida, e apesar da meta brasileira ter sido alcançada em 2011, quando o coeficiente de mortalidade atingiu 15,3/1000 nascidos vivos, os índices permanecem elevados, especialmente aqueles atrelados ao componente de mortalidade neonatal precoce (CARNEIRO et al, 2012; CARVALHO et al, 2015; CASTRO et al, 2016; DATASUS, 2019).

Tornando-se uma das principais metas de políticas públicas no âmbito nacional e internacional, a redução de mortalidade infantil contou com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), que instituiu os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), os quais incluíram como meta a redução de dois terços na mortalidade de crianças com menos de cinco anos entre 1990 e 2015, pactuados pelo Brasil, juntamente com outras 190 nações, em 2000 (CARNEIRO et al, 2012; CARVALHO et al, 2015).

Tendo em vista a continuidade do estudo, apresenta-se duas hipóteses, onde, a primeira, expressa que: a caracterização do perfil clínico de crianças submetidas à correção de cardiopatia congênita é responsável por uma maior base de dados e conhecimentos específicos relacionados ao assunto; e, a segunda, que: os conhecimentos específicos sobre crianças submetidas à cirurgia de correção de cardiopatia congênita não estão relacionados à qualificação e quantificação do perfil epidemiológico.

Levando-se em consideração o elevado índice de mortalidade infantil e o reduzido número de estudos que possibilitem traçar o perfil epidemiológico de crianças submetidas à correção de cardiopata congênita, o presente estudo justifica-se pelo aumento de informações relacionadas ao perfil epidemiológico, ampliando o conhecimento específico para uma população e gerando dados mais detalhados, o que possibilita a adoção de políticas de saúde pública específicas.

Nesse contexto, se faz necessário uma cobertura vigorosa sobre as informações de mortalidade e detecção precoce das cardiopatias congênitas, entretanto esse cenário torna-se mais difícil pelas diferentes dimensões territoriais do País e necessidade de informações contínuas sobre essa população. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi realizar uma revisão da literatura afim de caracterizar o perfil epidemiológico de crianças com cardiopatia congênita.

METODOLOGIA

Este é um estudo de revisão de literatura, fundamentado em bibliotecas virtuais, nas bases de dados da Scientific Electronic Library Online (SciELO), National Center For Biotechnology Information (NCBI PUBMED) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) sobre o tema de interesse, baseado em estudos publicados no período de 2010 a 2020.

A pesquisa foi realizada no período de julho a agosto de 2020, tendo como fonte os seguintes descritores: “cardiopatia congênita”, “unidade de terapia intensiva”, “perfil epidemiológico”. Para a pesquisa nas bases de dados Scielo e Pubmed, foram utilizados os seguintes descritores na língua inglesa: “congenital heart disease, “pediatric intensive care unit”.

A busca dos artigos resultou em um total de 1,913 artigos. Sendo 1.088 artigos no PUBMED, 3 artigos no LILACS e 822 artigos no SCIELO (Figura 1).

Os critérios de seleção adotados foram artigos que abordaram de forma precisa os pontos importantes a respeito do perfil epidemiológico/clínico de crianças cardiopatias congênitas, e que apresentassem data de publicação entre os anos de 2010 e 2020.

Artigos que não atenderam aos critérios apresentados, foram excluídos, bem como aqueles de idioma diferente do português e inglês, conforme ilustrado na figura 1.

Para a análise dos dados, os artigos selecionados passaram por interpretação textual e conformidade em relação ao tema, formando a leitura seletiva. Em seguida, os resultados dos estudos foram sintetizados, buscando abranger sua relevância. Em sequência, foram reunidos e sistematizados os dados dos estudos, caracterizando, assim, a análise crítica com o propósito de gerar novos conhecimentos sobre crianças submetidas à cirurgia de correção de cardiopatia congênita.

Figura 1 – Processo Metodológico da Revisão Integrativa da Literatura

Fonte: Autor, 2020.

RESULTADOS

A tabela 1 foi construída a partir do objetivo da pesquisa, tendo em vista apontar as características do perfil epidemiológico de crianças com cardiopatia congênita.

Tabela 1: Distribuição dos estudos segundo autor, ano, tipo de estudo e resultado

AutorAnoTipo de estudoResultado
Alves Belo, W Et. al2016Estudo Observacional RetrospectivoDentre as cardiopatias congênitas observadas, a comunicação interventricular (CIV), a comunicação interatrial (CIA), a persistência do canal arterial (PCA), a hipertensão pulmonar (HP) e a tetralogia de Fallot (T4F) foram as mais recorrentes e, na maioria dos casos, cerca de 80% apresentaram duas ou mais cardiopatias.
Alves Rocha, L Et. al2018Estudo Observacional de CoorteDurante o período de 3 anos, 119 crianças de 2,215 nascidas na instituição foram diagnosticadasc com CC. A CC mais comum foi a comunicação interventricular. De fato, 60,5% dos casos foram considerados “complexos” ou “significativos”. Cirurgias cardíacas foram realizadas em 38,9% das crianças, 15 das quais com CC “complexa” ou “significativa”. Foi observada uma taxa de mortalidade de 42% neste coorte, sendo 28% nas primeiras 24 horas após o parto e 38% nos pacientes internados em cirurgia cardíaca.
Guimarães, Juciane; Guimarães, Isabel Et. al2019Estudo Observacional do tipo Transversal RetrospectivoUm total de 367 pacientes foram admitidos na UTI cardíaca pediátrica durante janeiro de 2013 e dezembro de 2014, e 307 foram incluídos no estudo. Os diagnósticos mais comuns de cardiopatias acianóticas foram CIV (24,5%), seguidos por AVSD total (19,9%), PCA e CIA (13,2% cada), coarctação da aorta (11,9%), DSAV parcial (7,3%), Entre as CC cianóticas, a mais comum foi a tetralogia de Fallot (30%), seguida por atresia tricúspide (17,6%), cardiopatias complexas (15,3%), atresia pulmonar (9,9%) e TGA (9,2%). Dos 307 pacientes, 11,1% morreram e 88,9% receberam alta da UTI. O choque cardiogênico foi a causa de 61,8% dos óbitos, seguido pelo choque séptico (35,5%) e distúrbios de coagulação (2,9%). Os fatores de risco encontrados foram: recém-nascidos com menos de 37 semanas; peso inferior a 2.500g; ocorrência de gemelaridade e presença de comorbidade. A taxa de incidência de mortalidade por cardiopatias congênitas foi de 81 casos por 100 mil nascidos
Amaral Lopes, S Et. al2018Estudo Observacional de Coortevivos. A letalidade atribuída às cardiopatias congênitas críticas foi de 64,7%, com mortalidade proporcional de 12,0%. A taxa de sobrevida aos 28 dias de vida diminuiu em quase 70% nos recém-nascidos com cardiopatias congênitas. A principal causa de óbito foi o choque cardiogênico.
Pinto Júnior, V Et. al2015Revisão Sistemática com Meta análiseA incidência no Brasil é de 25.757 novos casos / ano, distribuído em: norte 2.758; Nordeste 7.570; sudeste 10.112; 3.329 do Sul; e Centro-Oeste 1.987. Em 2010 foram reportados 1.377 casos de bebês com cardiopatia, os mais comuns foram: CIV (7.498); CIA (4.693); PCA (2.490); estenose pulmonar (1.431); T4F (973); coarctação da aorta (973); TGA (887); e estenose aórtica 630.
Oliveira, P Et. al2011Estudo Observacional RetrospectivoForam analisados 55 (95%) prontuários disponíveis de crianças submetidas à cirurgia cardíaca com mediana de idade de 37,5 meses, sendo 49% meninos. Presença de três ou mais CC foi verificada em 29,1% dos pacientes e 53% dos casos apresentavam comorbidades. Quanto às complicações respiratórias no pós-operatório, 31% dos pacientes evoluíram com atelectasia/derrame pleural e 5,5% laringite/pneumomediastino/lesão pulmonar. A sobrevida foi de 89% e crianças com complicações respiratórias no pós-operatório foram submetidas a maior tempo de ventilação mecânica e permanência hospitalar.
Schunck, R Et. al2020Estudo Observacional do tipo TransversalOs autores constataram comorbidades em 59,6% da amostra composta por 75 pacientes, sendo a prematuridade uma das mais frequente. Foi observado também, que, o aumento de permanência na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica e Ventilação Mecânica Invasiva possuem correlação positiva com o risco cirúrgico, e concluíram que, pacientes submetidos a cirurgia de correção de cardiopatia congênita após a alta da Unidade de Terapia Intensiva apresentaram graus de disfunção moderado, fazendo-se necessário estudos que acompanhem a evolução da funcionalidade infantil após a alta da Unidade de Terapia Intensiva.
Costa, Sofia Et. al2020Estudo Observacional de CoorteNo período de junho de 2015 a novembro de 2017, 246 pacientes deram entrada neste serviço e tiveram seus dados coletados. Destes, a maioria era do sexo masculino, a minoria era prematura (39,0%) e quase metade tinha baixo peso ao nascer (46,6%). A mediana de dias de vida na admissão foi de 9 dias, o que classificou a população como neonatos tardios. A grande maioria dos pacientes hospitalizados apresentava alguma malformação congênita (77%), 10,7% foram cardiopatias congênitas.
Fonte: Autor, 2020.

DISCUSSÃO

Barros, T et. al (2014) realizaram um estudo retrospectivo quantitativo, com o objetivo de identificar os aspectos socioeconômicos de pacientes pediátricos submetidos a cirurgia cardíaca e a fim de observar a existência de elementos materiais para o agravamento das afecções. Como resultado, após 95 entrevistas sociais realizadas com famílias de crianças submetias a cirurgia de correção de cardiopatia congênita, os autores observaram através do diagnóstico inicial que, 26,31% possuíam comunicação interventricular, 25,25%, comunicação interatrial, 16,84%, persistência do canal arterial, 5,26%, tetralogia de Fallot, 2,2% com cardiopatias associadas, 2,10% com atresia pulmonar e 1,05%, atresia tricúspide. Em relação ao local de origem, foi observado que 69, 47% viviam em zona rural e 28,42% na capital. Os atores ainda observaram variáveis como: escolaridade, moradia, condição e disponibilidade de água, coleta de lixo, entre outros. Em relação a todos os indicadores das condições socioeconômicas das crianças com cardiopatias congênitas registrados na pesquisa, notou-se que: materiais como renda, saneamento básico, condições de moradia e situação de bem-estar dificultam o atendimento de suas necessidades. Outro problema diz respeito ao acesso à renda, que representa um dos maiores obstáculos enfrentados. Essas precárias condições de moradia, saneamento e também de acesso a informações, podem contribuir para agravar as condições de saúde do público infantil, por sua fragilidade natural, colocando em risco o seu desenvolvimento.

Schaan, C et. al (2017) em estudo de revisão sistemática com metanálise, avaliaram a capacidade funcional de crianças e adolescentes com cardiopatias congênitas. Na revisão, os autores incluíram estudos observacionais como de coorte, transversais e casos-controles, publicados em língua inglesa. Foi usado como critério de inclusão dos estudos aqueles com avaliação da capacidade funcional por meio do teste espirométrico, teste de caminhada de seis minutos, teste do degrau e teste ergométrico. Os autores concluem que, a presença de cardiopatias congênitas em crianças e adolescentes está ligada à diminuição da capacidade funcional em comparação a seus controles saudáveis. Observaram também um limiar ventilatório inferior neste grupo.

Em estudo transversal com 684 pacientes portadores de cardiopatias congênitas em um serviço de cardiologia pediátrica, Huber, J et. al (2009) buscaram descrever o perfil desta população através de entrevistas com os pacientes e pais a fim de obterem informações a respeito dos períodos pré e perinatal. Bem como: sintomas, história familiar, desenvolvimento neuropsicomotor, presença de outras anomalias e síndromes genéticas. Quanto aos resultados, dos 684 pacientes, 48,2% eram do sexo masculino, 93% brancos, 3,1%, pardos e 3,2% negros. A prevalência do tipo de cardiopatia congênita, 32,5% compreenderam as cardiopatias cianóticas. A mais frequente foi a comunicação interventricular. Conclui-se que: as informações dispostas no estudo são de grande valor para traçar um quadro geral do perfil dos pacientes com cardiopatia congênita, assim como, servir de base a novos estudos.

Com o objetivo de especificar morbidade e mortalidade neonatal devido a cardiopatia congênita, López, M et. al (2019) realizaram um Estudo descritivo, longitudinal e prospectivo realizado em 97 recém-nascidos com essas cardiopatias, diagnosticados em serviço de neonatologia durante os anos de 2015 a 2017. Foi considerada a análise segmentar, os prováveis mecanismos que a determinam e o tipo de doença cardíaca. Foram identificadas cardiopatias congênitas em 12,9% dos recém-nascidos; a letalidade foi de 1,0%. A cardiopatia mais frequente foi a comunicação interventricular (63,9%). A maioria das cardiopatias foi classificada em: isolada (95,9%), gravidade moderada (92,8%), acianótica (93,8%), não associadas a síndromes ou doenças genéticas (94,9%). O diagnóstico de 70,1% das cardiopatias foi feito na fase pré-natal. Os autores concluíram que as condições constatadas não constituem um problema de saúde no serviço deste hospital, mas apesar de a maioria das cardiopatias congênitas serem diagnosticadas na fase pré-natal, faz-se necessário a continuação do trabalho para aprimorar ainda mais o seu diagnóstico nesta fase.

Em um estudo descritivo transversal, cujo objetivo foi caracterizar a morbimortalidade por cardiopatias congênitas, Rodríguez, A et. al (2018) realizara uma análise documental com base na revisão de prontuários médicos em um banco de dados de um serviço de cardiologia pediátrica. Os autores obtiveram como resultados, as cardiopatias acianóticas com fluxo aumentado como as de maior incidência no período de estudo. Em ordem de frequência os achados foram: comunicação interventricular, comunicação interatrial e comunicação atrioventricular. Concluem que: existem limitações que dificultam o estudo de algumas variáveis, entre elas, a mortalidade de acordo com a cardiopatia congênita.

Objetivando determinar a incidência e o padrão de várias cardiopatias congênitas em uma unidade neonatal, Husssain, S et. al (2014) realizaram um estudo prospectivo no período de setembro de 2008 a agosto de 2011, incluindo 5,800 neonatos internados. Dos 5,800 recémnascidos, 87 (1,5%) cardiopatia congênita com incidência de 15/ 1000, a maioria, de sexo masculino. A anomalia mais comum foi a comunicação interventricular 27 (31,3%), seguida da comunicação interatrial 20 (22,9%), persistência do canal arterial 13 (14,94%), tetralogia de Fallot 6 (6,89%), transposição das grandes artérias 4 (4,59%), estenose pulmonar 5 (5,79%) e 3 (3,44%) referem-se a defeitos do canal atrioventricular. Os autores concluíram que: a cardiopatia é uma patologia comum, com incidência variando de acordo com fatores como: método de detecção, exame precoce, natureza da amostra, entre outros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sabe-se que, as cardiopatias congênitas correspondem a grande parte das causas de internação e óbito entre crianças, adolescentes e principalmente recém-nascidos, sendo um defeito congênito encontrado em todo o mundo. Fatores como infecções durante o período de gestação, uso de medicamentos teratogênicos pela mãe e manifestações genéticas estão ligados às causas destas más formações. É sabido também, que, pacientes com cardiopatias congênitas frequentemente possuem um histórico de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Todas estas características expressam a importância da caracterização dos perfis clínicos e epidemiológicos de pacientes nestas condições, visto que, para esta população em muitas regiões, ainda se encontram poucos estudos, mesmo havendo grande variedade de tipos de cardiopatias que mediam a quantidade e qualidade de material para estudo destas.

A maioria dos estudos selecionados para esta revisão demonstraram que as cardiopatias congênitas prevalentes nas diversas regiões do Brasil foram: Comunicação interventricular (CIV), Comunicação interatrial (CIA), Persistência do canal arterial (PCA). Em relação as cardiopatias congênitas cianóticas, a Tetralogia de Fallot, Atresia Tricúspide, Estenose pulmonar e Transposição das grandes artérias apresentaram maior prevalência.

Cuidados como diagnóstico pré-natal, são de extrema importância para a evolução da criança, bem como para a diminuição do risco de morbimortalidade, e também possibilitam o planejamento do tratamento apropriado, aumentando a sobrevida no período neonatal e consequente melhoria do prognóstico.

Levando em consideração os demais fatores analisados nesta revisão, conclui-se que, características socioeconômicas, além de estarem estreitamente ligadas a diversos fatores concomitantes no que diz respeito à saúde um modo geral, também fazem parte do coeficiente contribuinte para o aumento da prevalência de cardiopatias congênitas, afetando as condições de saúde ou até mesmo propiciando o agravamento de uma afecção existente, logo, faz-se necessária a implementação de registros e exposição de detalhes para um maior aumento da base de dados referentes às patologias supracitadas, gerando conhecimento, informação e evidências para toda uma população, com o foco na diminuição destas condições que levam ao aumento dos fatores de risco das patologias.

REFERÊNCIAS

  1. ALVES BELO, W; OSELAME, G; NEVES, E. Perfil clínico-hospitalar de crianças com cardiopatia congênita. Cad. Saúde Colet., 2016, Rio de Janeiro, 24 (2): 216-220.
  2. ALVES ROCHA, et. al. Risk Factors for Mortality in Children with Congenital Heart Disease Delivered at a Brazilian Tertiary Center. Braz J Cardiovasc Surg 2018;33(6):603-7.
  3. AZHAR, M; WARE S. Genetic and Developmental Basis of Cardiovascular Malformations. Clinics in Perinatology. 2016;43(1):39-53.
  4. BARROS, et. al. Congenital cardiac disease in childhood x socioeconomic conditions: a relationship to be considered in public health? Rev. Bras. Cir. Cardiovasc. 2014;29(3):448-54.
  5. CARNEIRO, J; VIEIRA, M; REIS T; CALDEIRA, A. Fatores de risco para a mortalidade de recém-nascidos de muito baixo peso em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Revista Paulista de Pediatria. 2012;30(3):369-376.
  6. CARVALHO, R et al. Inequalities in Health: Living Conditions and Infant Mortality in Northeastern Brazil. Revista de Saúde Pública. 2015;49(0).
  7. CASTRO, E; LEITE, Á; GUINSBURG, R. Mortalidade com 24 horas de Vida de Recém‐Nascidos Pré‐Termo de Muito Baixo Peso da Região Nordeste do Brasil. Revista Paulista de Pediatria. 2016;34(1):106-113.
  8. GOOD, R; CANALE, S; GOODMAN, R; YEAGER, S. Identification of Critical Congenital Heart Disease in Vermont. Clinical Pediatrics. 2014;54(6):570-574.
  9. GUIMARÃES, J; GUIMARÃES, I. Clinical and Epidemiological Profiles of Patients Admitted to a Pediatric Cardiac Intensive Care Unit. Int J Cardiovasc Sci. 2019; [online]. Ahead print, PP.0-0.
  10. HÖFELMANN, D. Tendência temporal de partos cesáreos no Brasil e suas Regiões: 1994 a 2009. Epidemiologia e Serviços de Saúde. 2012;21(4):561-568.
  11. HUBER J, et. al. Cardiopatias Congênitas em um Serviço de Referência: Evolução Clínica e Doenças Associadas. Arq Bras Cardiol 2010; 94(3): 333-338.
  12. LIU Y, et al. Global Birth Prevalence of Congenital Heart Defects 1970–2017: Updated Systematic Review and Meta-Analysis of 260 Studies. International Journal of Epidemiology. 2019.
  13. LOPES, et. al. Mortalidade para Cardiopatias Congênitas e Fatores de Risco Associados em Recém-Nascidos. Um Estudo de Coorte. Arq.Bras. Cardiol. 2018; 111(5):666-673.
  14. MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS – a Rede Cegonha. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 27 jun. 2011. [acesso em 10 fev. 2019] Seção 1, p. 109.Disponivel em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html.
  15. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS. Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimento. Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP). Disponível em:<http://sigtap.datasus.gov.br/tabela-unificada/app/sec/inicio.jsp>. Acesso em: 15 fev. 2019.
  16. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS. Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC). Disponível em: <http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0205&id=6936>. Acesso em: 06fev. 2019.
  17. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DATASUS. Sistema de Informações sobre Mortalidade. SIM (Tabnet). Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/. Acesso em: 3 fev. 2019.
  18. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas.2 Ed. atualizada. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
  19. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ciência e Tecnologia. Síntese de evidências para políticas de saúde: diagnóstico precoce de cardiopatias congênitas / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Ciência e Tecnologia. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
  20. OLIVEIRA, et. al. Perfil das crianças submetidas à correção de cardiopatia congênita e análise das complicações respiratórias. Ver. Paul Pediatr. 2012;30(1):116-21.
  21. PINTO JÚNIOR, VC et al. – Epidemiology of congenital heart disease in Brazil. Braz. J Cardiovasc Surg 2015;30(2):219-24.
  22. SCHAAN C, et. al. Capacidade Funcional na Cardiopatia Congênita: Revisão Sistemática e Metanálise. Arq. Bras. Cardiol. 2017; 109(4):357-367.
  23. SCHUNCK E, et. al. Déficit funcional em crianças com cardiopatias congênitas submetidas à correção cirúrgica após alta da unidade de terapia intensiva. Rev Bras Ter Intensiva. 2020;32(2):261-267.
  24. VAN DER LINDE D, et al. Birth Prevalence of Congenital Heart Disease Worldwide. Journal of the American College of Cardiology. 2011;58(21):2241-2247.
  25. COSTA SOFIA, et. al. Morbidity and mortality due to surgical congenital malformations from the perspective of surgical neonatal ICU outside a maternity service: a retrospective cohort study. Rev Assoc Med Bras 2020; 66(9):1252-1257.
  26. LÓPEZ MARISEL, et. al. Morbilidad y mortalidad neonatal por cardiopatías congénitas. Revista Cubana de Pediatría. 2019;91(1).
  27. HUSSAIN, S; SABIN, M, ASGHAR, M. Incidence of congenital heart disease among neonates in a neonatal unit of a tertiary care hospital. J Pak Med. Assoc. 2014 Feb;64(2):175-8.
  28. RODRIGUÉZ, A; TALET, L; ARRIÉN, J Characterization of congenital heart diseases in Matanzas province. A thirteen years study. Rev. Med. Electrón. vol.40 no.5 Matanzas set-oct. 2018.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.