PERCEPÇÃO DAS GRÁVIDAS SOBRE OS BENEFÍCIOS DA FISIOTERAPIA NO PSF – PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

SANTANA, Suely Maria1; MOURA, Maria do Carmo2.
1 Graduada em Fisioterapia pelo Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ
2 Docente do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ.

RESUMO
Nos últimos anos o setor saúde no Brasil tem vivenciado várias mudanças no que diz respeito à assistência prestada á população. Uma destas mudanças foi à implantação do Programa de Saúde da Família, o qual é composto por Unidades de Saúde de Família que têm como objetivo prestar cuidados no âmbito preventivo e curativo, visando à promoção de saúde. Este trabalho é realizado por meio de uma equipe multidisciplinar composta por vários profissionais, dentre eles o fisioterapeuta, que desenvolve assistência voltada para atividades domiciliares e grupos de atendimento formados, na sua maioria, por grávidas. Levando em considerações estas vertentes, o fisioterapeuta, na obstetrícia, auxilia a gestante a adaptar-se ás mudanças que ocorrem em seu corpo, visando diminuir os desconfortos e o estresse, preparando-a para o parto, sendo hoje um foco de muita relevância dentro da sociedade. Este trabalho teve como objetivo analisar a percepção das gestantes sobre os benefícios da Fisioterapia na Unidade de Saúde Família – USF, no município de Cabedelo – PB. Foi realizado um estudo de campo, de abordagem quali-quantitativa, que buscou analisar a percepção das grávidas sobre os benefícios da Fisioterapia em Unidade de Saúde Família – USF, no município de Cabedelo – PB. A amostra constou de 15 grávidas com idade de 18 a 38 anos, que estavam sendo atendidas pela fisioterapia da USF dos Jardins, no município de Cabedelo no período de Agosto á Outubro de 2009. Os dados foram coletados através de questionário aplicado as grávidas. Após a coleta, os dados foram analisados e transcritos para tabelas.Foi detectado ao término do estudo, que as grávidas atendidas pela fisioterapia na USF relataram diminuição considerável de alguns desconfortos, em especial da dor e postura, onde 46% das grávidas avaliam o atendimento da fisioterapia como ótimo, trazendo assim benefícios para as mesmas, diante disso considera de grande importância a inclusão do fisioterapeuta no Programa de Saúde da Família podendo assim fornecer uma melhoria qualidade de vida. Os resultados mostraram que o fisioterapeuta em atividades preventivas, onde fazendo parte de um programa de exercícios e orientações foi eficaz sobre as dúvidas no período gestacional, favorecendo a diminuição da ocorrência e características desconfortos no período gestacional.

Palavras – Chave: Atenção Básica; Fisioterapia; Grávidas.

ABSTRACT

In recent years the health sector in Brazil has experienced several changes with respect to assistance provided to the population. One of these changes was the implementation of the Family Health Program, which is composed of Family Health Units that are intended to provide care in the preventive and curative, aiming to promote health. This work is conducted by a multidisciplinary team comprised of several professionals, including physiotherapists, developing service-oriented activities and home care groups formed mostly by pregnant women. Taking into consideration these aspects, the physiotherapist in obstetrics, assists pregnant women to adapt to the changes that occur in your body in order to decrease the discomfort and stress, preparing them for childbirth, now a focus of much relevance within the society. This study aimed to analyze the perception of women about the benefits of physiotherapy in the Family Health Unit – USF in the municipality of Cabedelo – PB. We conducted a field study of qualitative and quantitative approach, which sought to analyze the perception of pregnant women about the benefits of physical therapy at Family Health Unit – USF in the municipality of Cabedelo – PB. The sample consisted of 15 pregnant women aged 18-38 years who were being treated by physiotherapy USF Gardens in the city of Cabedelo the period August to October 2009. Data were collected through a questionnaire administered to pregnant women. After collection, the data were transcribed and analyzed for tables. Was detected at the end of the study, that pregnant women served by physiotherapy at USF reported considerable loss of some discomfort, especially pain and posture, where 46% of pregnant women evaluated the care of physical therapy as great, thus bringing benefits to them, before considers it of great importance for the inclusion of the physiotherapist in the Family Health Program and thus can provide a better quality of life. The results showed that physical therapists in preventive activities, where part of an exercise program was effective and guidance on the questions during pregnancy, helping reduce the occurrence and characteristics discomforts during pregnancy.

Key – words: Primary Care, Physical Therapy; Pregnant.

INTRODUÇÃO:

Durante os últimos anos o governo implementou vários programas de saúde com o objetivo de melhorar a saúde da população, principalmente a saúde feminina. Dentre estes programas podemos citar o programa de Saúde da Família, o qual presta atendimento em todas as áreas de saúde por meio de profissionais especializados, como o Fisioterapeuta.
Os serviços de Fisioterapia estão ganhando espaço nas Equipes de Saúde da Família (ESF) no PSF em vários lugares do país, pois esta especialidade promove melhora no estado geral de saúde da população, mediante ações integradas dirigidas ao indivíduo, à família e à comunidade, voltadas para a reabilitação, promoção e manutenção da saúde, o que proporciona melhor qualidade de vida(1).
Estas ações também estão voltadas às mulheres gestantes, visto que as mesmas passam por inúmeras modificações no organismo em decorrência de alterações hormonais. Este período ainda é considerado como uma fase complicada pela maioria das mulheres, mas na realidade se trata de um período de intensas transformações físicas e emocionais, onde todo o corpo da mulher se prepara para que ela possa gerar abrigar, alimentar e permitir o desenvolvimento do seu bebê até a hora do nascimento(2). Porquanto a inserção do fisioterapeuta no PSF tornará o serviço de fisioterapia de fácil acesso a população através de visitas domiciliares e grupos de atendimento(3).
Neste sentido é possível oferecer assistência básica ao paciente, sendo esta muitas vezes impossibilitada em comunidades carentes devido a fatores como condições financeiras e físicas, barreiras arquitetônicas que dificultam o deslocamento do paciente, superlotação nos centros de referência e a própria rejeição do paciente em se submeter ao tratamento (4).
Diante destas considerações, o objetivo deste estudo foi analisar a percepção das grávidas sobre os benefícios da Fisioterapia na Unidade de Saúde Família – USF, no município de Cabedelo – PB.

O PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Uns dos primeiros passos para a criação do PSF no Brasil foi realizada através da implantação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), em 1991. O PACS se baseava no trabalho de pessoas da comunidade que eram treinadas, capacitadas e supervisionadas por profissionais de Saúde. O PSF tem seus alicerces ligados às alterações e reorganizações a Atenção Primária ou Básica em Saúde ocorrida em outros países. Então através de experiências internacionais e também de outras realizadas isoladamente em cidades brasileiras, é que começou a ser realizado este modelo de assistência (5).
Destacam que a partir de 1994 o PSF ganha força e começa a ser executado no país, com isso o programa é desenvolvido fundamentalmente pelos municípios. O impacto favorável nas condições de saúde da população adstrita deve ser preocupação a permear todo processo de implantação dessa estratégia. Recomenda-se que uma equipe seja responsável, no âmbito de abrangência da unidade básica. Ressaltam que as estratégias apresentadas, no mesmo ano, onde as diretrizes do PSF foram capazes de provocar mudança no modelo assistencial, rompendo com os comportamentos passivos das unidades básicas de saúde e estendendo suas ações para que justo com a comunidade(6;7).
A velocidade de expansão da Saúde da Família, desde o seu início, comprova a adesão de gestores estaduais e municipais aos seus princípios. Estas ações vêm apresentando um crescimento expansivo nos últimos anos sustentada por um processo que permita a real substituição da rede básica de serviços tradicionais no âmbito dos municípios e pela capacidade de produção de resultados positivos nos indicadores de saúde e de qualidade de vida da população assistida (8).
Como as unidades de saúde da Família (USF) têm uma organização, onde a lógica é fortalecer a Atenção Básica, através do contato da população com o serviço de saúde local, então é oferecido uma maior resolubilidade para os cuidados prestados no âmbito de complexidade, assegurando-se a referência e contra-referencia nos diferentes níveis do sistema (9).
Diante dessa realidade, percebe-se que o advento das estratégias do PSF fez com que novas profissões ganhassem ascensão, uma vez que a complexidade da área da saúde exige ações que englobem diferentes conhecimentos, oriundos de diversas categorias da saúde. Apresenta-se, desta forma novos questionamentos a respeito da atuação do fisioterapeuta na atenção básica e da relação entre eles e os diversos níveis de complexidade do SUS, rompendo com o paradigma desse profissional como agente exclusivamente reabilitador (10).

A FISIOTERAPIA NO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA

O Sistema Único de Saúde tem apresentado resultados positivos nos propósitos de universalização, descentralização e ampliação de cobertura dos serviços de saúde. Com intuito de garantir a qualidade, equidade e a resolutividade da assistência ambulatorial e hospitalar, onde a falta de profissionais habilitados a prestar assistência integral de saúde. Para alcançar os objetivos propostos, é necessário o incentivo à educação permanente como estratégia na reorganização dos serviços de saúde. Ressalta que de acordo com, a constituição os aspectos fundamentais para a área de saúde tiveram ser entendido numa perspectiva de articulação de políticas sociais e econômicas, visando o entendimento da saúde como direito social universal, com caracterização das ações e serviços de saúde como relevância pública, a criação do SUS organizado segundo as diretrizes do governo(11;12).
O fisioterapeuta, como os demais profissionais da área de saúde, tem uma formação acadêmica sólida, para atuar no desenvolvimento de programas de promoção de saúde. Porém, freqüentemente, tem suas atividades profissionais reconhecidas na reabilitação e na recuperação de pessoas fisicamente lesadas com atuação, portanto, em níveis de atenção secundária e terciária á saúde. Este atendimento pode ser estendido ao domicilio sendo o mesmo imprescindível ao trabalho de atenção primária do profissional de fisioterapia, pois quando o fisioterapeuta se depare com a realidade das pessoas, verificando suas atividades de vida diária, e suas limitações e que serão realizados encaminhamentos e orientações pertinentes a cada caso (13).
Em algumas regiões do Brasil o trabalho do fisioterapeuta ainda é limitado, mesmo com a sua inclusão no PSF, a população das regiões beneficiadas demonstra grande satisfação quanto aos serviços prestados por estes profissionais. Experiências isoladas em algumas regiões brasileiras mostram que a inserção deste profissional enriquece e desenvolve ainda mais os cuidados de saúde da população. A inserção do fisioterapeuta iniciou apenas no ano de 1999, em Sobral-CE. Visando um meio de que está comunidade tenha uma auxilio á saúde com mais qualidade e eficiente nos serviços prestados por este profissional poderá oferecer a população (14).
Vimos que a participação do fisioterapeuta é intensa noPSF e em programas e ações similares de cuidados primários em saúde é condição fundamental para a concretização das diretrizes de uma assistência à saúde realmente integral. Desta forma oFisioterapeuta é peça fundamental para a conquista e desenvolvimento de uma assistência à saúde da população que se baseia na inclusão social, centrada na comunidade e na participação efetiva desta, na conquista da saúde como instrumento através do quais cidadãos possam realizar suas aspirações e satisfazer suas necessidades, adquirindo a capacidade de mudar seu entorno ou enfrentá-lo(15).

GRAVIDEZ

Sabemos que o sistema reprodutivo feminino é altamente complexo, sendo um padrão normal e regular e que é sensível a mudanças na saúde do corpo e comportamental. Pode ser perturbado em certos momentos por doença e também por mudanças na vida como um choque extremo ou estresse, atividade excessiva e severa perda de peso. Sabemos quando iniciada a fecundação, a evolução da gestação e o desenvolvimento do feto dependem da interação materno-fetal. São intensas adaptações anatômicas, fisiológicas e bioquímicas onde provavelmente, em qualquer outra fase do ciclo vital exista maior mudança no funcionamento e forma do corpo humano em tão curto espaço de tempo. Muitas dessas mudanças iniciam-se desde o momento da nidação e se estendem por todo período gestacional até o término da lactação (16;17).
No período gestacional as alterações, inicialmente são induzidas pelo ovo, onde eventualmente, antecipa á demanda que ocorre antes de estar ele suficientemente desenvolvido, para criação de um ambiente ideal para o feto, onde irá exigir suprimentos para seu desenvolvimento. Devido a todo este processo, mãe e filho vão constituir uma unidade fisiológica, com um meio interno comum, tendo a concepta prioridade na distribuição dos elementos nutritivos. Portanto as exigências da prenhez atingem e os limites da capacidade funcional de muitos órgãos maternos, podendo fazer despontar, ou agravar, quadros patológicos preexistentes (18).

AJUSTES FISIOLÓGICOS DA GRAVIDEZ

Quando ocorre à fecundação do ovulo, o corpo da mulher começa a sofrer algumas modificações relacionadas às alterações hormonais. Estas mudanças começam nas primeiras semanas, mais especificamente até a 12º semana, os quais estão relacionados ao primeiro trimestre, e geralmente as mais comuns entre as mulheres, são: desejos durante a gravidez, medos sobre as capacidades maternais, bem-estar do feto, e expectativa de mudança de vida. O segundo trimestre de gravidez começa na 13ª semana e continua até a 24ª semana de gestação. O terceiro trimestre começa com a 24ª semana de gestação e continua até o parto do bebê, que normalmente ocorre na 42ª semana, onde a mulher está em preparação para o nascimento(19).
O período gestacional para muitas mulheres é bastante esperado, por ser uma condição especial de saúde que traz diversas modificações e adaptações no organismo materno, as quais são necessárias para o estabelecimento e progressão do ciclo gravídico-puerperal. Tais mudanças são, principalmente, o resultado da interação de alguns hormônios, sendo a progesterona, o estrogênio e a relaxina, os de maior influência; no entanto, alguns desses ajustes podem resultar em desconforto, ou mesmo em dor, causando limitações durante a realização das Atividades da Vida Diária (AVD’s) e/ou Atividades da Vida Pessoa (AVP’s). Embora essas alterações possam ocorrer em todos os órgãos e sistemas do corpo da gestante, como pele, trato urinário, sistema endócrino, e gastrointestinal (20).
Portanto as alterações fisiológicas durante a vida da mulher são numerosas, ocorrendo em todos os sistemas do corpo. As alterações mais freqüentes, no entanto, ocorrem durante e imediatamente após a gestação. Então no decorrer da gravidez, o organismo materno irá sofrer modificações, porém estas alterações do estado gravídico exigem ajustes que não constituem uma ameaça á saúde da mãe se forem atingidos adequadamente. Porém este fato não ocorre da mesma forma em todas as gestantes, podendo variar de intensidade e da época de aparecimento. O importante é que a gestante saiba da importância dessas alterações para o desenvolvimento adequado do feto (2;21).

A FISIOTERAPIA NO PRÉ-NATAL

Para que a mulher gestante tenha uma boa evolução no período pré-natal é necessário que haja uma equipe de profissionais envolvidos no seu tratamento. Essa equipe consiste de fisioterapeutas obstetras, parteiras, nutricionistas, obstetras, dentistas, pediatras, entre outros. No entanto se faz necessário que os componentes desta equipe estejam cientes das necessidades da gestante podendo corresponder a elas de acordo(16).
Os fisioterapeutas obstetras, que fazem parte de uma equipe multiprofissional de assistência á gestantes, estão aptos a contribuir para a melhoria no estilo de vida da mulher durante o período gestacional (22).
A assistência fisioterapeuta visa orientar e preparar a gestante para enfrentar as transformações decorrentes, quanto á fisiologia da gravidez, hábitos que devem ser adotados e a preparação física da gestante incluindo prevenção de problemas na manutenção da saúde no pré-natal e na preparação para o parto, atuando no contexto biopsicossocial e proporcionando a parturiente um bem-estar global. Portanto, dentro desta nova perspectiva de atuação profissional que se insere o fisioterapeuta preventivo, agindo em programas de promoção de saúde e proteção especifica (23;13).
A fisioterapia tem uma atuação na saúde da mulher como uma ação indispensável no atendimento da população no PSF, permitindo uma intervenção sobre vários aspectos da função e do movimento humano, que sofrem mudanças e alterações durante as fases de vida da mulher, desde a adolescência até fase adulta, passando inclusive sobre o período gestacional. Podemos resumir as atribuições do Fisioterapeuta no PSF e da atenção primária, como um profissional voltado para a educação, prevenção e assistência fisioterapêutica coletiva e individual, inserido e trabalhando de forma interdisciplinar. Onde a promoção á saúde no pré-natal ocorre quando possibilitamos á mulher conhecimento sobre o seu corpo e compreensão das alterações ocorridas, atuando de forma mais consciente e positiva no seu gestar(24;25).

MATERIAS E MÉTODOS

Trata-se de um estudoanalítico, descritivo e exploratório com abordagem quali-quantitativo. O campo deinvestigação foi o PSF dos Jardins situado na cidade de cabedelo município de João Pessoa do estado da Paraíba. A fim de garantir ocumprimento das questões éticas, o estudo foi aprovado, semrestrições, pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, protocolo número 018/2009, considerandoseo que prevê a Resolução nº 196/9613. Ressalta-se que todosos sujeitos foram informados sobre a justificativa, os objetivose a metodologia do estudo. Após receberem todos osesclarecimentos pertinentes ao estudo, as depoentes assinaramo Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Participaram do estudo 15 depoentes que compareceramao PSF dos Jardins, no período de agosto a outubro de 2009 e que se adequaram aos critérios da inclusão delimitados: fazendo o acompanhamento pré-natal, que se encontrava em qualquer trimestre de gestação. E como critérios de exclusão aquelas com incapacidade na comunicação, deficiência visual, auditiva ou dificuldade para responder ao questionário, menores de 18 anos e que não tinha realizado nenhuma atividade pela fisioterapia na USF dos Jardins.
Para a produção dos dados, foram utilizados um questionáriocom perguntas fechadas que versavam sobre a identificação ecaracterização socioeconômicados sujeitos e uma entrevistasemiestruturada,cujo roteiro foi constituído de questões abertas que favorecerama análise das gestantes sobre os benefícios da fisioterapia durante o período gestacional a fim decontemplar os objetivos do estudo.
Após a coleta Os dados foram transportados para planilhas e armazenados no programa software Excel, distribuídos e analisados através de freqüências absolutas e relativas e apresentados sob forma de tabelas e figuras.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Participaram das entrevistas quinze gestantes que estavam sendo atendidas pela fisioterapia na USF de cabedelo-PB. Onde se verificou que 67% das gestantes tinham idade entre 18-28 anos; 33% de 28-38 anos. Quando discutimos a faixa etária, destacamos que, apesar do período fértil da mulher sejam limitadas, por causa de uma série de fatores, incluindo o mercado de trabalho, as mulheres estão adiando cada vez mais a maternidade. Das 15 gestantes atendidas no período da pesquisa, identificamos que 10 (67%) estavam na faixa etária compreendida entre 18-28 anos. Com isso as mulheres procuram engravidar nesta faixa etária para evitar uma gravidez de risco. Quando a mulher que opta engravidar após os 35 anos necessita conhecer plenamente os fatores associados ao maior risco para a mãe e a criança. Após essa idade é mais comum a ocorrência de certos tipos de patologias como pressão alta, diabetes(26).


Os dados da Figura 2 mostram que 46% das gestantes da pesquisa eram casadas, enquanto 27% eram solteiras e 27% tinham união estável.De acordo com os dados acima 46% das gestantes eram casadas, talvez este dado possa influenciar na procura assídua do tratamento por parte das grávidas, visto que maioria delas tem o apoio do companheiro no bem estar gravídico. Atualmente está aumentando o número de homens que desejam participam ativamente do processo de paternidade, com isso sendo constituindo um elemento chave indispensável da equação pré-natal. Assim não se considera apenas a mulher grávida, mas o casal grávido, sendo de fundamental para que o processo de adaptação seja bem sucedido(27).


A gestação é um período muito especial na vida de uma mulher, o seu corpo passa por uma série de modificações ao longo dos meses sendo necessária uma adaptação às novas condições físicas. Nesse sentido, o fisioterapeuta se apresenta como um profissional da área da saúde capaz de contribuir com a melhora da qualidade de vida da gestante, amenizando suas queixas, através de um programa educativo e terapêutico.


Podemos observar que a grande maioria das gestantes faz um acompanhamento pela fisioterapia. A prática da fisioterapia para gestantes tem como objetivo contribuir para uma melhor qualidade de vida e prevenir, minimizar ou tratar as diversas disfunções dos sistemas músculo-esquelético, respiratório, circulatório, urinário, através da preparação das condições físicas maternas, obtendo benefícios também para o momento do parto(22).
Sabemos que a atividade física e a preparação para o parto são importantes para que a gestação seja tranqüila. A mulher poderá sofrer menos com as mudanças que estão ocorrendo no seu organismo, uma gestante que se exercita pode ter menor probabilidade de complicações durante o parto e melhor recuperação pós-parto, e que estes exercícios dá ao corpo da gestante, força, tônus muscular e flexibilidade, e que está prática tem evidenciado os benefícios para o período gestacional, onde produzirá para a mesma uma sensação de bem-estar e um melhor relacionamento com o seu bebê.Mas existem alguns benefícios no exercício para gestante, que ainda não foram comprovados. Que podemos incluir como trabalho de parto mais curto, menos complicações durante a gravidez, recuperação mais rápida depois do trabalho de parto, prevenção de varizes, trombose e câimbras de membros inferiores e melhor evolução destas gestantes(28;29).
Diante dos dados acima 92% destas mulheres consideravam o atendimento da fisioterapia entre ótimo e bom, quando relaciona com as orientações que receber pela fisioterapeuta e acadêmicos do curso de fisioterapia do UNIPÊ, onde é abordado assuntos de suma importância no período gestacional, com a finalidade de proporcionar uma gravidez com tranqüilidade, e trazer muitos benefícios para as mesmas, já que neste período sofre várias transformações no seu organismo, que às vezes não são compreendidas por elas, então o fisioterapeuta entra como um agente preventivo e orientador para dá uma melhora na qualidade de vida destas gestantes.
Como elas relataram que a fisioterapia trouxe muitos benefícios dentre os mais citados foram em relação à dor e a postura, que através de exercícios de alongamento e relaxamento e orientações posturais houve uma melhora em relação à dor no momento de fazer os afazeres domésticos e no trabalho. Durante o período gestacional alguns exercícios são benéficos, onde podem minimizar as indisposições relatadas na gravidez como, as algias vertebrais, as varizes, a presença de articulações e músculos doloridos. Com isso, a maior parte dos programas fisioterápicos visa melhorar a força e as estruturas de sustentação do corpo da gestante, onde, os exercícios aplicados como a cinesioterapia, ajudam na conservação da postura da coluna vertebral, causa adaptações mais eficientes da biomecânica, além de atuar ma prevenção do estresse e das dores localizadas na região lombar e pélvica(30).
A atuação do fisioterapeuta no PSF consiste em executar atividades educativas, onde pelas quais as gestantes constituem o foco do processo de aprendizagem a serem realizadas em grupo ou individualmente devem conter uma linguagem clara e compreensível, a fim de promover orientações gerais sobre os cuidados com o recém-nascido, amamentação e planejamento familiar. Os grupos pré-natais de preparação para a paternidade devem ser designados com o objetivo de satisfazer as necessidades expressas pelos pais e não deveriam ser proporcionadas apenas informações que os profissionais achem que eles precisam. Onde é essencial que todos os aspectos de um serviço como este seja flexível, passivo de alterações e que atenda sugestões dos seus participantes(24;31).
De acordo com os dados acima mencionados, podemos ver o quanto é importante o acompanhamento da fisioterapia no pré-natal, e que através de um programa atividades que o fisioterapeuta dando orientações que irão prepará-las para o parto, além de desenvolver exercícios respiratórios, necessários para uma gestação sem riscos, com isso poderá fornecer um conforto no momento do parto e melhoria na qualidade de vida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Mediante a atuação da fisioterapia na saúde da mulher, vem se tornando casa vez mais indispensável no atendimento desta população no PSF, permitindo uma intervenção sobre vários aspectos da função e do movimento humano, que sofrem mudanças e alterações durante as fases de vida da mulher, desde a adolescência até fase adulta, passando inclusive sobre o período gestacional. Onde podemos resumir as atribuições do Fisioterapeuta no PSF e da atenção primária, como um profissional voltado para a educação, prevenção e assistência fisioterapêutica coletiva e individual, inserido e trabalhando de forma interdisciplinar.
Dentro dos resultados obtidos nesta pesquisa, consideramos que, a importância do fisioterapeuta no atendimento pré-natal, já que as maiores queixas são de ordem postural, estas poderão ser amenizadas com orientações e o tratamento adequado em cada trimestre da gravidez, onde 96% das grávidas consideraram o atendimento recebido pela fisioterapia na USF, como ótimo e que um trabalho preventivono Programa de Saúde da Família, sendo bastante relevante no bem estar das mesmas. E também teve um ponto muito marcante que muitas pacientes grávidas não irem às atividades propostas pela fisioterapia, então teve este ponto de dificuldade para o término da pesquisa.
Apesar de existirem pouco assunto na literatura sobre a fisioterapia na gravidez, no Brasil atualmente vem crescendo muito o campo neste sentido, visando uma melhoria de qualidade de vida, destas gestantes.Há ainda a necessidade de que sejam desenvolvidos muitos estudos a cerca dos benefícios da fisioterapia no período gestacional, no Programa de Saúde da Família de forma a promover a saúde através da educação.
O trabalho de pesquisa contribuiu para a compreensão do quanto à ação do profissional de Fisioterapia, seguindo os princípios de prevenção e promoção da saúde tal como foi se constituindo no programa Saúde da Família, especificamente nos benefícios durante o período gestacional, visando para uma vida de qualidade.

REFERÊNCIAS

1. CASTRO, S. S.; CIPRIANO JUNIOR, G.; MARTINHO, A. Fisioterapia no Programa de Saúde da Família: Uma Revisão e Discussões Sobre a Inclusão. Fisioterapia em Movimento, Curitiba, Vol. 19, nº 4, p. 55-62, out/dez. 2006.

2. STEPHENSOR, Rebecca G.; O’CONNOR, Linda J. Fisioterapia Aplicada á Ginecologia e Obstetrícia. 2º Edição. São Paulo. Manole, 2004.

3. SILVA, ANGELA C. F. et.col.Relato de Vivência e Experiência: Inserção do Acadêmico de Fisioterapia da UNISC no PSF em Santa Cruz do Sul (2006). Disponível em: Acesso em: 15.04.2009.

4. BELLO JUNIOR, R.; et al.Atendimento Fisioterápico em Domicilio (2006). Disponível em: Acesso em: 14.03.2009.

5. CASTRO, S. S.; CIPRIANO JUNIOR, G.; MARTINHO, A. Fisioterapia no Programa de Saúde da Família: Uma Revisão e Discussões Sobre a Inclusão. Fisioterapia em Movimento, Curitiba, Vol. 19, nº 4, p. 55-62, out/dez. 2006.

6. BRASIL, O. A. C; et al.Programa da Saúde da Família (2005). Disponível em: Acesso em: 14.03.2009.

7. SANTOS, I. F. S.; et al.Histórico da Implantação do PSF no Estado do Tocantins. Revista da UFG, Vol. 6, No. Especial, dez 2004 on line (www.proec.ufg.br).

8. BRASIL 2. Atenção Básica e a Saúde da Família. Brasília, Ministério da Saúde (2004). Disponível em: Acesso em: 02.07.2009.

9. BENATTI, B. C. G. O Serviço Social e a Estratégia Saúde da Família: Potencialidades de uma Aproximação (2008). Disponível em: Acesso em: 09.08.2009.

10. VÉRAS, M. M; et al. A fisioterapia no Programa Saúde da Família de Sobral CE. Revista Fisioterapia Brasil, volume 6, número 5, Ano: 2005.

11. DELAI, K. D.; WISNIEWSKI, M. S. W. Inserção do Fisioterapeuta no Programa Saúde da Família. Revista Ciência & Saúde Coletiva da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Vol. 13, p. 0103-0114, Ano: 2008.

12. TRELHA, C. S.; et al. O Fisioterapeuta no Programa de Saúde da Família em Londrina (PR). Revista Espaço para a Saúde. Londrina, Vol. 8, nº 2, p. 20-25, Jun.2007.

13. NEUWALD, M. F.; ALVARENGA, L. F. Fisioterapia em Educação em Saúde Investigando um Serviço Ambulatorial do SUS. Revista Boletim da Saúde. Vol. 19. Nº 2. Ano 2005.

14. PEREIRA, K. F.; SOUZA, W. B. Inclusão do Fisioterapeuta no PSF: Pela Integralidade da Atenção á Saúde e Reorientação do Modelo Assistencial. Revista Fisio Brasil. Vol. 1. Nº 1 Ano 2008.
15. SOUZA, P. C. S. Fisioterapia no PSF (2009). Disponível em: Acesso em: 19.11.2009.

16. POLDEN, M; MANTLE J. Fisioterapia em Ginecologia e Obstetrícia. 2º Edição. São Paulo. Santos, 2000.

17. RUDGE, M. V. C.; BORGES, V. T. M.; CALDERON, I. M. P. Adaptação do organismo Materno á Gravidez. In: NEME, B. Obstetrícia Básica. 3º Edição. São Paulo. Sarvier,2005.

18. REZENDE, Jorge. Obstetrícia. 10º Edição. Rio de janeiro. Guanabara Koogan, Ano: 2005.

19. SEPÚLVEDA, M. A. C. Diagnósticos de Enfermagem por Trimestre de Gravidez (2009). Disponível Em: Acesso em: 11.10.2009.

20. ANJOS, G. C. M.; PASSOS, V.; DANTAS, A. R.. Fisioterapia Aplicada a Fase Gestacional (2006). Disponível em: Acesso em: 27.04.2009.

21. TEIXEIRA FILHO, A. T. Modificações no Organismo Materno Durante á Gravidez (2008). Disponível em: Acesso em: 08.07.2009.

22. ALIPIO, V. G. A Importância da Fisioterapia (2009). Disponível em: < http://www.gestacao.net/Fisioterapia.php>Acessoem:27.09.2009.

23. VERNER, M. C.; et al.Efeitosda Fisioterapia Pré-Natal na Qualidade de Vida das Gestantes. Revista Cientifica da Faminas. Muriaé. Vol. 1, nº 1. Sup. 1. P. 19. Jan-Abr 2005.

24. STRASSBURGER, Z. S.; DREHER, Z. D. A fisioterapia na atuação a gestantes e familiares: relato de um grupo de extensão universitária. Revista Scientia Médica – Porto Alegre, volume 16, número 1 ano: 2006.

25. CARDOSO, A. M. R.; MENDES, V. B.; SANTOS, S. M. O pré-natal e a atenção á saúde da mulher na gestação (2007). Disponível em: Acesso em: 27.09.2009.

26. OLIVEIRA, M. B. P. Gravidez após os 35 anos (2007). Disponível em: Acesso em: 10.10.2009.

27. KITAHARA, R. H.; ROSSI, S.; GRAZZIOTIN, M. C. B. Participação do Pai na Gestação, Parto e Nascimento: Uma Questão de Cidadania (2009). Disponível em: Acesso em: 10.10.2009.

28. CENTOFANI, M. D.; et al. Perfil das participantes do Serviço de Atendimento Interdisciplinar á Gestante. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, Vol. 24, p. 49-54, jan/ dez. 2003.

29. ARTAL, R.; et al. Orientações de exercício para a Gravidez. In: Artal R.; Wiswell, R. A.; Drinkwater, B. L. O Exercício na Gravidez. 2º Edição. São Paulo. Manole, 1999.

30. NEGREIROS, N. L. V. Fisioterapia no pré-natal: análise da intervenção fisioterapêutica nos principais desconfortos no período gestacional. Monografia de Conclusão do Curso: Fisioterapia. João Pessoa-PB: Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ; 2008.

31. OLIVEIRA, K. F. A Prática Fisioterapêutica no Pré-Natal: Experiência Vivenciada em uma Unidade de Saúde da Família. Monografia de Conclusão do Curso: Fisioterapia. João Pessoa-PB: Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ; 2003.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.