PEQUENO HISTÓRICO DA SAÚDE E A FISIOTERAPIA MODERNA

RODRIGO SILVA GARCIA
Trabalho de conclusão de curso apresentado
como exigência parcial para obtenção do
Diploma de Graduação em Fisioterapia do
Centro Universitário Monte Serrat –
UNIMONTE.
Orientador: Prof. Ms. Sérgio Paulo Jozely de
Souza
EXAMINADORES
___________________________________________________________________
AGRADECIMENTOS
Agradeço aos meus familiares, amigos e professores, em especial ao meu
orientador nesta pesquisa, Prof. Ms. Sérgio Paulo.
“O conhecimento é pedra bruta a
ser lapidada, cabe a nós fazê-la
diamante”.
Autor desconhecido
RESUMO
A Fisioterapia, nos diferentes períodos de sua história, passou por transformações que
foram importantes para sua inserção e atuação na área da saúde. Porém, embora
exista grande enfoque na história da fisioterapia no Brasil, encontram-se poucos
estudos, com referência à Antiguidade, enfocando cada civilização, que façam uma
interface histórica da saúde como um todo e a fisioterapia atual. Aprofundar o
conhecimento sobre as nossas escolhas pessoais tem importância indiscutível. Essa
premissa própria fundamenta o presente estudo, cujo objetivo é agregar conhecimento
científico nas questões pertinentes à evolução da saúde enfocando os caminhos que
em caráter somatório levaram ao que hoje conhecemos como a fisioterapia moderna.
Baseado em pesquisa bibliográfica, onde se utiliza a didática da periodização clássica,
procurar-se-á eleger fontes de cunho historiográfico que, se baseando na Nova
História, possam fornecer dados importantes na elaboração de respostas a
questionamentos que fazem parte do contexto social e profissional do Fisioterapeuta,
assim como salientar os elementos que permeiam sua função perante a sociedade
contemporânea. Durante esse processo, fica evidenciado que a carência de estudos
científicos voltados a esse assunto pode dificultar o entendimento fiel das bases
históricas da profissão pelos acadêmicos, assim como não permitir uma adequada
dimensão em relação à sua importância nos planos de ensino institucionais, deixando
clara a necessidade de se fomentar profissionais acerca do aprofundamento nos
estudos históricos da fisioterapia.
Palavras-chave: História, Saúde, Periodização, Fisioterapia.
ABSTRACT
The Physiotherapy, in the different periods of its history, passed for transformations that
had been important for its insertion and performance in the area of the health. However,
even so great approach in the history of the physiotherapy in Brazil exists, few studies
meet, regarding to the Antiquity, focusing each civilization, that make a historical
interface of the health as a whole with the current physiotherapy. To deepen the
knowledge on our personal choices has unquestionable importance. This proper
premise bases the present study, whose objective is to add scientific knowledge in the
pertinent questions to the evolution of the health being focused the ways that in
somatory character had led what today we know as the modern physiotherapy. Based in
bibliographical research, where if it uses the didactics of the classic periodization, it will
be looked to choose sources of historiographys matrix that, if basing on New History,
can supply given important in the elaboration of answers the questionings that are part
of the social and professional context of the Physiotherapist, as well as pointing out the
elements that permeated its function before the society contemporary. During this
process, he is evidenced that the lack of directed scientific studies to this subject, can
make it difficult the faithful agreement of the historical bases of the profession for the
academics, as well as not allowing one adequate dimension in relation to its importance
in the institutionals plans of education, leaving clear the necessity of if fomenting
professionals concerning the deepening in the historical studies of the physiotherapy.
Keywords: History, Health, Periodization, Physiotherapy.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO………………………………………………………………………………………….09
2 AS GRANDES CIVILIZAÇÕES DA ANTIGUIDADE E A SAÚDE…………………….11
2.1 O Antigo Egito…………………………………………………………………………………….12
2.2 Mesopotâmia – o berço da civilização ……………………………………………………13
2.3 A civilização chinesa ……………………………………………………………………………16
2.3.1 A medicina chinesa……………………………………………………………………..17
2.3.1.1 A acupuntura …………………………………………………………………………..17
2.4 A cultura greco-romana e sua contribuição à saúde…………………………………18
3 ALTA E BAIXA IDADE MÉDIA – DAS ‘TREVAS’ À LUZ DA COMPREENSÃO..24
4 IDADE MODERNA – NOVO AVANÇO À SAÚDE………………………………………….26
5 IDADE CONTEMPORÂNEA – O DESPERTAR DA FISIOTERAPIA………………..28
6 A FISIOTERAPIA NO BRASIL……………………………………………………………………30
6.1 A Segunda Guerra Mundial como importante fator de desenvolvimento ……..31
6.2 Os progressos obtidos pela associação da fisioterapia …………………………….35
6.3 O sistema COFFITO-CREFITOS…………………………………………………………..37
6.4 O perfil do fisioterapeuta no estado de São Paulo……………………………………40
7 DISCUSSÃO…………………………………………………………………………………………….42
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS………………………………………………………………………..43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………………………………………………….45
9
1 INTRODUÇÃO
Partindo da premissa que a situação atual da fisioterapia no Brasil é fruto de sua
história, de sua evolução e conquista, entende-se que conhecer este trajeto permite
entender os problemas atuais que alertam sobre os erros cometidos no passado.
A pesquisa das bases históricas da profissão funde-se aos princípios da Saúde e
seu desenvolvimento mundial através do tempo, nascendo assim, a proposta deste
trabalho.
Observa-se que, desde a sua origem até a atualidade, são largos os passos em
direção a uma formação diferenciada em relação às ciências sociais e humanas.
Porém, de acordo com Nicida (2004), disciplinas como História da Fisioterapia,
Fundamentos e Ética, infelizmente sofrem um grande desprestígio, tanto por parte dos
alunos quanto dos próprios professores e instituições Essa realidade pode ser reflexo
de uma formação com base centrada no modelo tecnicista e curativo.
Este estudo fundamenta-se numa investigação de cunho bibliográfico e utiliza
como referencial a Periodização Clássica da História. Propõe-se dissertar sobre as
questões ligadas à Saúde e à preocupação com o bem estar geral de um povo, onde o
caráter preconceituoso com cada civilização, seus costumes e credos devem ser
colocados à margem para a efetividade do estudo do período histórico condizente.
Deste modo percebemos que necessidade da manutenção da vida foi o
mecanismo que impulsionou a obtenção do conhecimento do corpo humano e cada
civilização criou e aprimorou condutas para a viabilização da saúde e bem estar; na
tentativa e erro se formalizou uma conduta e, a partir desta conduta, um tratamento
para um determinado temor.
Segundo Rosa Filho (2004), com o passar dos séculos a modalidade da
reabilitação foi tornando-se cada dia mais necessária para a sociedade, principalmente
após o advento da Idade Moderna. A Fisioterapia propriamente dita pode ser dividida
em quatro fases distintas:
a) Empírica – Vai até o século XIX. Foi até este século empírica e não científica;
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b) Eletroterapia – II Guerra Mundial. Fase Biológica. Utilização da Iontoforese e
Galvanização;
c) Fisioterapia – Entre a I e II Grande Guerra;
d) Fisioterapia Reabilitacional – Mutilados de guerra. Era preciso absorver
essas pessoas para o trabalho para que se reintegrassem à sociedade.
As fases serão inclusas no decorrer da elucidação do tema, procurando não fugir
da Periodização Clássica e visando uma maior homogeneidade dos assuntos.
11
2 AS GRANDES CIVILIZAÇÕES DA ANTIGUIDADE E A SAÚDE
A periodização da História refere que a Antiguidade compreende o período da
Idade da Pedra, que se divide em Paleolítico, Mesolítico e Neolítico.
Segundo Ribeiro Júnior (2004), a doença é mais antiga que o homem. As
bactérias que são os principais agentes causadores de doenças existem há pelo menos
3,8 bilhões de anos. Nosso mais antigo ancestral com evidências de doença óssea era
um homo erectus de 800.000 anos atrás.
Os homens da Idade da Pedra eram acometidos pelas mesmas doenças que o
homem moderno. Eram bons observadores, e descobriram a estrutura e função básica
de alguns órgãos, como o coração, e a ação medicinal das plantas, porém atribuíam a
causa das doenças a poderes sobrenaturais existentes na natureza, de alguma forma
relacionados à terra e aos animais (RIBEIRO JÚNIOR, 2004).
Os primeiros praticantes da Medicina devem ter sido os feiticeiros, que utilizavam
nos tratamentos agentes físicos como o frio e o calor, aplicavam plantas medicinais,
realizavam cirurgias, como a trepanação craniana, e realizavam rituais de cura
(RIBEIRO JÚNIOR, 2004).
Segundo Shestack (1979 apud REBELATO, 2004), os médicos na Antiguidade
conheciam os agentes físicos e os empregavam em terapia. Já utilizavam a
eletroterapia, sob a forma de choques com um peixe elétrico, no tratamento de certas
doenças.
Segundo Rebelato (2004), ainda nessa época, a China registra obras de
cinesioterapia em 2698 a.C. Na mesma época na Índia usa-se de exercícios
respiratórios para evitar a constipação.
A vasta literatura refere que o domínio da agricultura foi a principal causa para o
fim da vida nômade e através da sociabilização nasciam as grandes civilizações
antigas.
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2.1 O Antigo Egito
Durante milênios, o atual deserto do Saara foi uma região de savanas, habitada
por caçadores e pescadores e posteriormente por agricultores e criadores de gado.
Uma mudança climática provocou o ressecamento do terreno, sendo responsável pela
formação dos atuais desertos na região. Na medida em que a desertificação avançava,
parcelas crescentes de populações, vindas de todos os quadrantes, instalavam-se nas
margens do rio Nilo. O Nilo é um rio de águas perenes, encravado no meio do deserto.
Suas cheias anuais fertilizavam as terras localizadas no seu delta e nas suas margens
(ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
O Egito pode ser considerado uma das chamadas “civilizações fluviais”,
semelhante à civilização mesopotâmica, que cresceu no vértice formado pelos rios
Tigre e Eufrates, à civilização chinesa que se concentrou em torno do rio Yang-tzu e à
civilização do rio Indo no subcontinente indiano. Com freqüência, fala-se do Egito como
um “milagre do Nilo”, como se toda a riqueza de sua cultura se devesse apenas ao
favorecimento da natureza. Mas o Egito se assemelha a todas essas civilizações que
puderam surgir e se desenvolver sob um governo centralizado graças não só a um
grande rio, mas também aos milhares de homens que usaram seu engenho e sua força
de trabalho para organizar os serviços agrícolas e resolver o problema humano da
fome. Sem a centralização administrativa e a divisão do trabalho isso seria impossível
(ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Várias divindades relacionavam-se com a medicina; a mais importante foi
Imhotep (-2700/-2625), originariamente arquiteto e alto funcionário (“ministro”) da corte
do faraó Neterierkhet-Djeser, posteriormente divinizado (RIBEIRO JÚNIOR, 2004).
Sobre a atenção em Saúde pode-se afirmar que os egípcios antigos se
utilizavam de conhecimentos empíricos e crenças. O coração era o centro do sistema
circulatório, sabia-se que a função vital residia na respiração e na circulação do sangue.
O estado natural era a saúde, a doença era uma punição divina ou ação dos
mortos. Se a causa era visível (uma fratura, por exemplo), tratava-se através de
conhecimentos adquiridos empiricamente, como manobras de redução, minerais e
13
vegetais. Se a causa era invisível (uma artrite, por exemplo) era tratada com poções
mágicas, encantamentos, rituais (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Alguns papiros encontrados protocolam condutas de tratamento para
determinadas doenças. Exemplificando, o papiro de Ébers e Chester Beatty V, o
primeiro contendo mais de 700 condutas e com uma descrição precisa do sistema
circulatório (BAPTISTA et al., 2003).
Uma das áreas de maior desenvolvimento foi a oftalmologia. Isso se dava ao fato
das doenças oculares serem muito freqüentes. Em especial a chamada “cegueira do
deserto”, hoje conhecida como tracoma, mal causado pela bactéria Chlamydia
trachomatis. Outra contribuição expressiva foram os conhecimentos sobre anatomia
gerados a partir da manipulação dos corpos durante o embalsamento e a mumificação.
Foi durante esses procedimentos que os egípcios descobriram detalhes de
funcionamento e disposição dos órgãos até então desconhecidos (BAPTISTA et al.,
2003).
2.2 Mesopotâmia – O berço da civilização
Mesopotâmia é uma palavra que vem do grego e significa “entre rios” (mésospotamós).
Designa a região compreendida entre os vales do rio Tigre e do rio Eufrates.
Esta região faz parte do chamado Crescente Fértil, uma área em formato de lua
crescente, considerada excelente para a agricultura, embora esteja cercada por terras
áridas. Esta região ficou conhecida como o “berço da civilização”, pois nela surgiram as
primeiras sociedades dotadas de escrita e de uma estrutura social complexa no quarto
milênio a.C.. Ela está localizada na área do atual Iraque (ENCICLOPÉDIA CONHECER,
1995).
A Mesopotâmia não era unificada politicamente. Tratava-se de uma série de
cidades-estados independentes, que se agregaram ao longo do vale do Tigre e do
Eufrates. Como o Egito, a Mesopotâmia dependia da agricultura irrigada, com o
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agravante de que o vale mesopotâmico era muito menos fértil e mais árido do que o
vale do Nilo (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Os mesopotâmicos atingiram um alto nível técnico para a época, principalmente
na metalurgia. As tumbas da elite suméria e babilônica estavam repletas de objetos de
cobre, bronze, ouro e prata, trabalhados com técnicas variadas e ricamente
ornamentados. Atingiram também um alto desenvolvimento na astronomia e astrologia.
Aliás, o céu e os símbolos associados ao céu são de extrema importância na cultura
mesopotâmica. Os grandes templos mesopotâmicos, os zigurates, guardam uma
analogia com o céu. Eles são considerados passagens entre o céu e a terra
(ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Os conceitos terapêuticos baseavam-se na crença de que todos os fenômenos,
tanto os terrenos como os cósmicos, se encontravam estreitamente unidos e
subordinados à vontade dos deuses. Esta visão traduziu-se na importância dada ao
estudo dos movimentos celestes como forma de predizer o futuro, nomeadamente no
que respeita à saúde. Toda doença e cura se explicavam através de uma complexa
relação entre deuses, deuses protetores e demônios. Este conceito deu origem ao
duplo significado do termo grego pharmakon, do qual derivou posteriormente fármaco e
farmácia, e que tinha simultaneamente o sentido de medicamento e veneno, devido à
acepção inicial de feitiço. Estes conceitos influenciaram as idéias, tanto ao nível popular
como erudito, sobre patologia durante muitos séculos, nomeadamente durante a Idade
Média no mundo cristão e persistiram sob várias formas até aos nossos dias
(ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Várias causas naturais são conhecidas, mas consideradas acessórias. Os
espíritos malignos causadores de doenças, os Edimmu ou Ekimmu, são os espíritos
dos mortos que não conseguiram descansar, os mortos por enterrar, a que não se
dedicavam oferendas ou que não tinham cumprido a sua missão na terra, os Lilû,
Lilîtinou e Ardatlilî (resultantes da união entre demônios e humanos) ou outros deuses
inferiores ou diabos. Entre estes, Nergal, causador da peste, Ashakku, da febre, Ti’u,
das cefaléias ou Sualu, responsável pelas doenças do peito. Desta visão resultavam
práticas específicas de diagnósticos e terapêuticas. O objetivo do diagnóstico consistia
15
em saber que pecado o doente cometera, que demônio se apoderara do seu corpo e
quais os propósitos dos deuses, por técnicas de adivinhação (BOUZON, 1999).
Alguns aspectos da mitologia mesopotâmica e egípcia relacionados com a saúde
surgem igualmente na mitologia e na medicina greco-romanas. Assim, a utilização da
serpente como símbolo médico, farmacêutico teve a sua origem na lenda do herói
Gilgamesh, a qual parece basear-se na figura de um rei sumério do 3º milênio. Segundo
a lenda, em um dos muitos episódios das suas aventuras, Gilgamesh mergulha até ao
fundo dos mares para colher a planta da eterna juventude. Ao regressar, num momento
de distração, uma serpente rouba-lhe a planta e ao engoli-la rejuvenesce mudando a
sua pele. A sociedade era regida por códigos de leis, e dentre eles o mais conhecido é
o código de Hammurabi. No texto conhecido como “Autopanegírico de Hammurabi”, o
rei Hammurabi (apud BOUZON, 1999) assim se descreve:
“Para que o forte não oprima o fraco, para dar direitos ao órfão e à
viúva, na Babilônia […] minhas preciosas palavras eu as escrevi sobre minha
Estela e fixei-as frente à minha imagem de rei do direito, para julgar as causas
de julgamento do país, para decidir as decisões do país, para fazer justiça ao
oprimido. Eu sou o rei que transcende entre os reis, minhas palavras são
escolhidas, minha inteligência não tem rival […]”
Mas quem era Hammurabi? Hammurabi foi um chefe militar, que terminou a
conquista de Sumer e Akkad, assegurando a hegemonia da Babilônia sobre a
Mesopotâmia. Após as conquistas, Hammurabi tornou-se rei e sua preocupação
principal era unificar as leis mesopotâmicas para, desta forma, garantir a unidade do
Império babilônico (BOUZON, 1999).
É conhecido por estabelecer o primeiro código de ética médica e baseando-se
nele surge a Lei de Talião, encontrada nos textos bíblicos do antigo testamento que
estabelece uma proporção considerada justa entre o crime cometido e a compensação
devida à vítima. Exemplificando: se um médico fizer uma operação de catarata numa
paciente e, acidentalmente, furar seu olho, ele deverá por sua vez ter seu olho furado
para compensar o paciente lesado. O lema da lei de talião é: “dente por dente, olho por
olho”. A lei não visa as intenções e circunstâncias sob as quais o crime foi cometido,
como as leis modernas, ela visa exclusivamente o ato cometido. Para todo dano
causado a alguém, deverá haver uma compensação proporcional (BOUZON, 1999).
16
2.3 A civilização chinesa
Contando com mais de 4000 anos de história, a China é considerada uma das
mais antigas civilizações do mundo. Para melhor organizar toda sua trajetória, costumase
dividir a História da China por meio de seus principais acontecimentos de natureza
política. Didaticamente, a história chinesa se inicia com uma Fase Original, que vai de
2200 a.C. até 221 a.C. (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
A primeira delas é conhecia como Xia (2200 a.C. – 1750 a.C.). Por muito tempo,
a existência desta civilização foi colocada em dúvida por muitos especialistas sobre o
assunto. Entretanto, recentes pesquisas arqueológicas comprovaram o contrário. Tais
pesquisas propõem que os Xia são descendentes diretos dos povos que, durante o
período Neolítico, ocuparam o Vale do Rio Amarelo. Mesmo não contando com escritos
dessa civilização, existem especulações no meio científico que acreditam que os Xia
foram precursores do sistema de escrita criado na dinastia Shang (ENCICLOPÉDIA
CONHECER, 1995).
A Enciclopédia Conhecer (1995) relata que, originária da mesma região dos Xia,
a dinastia Shang (1750 a.C. – 1040 a.C.) ficou conhecida, principalmente, pelo seu
desenvolvido sistema de escrita, em sua maioria, gravado em peles de animais. Além
disso, essa dinastia também desenvolveu diversos utensílios em bronze. No âmbito dos
rituais religiosos, os Shang costumavam organizar cerimônias onde a realização de
sacrifícios humanos. Tida como a principal fundadora da civilização chinesa, a dinastia
Zhou (1100 a.C. – 771 a.C.) controlou hegemonicamente a região do chamado Reino
Médio. Depois desse período hegemônico, a civilização Zhou sofreu uma invasão
promovida por bárbaros da região Oeste. Devido o processo de invasão, a dinastia
Zhou se transferiu para a parte oriental do território chinês.
Ainda segundo a Enciclopédia Conhecer (1995), no fim desse período, inicia-se
um intenso período de batalhas conhecido como Estados Guerreiros (403 a.C. – 221
a.C.). Nesse período, que encerra as origens da civilização chinesa, ocorreu uma série
de conflitos dotados de numerosos exércitos, cercos militares e batalhas que duravam
vários dias.
17
2.3.1 A medicina chinesa
A medicina Chinesa é a denominação usualmente dada ao conjunto de práticas
de medicina tradicional em uso na China, desenvolvidas ao longo dos milhares de anos
de sua história. É considerada uma das mais antigas formas de medicina oriental, termo
que engloba também as outras medicinas da Ásia, como os sistemas médicos
tradicionais do Japão, da Coréia, do Tibete e da Mongólia (CORRAL, 2005).
A MTC (Medicina Tradicional Chinesa) se fundamenta numa estrutura teórica
sistemática e abrangente, de natureza filosófica. Tendo como base o reconhecimento
das leis fundamentais que governam o funcionamento do organismo humano e sua
interação com o ambiente segundo os ciclos da natureza, a medicina chinesa procura
aplicar esta compreensão, tanto ao tratamento das doenças quanto à manutenção da
saúde, através de diversos métodos (CORRAL, 2005).
2.3.1.1 A acupuntura
A origem histórica da acupuntura não é conhecida, embora a Organização das
Nações Unidas (ONU) reconheça nela um dos mais antigos instrumentos terapêuticos
do planeta. Conhecemos dela uma pequena fração de tempo, em relação ao todo que
compõe sua história, somente cinco mil anos.
Achados arqueológicos levam-nos a crer que entre 28 e 30 séculos a.C. teria
existido um imperador chinês conhecido pelo nome de Hoang Ti. Segundo a lenda, teria
ele pedido ao mestre taoísta Ki Pa (Qi Po) que escrevesse e colocasse em um livro
todos os conhecimentos adquiridos pelo homem até aquele momento sobre a saúde.
Tal livro ficou conhecido como Nei King – livro das doenças internas. Este livro
sobreviveu ao tempo e até hoje serve de consulta aos profissionais acupuntores
(CORRAL, 2005).
18
No meio acadêmico, a acupuntura surgiu na década de 1920, quando foi
publicado, pelo cônsul francês Soliè de Morant, um tratado de acupuntura chamado
Traité de Acupunctura. A obra descreve detalhadamente a teoria e os métodos
utilizados pela medicina chinesa (CORRAL, 2005).
Segundo os princípios básicos da acupuntura, cerca de 2 mil pontos de
acupuntura estão distribuídos pelos meridianos do corpo. A idéia por trás da acupuntura
é que o estímulo de tais pontos com as agulhas ou com pressão alivia obstruções do
fluxo de energia, permitindo a cura do corpo (CORRAL, 2005).
Já de acordo com o ponto de vista ocidental, acredita-se que a acupuntura
provavelmente funcione pelo estímulo do sistema nervoso central (o cérebro e a medula
espinhal) para que sejam liberados compostos químicos chamados de
neurotransmissores e hormônios. Tais compostos aliviam a dor, dão impulso ao sistema
imunológico e regulam várias funções corporais. No caso da acupuntura seriam as
endorfinas e hormônios que ajudam a aliviar a dor (CORRAL, 2005).
2.4 A cultura greco-romana e sua contribuição à saúde
O historiador Jean-Pierre Vernant, um dos maiores especialistas em Grécia
antiga, situa no texto abaixo o valor do estudo da Grécia antiga para a atualidade.
“Refletindo sobre a Antiguidade, é sobre nós mesmos que eu me
interrogava, é nosso mundo que eu punha em questão. Se a Grécia constitui o
ponto de partida de nossa ciência, de nossa filosofia, de nossa maneira de
pensar […] explicar historicamente o que se chama de o “milagre grego”,
descobrir seu porquê e seu começo, é buscar situar nossa própria origem no
lugar que lhe corresponde no curso da história humana, ao invés de fazer dessa
origem um absoluto, uma revelação ao mesmo tempo universal e misteriosa […]
Esta tarefa científica nos obriga a tomar distância em relação a nós mesmos, a
nos observar com o mesmo desapego, a mesma objetividade que teríamos face
ao outro e, por isso mesmo, a melhor compreender o que nós somos”
(VERNANT, 1998).
Por permitir que possamos conhecer melhor a nós mesmos, através do estudo
de nossas origens, como ressalta Vernant, é que o estudo da Antigüidade clássica é
19
importante. Mas devemos tomar cuidado para não pensar nas civilizações clássicas
como superiores às outras culturas antigas. Cada cultura tem suas especificidades e se
constitui a partir do intercâmbio e da assimilação de técnicas, crenças e valores de
outros povos. Mas no caso de Grécia e Roma, foi feita toda uma construção ideológica
por parte de alguns pesquisadores do século XIX, a fim de legitimar o colonialismo
europeu através dos estudos clássicos.
É nesse contexto que se desenvolve o chamado “modelo ariano”, segundo o qual
a Europa teria sido invadida por tribos de conquistadores brancos, que falavam línguas
indo-européias. Esses invasores teriam submetido facilmente as populações autóctones
que habitavam a Europa e dado origem às mitologias dos vários povos europeus (os
mitos de vários povos – vikings, finlandeses, germanos, celtas, gregos e romanos –
efetivamente possuem analogias formais e todos esses povos falam línguas derivadas
do tronco indo-europeu). O “modelo ariano” fornece subsídios ao racismo e ao
colonialismo ao sugerir que os arianos invasores eram “racialmente puros” e que sua
superioridade natural os fez vencer facilmente as populações locais (MASON, 1962).
Segundo Mason (1962), Grécia e Roma se desenvolveram a partir de intensos
intercâmbios, durante séculos, com os egípcios, os mesopotâmicos os hititas, os persas
e muitos outros povos.
A Grécia antiga foi um verdadeiro caldeirão étnico no Mediterrâneo Oriental. Se
eles conseguiram construir uma civilização brilhante, que até hoje nos impressiona, foi
por estarem abertos aos valores e contribuições dos outros povos e não por manterem
uma suposta “pureza” (MASON, 1962).
As mais antigas informações referentes à Saúde provêm das obras de Homero
(c. -750). Reconhece-se a ação das divindades na causa e na cura da doença (Apolo-
Peon, Ártemis, o centauro Quíron). Para o diagnóstico das doenças não-traumáticas,
adivinhos; para o tratamento, sacrifícios aos deuses (MASON, 1962).
A prática médica começou com os heróis-médicos, guerreiros conhecedores das
artes da cura: cirurgias militares, uso intensivo de plantas (conhecimento “adquirido no
Egito”). O médico era altamente considerado. Um dos heróis-médicos, Asclépio, foi
divinizado no início da Idade Arcaica e tornou-se o mais importante deus da Medicina.
20
Disseminam-se os templos da cura, onde os fiéis sonhavam e eram curados pelo deus.
Os sacerdotes desses templos não praticavam a medicina (MASON, 1962).
Por volta da metade do século V os médicos gregos já haviam desenvolvido
teorias para explicar o funcionamento do corpo humano e o mecanismo das doenças.
Suas idéias eram erradas, porém extremamente consistentes com os conhecimentos
científicos da época. Os princípios de higiene, alimentação e exercícios que utilizavam
no tratamento dos doentes, no entanto, eram corretos em grande parte e são válidos
até o presente (MASON, 1962).
A Medicina já era uma profissão respeitada, praticada em consultórios e
remunerada de comum acordo com o doente, quando ele tinha meios para isso. Não
era requerida, todavia, nenhuma qualificação formal, e ao lado de médicos sérios
proliferavam muitos charlatães. Devido ao caráter estritamente patriarcal da sociedade
grega, somente os homens tinham acesso à profissão. E todos os sofrimentos do corpo
eram da alçada do médico, inclusive os problemas odontológicos; além de tratamentos
clínicos, geralmente à base de plantas e laxativos, cirurgias rudimentares já eram
praticadas com relativo sucesso (MASON, 1962).
Os dois mais importantes e influentes centros de Medicina no século V foram as
“escolas” de Cnido, na Anatólia, e a da ilha de Cós, na costa ocidental da Ásia Menor.
O mais importante médico da época foi Hipócrates, originário da ilha de Cós. Segundo
a tradição, deu grande impulso à medicina em todos os seus aspectos. Hipócrates foi
pioneiro em recomendar técnicas de resfriamento e fisioterapia para alívio da dor;
técnicas de contraste; introduzir o ópio (base, ainda hoje, dos principais medicamentos
que aliviam a dor) e conseguir a supressão da dor cirúrgica por meio de um sistema
primitivo de anestesia, através de compressão das carótidas (MASON, 1962).
Segundo Rebelato (2004), na medicina Trácia e Grega a terapia pelo movimento
constituía uma parte fixa do plano de tratamento.
No decorrer do século IV a.C., desponta uma nova potência militar no norte da
Grécia: o reino da Macedônia. Com o reinado de Filipe II da Macedônia a partir de 359
a.C. se abre um período de expansionismo militar, no curso no qual toda a Grécia é
progressivamente conquistada (SILVA & PENNA, 1972).
21
O passo seguinte é a intervenção romana na Grécia. Em 196 a.C., o general
romano Flamínio é recebido como libertador da Grécia em Corinto por uma população
cansada de pagar tributos ao rei macedônico Filipe V. Em 1456 a.C., a conquista da
Grécia se completa com a supressão da monarquia helenística e a transformação da
Macedônia e da Grécia em províncias romanas (SILVA & PENNA, 1972).
Voltando um pouco no tempo, vamos tentar elucidar as questões pertinentes o
nascimento da civilização romana.
Antes do início da República romana em 509 a.C., Roma era apenas uma
pequena vila entre outras, pertencente à confederação dos povos do Lácio, a chamada
liga latina. Os primeiros reis de Roma foram etruscos como Tarquínio o Antigo; Sérvio
Túlio e Tarquínio o Soberbo, que erigiu um templo no Capitólio. Os etruscos eram um
povo de provável origem oriental, que habitavam a região da Toscana; tinham uma
civilização desenvolvida e já se organizavam em cidades (SILVA & PENNA, 1972).
Roma era membro da liga latina da mesma forma que as outras cidades do
Lácio, mas no decorrer do século IV a.C., tende a assumir a preponderância, até que
em 338 a.C. a liga é dissolvida. Com o declínio da cultura etrusca, começa a expansão
romana, ao norte e ao sul. Ao norte, os romanos fundam colônias no vale do Pó, a fim
de se defender dos gauleses que ameaçavam a Itália; ao sul, os romanos controlam
Cápua e em 272 a.C. tomam a cidade de Tarento, vencendo o rei helenístico Pirro de
Épiro. A partir desse momento, a maior parte da Itália estaria sob o controle romano
(SILVA & PENNA, 1972).
Assim, dentro da periodização objetivada, voltamos à invasão romana à Grécia.
Na República romana havia uma oposição tenaz do patriciado à helenização de
Roma. Numa época em que as conquistas macedônicas transformavam a cultura e a
língua grega em patrimônio comum de uma vasta região, essa resistência conservadora
atuava em defesa dos mitos de origem dos romanos e contra o cosmopolitismo
helenístico. Um dos maiores bastiões dessa resistência foi o político romano Catão o
Antigo, que quando ocupou a posição de censor, excluiu da cidade todos os filósofos e
reitores gregos. Já o orador e político Cícero era mais moderado, tendo sido o primeiro
a propor uma síntese entre os valores do patriciado romano e a cultura helenística
(ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
22
Com o império unificado, inicia-se um período único na história da cultura, no
decorrer do qual as formas da civilização greco-romana penetram largamente em todas
as províncias romanas, fundindo-se aos valores e cultura regionais. Foi por intermédio
dos romanos que o patrimônio da cultura grega chegou até nós (ENCICLOPÉDIA
CONHECER, 1995).
Entre os romanos, coube à medicina e filosofia helênicas a influência de sua
medicina. Asclepíades de Prusa implantou os princípios de Hipócrates na Roma antiga,
estabelecendo a base para outras importantes figuras, como Cornélio Celso e Galeno
(ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
A medicina de Galeno influenciou todo o mundo antigo até dois séculos depois
de Cristo. Em mais de 500 escritos ele conciliou tendências antes separadas ou em
conflito, aliou Medicina e Filosofia, Anatomia e Fisiologia, estabeleceu diferenças entre
tipos de nervos (“cordas de harpa”), atribuiu a dor neuropática à “tensão” e a sua
sensação advinda de toda extensão do nervo quando este “se rompia”, e classificou as
diferentes formas de dor (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Os militares Romanos carregavam junto a si material de enfaixamento para
curativos e bandagens, onde as técnicas lhe eram ensinadas, e teve em Sorano seu
maior representante como mestre. Vindo de Alexandria teve seus tratados utilizados por
muitos séculos, discorrendo sobre anatomia, fisiologia, higiene, dietética, farmacologia
e terapêutica (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Já na época de Cristo, Antônio de Musa utilizava como método terapêutico a
Hidroterapia fria em banhos de água gelada e orientava seus pacientes com conselhos
de cunho dietético (SAÚDE MENTAL, 2008).
Foi no campo de Saúde Pública que Roma mais se destacou. Os balneários ou
termas (como eram conhecidos) ganharam um lugar de destaque na vida e na saúde
dos cidadãos. E passaram para a história, não só como ponto de encontro obrigatório,
uma espécie de “bastidor político”, mas ainda como grandes monumentos
arquitetônicos graças a sua beleza e a suas dimensões generosas. O mais famoso foi
construído nos arredores de Roma, por Caracala, que governou o império romano entre
os anos de 188 e 217 (SAÚDE MENTAL, 2008).
Dentre as modalidades de banhos as mais conhecidas são:
23
a) Frigidarium: banho frio utilizado após provas de atletismo e para fins
recreacionais;
b) Tepidarium: consistia em um aposento contendo ar aquecido;
c) Calcadirum: banho quente;
d) Sudatorium: consistia em um aposento saturado de ar quente e úmido a fim
de promover a sudorese (SAÚDE MENTAL, 2008).
Por volta de 339 d.C. alguns desses banhos passaram a ser indicados para o
tratamento de doenças reumáticas, paralisias e efeitos posteriores à lesões. As
queimaduras eram tratadas com banhos prolongados (SAÚDE MENTAL, 2008).
24
3 ALTA E BAIXA IDADE MÉDIA – DAS ‘TREVAS’ À LUZ DA
COMPREENSÃO
Vemos que não só a data, mas também o século é controverso. Todavia, para
uma abordagem inicial, vamos utilizar a periodização tradicional, que considera o início
no século V com as invasões “bárbaras” e o término no século XV, período das
Grandes navegações. Quanto à subdivisão desse período, a mais consagrada é a que
o divide em Alta Idade Média e Baixa Idade Média.
Na Alta Idade Média foram conjugadas a herança do Império Romano e as
tradições oriundas das invasões bárbaras. A partir do século XI, com o recuo das
invasões, entre outras coisas, surgiu um conjunto de transformações que marcaram o
ápice da cultura medieval e também apontaram, ao mesmo tempo para a sua
superação (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Esse “subperíodo” foi denominado Baixa Idade Média. Contudo, vale destacar
que essa subdivisão deixa em segundo plano alguns aspectos culturais mais profundos
e que permaneceram, atuando nos dois períodos, ou então processos que começaram
em um período e só terminaram em outro. A religiosidade é um exemplo de aspecto
cultural profundo que permaneceu por toda a Idade Média, estendendo-se para além do
período, na Idade Moderna (ENCICLOPÉDIA CONHECER, 1995).
Na Idade Média, as “diferenças incômodas” eram consideradas como algo a ser
exorcizado. Caracterizada por uma ordem social estabelecida no plano divino, a Idade
Média foi uma época de lacuna em termos de evolução nos estudos e na atuação na
área da saúde. A alta valorização da alma neste período e o interesse pelo
desenvolvimento da capacidade física pelas camadas mais privilegiadas parecem ter
sido responsáveis por essa lacuna. Porém algumas bibliotecas de monastérios
preservavam alguns manuscritos médicos antigos, e médicos árabes como Avicenna e
Maionides continuavam a seguir seus estudos (REBELATO, 2004).
A interrupção desses estudos na Europa parece ter tido dois aspectos principais:
o corpo humano foi considerado como algo inferior e as camadas superiores da
nobreza e do clero começaram a despertar o interesse por uma atividade física dirigida
25
para um objetivo determinado, que era o aumento da potência física (REBELATO,
2004).
As ordens eclesiásticas eram inimigas do corpo. Os hospitais da idade média
tinham caráter eclesiástico, localizavam-se junto aos mosteiros e suas salas de
enfermos estavam ao lado das capelas, havendo inclusive altares na sala dos
enfermos, não havendo local apropriado para a realização de exercícios (REBELATO,
2004).
O descrédito com a Saúde e as péssimas condições sanitárias deste período da
história humana ocidental foram os principais motivos para a proliferação de várias
doenças, em especial a Peste Negra que vitimou grande parte da população Européia
(REBELATO, 2004).
26
4 IDADE MODERNA – NOVO AVANÇO À SAÚDE
A chamada Idade Moderna é considerada de 1453 até 1789, quando da eclosão
da Revolução Francesa. Caracteriza-se pelo nascimento do modo de produção
capitalista. A beleza física do homem e da mulher passa a ser valorizada, ao mesmo
tempo em que a rigidez moral da Idade Média passa a ser desvalorizada,
principalmente pela nova ideologia denominada Renascimento (ENCICLOPÉDIA
CONHECER, 1995).
As questões dogmáticas impostas pela Igreja já não eram mais aceitas e a busca
pelo conhecimento do mundo levava o homem pós-medievo às recém-formadas
universidades.
Na Idade Moderna, o humanismo e as artes desenvolveram-se e
permitiram paralelamente a retomada dos estudos relativos aos cuidados com o
corpo e o culto ao “físico”. […] Nessa época nota-se uma preocupação com o
tratamento e os cuidados com o organismo lesado e também com a
manutenção das condições normais já existentes em organismos sãos. […] No
final do renascimento o interesse pela saúde corporal começa a especializar-se
(REBELATO, 2004).
A área do conhecimento médico que mais se expandiu durante o Renascimento
foi a anatomia. Uma enorme revolução seria testemunhada a partir da publicação da
obra De humani corporis fabrica, cujo autor, Versalius, é considerado o maior
anatomista de todos os tempos (SANTOS, 2004).
Em 1538, foram publicadas suas Tabulae anatomicae sex, seis pranchas
anatômicas utilizadas por seus alunos. Em 1543, surgiu o seu monumental e
memorável trabalho sobre anatomia, o De humani corporis fabrica libri septem,
conhecido universalmente como Fabrica. Essas obras representaram um grande
avanço para o conhecimento científico da época, em virtude de sua formidável base
experimental (SANTOS, 2004).
Leonardo da Vinci associou a arte e a ciência numa poderosa confluência de
Anatomia, Fisiologia, Física, Engenharia, Astronomia, Filosofia, Geologia, Pintura,
27
Escultura, Poesia, Música e Literatura. Da Vinci acreditava que a verdade anatômica na
arte só poderia ser atingida na mesa de dissecção (SANTOS, 2004).
Com suas próprias mãos, ele buscou a estrutura anatômica, mediu com um
goniômetro, calculou as proporções do organismo e reduziu-as à fórmulas matemáticas.
Das 6 mil páginas cuidadosamente escritas de seu diário, Da Vinci dedicou 190 à
anatomia (750 desenhos), sendo 50 a respeito do coração. Demonstrou que o coração
era um músculo e descreveu duas novas cavidades, as aurículas, observou sua
contração e dilatação e assim identificou a sístole e diástole. Dissecou mais de 30
cadáveres e fez um tratado de 120 volumes, estudando os ventrículos cerebrais, a
pleura e os pulmões (SANTOS, 2004).
Seus desenhos demonstram que ele foi o criador da ilustração médica e da arte
de desenhar em anatomia e fisiologia, podendo ser considerado, do ponto de vista
histórico, o pai da anatomia (SANTOS, 2004).
Outro nome que não pode ser esquecido é o de Michelangelo Buonarroti, pintor,
escultor, poeta e arquiteto, tendo atingido o ápice entre a força e o dinamismo do corpo
humano. Michelangelo também usava modelos vivos para capturar a realidade. Numa
cela no Mosteiro de Santo Spirito, dissecava cadáveres obtidos de coveiros em troca de
suas estatuetas. À luz de uma vela inserida no umbigo do cadáver, estudava os
músculos, tendões e ligamentos (SANTOS, 2004).
28
5 IDADE CONTEMPORÂNEA – O DESPERTAR DA FISIOTERAPIA
É o período que compreende de 1789 até os dias atuais. Entre os séculos XVIII e
XIX ocorre a industrialização, momento caracterizado por um avanço na utilização de
máquinas e uma transformação social determinada pela produção em larga escala.
Houve o desenvolvimento das cidades, bem como surgiram condições sanitárias
precárias, jornadas de trabalho estafantes, e condições alimentares insatisfatórias que
provocaram a proliferação de novas doenças (REBELATO, 2004).
O surgimento de novas patologias e epidemias exigiu da medicina um
desenvolvimento nos estudos. Nessa época parece que todos os estudos na área de
saúde concentraram sua atenção ao “tratamento” das doenças e seqüelas deixando de
lado as outras vertentes iniciadas na época renascentista, a “manutenção” de uma
condição satisfatória e a “prevenção” de doenças. A atenção ao “tratamento” fez surgir
a idéia de atendimento hospitalar. Mais tarde, ainda no século XIX, surgem as
especializações médicas (REBELATO, 2004).
A partir deste ponto, pode-se visualizar a fisioterapia com um mínimo de
embasamento científico, deixando o caráter empírico dos séculos passados para trás,
podendo assim nos ater a questão da saúde naturalmente, porém com o enfoque da
fisioterapia por si só.
Ling, um professor sueco de ginástica e massagens corretivas teve seu trabalho
divulgado através de discípulos como Rothstein, um oficial prussiano que utilizava
exercícios preventivos e corretivos nos cuidados com o corpo, na Alemanha
(REBELATO, 2004).
O exercício físico e as outras maneiras de atuar caracterizam a Fisioterapia no
século XX. Klapp desenvolveu em sua técnica a posição de gato para o tratamento dos
desvios laterais da coluna vertebral (escolioses) e Kohlransch (1920) situa a
cinesioterapia sobre todos os métodos relaxadores e distensores e desenvolve o
tratamento de enfermidades internas e ginecológicas (REBELATO, 2004).
29
Durante a guerra surgem as escolas de cinesioterapia, para tratar ou reabilitar os
lesados, ou mutilados que necessitavam readquirir um mínimo de condições para
retornar a uma atividade social integrada e produtiva (REBELATO, 2004).
A fisioterapia passa a fazer parte da chamada “Área da Saúde” e foi evoluindo no
decorrer da história, teve seus recursos e formas de atuação quase que voltada
exclusivamente para o atendimento do indivíduo doente, para reabilitar ou recuperar as
boas condições que o organismo perdeu (REBELATO, 2004).
As formas de atuação da fisioterapia já evidenciam: atuação terapêutica através
do movimento (cinesioterapia); através da eletricidade (eletroterapia); através do calor
(termoterapia), do frio (crioterapia), da massagem (massoterapia) (REBELATO, 2004).
Como se percebe, a idade contemporânea foi rica na aquisição de novas idéias e
descobertas para o campo da Saúde e marcou o despertar da fisioterapia como função
específica, se verificando um maior embasamento técnico e prático das questões
pertinentes à reabilitação.
A fisioterapia em nosso país merece um capítulo a parte, pois através de
caminhos distintos tem sua especificidade no que conhecemos hoje como a Fisioterapia
Moderna.
30
6 A FISIOTERAPIA NO BRASIL
Napoleão Bonaparte acabou por contribuir indiretamente com o desenvolvimento
dos primeiros serviços organizados de Fisioterapia no Brasil, ao invadir Portugal e fazer
com que a família real portuguesa desembarcasse no país em 1808. Com os monarcas,
vieram os nobres e o que havia de recursos humanos de várias áreas para servir à elite
portuguesa, de passagem por estas terras (NOVAES JÚNIOR, 2000).
Segundo Novaes Júnior (2000), dentre todas as contribuições do reinado, o
surgimento das primeiras escolas de ensino médico se destaca como a grandiosa obra
dos portugueses no país, em particular os avanços obtidos na cidade do Rio de Janeiro.
No século XIX, os recursos fisioterápicos faziam parte da terapêutica médica, e assim
há registros da criação, no período compreendido entre 1879 e 1883, do serviço de
eletricidade médica, e também do serviço de hidroterapia no Rio de Janeiro, existente
até os dias de hoje, sob denominação de “Casa das Duchas”. O médico Arthur Silva,
em 1884, participa intensa-mente da criação do primeiro serviço de Fisioterapia da
América do Sul, organizado enquanto tal, mais precisamente no Hospital de
Misericórdia do Rio de Janeiro.
Ainda segundo Novaes Júnior (2000), em São Paulo, o médico Raphael
Penteado de Barros é fundador do departamento de eletricidade médica, no que hoje
pode ser considerada a USP, nos idos de 1919. Dez anos após, em 1929, o médico
Waldo Rollim de Moraes coloca em funcionamento o serviço de Fisioterapia do Instituto
do Radium Arnaldo Vieira de Carvalho.
Na década de 30, Rio Janeiro e São Paulo possuíam serviços de Fisioterapia
idealizados por médicos que tomavam para si a terapêutica de forma integral,
experimentando recursos físicos que outros médicos, à época, não ousavam buscar
para minimizar as seqüelas de seus pacientes. Esses médicos eram distintos dos
outros por estarem preocupados não apenas com a estabilidade clínica de seu
paciente, mas com sua recuperação física para que pudessem voltar a viver em
sociedade, com iguais ou parecidas funções anteriores ao agravo da saúde (NOVAES
JÚNIOR, 2000).
31
Segundo Novaes Júnior (2000), essa visão ampla de compromisso com o
paciente, engajando-se num tratamento mais eficaz que promovesse sua reabilitação,
uma vez que as incapacidades físicas por vezes excluíam-no socialmente, levou
aqueles médicos a serem denominados médicos de reabilitação.
As faculdades de Medicina lhes eram úteis para embasar cientificamente sua
prática médica, pelo acesso ao conhecimento adquirido pelos cientistas europeus sobre
fisiologia humana e o emprego crescente dos recursos hídricos, elétricos e térmicos.
Através de trabalhos e apresentações de teses, criou-se uma cultura de atenção
diferenciada às deficiências não apenas físicas, mas também mentais e sensoriais
(NOVAES JÚNIOR, 2000).
6.1 A Segunda Guerra Mundial como importante fator de desenvolvimento
A Segunda Guerra Mundial tem como novidade o envolvimento direto do Brasil,
com o envio de pracinhas para as frentes de combate dos Aliados, diferentemente da
Primeira Guerra. Os reflexos dessa participação estão no desenvolvimento da
Fisioterapia enquanto prática recuperadora das seqüelas físicas de guerra, com a
modernização dos serviços de Fisioterapia, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e
criação de novos em outras capitais do país (REBELATO, 2004).
A modernização dos serviços, com o conseqüente aumento da oferta e da
procura, vai levar a que os chamados médicos de reabilitação se preocupassem com a
resolutividade dos tratamentos. Com este objetivo, empenharam-se para que o ensino
da Fisioterapia como recurso terapêutico, então restrito aos bancos escolares das
faculdades médicas nos campos teórico e prático, deveria ser difundido entre os
paramédicos, que eram os praticantes da arte indicada pelos doutores de então
(NOVAES JÚNIOR, 2000).
Assim, segundo Novaes Júnior (2000), em 1951 é realizado em São Paulo, na
USP, o primeiro curso no Brasil para a formação de técnicos em Fisioterapia, com
duração de um ano em período integral, acessível a alunos com 2º grau completo e
32
ministrado por médicos. Homenageando o professor de física biológica da Faculdade
de Medicina, que criou um serviço de eletro-radiologia na referida cadeira em 1919, o
curso paramédico levou o nome de Raphael de Barros, formando os primeiros
fisioterapistas (denominação da época).
Curiosamente, os cursos de Fisioterapia iniciam-se em São Paulo antes do Rio
de Janeiro, apesar dos primeiros serviços terem se desenvolvido na antiga capital
federal. Só em 1952 é que a cátedra de fisioterapia é retomada na Faculdade de
Ciências Médicas do RJ e é criada, em 1954, a Associação Beneficente de Reabilitação
(ABBR), que 2 anos depois ministra o curso de técnico em reabilitação (NOVAES
JÚNIOR, 2000).
Entidades como a Associação de Assistência à Criança Defeituosa (AACD), Lar
Escola São Francisco e as Casas da Esperança surgem absorvendo esse novo
conceito de assistência diferenciada, incorporando em seu meio os paramédicos dos
novos cursos. As primeiras turmas formam os que estarão nos consultórios e clínicas
auxiliando os médicos, que prescreviam os exercícios com e sem carga, as massagens,
o uso do calor, da luz, dos banhos e dos rudimentares recursos eletroterápicos
disponíveis para a recuperação do paciente (SANCHEZ, 1984 apud BRASIL, 2006).
Afinal, o que representou a criação de um curso que formava técnicos no sentido
mais restrito? Diferentemente dos países da Europa (como na França, que em 1927 já
possuía faculdade de Fisioterapia), no Brasil o ensino de Fisioterapia restringia-se a
aprender a ligar e desligar aparelhos, reproduzir mecanicamente determinadas técnicas
de massagem e exercícios, tudo sob prescrição. Os primeiros profissionais eram
auxiliares do médico, seus ajudantes de ordem; não possuíam os conhecimentos
necessários para o diagnóstico, o funcionamento normal e patológico avaliação do
corpo humano, nem os mecanismos de lesão e conduta terapêutica (SANCHEZ, 1984
apud BRASIL, 2006).
A preocupação crescente com a qualidade do atendimento oferecido fez com
que esses cursos paramédicos se ampliassem. Em 1959, com a fundação do INAR
(Instituto Nacional de Reabilitação), denominação influenciada pelo grupo norteamericano
que veio a São Paulo, organizado pela seção latina da Organização Mundial
de Saúde (OMS), o curso da USP foi ampliado para o período de 2 anos, embora não
33
fosse ainda considerado de nível superior. Quando o INAR transmuta-se para Instituto
de Reabilitação (IR), em 1964, criam-se os cursos superiores de Fisioterapia e de
Terapia Ocupacional. No Rio de Janeiro, à mesma época, a ABBR, mais tarde SUAM,
teria cumprido papel semelhante ao da USP em São Paulo (SANCHEZ, 1984 apud
BRASIL, 2006).
É tão claro o papel secundário da Fisioterapia nos idos de 50 e 60, entendida
como modalidade integrante da terapêutica médica, que o CFE – Conselho Federal de
Educação emite no Parecer 388/63 a primeira definição oficial da ocupação do
fisioterapeuta: é definido como auxiliar médico; explicita que lhe compete a realização
apenas de tarefas de caráter terapêutico (ou seja, incapaz de avaliar o paciente); e que
a execução das mesmas tarefas deve ser precedida de uma prescrição médica – o
exercício profissional é desempenhado sob a orientação e responsabilidade do médico
(NOVAES JÚNIOR, 2000).
Referendando a concepção de médico de reabilitação, sendo submetido a este,
o fisioterapeuta faria, junto com outros profissionais de saúde, membro de uma equipe
de reabilitação, portanto não competindo ao fisioterapeuta o diagnóstico da doença ou
da deficiência a ser corrigida, mas ao cumprimento das tarefas ordenadas pelos
médicos. Conforme se pode observar num extrato do Parecer 388/63 (apud Novaes
Júnior, 2000), onde as considerações de uma comissão de peritos nomeados pelo
Diretor de Ensino Superior do MEC em 1962 diz:
1 – (…) A referida Comissão insiste na caracterização desses profissionais como
auxiliares médicos que desempenham tarefas de caráter terapêutico sob a orientação e
responsabilidade do médico. A este cabe dirigir, chefiar e liderar a equipe de
reabilitação, dentro da qual são elementos básicos: o médico, o assistente social, o
psicólogo, o fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional;
2 – Não compete aos dois últimos o diagnóstico da doença ou da deficiência a
ser corrigida. Cabe-lhes executar, com perfeição, aquelas técnicas, aprendizagens e
exercícios recomendados pelo médico, que conduzem à cura ou à recuperação dos
parcialmente inválidos para a vida social. Daí haver a Comissão preferido que os novos
profissionais paramédicos se chamassem Técnicos em Fisioterapia e Terapia
Ocupacional, para marcar-lhes bem a competência e as atribuições. O que se pretende
34
é formar profissionais de nível superior, tal como acontece a enfermeiros, obstetrizes e
nutricionistas. Diante disso, não há como evitar os nomes de Técnicos em Fisioterapia e
Técnicos em Terapia Ocupacional.
Segundo Novaes Júnior (2000), os peritos do MEC parecem não terem tido êxito,
pois não conseguiram emplacar uma denominação tecnicista a profissionais de nível
superior. Inspirado em tal Parecer, é publicada uma Portaria Ministerial de n.º 511/64 no
ano seguinte, que estabelece o currículo mínimo do curso superior de Fisioterapia
numa versão tecnicista:
Art. 1º – O currículo mínimo dos cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional
para a formação de Técnico em Fisioterapia e de Técnico em Terapia Ocupacional
compreende matérias comuns e matérias específicas, como se segue:
a) Matérias comuns: Fundamentos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Ética
e História da Reabilitação, Administração Aplicada;
b) Matérias específicas do curso de Fisioterapia: Fisioterapia Geral, Fisioterapia
Aplicada.(…).
Art. 2º – A duração dos cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional será de 3
anos letivos.
Segundo Novaes Júnior (2000), fica evidente que o currículo mínimo da Portaria
não permitia capacitar um acadêmico para a elaboração de um diagnóstico
fisioterapêutico, compreendido como avaliação físico-funcional; e que, para tanto, neste
processo fossem analisados e estudados os desvios físico-funcionais intercorrentes na
sua estrutura e funcionamento, com a finalidade de detectar e parametrizar alterações
apresentadas, considerados os desvios dos graus de normalidade; e para o qual fosse
necessária a prescrição das técnicas próprias da Fisioterapia, baseada na constatação
da avaliação físico-funcional, qualificando-as e quantificando-as. Nada disso: o que se
pretendia, simplesmente, era formar um profissional tutelado.
Conforme afirma Novaes Júnior (2000), essa tutela tem nome, é a visão médicocentrada,
que diminui o brilho da atuação de um profissional tão importante como o
médico, a partir do momento em que lhe sobrecarrega de funções que ele não tem
condições nem de exercê-las nem de supervisioná-las, na opinião do autor, com a
qualidade que o usuário dos serviços necessita (não só em Fisioterapia, mas em
35
Terapia Ocupacional e em Fonoaudiologia) e consegue obtê-la com os bons
profissionais das respectivas áreas. Os primeiros acadêmicos de nível superior tem sua
formação imbuída com essa concepção médico-dependente, o que nos permite
entender porque alguns chegam a defendê-la.
6.2 Os progressos obtidos pela associação da fisioterapia
A Associação dos Fisioterapistas do Estado de São Paulo, fundada em 19 de
agosto de 1959 e hoje denominada Associação Brasileira de Fisioterapia (ABF), vai
desempenhar um papel importante não apenas na transformação do curso de nível
técnico para nível superior, mas na referência profissional visando organização da
categoria para reconhecimento pela União (NOVAES JÚNIOR, 2000).
Segundo Novaes Júnior (2000), o fato da “junta militar” que governava o país em
1969 (os ministros da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica Militar) ter
assinado o Decreto-lei nº 938 foi um salto excepcional, no reconhecimento profissional
do fisioterapeuta, em especial pela redação dos seus 3 primeiros artigos:
Art. 1º: É assegurado o exercício das profissões de fisioterapeuta e terapeuta
ocupacional, observado o disposto no presente Decreto-lei.
Art. 2º: O fisioterapeuta e o terapeuta ocupacional, diplomados por escolas e
cursos reconhecidos, são profissionais de nível superior.
Art. 3º: É atividade privativa do fisioterapeuta executar métodos e técnicas
fisioterápicos com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade
física do paciente.
O reconhecimento como profissional de nível superior é tão ou mais importante
que a exclusividade de atuação, e com certeza essa conquista de mais de 30 anos
atrás não deve ser esquecida, fruto da atuação direta junto às autoridades por
fisioterapeutas conscientes do papel profissional da categoria, provavelmente
inspirados nas associações científicas e profissionais. Por mais contraditório que seja,
em plena vigência do AI-5, período onde mais se desrespeitaram os direitos humanos
36
no Brasil desde a proclamação da declaração universal em 1948, os direitos dos
usuários de Fisioterapia puderam ser mais respeitados, garantindo-se em lei o
profissional mais adequado para sua recuperação (NOVAES JÚNIOR, 2000).
Em 1969, a OMS e a WCPT (World Confederation of Physical Therapy)
promovem no México o primeiro curso de Mestrado em Fisioterapia, do qual são
egressos Danilo Vicente Define e Eugênio Lopez Sanchez. A Resolução n.º 4 do
Conselho Federal de Educação, em 28 de fevereiro de 1983, fixou os cursos de
Fisioterapia para, no mínimo, 4 anos de duração, assim como o Supremo Tribunal
Federal à mesma época rerratifica a constitucionalidade dos artigos 3º e 4º do Decretolei
938 (privatividade do exercício profissional do fisioterapeuta) e do parágrafo único do
artigo 12 da Lei 6.316 (obrigatoriedade do registro das prestadoras de serviços de
Fisioterapia nos CREFITOS), contra representação de inconstitucionalidade movida
pela Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação – SBMFR, a entidade que
representa os médicos fisiatras. O fisioterapeuta tem sua maioridade reafirmada pela
justiça e os órgãos formadores referendam-na, nos currículos (NOVAES JÚNIOR,
2000).
Segundo Novaes Júnior (2000), a primeira reunião de escala nacional realizada
por fisioterapeutas no Brasil foi em 1962, denominada como a primeira conferência da
ABF. A partir daí, predominam os Congressos Brasileiros de Fisioterapia (CBF), assim
datados, numerados e localizados:
• 1964 – I CBF – Rio de Janeiro, capital da antiga Guanabara;
• 1972 – II CBF – São Paulo, capital;
• 1976 – III CBF – Porto Alegre, no Rio Grande do Sul;
• 1979 – IV CBF – Recife, em Pernambuco;
• 1981 – V CBF – Salvador, na Bahia;
• 1983 – VI CBF – Curitiba, no Paraná;
• 1985 – VII CBF – Belo Horizonte, em Minas Gerais;
• 1987 – VIII CBF – Rio de Janeiro, capital;
• 1989 – IX CBF – São Paulo, capital;
• 1991 – X CBF – Fortaleza, no Ceará;
• 1993 – XI CBF – São Paulo, capital;
37
• 1995 – XII CBF – Porto Alegre, no Rio Grande do Sul;
• 1997 – XIII CBF – São Paulo, capital;
• 1999 – XIV CBF – Salvador, na Bahia.
Provavelmente, a Conferência de 1962 foi fator determinante para filiação da
entidade brasileira à WCPT (World Confederation of Physical Therapy), que ocorreu
entre aquele ano e o seguinte (há informações diferentes sobre o a data correta). Como
também pode ser observado, a diferença entre um congresso e outro foi diminuindo
com o tempo, sendo que os últimos 11 congressos realizaram-se com intervalo de 2
anos entre eles (NOVAES JÚNIOR, 2000).
Sociedades de estudo foram formadas, algumas delas também realizando
congressos, jornadas e demais atividades com regularidade e imenso respeito entre os
fisioterapeutas especializados. O destaque é para a Sociedade Brasileira de
Fisioterapia Respiratória e Intensiva – SOBRAFIR, fruto do trabalho incansável de Maria
Ignez Feltrin e outros incansáveis colegas (NOVAES JÚNIOR, 2000).
Tais fatos vão consolidando a profissão de maneira irreversível, sendo
necessário expandir sua autonomia e conquistar o espaço que a Fisioterapia pode e
deve ocupar. O Parecer 388/63 e a Portaria Ministerial 511/64 são aposentados
precocemente, apesar de terem deixado alguns saudosos, principalmente entre alguns
maus empresários e profissionais de saúde, que preferem contratar leigos por motivos
inconfessáveis, ainda não conquistados para uma visão centrada na equipe de saúde,
sendo o fisioterapeuta seu membro efetivo (NOVAES JÚNIOR, 2000).
6.3 O sistema COFFITO-CREFITOS
Coincide a aquisição do funcionamento regular dos congressos científicos com o
momento de criação do COFFITO – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional, determinada pela Lei 6.316, de 17 de dezembro de 1975, e sua instalação
em agosto de 1977, e a dos CREFITOS por região administrativa do país, em número
de 3, no ano seguinte. Tanto quanto a Fisioterapia se organizou associativa e
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administrativamente, cresceu a autoridade científica da profissão junto à sociedade, e
vice-versa (NOVAES JÚNIOR, 2000).
Segundo Novaes Júnior (2000), entre os diversos artigos da mais importante lei
produzida pelo Congresso Nacional sobre a Fisioterapia no país, os destaques estão
em seu artigo 1º, que constitui o sistema COFFITO-CREFITOS, e nos incisos II e III do
artigo 5º, abaixo reproduzidos:
Art. 5º. Compete ao Conselho Federal:
I – (…)
II – exercer função normativa, baixar atos necessários à interpretação e execução
do disposto nesta Lei e à fiscalização do exercício profissional, adotando providências
indispensáveis à realização dos objetivos institucionais.
III – supervisionar a fiscalização do exercício profissional em todo território
nacional.
Segundo Novaes Júnior (2000), o Decreto-lei 938 conferia a um órgão
competente do Ministério da Saúde fiscalizar o exercício profissional da Fisioterapia, o
que acabou não acontecendo, facilitando o desrespeito flagrante verificado durante a
década de 70. Até os dias de hoje ainda existem os que não querem reconhecer o que
a União já o fez a quase 30 anos passados, pelos primeiros 10 anos de reconhecimento
sem que estivesse estruturado o organismo de defesa da qualidade de atendimento na
Fisioterapia, o COFFITO, representado em São Paulo pelo CREFITO-3 (3 por ser a 3º
região administrativa do país, na organização interna do Conselho Federal).
A Associação Profissional dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do
Estado de São Paulo (não confundir com a ABF – Associação Brasileira de Fisioterapia,
que organiza os congressos bianuais e é uma associação de caráter científico-cultural)
ganha do Ministério do Trabalho, em 12 de agosto de 1980, o reconhecimento
enquanto Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, Auxiliares de
Fisioterapia e Auxiliares de Terapia Ocupacional do Estado de São Paulo –
SINFITO/SP (NOVAES JÚNIOR, 2000).
Segundo Novaes Júnior (2000), a exigência de ser incluído o termo “Auxiliares”
na denominação do Sindicato das categorias por parte do MT, deve-se à interpretação
do artigo 10 do Decreto-lei 938, que previa aquelas duas funções para os que
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trabalhassem na prática de Fisioterapia até a publicação do decreto da junta militar e
fossem submetidos a uma avaliação de seus conhecimentos – aprovados, poderiam se
utilizar do título para exercer a profissão de Auxiliar, com os mesmos direitos do
fisioterapeuta. Destaque ao trecho que referido:
Art. 10. Todos aqueles que, até a data da publicação do presente decreto-lei,
exerçam sem habilitação profissional, em serviço público, atividades de que cogita o
artigo 1º, serão mantidos nos níveis funcionais que ocupam e poderão ter as
denominações de auxiliar de Fisioterapia e auxiliar de Terapia Ocupacional, se
obtiverem certificado em exame de suficiência.
§ 1º. O disposto no artigo é extensivo, no que couber, aos que, em idênticas
condições e sob qualquer vínculo empregatício, exerçam suas atividades em hospitais
e clínicas particulares.
§ 2º. A Diretoria do Ensino Superior do Ministério da Educação e Cultura
promoverá, junto às instituições universitárias competentes, os exames de suficiência a
que se refere este artigo.
Porém, não deixa de trazer confusão ao mercado de trabalho, em especial aos
empregadores desejosos de poderem contar com uma mão de obra não-qualificada,
para pagar salários inferiores ao do profissional habilitado e assim garantir um maior
lucro, uma vez que os direitos do consumidor ainda não haviam sido regulamentados. A
década de 70 foi a que mais produziu o falso “auxiliar” no mercado de trabalho, através
de uma série de cursos em todo país, muitos deles patrocinados por aqueles que
lucravam (e ainda lucram) com o exercício ilegal da profissão (NOVAES JÚNIOR,
2000).
O Conselho Federal publica em 1982 a Resolução COFFITO-30 para regular a
situação do Auxiliar de Fisioterapia (aquele que estava previsto no Art. 10 do Decretolei
938). Uma vez que a Diretoria do Ensino Superior do Ministério da Educação e
Cultura não promoveu, junto às instituições universitárias competentes, o tão propalado
exame de suficiência, o COFFITO toma para si a incumbência de fazê-lo. Amparado na
função normativa que lhe foi atribuída pelo art. 5º da Lei 6.316, o COFFITO resolve
conceder inscrição na categoria de “Auxiliar de Fisioterapia” para os aprovados no
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exame de suficiência e que comprovassem o exercício profissional antes de 13 de
outubro de 1969 (NOVAES JÚNIOR, 2000).
Ainda proíbe o uso da denominação de “Auxiliar de Fisioterapia” para concluintes
de cursos de 1º e 2º graus e o emprego dos termos “Fisioterapia” e “Fisioterapeuta”
para quem não preencher os quesitos do Decreto-lei 938. Como o Ministério da
Educação e Cultura não se interessou em indicar instituição universitária para
realização do exame de suficiência, assim como os interessados não se manifestaram
para sua aplicação (quem sabe, apostando na revogação do decreto ou na
impossibilidade de se reverter a poluição do mercado de trabalho, provocada pela
quantidade imensa de leigos no país exercendo a profissão irregularmente), não existe
ninguém aprovado. Portanto, não existe legalmente o auxiliar de Fisioterapia no Brasil
(NOVAES JÚNIOR, 2000).
Trinta e um anos após o Decreto-lei n.º 938/69, o fisioterapeuta (profissional
habilitado para a efetivação do processo fisioterapêutico que, no âmbito assistencial,
contém as fases de admissão, diagnóstico, prognóstico, prescrição, intervenção e alta)
é uma das profissões mais procuradas do país nos concursos vestibulares das
principais instituições públicas de ensino superior, de acordo com a proporção entre
candidatos/vaga e com a multiplicação de novos cursos nas escolas particulares em
todo Brasil. Autoridade máxima na Fisioterapia, obtendo crescentemente notoriedade
científica e com a atual projeção de seu trabalho nos meios de comunicação de massa,
o fisioterapeuta passou a ser uma profissão cobiçada pela juventude na última década
do século XX (NOVAES JÚNIOR, 2000).
6.4 O perfil do fisioterapeuta no estado de São Paulo
Segundo Peres (2008), após onze meses de trabalho (entre os anos de 2007 e
2008) a equipe da fundação Vunesp recolheu e analisou 26.970 questionários com o
intuito de traçar o perfil dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais do Estado de
São Paulo. Com as informações do Censo, o Crefito/SP poderá orientar os
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empregadores, como indústrias, prefeituras e comércio, a localizarem os profissionais
que melhor se encaixam no perfil de seu interesse.
Segundo o presidente do Crefito/SP, Prof. Dr. Gil Lúcio de Almeida (apud
PERES, 2008), na medida em que temos um perfil detalhado desse profissional,
mostrando o que ele faz, em que trabalha, qual tipo de meta tem e qual sua
especialidade nós conseguimos melhor informar a população, orientá-la e ajudá-la a
localizar este profissional.
O Censo também traz a porcentagem de profissionais com pós-graduação lato
sensu e stricto sensu além de divulgar quais as áreas de especialização mais comuns
entre os Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, onde explica o Dr. Gil que a partir
destas informações o Conselho poderá traçar planos de incentivo e apoio a formação
continuada (PERES, 2008).
Atualmente, um amplo movimento nacional e internacional agrega ao
investimento em infra-estrutura e tecnologia – considerado sinônimo de
desenvolvimento da atenção à saúde, em décadas anteriores – a importância
fundamental da formação dos profissionais da saúde na qualidade do atendimento e na
consolidação do sistema de saúde (PERES, 2008).
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7 DISCUSSÃO
Estudar as bases históricas da profissão é um exercício que leva a
interdisciplinaridade em sua forma mais abrangente, no entanto a carência de fontes
historiográficas insere uma falência considerável na avaliação fidedigna do estudo.
Talvez verificando estas dificuldades, as obras que constam na bibliografia deste
trabalho, em especial a de José Rubens Rebelatto – A Fisioterapia no Brasil, introduza
o estudo histórico somente como uma epígrafe ao tema em que desenvolve
plenamente, se baseando em sua percepção dos supostos objetos de interesse do
profissional fisioterapeuta, enfocando suas áreas de atuação.
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8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A atenção a saúde é um fator que pode ser verificado em todos os períodos da
Humanidade, tendo a necessidade do corpo saudável como uma ferramenta essencial
para a sobrevivência. As condutas de tratamento são o resultado da tentativa e erro e
foi no empirismo destas práticas que o homem desenvolveu o caráter científico, onde o
estudo técnico de um determinado fator salienta e aprimora uma visão terapêutica ou
descarta uma conduta sem embasamento.
No estudo da antiguidade podemos observar o caráter somatório em várias
instâncias, se atendo no que é de nosso interesse que são as questões ligadas à
Saúde, onde vários elementos da civilização egípcia e mesopotâmica são assimilados à
cultura greco-romana. Modelo diferente pode ser verificado nas culturas asiáticas, em
especial na chinesa que por vários fatores, inclusive geográficos, manteve-se no que
hoje conhecemos como “cultura milenar”, mantendo características próprias e com
elementos de estudo diferenciados.
A impugnação total imposta pela igreja após a queda de Roma foi um dos fatores
que fizeram a Idade Média ser taxada como Idade das Trevas. O banho, procedimento
tão cultuado pelos romanos passa a ter um valor subjetivo à cultura medieval o que
facilita a proliferação de doenças que junto com a falta de saneamento básico viabiliza
a peste que vitimou cerca da metade da população européia em meados do século XIV,
a Peste Negra.
Ainda neste período ocorre um renovado interesse pelo passado greco-romano,
sendo conhecido como Renascimento. Os ideais renascentistas deram impulso à
medicina e à anatomia e voltou-se a preocupação com o corpo criando um grande
campo inicial para as pesquisas.
A reabilitação e a prevenção de doenças já se evidenciam com a Revolução
Industrial onde o trabalhador é apontado como objeto de estudo e o que se segue é
uma unificação de conteúdos diversos fazendo com que o empirismo da reabilitação
torne-se cada dia mais importante e com caráter científico, sendo conhecida assim, no
início do século XX como Fisioterapia.
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Hoje no Brasil, o profissional Fisioterapeuta goza de reconhecimento profissional
pelo decreto – lei nº 938 de 1969 sendo assinado pela junta militar que governava o
Brasil naquele período. Com certeza um reconhecimento a esta atenção em saúde que
é parte integrante do mundo moderno e dinâmico e que tem em sua autonomia o
reflexo de um profissional capacitado pela sua formação e ciente de sua função perante
a sociedade.
A expansão dos cursos de fisioterapia na última década do século XX é
proporcional às conquistas e ao respeito que esta jovem profissão recebe da sociedade
como um todo, enfatizando a luta daqueles que, não só através do Decreto Lei 938/69
como também do conhecimento técnico-científico mostrado em campo, provaram
através de sua capacidade que a visão médico centrada não mais se encaixa nos
padrões atuais de nossa sociedade.
O objeto de estudo deste trabalho se baseou no caráter histórico da profissão,
fato que, em entendimento próprio, é muito importante na formação profissional. Neste
processo ficou evidenciado que a carência de estudos científicos voltados a este campo
pode problematizar tanto o entendimento fidedigno das bases históricas profissionais
pelos acadêmicos quanto a elaboração de um plano pedagógico condizente à
importância da disciplina à docência, ficando claro assim a necessidade de profissionais
que se integrem a esta pesquisa e aprofundem estudos voltados à História da
Fisioterapia.
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