Pacientes enfrentam frio e chuva de madrugada por sessões de fisioterapia

Conseguir atendimento público de Saúde, em Santo Antônio da Platina, tem se tornado a cada dia tarefa de muita paciência e persistência aos moradores. Além dos problemas recorrentes no Pronto Socorro Municipal e a falta de médicos em alguns postos de saúde na cidade, para conseguir o agendamento de consultas os pacientes precisam enfrentar filas durante a madrugada. Ainda assim, em alguns casos, como para obter autorização a sessões de fisioterapia, por exemplo, o cidadão corre o risco de não conseguir o atendimento mesmo depois de permanecer horas debaixo de chuva e frio.

A saga se repete todo último dia de cada mês. A disputa por uma das 193 guias de autorização disponibilizadas pela Secretaria Municipal de Saúde para sessões fisioterapia e exames aos pacientes, forma, ainda de madrugada, uma fila enorme de pessoas em frente ao Centro de Especialidades Médicas anexo ao Hospital Nossa Senhora da Saúde. É tanta gente em busca do documento, que o cordão de pacientes, a maioria idosos, chega a dobrar a esquina.

Na madrugada de segunda-feira (31), a dona de casa Gildete Rodrigues (40), moradora no Jardim Santo André, chegou às 3h30 ao local para garantir a as sessões de fisioterapia analgésica e de fortalecimento na coluna vertebral que ela necessita, porém não conseguiu no mês anterior. “No mês passado eu fiquei um tempão na fila, e quando chegou a minha vez de ser atendida não havia mais guia disponível. Desta vez só foi possível porque eu madruguei, mas não é fácil enfrentar todo mês esta jornada”, reclama.

A aposentada Maria Lina da Silva (66), chegou pouco tempo depois ao Centro de Especialidades Médicas (por volta das 4 horas) para garantir o documento que lhe autorizaria as sessões de fisioterapia nos braços e na coluna vertebral. Ela reconhece que o problema é antigo, porém, cobra pela mudança no sistema de distribuição dos documentos prometida pelo poder público. “Enfrento a mesma rotina há dois anos. No entanto, até pouco tempo atrás a distribuição dos documentos acontecia no Centro Social Urbano (CSU), onde há cobertura para proteger as pessoas do mau tempo e lugar para os idosos se sentarem. Entretanto, depois que o atendimento mudou de lugar nós somos obrigados a enfrentar frio e chuva em pé, e de madrugada, para conseguirmos a autorização. Disseram que o problema seria solucionado em breve, mas até agora nada foi feito”, cobra dona Maria Lina.

A também aposentada Ana Virgínia França (62), disse que além da falta de humanidade com as pessoas, principalmente com os idosos, os pacientes ainda são obrigados a conviver com o mau humor de alguns servidores que trabalham na repartição pública, e segundo ela, ainda por cima ironizam as pessoas que permanecem na fila durante a madrugada. “Tem uma funcionária encarregada de distribuir os documentos aos pacientes, que toda vez reclama de as pessoas chegarem de madrugada. Ela alega que existe autorização disponível para todos, e diz que tudo isso é um exagero. Ela diz isso porque não precisa do atendimento. Eu repito o processo mensalmente há mais de um ano, e por várias vezes vi pessoas voltando para casa sem conseguirem o documento garantido por lei. O problema é antigo, sim, mas o novo prefeito se elegeu para solucioná-lo, e não para aumentar os transtornos a nós moradores”, adverte.

A reportagem tentou ouvir a servidora pública responsável pela distribuição das autorizações aos pacientes no Centro de Especialidades Médicas, mas ela se recusou a falar alegando não ter autorização para conceder entrevistas conforme determinação do secretário municipal de Gestão, Airton Sérgio de Diniz.

A secretária municipal de Saúde, Ana Cristina Micó, também foi procurada para falar sobre o problema. No entanto, sua assessoria informou que ela não poderia atender a equipe de reportagem na segunda-feira.

Colaboração Luiz Guilherme Bannwart/Tribuna do Vale

Fonte: https://massanews.com

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