Paciente de 14 anos é a 5ª pessoa no mundo a sobreviver à raiva humana

Continua após anúncios...

Com melhora em quadro clínico, paciente que sobreviveu à raiva humana inicia reabilitação no AM

Paciente de 14 anos é a 5ª pessoa no mundo a sobreviver à raiva humana, segundo o Ministério da Saúde. Ele tem sequelas motoras e na fala, mas apresenta melhoras, de acordo com a Susam.


Por G1 AM

Equipe multidisciplinar foi montada para tratar de paciente (Foto: Roberto Carlos/Secom)

Equipe multidisciplinar foi montada para tratar de paciente (Foto: Roberto Carlos/Secom)

O adolescente de 14 anos que sobreviveu à raiva humana iniciou, nesta semana, o tratamento de reabilitação na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus. A equipe que acompanha o paciente apresentou uma avaliação do quadro clínico do jovem nesta terça-feira (27). Ele já apresenta melhoras significativas, mas deve seguir o tratamento por tempo indeterminado.

O jovem é considerado pelo Ministério da Saúde como a quinta pessoa a sobreviver ao vírus da raiva humana no mundo e a segunda no Brasil.

O paciente retornou à FMT-HVD no sábado (24) para uma nova fase do tratamento, focado na Medicina de Reabilitação. Uma estratégia especial para o acompanhamento dele foi montada na unidade. Ele estava, desde o dia 23 de dezembro de 2017, no Hospital e Pronto-Socorro da Criança (HPSC) da Zona Leste, unidade de saúde referência no tratamento neurológico de crianças e adolescentes.

Na FMT-HVD – unidade vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) – uma enfermaria privativa foi reservada e equipada aos moldes de uma internação semi-intensiva. O tratamento será por tempo indeterminado, para cuidar de possíveis complicações causadas pela raiva humana.

Continua após anúncios...

“O objetivo é oferecer, agora, as condições para que ele vá, com o tempo, recuperando funções essenciais para o organismo. Para isso, autorizei que fosse montada uma estrutura própria e adequada, com o corpo clínico necessário para iniciarmos um tratamento de reabilitação”, disse o secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato.

Mateus tem 14 anos e é morador de comunidade rural de Barcelos, no AM; ele é a 2ª pessoa a sobreviver à raiva humana no país (Foto: Arquivo pessoal)

Mateus tem 14 anos e é morador de comunidade rural de Barcelos, no AM; ele é a 2ª pessoa a sobreviver à raiva humana no país (Foto: Arquivo pessoal)

Avaliação

Na segunda-feira (26), o adolescente passou por avaliação de toda a equipe de saúde que o atenderá, composta por pediatras, infectologistas, neurologistas, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais, além de apoio clínico laboratorial.

De acordo com o diretor de Assistência Médica da FMT-HVD, infectologista Antônio Magela, que coordena a equipe responsável pelo tratamento, o paciente já apresenta melhoras significativas.

“Ele está com cânula de traqueostomia, mas respira espontaneamente. Iniciamos a fisioterapia respiratória, para estimular o restabelecimento completo do sistema respiratório. Ele também reage ao ver a família e se comunica por meio de gestos. Será um caminho longo, mas acreditamos que irá recuperar as funções”, declarou.

O trabalho principal, agora, será em três aspectos: nutrição, fisioterapia e fonoaudiologia. Ele perdeu muito peso e ficou fraco. Por isso, continuará se alimentando através de sonda por um tempo. A nutricionista Claudia Mafra preparou uma dieta especial para o paciente e acompanhará os resultados diários. “Aumentamos a oferta de alimentos, para que ele recupere peso e, associado à fisioterapia, massa muscular”, explicou.

Fisioterapia

O tratamento inclui três sessões de fisioterapia por dia. “Entre as sequelas da doença, há motoras. Ele tem dificuldade para fazer alguns movimentos. Por isso, a fisioterapia será intensa. Estamos fazendo mobilização passiva, alongamentos, fisioterapia respiratória, movimentos na caixa torácica que auxiliam na mobilização de secreções e minimize o impacto que possa ser causado no paciente, principalmente, infecções pulmonares, e dando um pouco mais de independência motora para ele, dentro das limitações clínicas consequentes das sequelas da raiva humana”, detalhou o fisioterapeuta José Alexandre Almeida.

O fisioterapeuta explica, também, que o paciente reage a estímulos. “Ele tem respondido, dentro das suas limitações, à terapia. O fato de ele estar compreendendo o que lhe é solicitado ajuda muito na sua recuperação, em todos os fatores que estamos tratando”, ressaltou Almeida.

Fonoaudiologia

Para a equipe de saúde, o paciente pode recuperar a fala. “A capacidade de comunicação está entre as sequelas já identificadas. No entanto, ele balbucia alguns sons para se comunicar com os pais e com a equipe que o acompanha. Ele está fazendo uma sessão de fonoaudiologia por dia, para que possamos trabalhar este aspecto”, disse o pediatra Marcus Fernandes.

Diagnóstico precoce

O infectologista Antônio Magela considera que um dos principais fatores que contribuiu para a cura foi o diagnóstico precoce da doença e a internação imediata. O adolescente chegou ao Hospital da FMT-HVD consciente, sem nenhum sintoma neurológico, mas foi tratado desde o primeiro momento com o Protocolo de Milwaukee, por conta do histórico de agressões de morcego. A primeira internação na unidade foi na FMT-HVD, em 02 de dezembro de 2017.

O tratamento consiste na sedação do paciente (coma induzido) e uso de medicações – um antiviral e outro medicamento precursor de neurotransmissores, controle da motricidade dos vasos sanguíneos do sistema nervoso central e prevenção de convulsões. No processo, o paciente é mantido em coma induzido, ventilação mecânica e cuidados intensivos de suporte à vida. As medicações foram enviadas pelo Ministério da Saúde à FMT-HVD.

“Ele foi o terceiro membro da mesma família a ser internado. O irmão mais velho, infelizmente, já chegou a Manaus em estado grave e veio a óbito antes de receber o diagnóstico de raiva humana. A irmã de dez anos foi internada na FMT-HVD e chegou a iniciar o Protocolo de Milwaukee, mesmo sem a confirmação de raiva, mas já apresentava quadro muito grave e, lamentavelmente, também não resistiu ao tratamento. Este adolescente foi internado horas após a irmã falecer, apresentando formigamento nas mãos. Nesse mesmo dia, durante a noite, ele teve uma convulsão e precisou ser sedado e encaminhado à UTI”, explicou Magela.

A família do adolescente vive em uma comunidade ribeirinha localizada no Rio Unini, em Barcelos, onde foram relatados casos de agressão por morcegos em humanos. Os três irmãos tiveram histórico de agressão por morcegos hematófagos.

Se desejar, use os botões abaixo para compartilhar.

1 comentário em “Paciente de 14 anos é a 5ª pessoa no mundo a sobreviver à raiva humana”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.