OS EFEITOS DO ALONGAMENTO PRÉ E PÓS EXERCÍCIO FÍSICO: REVISÃO DA LITERATURA

Continua após anúncios...

 

Elisandra Galvão 1

Hercília Castro1

Jéssica Boaventura[1]

Sarah Pontes[2]

 

Resumo

O intuito desta revisão literária é o aprofundamento da prática do alongamento no pré e pós treino, discutir seus efeitos e tentar esclarecer os conflitos de opiniões através de embasamentos teóricos. Com isto, identificar os determinantes para sua realização de forma correta e possíveis precauções para a sua utilização. Objetivo. Revisar na literatura os efeitos do alongamento pré e pós exercício físico. Metodologia. O presente estudo é uma revisão integrativa, o sustento teórico distingue de fontes secundárias e os recursos da busca são os delimitadores. Realizada nas bases de dados SciELO, LILACS, BIREME e PUBMED incluindo apenas os artigos que dão suporte para relevância do tema proposto ao estudo. Considerações finais. Foram obtidos 2786 resultados através da busca com palavras chave, 15 artigos foram inclusos pois tinham correlação com o objetivo proposto ao estudo. Os estudos citados apresentaram limitações por existirem divergências de opiniões sobre a realização do alongamento. Por isto, a sua eficiência não tem sustento teórico por alguns estudos. Novos estudos devem ser realizados para responder estas questões.

Continua após anúncios...

Palavras-chave: Alongamento; Exercício.

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Referencial Teórico 3. Metodologia 4. Resultados e Discussão 5. Considerações Finais. Referências.

  1. Introdução

A revisão fornecerá elementos para evitar a duplicação de pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema, favorecendo a definição de contornos mais precisos do problema a ser estudado (SILVA; MENEZES, 2005).

O presente estudo é a revisão integrativa, norteado pela questão de pesquisas relevantes que dão suporte para a tomada de decisão e a melhoria da prática clínica (Benefield, 2003). Possibilitando a síntese do estado do conhecimento de um determinado assunto, além de apontar lacunas do conhecimento que precisam ser preenchidas com a realização de novos estudos (Polit et al., 2006).

Numerosas técnicas de alongamento têm sido desenvolvidas, registradas, e aplicadas por fisioterapeutas e educadores físicos. Na fisiatria e fisioterapia, alongamentos são usados para melhorar a ADM e função após trauma e períodos de imobilização (Halbertsma J et al., 1999).

Neste artigo de revisão foram obtidos 2786 resultados através da busca com as palavras chave: “ALONGAMENTO + EXERCÍCIO” dos quais 15 apresentaram conteúdo satisfatório. Em seguida, foi construída uma tabela para comparar os achados.

O objetivo é revisar na literatura os efeitos do alongamento pré e pós exercício físico. Com isto, desvendar os conflitos de opiniões sobre a realização do alongamento com embasamentos teóricos.

 

  1. Fundamentação Teórica

2.1 Abordagens sobre o alongamento

O alongamento é um termo geral usado para descrever qualquer manobra fisioterapêutica elaborada para aumentar a mobilidade dos tecidos moles e subsequentemente melhorar a ADM por meio o alongamento (aumento do comprimento) de estruturas que tiveram encurtamento adaptativo e tornaram-se hipomóveis com o tempo (Beaulieu J, 1981; Hertling e Kessler, 1996; Tomberlin e Saunderes, 1994; Wilkinson A, 1992; Zachazewski J, 1989).

O alongamento é uma manobra terapêutica utilizada para aumentar a mobilidade dos tecidos moles por promover aumento do comprimento das estruturas que tiveram encurtamento adaptativo (Kisner C e Colby L, 2005) podendo ser definido também como técnica utilizada para aumentar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo periarticular, contribuindo para aumentar a flexibilidade articular, isto é, aumentar a amplitude de movimento (ADM). Suas modalidades são: alongamento estático, alongamento balístico e alongamento por facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) (Halbertsma J et al., 1999; Knudson D, 2008).

Em termo de alongamento, a tensão do músculo está ligada ao aumento do comprimento muscular. Por consequência disto, o músculo será tensionado e as outras estruturas musculares em volta ele sofrerão alterações.

Genari (2008) descreveu os objetivos do alongamento: restaurar a amplitude de movimento normal na articulação envolvida e a mobilidade das partes moles adjacentes a esta articulação; prevenir o encurtamento ou tensionamento irreversíveis de grupos musculares; facilitar o relaxamento muscular; aumentar a amplitude de movimento de uma área particular do corpo ou corporal de forma geral antes de iniciar os exercícios de fortalecimento; reduzir o risco de lesões músculo-tendinosas.

Postula-se que o alongamento proporcione um efeito protetor no tecido músculo-esquelético quando realizado antes e/ou após exercícios inclusive prevenindo o aparecimento de dores musculares, no entanto, existe divergência na literatura quanto ao efeito protetor ou não do alongamento. (Andersen JC, 2005; Hebert RD, Gabriel M, 2002; Macauley D, Best TM, 2002).

Os efeitos do alongamento podem ser divididos em agudos e crônicos. Os agudos ou imediatos são resultado da flexibilização do componente elástico da unidade musculotendínea. Já os efeitos crônicos resultam em remodelamento adaptativo da estrutura muscular, explicado pelo acréscimo do número de sarcômeros em série, o que implica em aumento do comprimento muscular (Hall C e Brod L, 2007; Herbert R, 1998). Estes efeitos podem permanecer por determinado período após a interrupção dos exercícios (Hall C e Brod L, 2007). Para que ocorram aumentos de comprimento mais permanentes (plásticos), a força de alongamento precisa ser mantida por um tempo mais longo (Kisner C e Colby L, 2005).

A literatura cientifica aponta certos “possíveis mecanismos” responsáveis pela redução na forca avaliada como (i) a inibição dos estímulos excitatórios de motoneuronios alfa, via estimulação das terminações nervosas III, IV e órgão tendinoso de Golgi, (ii) aumento do atraso eletromecânico devido a maior complacência da unidade musculo-tendínea, (iii) alteração na relação comprimento–tensão da unidade musculo-tendinea, e (iv) isquemia local devido ao menor fluxo sanguíneo e acumulo de metabolitos.( Behm DG, Chaouachi A, 2011; Marchetti PH, et al, 2014; Marchetti PH, Arruda CC, et al, 2010)

Segundo Achour Júnior (2006), podem ser diferenciadas as seguintes técnicas de alongamento (“stretching”):

Alongamento dinâmico;

Alongamento estático;

Alongamento balístico;

Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva.

Durante a execução do método dinâmico, há um maior risco de lesões devido a facilidade de ultrapassarmos nossos limites sem que tenhamos controle da situação, pois a mesma ocorre através de movimentos rápidos e vigorosos. Aconselha-se a utilização do método balístico em atletas cujo esporte envolva movimentos dinâmicos em seu desempenho. Em programas de fitness, o seu uso deve ser limitado a praticantes com uma experiência e vivencia corporal adequadas (HERNANDES JUNIOR, 2002).

O alongamento estático é eficaz em aumentar a amplitude e movimento (ADM). A maior mudança na ADM com um trecho estático ocorre entre 15 e 30 segundos (McHugh M et al.,1992; Bandy WD et al., 1994).  A maioria dos autores sugerem que 10 a 30 segundos é suficiente para aumentar a flexibilidade (WD et al., 1994; Cipriani D, 2003). Além disso, nenhum aumento no alongamento muscular ocorre após 2 a 4 repetições (Taylor D et al., 1990).

Dentre os métodos de alongamento existentes, o mais antigo e questionado é o alongamento balístico. Esta técnica consiste em movimentos repetidos gerados pela musculatura agonista que ocasionam tensões agressivas e de curta duração na musculatura antagonista. Este estímulo repetitivo e curto faz com que os fusos neuromusculares estejam sempre ativos, produzindo uma resistência muscular contínua ao alongamento, e não permite que os órgãos tendinosos de Golgi produzam o relaxamento muscular (Prentice, 2002; Coelho, 2008). Além disso, por ser pouco controlado há um grande potencial em provocar lesões musculares. Por estes motivos o alongamento balístico é considerado o mais desvantajoso para o desenvolvimento da flexibilidade, o que justifica a sua pouca utilização no meio esportivo.

Apesar de o método FNP ser o mais eficaz, o alongamento estático é o mais utilizado, pois é o método mais seguro, simples e com menor risco de lesão (Sady S et al., 1982). No método estático, o membro é mantido em posição estacionária em seu maior comprimento possível por um período de 15 a 60 segundos (Hall M et al. 2001).

 Alter (1999) cita cinco tipos: alongamento estático, balístico ou dinâmico, passivo, ativo e facilitação neuromuscular proprioceptiva. Porém, na opinião de Bagrichevsky (2008), as principais técnicas de alongamento da literatura são: o alongamento ativo, estabelecido pela atividade muscular do próprio indivíduo envolvido na ação, sem ajuda externa; no alongamento passivo, o alongamento é promovido por ações externas, sem que ocorra contribuição ou contração ativa do sujeito e a facilitação neuromuscular proprioceptiva consiste de um processo seqüencial, iniciado por um alongamento passivo estático, seguido de uma contração isométrica, aplicando depois outro alongamento assistido de maior amplitude que o primeiro.

Kisner C e Colby L (2005) esclarecem algumas indicações de alongamento: Quando a ADM está limitada porque os tecidos mples perderam sua extensibilidade como resultado de aderências, contraturas e foemção e tecido cicatricial, causando limitações ou incapacidades funcionais; Quando a restrição da mobilidade pode levar a deformidades estruturais que poderiam ser evitadas; Qunado há fraqueza muscular e encurtamento do tecido opositor; Com parte de um programa de preparo físico total elaborado para prevenir lesões musculoesqueléticas; Antes e depois do exercício vigoroso para minimizar potencialmente a dor muscular pós-exercício.

O autor a cima ainda descreve algumas contra-indicações para o alongamento: Quando um bloqueio ósseo limita a mobilidade articular; Após uma fratura recente depois e a consolidação óssea estar completa;  Sempre que houver eviências de um processo inflamatório ou infeccioso agudo ( calor e edema) ou quando a regeneração dos tecidos moles puder ser perturbada nos tecidos retraídos e na região ao redor; Diante de dor aguda, cortante com o movimento articular ou o alongamento muscular; Quando se observa um hematoma ou outra indicação de traumas aos tecidos; Quando já existe hipermobilidade; Quando as contraturas ou tecidos moles encurtados estão provendo aumento da estabilidade articular no lugar da estabilidade estrutural normal ou do controle neuromuscular; Quando as contraturas ou tecidos moles encurtados são a base de habilidades funcionais melhoradas, particulrmente em pacientes com paralisia ou fraqueza muscular grave.

Tobias e Sullivan (1998), como uma atividade que beneficia o indivíduo como um todo, pois não apenas tonifica os músculos, como também, torna a coluna ereta, melhorando a postura, aumenta a flexibilidade, beneficiando as emoções, acalmando os nervos, restabelecendo a energia vital e estabelecendo bases para a saúde física total.

2.2 Alongamento pré x pós treino

Durante décadas, o alongamento antes do treinamento físico tem sido uma prática comum em todos os níveis do desporto. Contudo, tem-se demonstrado que o alongamento pré-exercício não reduz as taxas de lesões e, em alguns casos, pode predispor a lesão, ou seja, é provável que haja pouco ou nenhum benefício na prevenção de lesões quando o atleta é submetido ao exercício de alongamento antes da sessão de treinamento (Herbert R e Gabriel M, 2002).

Fatores mecânicos estariam envolvidos no processo de diminuição de força decorrente do alongamento, em que modificações na relação comprimento-tensão poderiam causar um desajuste entre os miofilamentos de actina e miosina, diminuindo a atração das pontes cruzadas de miosina-actina, por consequência diminuição da capacidade de gerar força muscular (Fowles, Sale e MacDougall, 2000; Avela, et al, 1999).

Tipicamente em sessões de treinamento de forca, um elevado volume (produto das series e repetições) e carga de treino (produto das series, repetições e sobrecarga levantada), associado a uma alta intensidade, são necessários a fim de exaurir a musculatura e consequentemente promover os ajustes agudos e adaptações crônicas necessárias (Lin J, Chen T, 2012; Zatsiorsky VM, Kraemer WJ, 2008).

O Colégio Americano de Medicina do Esporte (Medicine AcoS, 2006), recomenda em um programas de exercício fitness geral, o alongamento estático para a maioria dos indivíduos que é precedido por um ativo aquecimento, pelo menos de 2 a 3 dias por semana. Cada treino deve ser realizada 15-30 segundos e repetido 2 a 4 vezes.

Alongamento realizado como parte de um aquecimento antes do exercício é pensado para reduzir a rigidez passiva e aumentar a gama de movimento durante o exercício. Em geral, supõe-se que o alongamento estático é benéfico para os atletas que exigem flexibilidade para seus esportes (por exemplo ginástica, dança, etc). O alongamento dinâmico pode ser mais adequado para atletas que exigem trabalho ou salto de desempenho (Behm D et al., 2007) durante esporte como os jogadores de basquetebol ou velocistas.

De acordo com Kisner e Colby (2007), quando executar o alongamento de curta duração, ganhos de flexibilidade obtidos são transitórias e são atribuídos a uma redução temporária entre actina e miosina nos sarcômeros. No entanto, alongamento de 20 min ou mais, por exemplo, levaria a ganhos de longa.

O alongamento estático (SS) é considerada um método eficaz para aumentar a amplitude de movimento articular (ROM) (Paradisis et al., 2014; Power et al., 2004) e é muitas vezes pensado para melhorar o desempenho (Young and Behm 2003; Young 2007). Com base em uma meta-análise para derivar uma estimativa dos efeitos agudos do alongamento estático pré-exercício (SS) esses resultados já fizeram um impacto extraordinário sobre o desporto e o aos profissionais que agora começaram a recomendar a prevenção de SS durante o aquecimento para o desporto e o exercício físico (Pearson, 2001; Jovens & Behm, 2002; Knudson, 2007).

O alongamento ativo-estático não é indicado previamente ao exercício de força por induzir ao um menor desempenho. No entanto, não se sabe se o mesmo ocorre no exercício de resistência de força (RF). Deste modo, Batista e colaboradores no ano de 2015 pesquisaram o efeito agudo do alongamento ativo-estático sobre o desempenho na RF em homens treinados. Em um estudo que avaliou em 5(cinco) homens praticavam exercícios físicos regularmente e com histórico posterior de musculação. Chegaram à conclusão que a realização do alongamento ativo-estátivo antes do exercício leva a uma considerável diminuição no desempenho durante o exercício de membros superiores, no entanto, não há modificação em exercício nos membros inferiores em homens treinados.

Ainda fazendo menção ao exercício estático, é perceptível que existem controvérsias. Alguns estudos apontam a sua eficácia e outros a sua ineficácia como mostram (Bazett-Jones et al, 2005; Burkett et al, 2005; Cramer et al, 2005, 2007b; Unick et al, 2005; Little & Williams, 2006; McMillian et al, 2006; O’Connor et al, 2006; Maisetti et al, 2007; Kinser et al, 2008; Torres et al, 2008; Wallmann et al, 2008; Di CAGNO et al, 2010; Haag et al, 2010; Handrakis et al, 2010; Molacek et al, 2010; Murphy et Col., 2010),  tem de se reconhecer que muitos estudos relataram nenhuma redução na força e energia, ou explosivos performance muscular seguintes SS. Enquanto alguns deles relataram melhora no desempenho (O’Connor et al, 2006; Gonzalez-Rave et al, 2009; Haag et al, 2010).

Em uma revisão Shrier I, 2004 verificou que embora os efeitos agudos do alongamento resultem em diminuição da força e velocidade de contração muscular, a realização crônica de exercícios de alongamento leva a aumentos na força e velocidade à longo prazo. O pesquisador sugere que o alongamento deveria ser realizado após a realização de exercícios ou numa sessão à parte.

Em estudos realizados por (Yamaguchi I e Ishi 2005; Knudson D et al., 2004) demonstraram que o alongamento não ocasiona alterações na performance muscular. Em um estudo realizado com o objetivo de verificar se a performance muscular na extensão de joelho em pré-adolescentes era influenciada pelo alongamento estático de 30 segundos foi constatado que tal influência não ocorreu (Yamaguchi I e Ishi 2005).

Shehab et al (2006) em pesquisa descritiva, avaliaram escolas públicas por meio de questionários, com o qual, procuraram analisar o conhecimento e práticas adotadas pelos professores na prescrição do alongamento antes de uma atividade esportiva. A maioria dos professores aplicavam em média 13 minutos de alongamentos variados antes de um treino ou competição. Um percentual de 95% dos professores acreditam que o exercício de alongamento antes do treinamento é benéfico na prevenção de lesões.

Fowles et al. expõem ainda que, após 15 minutos de recuperação do alongamento intenso a diminuição da força do músculo é mais atribuída a propriedades mecânicas intrínsecas das unidades musculotendinosas do que a fatores neurais. Eles hipotetizaram que o alongamento pode alterar o relacionamento do comprimento-tensão e/ou deformação plástica dos tecidos conectivos. Assim, tal fato levaria a uma limitação na potencialização da força máxima produzida pela unidade musculotendínea. Além disso, Nelson e Colaboradores sugeriram que a diminuição da força induzida pelo alongamento, após 10 minutos de recuperação, está relacionada à diminuição da rigidez musculotendinosa, que leva a uma alteração no relacionamento de comprimento-tensão da fibra muscular. Contudo, pesquisadores possibilitam a hipótese de que as alterações do alongamento induzido na relação do comprimento-tensão podem ser manifestadas (Brockett, et al, 2001; McHugh, MP, Hogan DE, 2004).

Franco e colaboradores (2008) em estudo que verificou os efeitos agudos de diferentes exercícios de alongamento na resistência muscular observaram que a interferência do treinamento de flexibilidade na força parece estar associada à duração do estímulo, ou seja, quanto maior for o volume do alongamento maior será o déficit na força muscular. Tal hipótese também foi observada em pesquisa de Neto e Manffra (2009) que verificou as alterações no desempenho isocinético dos isquiotibiais mediante dois protocolos de alongamento estático com diferentes volumes, sendo observado que a capacidade máxima de produção de forca sofre influência direta do volume do alongamento.

Endlich e colaboradores (2009), em pesquisa que verificou o efeito agudo do alongamento com diferentes tempos no desempenho da força dinâmica de membros superiores e inferiores, observaram redução da força muscular dinâmica por conta de sessões de alongamentos estáticos efetuados antes de atividades que envolviam força dinâmica, possuindo assim, a capacidade de alterar negativamente o desempenho dessa qualidade física, acarretando pior rendimento em longos períodos de alongamento.

Segundo Witvrouw et al (2004), as contradições sobre a relação entre alongamento e prevenção de lesão podem ser explicadas se forem considerados os tipos de esportes. Afirmando que esportes com alta intensidade do ciclo alongamento-encurtamento requerem maior elasticidade músculotendínea, consequentemente técnicas que melhorem essa elasticidade podem reduzir o risco de lesão. Quando o esporte é de baixa intensidade, não precisando de muita elasticidade músculo-tendínea, o alongamento pode não ser tão vantajoso.

  1. Metodologia

Os recursos da busca são os delimitadores, se deu após rastreamento em artigos com palavras chave: “Alongamento + Exercício” as bases de dados utilizadas foram: SciELO, LILACS, BIREME e PUBMED, publicados no período de 1992 a 2015. Através destas buscas foram obtidos como resultado 15 artigos, dos quais 9 são estudos de caso e 8 revisão literária. Em seguida, foi construída uma tabela com os sustentos teóricos para cada material selecionados e para maior sustento ao estudo foi utilizado o LIVRO: Exercícios Terapêuticos Fundamentos Técnicas 3ªed Kisner Man.

  1. Resultados e Discussão

Os estudos apresentados destacam-se pela natureza delimitadora através de bases de dados de alta credibilidade e qualidade nos dados que compõe suas informações.  Os artigos selecionados avaliam o alongamento de forma passiva, estática e dinâmica, bem como na sua forma de prevenções de doenças e/ou contraturas ocasionadas ao longo da vida, aumento da amplitude de movimento, mobilidade, potência e força muscular. A maioria dos trabalhos consultados focaliza no alongamento pré e pós-treino e nas alterações do déficit de força muscular ocasionado pelo alongamento, sendo que, as razões específicas dessas alterações ainda são pouco exploradas. Não são totalmente identificados os benefícios e malefícios tanto na prevenção de lesões quanto no desempenho muscular observando então a existência de controvérsias entre os autores.

De acordo com Fields, Burnworth e Delaney (2008), está claro que as rotinas de alongamento realizadas antes do exercício consigam melhorar o desempenho nos exercícios, porém, ainda há poucos estudos comprovando que essas rotinas reduzem a dor muscular de início tardio ou evitar lesões. Contudo eles afirmam que O alongamento antes e/ou após o exercício irá prevenir ou minimizar as dores musculares que costumam surgir 24–48 h após o exercício.

No estudo desenvolvido por Lopes CR et al., (2015) que analisou os Efeitos do alongamento passivo no desempenho de séries múltiplas e da dor percebida no treinamento de força. A amostra 12 homens experientes com treinamento de força. O protocolo consistiu de três sessões. A primeira serviu como familiarização e determinação de 10 repetições máximas no supino reto (T10RM). A segunda e terceira condições foram aleatorizadas entre os sujeitos, sendo uma realizada com a avaliação do supino reto (SR) sem alongamento prévio (SEMA), e a outra com alongamento prévio (COMA). O protocolo de alongamento consistiu de seis séries de 45 seg de alongamento por 15 seg de intervalo visando o músculo peitoral maior. A intensidade do alongamento foi mantida entre 70 e 90% da percepção subjetiva de desconforto. Antes e após o exercício, a dor local foi avaliada por meio de breve alongamento e palpação. Observou-se decréscimo no número de repetições ao longo das séries em ambas as condições, sem diferenças entre as mesmas, para a carga da primeira série, a carga total e a dor. O número de repetições em séries múltiplas foi diminuído na mesma magnitude com e sem a realização do alongamento prévio, além de não alterar a carga total e a dor percebida.

No entanto há divergências entre estudos sobre alongamento estático em diferentes grupos musculares. Santiago L S Felipe et al, (2012), Verificou a força de repetições múltiplas máximas e tempo de tensão máximo no Leg press (LP) imediatamente após o alongamento estático nos músculos extensores e flexores do joelho em mulheres experientes em treinamento de força (TF). Foram voluntários 10 sujeitos do sexo feminino com 24,1±5 anos de idade, praticantes de TF há no mínimo um ano. A coleta de dados foi realizada em três dias não consecutivos. No primeiro dia foram realizadas medidas antropométricas e o teste de 10 repetições máximas (10RM) no exercício de LP. No segundo dia foi realizado o alongamento estático nos músculos extensores do joelho seguido imediatamente pelo exercício no LP, registrando-se o número de repetições (REXT). No terceiro dia foi realizado o alongamento estático nos músculos flexores do joelho seguido imediatamente pelo exercício no LP registrando-se o número de repetições (RFLX). Para comparação do número de repetições realizadas nos dois dias de testes foi utilizado o Teste T pareado. Foram encontradas diferenças significativas (p<0,05) entre o teste de 10RM para com RFLX (16±4,2) e REXT (15,4±3,5) após o estimulo de alongamento estático. O Teste T pareado não indicou diferenças significativas no tempo de tensão máximo (segundos) após alongamento nos extensores (28,9±8,1) e flexores do joelho (27,3±9). O alongamento estático aplicado nos extensores e flexores joelho influencia positivamente o desempenho exercício de LP, constituindo uma alternativa interessante para obter ganhos de força para a musculatura envolvida no exercício.

Segundo Geoffroy (2001), uma técnica mal utilizada num programa de treinamento pode inverter o efeito benéfico do alongamento e se tornar uma fonte de lesões ou mau desempenho. Se o terapeuta ou preparador físico que esteja definindo o trabalho executado, não tiver conhecimento dos exercícios de alongamentos personalizados para determinada situação, os resultados obtidos podem ser decepcionantes.

Conforme Fields, Burnworth e Delaney (2008), apesar de aumentar a amplitude de movimentos das articulações, o alongamento um pouco antes do exercício pode causar déficits temporários de força.

Contudo, Batista M L Igor et al, (2015), averiguaram o efeito agudo do alongamento ativo-estático sobre o desempenho na RF em homens treinados.    Foram submetidos ao teste de uma repetição máxima (1RM) no supino horizontal (SH) e cadeira extensora de joelhos (CE), e duas sessões experimentais: 1) sessão de exercício de RF com 50% de 1RM até a falha concêntrica no SH e, em seguida, na CE (intervalo de 10min) sem alongamento prévio; e 2) igualmente à primeira sessão, no entanto, com alongamento ativo-estático com amplitude máxima por 30s previamente ao exercício. A normalidade foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk e o teste de Wilcoxon foi aplicado para comparação entre as sessões .  A sessão com alongamento prévio ao exercício promoveu menor (p<0,05) desempenho no SH. Não houve diferença (p=0,063) do desempenho entre as sessões na CE.  O alongamento ativo-estático realizado antes do exercício de RF provoca diminuição no desempenho durante o exercício de membros superiores, por outro lado, não modifica o desempenho no exercício de membros inferiores em homens treinados.

Em contrapartida, Rosario JL e A´lexis Foletto, (2015), Compararam a técnica de alongamento estático no passivo dos músculos isquiotibiais isoladamente ou combinadas com técnicas de aquecimento e tempos de aplicação diferentes. Cinquenta mulheres foram divididos aleatoriamente em 5 grupos (n Z 10 cada): o Grupo teve a diatermia por microondas isquiotibiais aquecido por microondas antes de alongamento; Grupo de Esteira, na qual o aquecimento foi realizada antes do alongamento; 30 segundo grupo, em que 30 s de alongamento foi realizada; 10 minutos de grupo, que envolveu alongamento de 10 min e grupo controle. Em todos os grupos, a amplitude de movimento de extensão da perna foi avaliada e a flexibilidade pelo terceiro dedo teste foi realizada antes e após a aplicação demonstraram que todos os tratamentos foram eficazes em comparação ao grupo controle. Os resultados poderiam sugerir um aquecimento sistêmica (tais como o fornecido pela esteira exercício) antes de alongamento de um ganho agudo de flexibilidade no mesmo dia.     Foi possível identificar as ineficiências associadas com o uso de microondas em termos de alongamento para ganho de flexibilidade. De fato, os valores registrados foram semelhantes ao alongamento sem qualquer calor a todos.

Segundo Geoffroy (2001), os exercícios de alongamento possuem um papel preventivo importante, pois preparam a musculatura, favorecem a recuperação, evitam problemas musculares, articulares, tendinosos e circulatórios, aprimoraram a mobilidade e a flexibilidade, têm um papel anti-stress, permitem a obtenção do bem-estar e melhoram a consciência corporal, o gesto técnico e o desempenho.

Um estudo feito por Damian C. Et al., (2009) constatou a hipótese citada acima. Onde foi analisado o impacto de oito semanas ativo-assistido (AA) programa de alongamento sobre a funcionalidade, mobilidade, potência e amplitude de movimento (ADM) em idosos residentes em uma comunidade de reforma residencial. Dezessete voluntários (4 do sexo masculino, 13 do sexo feminino; 88,8 ± 5,36 anos). Todos os participantes foram avaliados usando quatro flexibilidade e seis testes funcionais, uma semana antes e após o período de oito semanas de treinamento. Um delineamento inteiramente casualizado com medidas repetidas com escores pré-teste, Ancova como covariável foi utilizado para detectar diferenças entre os grupos ao longo do tempo.        O AA grupo demonstrou aumento significativo na ROM para a maioria das articulações avaliadas (p 0,05) e aumentos de todas as medidas de desempenho (p 0,05). Controles não mostraram melhorias na funcional ou medidas de ROM (α = 0,05). Além disso, o grupo AA mostrou resultados significativamente melhor desempenho em todo o período de formação que os controlos. Oito semanas de flexibilidade eficazmente o programa reduz as perdas relacionadas com a idade na ROM e melhora o desempenho funcional em pessoas idosas com reservas para executar física maior intensidade de exercícios.

Alter (1999) aborda a controvérsia sobre os exercícios de alongamento, pois embora eles possam vir a prevenir lesões e melhorar o desempenho, para alguns atletas a flexibilidade excessiva pode desestabilizar as articulações e assim, aumentar a probabilidade de lesão de ligamento ou de luxação articular.

Em seu trabalho, Gallon D. et al., (2011) avaliou os efeitos de um programa de alongamento no comprimento muscular, flexibilidade de torque e de atividades de vida diária de idosos institucionalizados mulheres.            Dezessete 67 ± 9 anos de idade as mulheres idosas divididas aleatoriamente em 2 grupos, participaram em atividades culturais agradável; o grupo de alongamento (GE, n = 8) realizado alongamento ativo dos isquiotibiais, 4 assaltos de 1 min cada um. Ambos os grupos foram supervisionadas três vezes por semana durante um período de 8 semanas.         Flexibilidade de isquiotibiais aumentou 30% no grupo GE comparados ao pré-formação, em relação ao grupo GC (Muscletendoncomprimentos de quadril biarticular músculos flexores e pico de torque extensor do joelho excêntrico foram diminuiu no grupo GC suficiente para aumentar a flexibilidade dos isquiotibiais e uma falta de alongamento podem causar redução do desempenho muscular em comparação aos valores pré-teste. O programa de alongamento foi suficiente para aumentar a flexibilidade dos isquiotibiais e uma falta de alongamento podem causar redução do desempenho muscular.

Fields, Burnworth e Delaney (2008) acrescentam em seu trabalho que, aumentar a flexibilidade é importante para atividades como balé, ginástica e natação, mas isso pode ser inadequado para o os jogadores de futebol americano e para algumas outras atividades esportivas nas quais a estabilidade das articulações é fundamental.

Alguns autores analisaram através de um revisão de literatura os efeitos do alongamento sobre a força muscular. Ramos, Gracielle Vieira, et al., (2007) averiguaram a influência do alongamento sobre a força muscular e suas possíveis causas. Revisão de literatura nas bases de dados PUBMED, SCIELO, periódicos nacionais e internacionais assim como em livros relacionados à fisiologia neuromuscular. A maioria dos estudos demonstraram que o alongamento muscular provoca uma diminuição de força em relação ao desempenho muscular. Pode-se observar que, entre os autores estudados, ainda há controvérsias em relação às causas que levariam à diminuição de força.   O alongamento muscular pode acarretar déficit de força muscular do indivíduo, no pré-exercício para ganho de força do músculo, mas as causas para tal processo ainda são controvérsias necessitando de maiores estudos para uma melhor definição.

Andrew Wilkinson por sua vez, (1992) levantou um estudo de Revisão de literatura sobre o alongamento muscular a partir de uma perspectiva neurofisiológica e as constataram que a relação dos benefícios de outras técnicas do tipo PNF associado ao alongamento. A maioria dos estudos clínicos, no entanto, mostraram que técnicas de PNF podem obter maiores ganhos do que o alongamento isolado. Para explicar esses resultados clínicos se afigura necessidades dos conhecimentos   neurofisiológicos e teorias, ou melhor ainda, a continuação de estudos sobreo alongamento muscular.

Dantas (1995) relata que o método de facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) utiliza-se da influência recíproca entre o fuso muscular e o Órgão Tendinoso de Golgi (ONG) de um músculo entre si e com os do músculo antagonista para obter maiores amplitudes de movimento.

David G. Et al, (2015), comparou os efeitos do alongamento estático (SS), facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) e o alongamento dinâmico (DS) no desempenho, amplitude de movimento (ADM), e da prevenção de lesões. O teste foi realizado em média de 3 a 5 min após alongamento e a maioria dos estudos não incluem atividades dinâmicas após alongamento; quando essas atividades foram incluídas, não foi observado efeito de desempenho claros. DS produziu pequenas melhorias de desempenho moderado quando concluído dentro de minutos de atividade física. SS e PNF alongamento não teve efeito claro sobre todas as causas ou lesões por excesso de uso; não existem dados disponíveis para o DS. Os dados indicaram que SS- (-3,7%), DS- (1,3%), e PNF- (-4,4%) indicaram alterações de desempenho de pequena a moderada com testes realizados imediatamente após alongamento, possivelmente devido à reduzida ativação muscular após SS e PNF. Uma relação dose-resposta ilustrava maior desempenho com ≥60 s (-4,6%) do que com a <60 s (1,1%) SS por grupo muscular. Inversamente, SS demonstrou uma moderada (2,2%) em benefício do desempenho muscular. Considerando a pequena a moderada alterações imediatamente após alongamento e limitações do estudo, alongamento dentro de um aquecimento que inclui após alongamento adicionais atividade dinâmica e é recomendado para a redução de lesões musculares e aumentando a ROM comum com inconsequentes efeitos sobre o desempenho atlético subsequentes.

Dentre os artigos apresentados Pereira, R et al., (2007), apresentou um estudo diferente que avaliou o efeito do alongamento pós exercício na concentração sérica de creatina kinase (ck) de homens e mulheres. Foram avaliados 36 indivíduos, 18 homens e 18 mulheres foram divididos aleatoriamente em dois grupos, Controle (C) e Alongamento (A). Foi dosada a concentração de CK pré-exercício e após exercício para membros inferiores, imediatamente após o exercício os integrantes do grupo A realizaram alongamento ativo, sendo realizadas mais 3 coletas com intervalo de 24 horas entre estas           O grupo A apresentou um aumento na concentração CK 24 horas após o exercício. A medida da concentração de CK dos homens do grupo A apresentou diferença em relação à pré-exercício e em relação à medida de 24 horas do grupo controle, o mesmo comportamento não foi observado nas concentrações de CK das mulheres de ambos os grupos. O alongamento após exercício resistido aumentou a concentração sérica de CK, demonstrando um efeito indutor de microtraumas e/ou da produção de citocinas no tecido músculoesquelético, sendo os homens mais susceptíveis que as mulheres a este efeito.

Rolf Adelsberger e Gerhard Tröster (2014), analisaram a eficácia do aquecimento e alongamento no levantamento de peso que permanece desconhecida, especialmente para estabilidade e equilíbrio do levantador de peso durante a elevação. Um dos objetivos do estudo foi de entender as diferenças entre o aquecimento e rotinas de alongamento no CoP recursos durante exercícios de elevação diferentes. A amostra constou de 13 sujeitos que foram aleatoriamente designados a 10 minutos de rotina de alongamento (SR) ou a 10 minutos de aquecimento rotina(WR) e comparados com 5 controles (não há esticamento ou aquecimento). Antes e após a rotina atribuídos individualmente os participantes ” centro de pressão (CoP) foi avaliada através de sensores de pressão plantar. Os sujeitos foram medidos durante 10 repetições de ar squat sem carga, “como”), frente agachamento (FS; 20 kg/15 kg bar), sobrecarga squat OHS; m: 20 kg / f: 15 kg bar), e um exercício de elevação deadlift (“DL”; 20 kg/15 kg bar).            Após alongamento, o SR atletas mudada a média de CoP para a dedos enquanto o WR atletas deslocou o CoP para os calcanhares≈(1 cm; p < 0,01) durante como. Para os restantes exercícios, o SR atletas deslocou o CoP para os calcanhares comparado com WR (1,9 cm para o≈saltos no FS, nenhuma mudança significativa na OHS (≈1 mm) e DL≈(3 mm)). Os controles não mostraram nenhuma mudança. Após alongamento, o CV diminuiu para o como e SST exercícios mas aumentou após WR e não alterou significativamente (EGS). Tanto a WR e SR resultou em aumento de valores de CV para a FS e DL. Nenhuma alteração de CV foi observada em controles. SR teve um impacto mais forte sobre a CoP durante o avaliado exercícios do que quer ou controlos. WR reduziu na CV após exercícios SR (como, OHS), sugerindo uma clara melhoria na estabilidade e equilíbrio durante a elevação de peso. A falta de um efeito significativo para movimentos complexos (EGS) sugere apenas um efeito limitado de um 10 minutos de aquecimento de rotina no CoP recursos. Dez minutos de alongamento podem assim ser mais eficiente para melhorar a estabilidade do que um geral 10 minutos de aquecimento.

  1. Considerações Finais

Foram obtidos 2786 resultados através da busca com palavras chave, 15 artigos foram inclusos pois tinham correlação com o objetivo proposto ao estudo. 2771 artigos foram exclusos devido escassez de informações, os que tinha relação com animais, os que apresentavam envolvimento terapêutico e por não apresentarem critérios de elegibilidade. A principal característica limitante dos artigos encontrados foram pelos periódicos serem pagos.

Os estudos citados apresentaram limitações por existirem conflitos de opiniões sobre a realização do alongamento. Por isto, a sua eficiência não tem sustento teórico por alguns estudos. A comparação os estudos nesta área é dificultada devido a diversidade de protocolos.

Destarte, o que se referenda a maioria dos autores é que o exercício de alongamento pré treino pode causar déficit de força, provocando diminuição do desempenho muscular. Em contrapartida, o exercício de alongamento favorece a recuperação e previnem lesões. Porém, em um estudo com alguns atletas a flexibilidade excessiva pode desestabilizar as articulações. É sabido que para atividade esportivas a estabilidade articular é fundamental.

Alongar no pós treino é indicado para o relaxamento desta forma, promovendo o alívio muscular e não para melhorar a flexibilidade. Se o intuito for flexibilidade é preferível que se realize em um momento dissociado a um treino de força.

Diante dos expostos acima, não há um consenso literário sobre a prática de alongamento no pré e pós treino, com isto dificulta a utilização da técnica de forma correta. Novos estudos devem ser realizados para responder estas questões. Apesar de quanto maior a amostra, mais demorado e caro é o estudo se faz necessário para atingir um nível alvo.

REFERÊNCIAS

  1. SILVA, E. L. da; MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. ed. Florianópolis: UFSC, 2005. 138 p. Disponível em: <http://www.portaldeconhecimentos.org.br/index.php/por/content/view/full/10232>. Acesso em: 15 maio 2012.
  2. Benefield LE. Implementing evidence-based practice in home care. Home Healthc Nurse 2003 Dec; 21(12):804-11.
  3. Polit DF, Beck CT. Using research in evidence-based nursing practice. In: Polit DF, Beck CT, editors. Essentials of nursing research. Methods, appraisal and utilization. Philadelphia (USA): Lippincott Williams & Wilkins; 2006. p.457-94.
  4. Halbertsma JPK, Mulder I, Goeken LNH, Hof L, Eisma WH. Repeated Passive Stretching: Acute Effect on the Passive Muscle Moment and Extensibility of Short Hamstrings. Arch Phys Med Rehabil 1999;80:407-14.
  5. FIELDS, Karl B.; BURNWORTH, Craig M.; DELANEY Martha. Atletas devem alongar antes do exercício? In: Sport Science Exchange, jul/ago/set, 2008.
  6. Bealieu, JA: Developing a stretcing program. The physician and sportsmedicine 9:59, 1981.
  7. Hertling, D, and Kessler, RM: Introduction to manual therapy. In Hertling, D, and Kessler, RM: Management of common Musculoskeletal Disorderes, ed 3. Lippincott, Philadelphia, 1996, pp 112-132.
  8. Tomberlin, JP, and Saunderes, HD: Evaluantion, Treatment and Prevention of Musculoskeletal Disorderes (ed 2), The Saunderes Group, Chaska, MN 1994.
  9. Wilkinson, A: Stretching the trust. A review of the literature on muscle stretching. Austral J Physionther 38:283-287, 1992.
  10. Zarchazewski, JE: Improving flexibility. In Scully, RM, and Barnes, MR (eds): Physical Therapy.JB Lippingcott, Philadelphia, 1989, p 698.
  11. KISNER, C. ; COLBY, L. A. Exercícios Terapêuticos: fundamentos e técnicas. São Paulo: Manole, 2005.
  12. Knudson DV. Warm-up and Flexibility. In: Chandler TJ, Brown LE. Conditioning for Strength and Human Performance. Philadelphia, PA: Lippincott-Williams & Wilkins, 2008.
  13. GENARI, Patrícia Bressan. A importância dos alongamentos. Disponível em:http://www.faac.unesp.br/pesquisa/nos/mexa_se/alongamentos/imp_alongamentos.htm.Acesso em: 20/11/2008.
  14. Andersen JC (2005). Stretching before and after exercise: Effect on muscle soreness and injury risk. J Athl Train. 40(3):218–220.
  15. Hebert RD, Gabriel M (2002). Effects of stretching before and after exercising on muscle soreness and risk of injury: systematic review. BMJ. 325:468 70.
  16. Macauley D, Best TM (2002) Reducing risk of injury due to exercise: stretching before exercise does not help. BMJ. 325:451–2.
  17. Small K, Mc Naughton L, Matthews M. A systematic review into the effi cacy of static stretching as part of a warm-up for the prevention of exercise-related injury. Res Sports Med. 2008;16(3):213-231.
  18. Hall CM, Brod LT. Exercícios terapêuticos na busca da função. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
  19. Herbert R. The passive mechanical properties of muscle and their adaptations to altered patterns of use. Aust J Physiother 1988;34:141-9.
  20. HERNANDES JUNIOR, B. D. O. Treinamento desportivo. 2 ed. Rio de Janeiro: Sprint, 2002.
  21. Achour Jr A. Exercícios de Alongamento: Anatomia e Fisiologia. 2ª Ed. São Paulo: Manole, 2006
  22. Behm DG, Chaouachi A. A review of the acute effects of static and dynamic stretching on performance. Eur J Appl Physiol. 2011;111(11):2633-51.
  23. Marchetti PH, Arruda CC, Segamarchi LF, Soares EG, Ito DT, Luz Junior DA, et al. Exercicio supino: uma breve revisão sobre os aspectos biomecânicos. Braz J Sports Exerc Res. 2010;1(2):135-42.
  24. Marchetti PH, Silva FH, Soares EG, Serpa EP, Nardi PS, Vilela Gde B, et al. Upper limb static-stretching protocol decreases maximal concentric jump performance. J Sports Sci Med. 2014;13(4):945-50.
  25. ACHOUR JUNIOR, Abdallah.Exercícios de alongamento. Barueri: Manole, 2006.
  26. McHugh MP, Magnusson SP, Gleim GW, Nicholas JA. Viscoelastic stress relaxation in human skeletal muscle. Med Sci Sports Exerc. Dec 1992;24(12):1375-1382.
  27. Bandy WD, Irion JM. The effect of time on static stretch on the fl exibility of the hamstring muscles. Phys Ther. Sep 1994;74(9):845-850; discussion 850-842.
  28. Cipriani D, Abel B, Pirrwitz D. A comparison of two stretching protocols on hip range of motion: implications for total daily stretch duration. J Strength Cond Res. May 2003;17(2):274-278.
  29. Taylor DC, Dalton JD, Jr., Seaber AV, Garrett WE, Jr.Viscoelastic properties of muscle-tendon units. The biomechanical effects of stretching. Am J Sports Med. May-Jun 1990;18(3):300-309.
  30. PRENTICE WE. Técnicas de reabilitação em medicina esportiva. 3ª Ed. Manole, São Paulo, 2002.
  31. COELHO, LFS. O treino da flexibilidade muscular e o aumento da amplitude de movimento: uma revisão crítica da literatura. v. 4, n. 4, p. 59-70, 2008.
  32. Sady SP, Wartman M, Blanke D. Flexibility training: ballistic, static or proprioceptive neuromuscular facilitation? Arch Phys Med Reabil. 1982;63(6):261-3.
  33. Hall MC, Brody, TL. Exercícios terapêuticos: na busca da função. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2001.
  34. ALTER, Michael J. Alongamento para os esportes. São Paulo: Manole, 1999.
  35. BAGRICHEVSKY, Marcos. Os efeitos dos exercícios de alongamento mediados pela propriocepção: discussão conceitual sobre processos adaptativos. Disponível no site: http://www.boletimef.com.br. Acesso em: 20/11/2008.
  36. TOBIAS, Maxine; SULLIVAN, John Patrick. O livro de alongamento completo. São Paulo:Manole, 1998.
  37. Herbert RD, Gabriel M. Effects of stretching before and after exercising on muscle soreness and risk of injury: systematic review. BMJ. 2002;325(7362):468.
  38. Fowles JR, Sale DG, MacDougall M. Reduced strength after passive stretch of the human plantarflexores. J Appl Physiol 2000;89:1179-1188
  39. Avela, J.; Kyröläinen, H.; Komi, P.V.; Rama, D. Reduced reflex sensitivity persists several days after long-lasting stretch-shortening cycle exercise. J Appl Physiol. Vol. 86. Núm. 4. p.1292-1300. 1999.
  40. Behm DG, Kibele A. Effects of differing intensities of static stretching on jump performance. Eur J Appl Nov 2007;101(5):587-594.
  41. Lin J, Chen T. Diversity of strength training methods: A theoretical approach. J Strength Cond Res. 2012;34(2):42-9.
  42. Zatsiorsky VM, Kraemer WJ. Ciência e pratica do treinamento de forca. ed. Sao Paulo: Phorte Editora; 2008.
  43. Kisner, C., Colby, L.A., 2007. Therapeutic Exercise. Foundations and Techniques, fifth ed. Davis Company, Philadelphia.
  44. Paradisis, G.P., Pappas, P.T., Theodorou, A.S., Zacharogiannis, E.G., Skordilis, E.K., and Smirniotou, A.S. 2014. Effects of static and dynamic stretching on sprint and jump performance in boys and girls. J. Strength Res. 28: 154–160. doi:10.1519/JSC.0b013e318295d2fb. PMID:23591944.
  45. Power, K., Behm, D., Cahill, F., Carroll, M., and Young, W. 2004. An acute bout of static stretching: effects on force and jumping performance. Med. Sci. Sports Exerc. 36: 1389–1396. doi:10.1249/01.MSS.0000135775.51937.53. PMID:15292748.
  46. Young, W.B. 2007. The use of static stretching in warm-up for training and competition. Int. J. Sports Physiol. Perf. 2: 212–216. PMID:19124908.
  47. Young, W.B., and Behm, D.G. 2003. Effects of running, static stretching and practice jumps on explosive force production and jumping performance. J. Sports Med. Phys. Fit. 43: 21–27. PMID:12629458.
  48. Pearson A. Soccer: speed, agility and quickness for soccer (SAQ). London: A & C Black, 2001.
  49. Knudson D. Warm-up and flexibility. In: Chandler TJ, Brown LE, eds. Conditioning for strength and human performance. Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins, 2007: 166–181
  50. Batista, I M S, et al. Efeito agudo do alongamento estático sobre o desempenho na resistência de força em homens treinados: estudo piloto. São Paulo. v.9. n.51. p.17-23. Jan./Fev. 2015. ISSN 1981-9900.
  51. Bazett-Jones DM, Winchester JB, McBride JM. Effect of potentiation and stretching on maximal force, rate of force development, and range of motion. J Strength Cond Res 2005: 19: 421–426.
  52. Burkett LN, Phillips WT, Ziuraitis J. The best warm-up for the vertical jump in college-age athletic men. J Strength Cond Res 2005: 19: 673–676
  53. Cramer JT, Housh TJ, Weir JP, Johnson GO, Coburn JW, Beck TW. The acute effects of static stretching on peak torque, mean power output, electromyography, and mechanomyography. Eur J Appl Physiol 2005: 93: 530–539.
  54. Cramer JT, Housh TJ, Johnson GO, Weir JP, Beck TW, Coburn JW. An acute bout of static stretching does not affect maximal eccentric isokinetic peak torque, the joint angle at peak torque, mean power, electromyography, or mechanomyography. J Orthop Sports Phys Ther 2007b: 37: 130–139.
  55. Unick J, Kieffer HS, Cheesman W, Feeney A. The acute effects of static and ballistic stretching on vertical jump performance in trained women. J Strength Cond Res 2005: 19: 206–212.
  56. Little T, Williams AG. Effects of differential stretching protocols during warm-ups on high-speed motor capacities in professional soccer players. J Strength Cond Res 2006: 20: 203–207.
  57. McMillian DJ, Moore JH, Hatler BS, Taylor DC. Dynamic vs. static-stretching warm up: the effect on power and agility performance. J Strength Cond Res 2006: 20: 492–499.
  58. O’Connor DM, Crowe MJ, Spinks WL. Effects of static stretching on leg power during cycling. J Sports Med Phys Fitness 2006: 46: 52–56.
  59. Maisetti O, Sastre J, Lecompte J, Portero P. Differential effects of an acute bout of passive stretching on maximal voluntary torque and the rate of torque development of the calf muscle-tendon unit. Isokinetics Exerc Sci 2007: 15: 11–17.
  60. Kinser AM, Ramsey MW, O’Bryant HS, Ayres CA, Sands WA, Stone MH. Vibration and stretching effects on flexibility and explosive strength in young gymnasts. Med Sci Sports Exerc 2008: 40: 133–140
  61. Torres EM, Kraemer WJ, Vingren JL, Volek JS, Hatfield DL, Spiering BA, Ho JY, Fragala MS, Thomas GA, Anderson JM, Hakkinen K, Maresh CM. Effects of stretching on upper-body muscular performance. J Strength Cond Res 2008: 22: 1279–1285.
  62. Wallmann HW, Mercer JA, Landers MR. Surface electromyographic assessment of the effect of dynamic activity and dynamic activity with static stretching of the gastrocnemius on vertical jump performance. J Strength Cond Res 2008: 22: 787–793.
  63. Di Cagno A, Baldari C, Battaglia C, Gallotta MC, Videira M, Piazza M, Guidetti L. Preexercise static stretching effect on leaping performance in elite rhythmic gymnasts. J Strength Cond Res 2010: 24: 1995–2000.
  64. Haag SJ, Wright GA, Gillette CM, Greany JF. Effects of acute static stretching of the throwing shoulder on pitching performance of National Collegiate Athletic Association Division III baseball players. J Strength Cond Res 2010: 24: 452–457
  65. Handrakis JP, Southard VN, Abreu JM, Aloisa M, Doyen MR, Echevarria LM, Hwang H, Samuels C, Venegas SA, Douris PC. Static stretching does not impair performance in active middle-aged adults. J Strength Cond Res 2010: 24: 825–830.
  66. Molacek ZD, Conley DS, Evetovich TK, Hinnerichs KR. Effects of low- and high-volume stretching on bench press performance in collegiate football players. JStrength Cond Res 2010: 24: 711–716
  67. Murphy JR, Di Santo MC, Alkanani T, Behm DG. Aerobic activity before and following short-duration static stretching improves range of motion and performance vs. a traditional warm-up. Appl Physiol Nutr Metab 2010: 35: 679–690.
  68. Gonzalez-Rave JM, Machado L, Navarro-Valdivielso F, Vilas-Boas JP. Acute effects of heavy-load exercises, stretching exercises, and heavy-load plus stretching exercises on squat jump and countermovement jump performance. J Strength Cond Res 2009: 23: 472–479.
  69. Shrier I. Does stretching improve performance? A systematic and critical review of the literature. Clin J Sport Med. 2004;14(5):267-73.
  70. Shehab R, Mirabelli M, Gorenflo D, Fetters MD. Pre-exercise stretching and sports related injuries: knowledge, attitudes and practices. Clin J Sport Med. 2006;16(3):228-31.
  71. Brockett CL, Morgan DL, Proske u. Human hamstring muscles adapt to eccentric by changing optimum length. Med Sci Sports Exerc 2001;33:783-790.
  72. McHugh MP, Hogan DE. Effect of knee flexion angle on active joint stiffness. Acta Physiol Scand 2004;180:294-254.
  73. Franco, B.L.; Signorelli, G.R.; Trajano, G.S.; Oliveira, C.G. Acute effects of different stretching exercises on muscular endurance. Journal of Strength and Conditioning Research. Vol. 22, Num. 6. 2008. p. 1832–1837.
  74. Neto, A.G.; Manffra, E.F. Influência do volume de alongamento estático dos músculos isquiotibiais nas variavéis isocinéticas. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol. 15. Num. 2, 2009. p.104-109.
  75. Endlich, P.W.; Farina, G.R.; Dambroz, C.; Gonçalves, W.L.S.; Moysés, M.R.; Mill, J.G.; Abreu, G.R. Efeitos agudos do alongamento estático no desempenho da força dinâmica em homens jovens. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol.15. Num. 3. 2009. p.200-203.
  76. FIELDS, Karl B.; BURNWORTH, Craig M.; DELANEY Martha. Atletas devem alongar antes do exercício? In: Sport Science Exchange, jul/ago/set, 2008.
  77. GEOFFROY, Christophe. Alongamento para todos. São Paulo: Manole, 2001.
  78. ALTER, Michael J. Alongamento para os esportes. São Paulo: Manole, 1999.
  79. DANTAS, Estélio H. M. Flexibilidade: alongamento e flexionamento. Rio de Janeiro:Shape, 1995.

[1]Acadêmicas em Fisioterapia da União Metropolitana de Ensino e Cultura, Lauro de Freitas-BA, Brasil.

[2] Fisioterapeuta especialista em Neurofuncional – Pilates e Enfermeira. Especialista em Saúde do Trabalhador. Mestre em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social. Professora da UNIME, UNIJORGE, ESTÁCIO, UNIRB e FAMEC.

Se desejar, use os botões abaixo para compartilhar.

3 comentários em “OS EFEITOS DO ALONGAMENTO PRÉ E PÓS EXERCÍCIO FÍSICO: REVISÃO DA LITERATURA”

  1. MAYCON DANIEL SILVA RODRIGUES DE PAULA

    Bom dia, tudo bem?
    Meu nome e Maycon Daniel, sou estudante de Educação Física do 7º período, e gostaria de saber se, o artigo poderia ser enviado no email e formato PDF, pois fiquei muito interessado em citar ele no meu futuro TCC. Se possível retornar.
    Desde já agradeço

  2. Alisson Fuzetti

    Oi, sou estudante de fisioterapia do ultimo periodo da uftm, esse artigo nao foi publicado em base de dados?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.