O tratamento da dor pós-operatória

Verificam-se de forma constante sinais vitais como o pulso, pressão arterial, frequência respiratória e temperatura, porém muito constantemente a dor não é mensurada. Isso ocorre porque a sua avaliação é complexa, diferentemente do que ocorre com os demais sinais fisiológicos. Existem vários instrumentos validados de mensuração da dor, porém a subjetividade sempre “contamina” estas medidas.

Conforme o dr. Guilherme Barros, 1º tesoureiro da Saesp e professor assistente da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp), encontram-se, entre as queixas de pacientes no período pós-operatório mais comuns,  a presença da dor aguda, que se segue aos primeiros dias depois da cirurgia.

“Só pela avaliação de cada paciente é que se pode estabelecer o tratamento adequado deste tipo de dor, ressaltando que tal sofrimento que é conseqüente da dor também desencadeia implicações deletérias à evolução do paciente, com piora da morbi-mortalidade das mesmas”, explana.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece que a dor, de forma geral, é infelizmente subtratada no mundo inteiro. Na intenção de melhorar esta situação, uma recomendação da OMS orienta a escolha de analgésicos conforme a situação.

“Para tal, é utilizado como principal parâmetro a intensidade da dor: recomenda-se para as mais intensas o uso de opióides potentes, como a morfina; para dores de baixa intensidade são considerados os analgésicos não-opióides, como os antiinflamatórios não-esteróides”, explica dr. Guilherme.

A depender da intensidade, usa-se opióides potentes por via peridural – técnica bastante dominada pelos anestesiologistas e que resulta no melhor controle possível da dor pós-operatória de grande intensidade. Dr. Guilherme informa que entre estes analgésicos, a morfina ocupa lugar de destaque, “porém não se pode subestimar a importância do fentanil e de outros opióides”.
Segundo ele, a homeopatia também pode ser útil no controle da ansiedade que coexiste à presença da dor. Entretanto, há diversos empecilhos para o seu emprego, como a contra-indicação do uso concomitante da alopatia.

Efeitos
Dor também pode causar imobilidade e libera uma série de hormônios relacionados ao estresse. As consequências podem redundar no aumento da incidência de pneumonias – com maior dependência de métodos mecânicos de ventilação; maior ocorrência de infecções, além de um maior tempo necessário para o restabelecimento do trânsito intestinal – com náusea e vômito decorrentes.

“Por outro lado, entendo que uma das piores possíveis consequências da dor pós-operatória seja o estabelecimento da dor crônica, uma vez que esta é de difícil controle e prejudica efetivamente a qualidade de vida do paciente”, comenta.

Caso sejam administradas doses em demasia de opióides – embora o mais comum seja o emprego de subdoses e não sobredoses – os efeitos podem variar, desde a ocorrência de sonolência, náusea, vômito e retenção urinária, até a temida depressão respiratória, que pode ser procedida pela morte.
Panorama atual

Dr. Guilherme afirma que a medicina vem avançando de forma contínua no tratamento da dor, já que, com o tempo, os mecanismos pelos quais ela se estabelece são melhor compreendidos.
“Creio que um grande divisor de águas na história do tratamento das dores agudas ocorreu com a introdução à prática clínica da analgesia controlada pelo paciente”, assegura.
Analgesia eficaz

Para a aplicação de uma analgesia efetiva, devem ser levadas em consideração as características individuais de cada paciente, como porte cirúrgico, topografia da lesão, idade e história prévia com experiências da dor e uso de analgésicos.

“Vale lembrar que o sucesso do tratamento depende muito mais de uma equipe bem treinada e pronta para atender às necessidades do paciente do que de recursos caros e sofisticados”, finaliza o especialista.

 

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