O Tempo e o Vento na Fisioterapia…

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Faz tempo em que o que se diz eficaz não é tão novo assim, ou sua ideia inicial se apresenta em décadas passadas…

Lembro-me de que ao assumimos a chefia de uma nova seção de tratamento, esta especifica para traumatismos raque medulares, tudo era quase que empírico, uma vez que o que se conhecia aqui era que existia um centro de reabilitação na Inglaterra, onde além do excelente processo de tratamento de Fisioterapia havia também a prática de desporto e como grande atividade desportiva o basketball…

Na formação da equipe de Fisioterapeutas pouco havia de conhecimento nesta prática,

Correntes elétricas eram proibidas para a estimulação de contrações musculares em qualquer situações destes pacientes…

Métodos em neurologia eram poucos conhecidos e o valor de cada curso muitas vezes extrapolava a possibilidade de serem feitos…

O Kabat nos foi apresentado em 1974 pelo Dr. Julio, “Kinesiologo” argentino que vinha ao Brasil em cada época do ano de suas férias para nos ensinar…

O método de Gunther Smith, técnica de exercícios em suspensão era o mais utilizado e hoje, o Pilates se mostra igual em muitas de suas práticas…

Engraçado é que nenhum Fisioterapeuta gostava de ser comparado ou chamado de Massagista e este método foi idealizado por um massagista, maqueiro do exército alemão por volta de 1945…

Nosso aprendizado se tornava melhor com as aulas dadas por profissionais estrangeiros que para cá vinham e com extrema boa vontade nos mostravam o que, como, e porque fazer determinadas manobras de fisioterapia, dentre elas Uth alemã que nos mostrou o método de Klein que pouco se conhece até hoje pois foi muito mais divulgado oralmente do que por escritas este método é baseado nos reflexos sincinéticos com manobras na diagonal do movimento desejado… Também aprendemos muito com as fisioterapeutas Emily (americana) e Collete (Suíça) que eram membros da OMS…

Saudades das aulas da professora Dra. Suely Nogueira Marques que sempre foi capaz de acrescentar tantos outros exercícios em cinesioterapia e ou em mecanoterapia na reabilitação de amputados, trazendo-os para a realidade daquele momento… Lembrar também dos mestres Dr. Edgard Meireles Rodrigues, Dr Antônio Neme Khoury e Dr. Fernando Santos Oliveira, que assumiram as aulas na ERRJ quando uma pequena crise se fez presente.

O método dos Bobaths ainda era assim chamado e não como hoje método neuroevolutivo Bobath…

O engrama cerebral era exercitado pelas manobras de Maloney e se treinava coordenação pelo de Frankel..

Doman Delacato, oriundo do método Temple Fay, era somente usado nas APAEs e na clinica Nossa Senhora da Glória, por isso pouco conhecido mas muito criticado como um método agressivo para crianças com paralisia cerebral, como era conhecida a DCM ou EPCI, nomes que no fundo diz exatamente o que se negava por ser um termo profundamente pejorativo para os pais destas crianças…

Alguém lembra das manobras de Codmam, Willians, Caiet ou Riser? Quando Willians descreveu alguns exercícios em um livreto vendido em lugares pouco ortodoxo como super mercados, tinha a ideia primária de aliviar as dores de lombalgias e ou lombociatalgias para as senhoras donas de casa da sua cidade…

Estas manobras até hoje são utilizadas mas… somou-se a elas a ideia de Willans dinâmicos e estático…

Alguém se lembra de Troiser, Klap, Delorme, Mackenzie?

Há profissionais que saibam medir o ângulo de Coob? Há profissionais que sabem o que é ângulo Q e o que representa o arco de corda, quando se avalia quadrícipes?

Alguém é capaz de lembrar que o músculo não tem força, e o que ela representa na verdade e a velocidade de contração muscular em uma pratica de ação de contratibilidade e relaxamento do agonista em relação ao seu antagonista…

Alguém é capaz de lembrar que um músculo quando estirado, exercerá maior poder de contração do que quando se encontrava encurtado…

E a possibilidade de medir uma contração através do Teste Muscular Manual, atribuindo valores de 0 até 5 altamente subjetivo…

O tempo passa e cada vez mais técnicas, métodos e derivações nos são apresentados como novas, mas que bem lá no fundo são cópias quase que perfeitas do que já vivenciamos quando ser Fisioterapeuta era uma “briga” constante contra  um poder que nos queriam fazer meros executadores das prescrições que quase sempre vinham totalmente contrárias ao bom senso e a verdadeira necessidade de cada paciente e não da patologia que o mesmo era portador… Será que um paciente acamado em UTI é movimentado em suas articulações, que será de suma importância para evitar retrações musculares as vezes irredutíveis, ou que ativará a formação do engrama cerebral, possibilitando em futuro reestruturar as facilitações de uma deambulação… Será que ainda se sabe o que é um bloqueio dermogeno, desmogeno , artrogenico miogenico ou mesmo um neurogênico?

Ser Fisioterapeuta hoje é ser o profissional que avalia, reavalia, programa e executa os exercícios e as atividades na qual ele esta ligado como na prevenção, cura ou manutenção, mediante bases estabelecidas pela resolução 80 do COFFITO…

As especialidades e especializações nos tornaram membros de uma equipe multidisciplinar, na qual temos nossa voz e o respeito dos demais membros da equipe…

Embora, com todas as técnicas mais modernas continuamos a ter as bases de um profissional que venceu barreiras contra um autoritarismo profissional que até hoje muitas vezes se faz presente…

Somos hoje o que muitos plantaram e eu me incluo entre eles nas “brigas” desde um Diretório Acadêmico Fernando Lemos, contra o autoritarismo do então diretor da querida ERRJ (Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro) que não sabia corretamente o que naquelas três pequenas salas de aula estava formando um futuro promissor na nova profissão que se fazia nascer e reconhecida no dia 13 de Outubro de 1969 ( Decreto Lei nº 638…)

Que este pequeno comentário nos faça repensar no que somos hoje, sem esquecer do que fomos, nada é tão moderno que não tenha bases no que se diz passado e sem expressão no contexto da boa, eficaz e tradicional  FISIOTERAPIA

Dr. Edson Virginio Rodrigues

 

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