O que a pandemia nos ensinou?

Essa é uma pergunta que abre um leque de interpretações. Seu primeiro viés é temporal, já que neste caso o verbo “ensinar” não deveria ser julgado no passado, e sim no presente, pois a pandemia não acabou. Ela continua em curso em todo mundo. Aqui no Brasil caminhamos para uma queda de letalidade e contágio, no sentido de controlar o que seria teoricamente uma “primeira onda”. Que Deus queira que seja a única e se encerre definitivamente. Especialmente países europeus estão atualmente aumentando os cuidados por conta de uma elevação de casos, e para se prevenirem da situação crítica vivida no início de 2020, adotam medidas mais rígidas contra a disseminação do novo coronavírus.

Um segundo viés para a pergunta é de ordem coletiva. A pergunta poderia ser aplicada para mensurarmos esse eventual ensinamento causado pela pandemia a nós como sociedade ou individualmente. Uma questão delicada é que a pandemia nos impôs uma fragilidade global. Apesar de termos a possibilidade de mensuração de aprendizado individual e isolado, a necessidade é de preservação coletiva. Esse aspecto faz com que haja a necessidade de empenho individual no cumprimento das recomendações básicas para conter a disseminação do vírus. É exatamente aí que começamos a perceber que o aprendizado gerado pela pandemia pode ter uma quantidade significativa de lacunas que possam vir a comprometer o aprendizado coletivo.

As recomendações básicas conhecidas mundialmente passam por um tripé fundamental: Usar máscaras, lavar sempre as mãos e evitar aglomerações. Dessas três recomendações, parece que o quanto se higienizam as mãos, se torna um pouco mais difícil de se mensurar, pois depende de um olhar mais íntimo e pessoal. O uso de máscaras e a ocorrência de aglomerações são fatores que podem ser mais facilmente percebidos, seja pelas ruas, noticiários ou redes sociais. Vale ressaltar que esses aspectos tiveram, no geral, uma adesão inconstante tanto no Brasil quanto no mundo. Com percepção pessoal, noto que a adesão ao uso de máscaras foi razoável como um todo, porém poderia – e deveria – ser muito maior e melhor.

A máscara é um recurso de baixo custo que é um importante aliado em evitar a propagação da doença, assim como tentar conter uma maior carga viral de quem possa ser exposto à eventual contaminação. Passamos a conviver com um problema desde que seu uso se tornou obrigatório por força de lei e necessidade de momento, pois devido a não haver livre arbítrio sobre seu uso de forma geral, não deveria existir a opção em “não usar por não querer”. O próprio ser humano poderia estar abrindo mão de algo simples e que poderia tentar ajudar a contornar o atual problema de uma maneira menos traumática dentro do possível, em um cenário de hospitais sobrecarregados, pacientes lutando intensamente pela própria vida, equipes de saúde sob altíssima demanda, e pessoas lamentando a perda de entes queridos.

Quando temos uma necessidade urgente e coletiva, e uma vontade pessoal se põe acima de uma necessidade vital, devemos refletir de fato sobre o que essa pandemia nos ensinou. Sobre o aspecto pessoal, acredito e tenho certeza que muitos de nós aprendemos sim. Seja por medidas de higiene, cuidados de saúde, atenção com o próximo, empatia ou outros valores. A questão específica é que a necessidade de aprendizado é coletiva, e não individual, e como o entendimento e vontade pessoais podem ter se sobreposto à necessidade coletiva em algumas situações, concluo meu ponto de vista entendendo que coletivamente poderíamos ter tido ou estar tendo um aprendizado melhor como humanidade e sociedade.

Dedico esse texto a todos que infelizmente se foram, perderam entes queridos ou que travaram sua batalha para superar a agressão imposta pelo novo coronavírus. Meus agradecimentos a Deus e a todos que vibraram positivamente para que hoje eu siga me dedicando à minha profissão e pudesse ter escrito essa opinião. Que nenhuma vida mais seja perdida pela COVID-19 e que o vírus seja definitivamente erradicado.

Fernando Campbell Bordiak, professor do curso de graduação em Fisioterapia do IBMR.

1 comentário em “O que a pandemia nos ensinou?”

  1. Que texto, senhores. Parabéns pelas belas palavras. Que as pessoas entendam esse tripé fundamental e possam colocar mais em prática!!! Arrasou, Fera!!!

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