O papel da cinesioterapia na reabilitação de pacientes hospitalizados que se submeteram á Revascularização do miocárdio: Um estudo Bibliográfico

FACULDADE NOBRE – FAN

o papel da cinesioterapia na reabilitação de pacientes hospitalizados que se submeteram á revascularização do miocárdio: um estudo bibliográfico.

The role of the rehabilitation kinesiotherapy of hospitalized patients who underwent cabg: a study bibliogphic

FEIRA DE SANTANA-BA
2013.1

PÓS-GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA HOSPITALAR

o papel da cinesioterapia na reabilitação de pacientes hospitalizados que se submeteram á revascularização do miocárdio: um estudo bibliográfico

The role of the rehabilitation kinesiotherapy of hospitalized patients who underwent cabg: a study bibliogphic

Artigo apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia Hospitalar da Faculdade Nobre de Feira de Santana – FAN como requisito parcial para aprovação da disciplina Metodologia Científica.

FEIRA DESANTANA-BA
2013.1

o papel da cinesioterapia na reabilitação de pacientes hospitalizados que se submeteram á revascularização do miocárdio: um estudo bibliográfico.

1.LIMA;M.O. Bacharel em Fisioterapia pela UNIRB-BA, Pós-Graduação em Fisioterapia Hospitalar, Faculdade Nobre de Feira de Santana.
1 FLOR, A.L.S.V. Bacharel em Fisioterapia pela FAN-BA, Pós-Graduação em Fisioterapia Hospitalar, Faculdade Nobre de Feira de Santana.
2 SOUZA,M.P. Bacharel em Fisioterapia pela FAFIS-BA, Pós-Graduação em Traumato-Ortopédica pela Universidade Gama Filho, Pós-Graduação em Fisioterapia Hospitalar, Faculdade Nobre de Feira de Santana.
3.BONFIM,G.F.Biológo; Mestre em Biotecnologia-UEFS/FIOCRUZ,Pós-Graduação em Fisioterapia.

Resumo:
As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no mundo desenvolvido, e sua ocorrência tem aumentado de forma epidêmica nos países em desenvolvimento. Apesar das inúmeras alternativas para o tratamento da doença arterial coronariana; a cirurgia de revascularização do miocárdio é uma opção com indicações precisas de médio e longo prazo, com bons resultados. Pode proporcionar a remissão dos sintomas de angina e, também, contribui para o aumento da expectativa e melhora da qualidade de vida. Após o procedimento cirúrgico, o cardiologista estará solicitando a reabilitação cardíaca, onde o Fisioterapeuta assume grande importância neste estágio de recuperação, sendo assim a Cinesioterapia é uma das modalidades terapêuticas, que proporciona grandes benefícios aos pacientes que se submeteram a Revascularização do Miocárdio, como melhora no estado funcional, prevenção de deformidades articulares, acelera a saída do leito o que ajuda na deambulação precoce, além da diminuição do tempo de permanência hospitalar, melhorando a relação custos hospitalares e benefícios para o paciente. Neste sentido este estudo tem como objetivo apresentar o papel da cinesioterapia na reabilitação de pacientes hospitalizados que se submeteram á revascularização do miocárdio através de um estudo bibliográfico, sendo os artigos coletados em portais acadêmicos, como Scientific Eletronic Library Online- SCIELO, BIREME- Biblioteca Virtual em Saúde que reúne base de dados como LILACS e MEDLINE, Biblioteca Digital de teses e dissertações do IBCT e da USP, além de bibliotecas eletrônicas que abrangem uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros indexados com a abrangência temporal dos estudos definida entre os anos de 2000 a 2012.Entretanto com a literatura pesquisada considera-se que a Cinesioterapia, permite aos cardiopatas retornar, o quanto antes, à vida produtiva e ativa, a despeito de possíveis limitações impostas pelo seu processo patológico, pelo maior período de tempo possível. Além de restaurar, nesses pacientes, sua melhor condição fisiológica, social e laborativa; prevenir a progressão, ou reverter o processo aterosclerótico, nos pacientes coronariopatas.

Descritores: fisioterapia; cinesioterapia; revascularização do miocárdio; reabilitação e disfunções cinético-funcionais.

Abstract: Cardiovascular diseases are among the leading causes of death in the developed world, and its incidence has been increasing in epidemic form in developing countries. Despite numerous alternatives for the treatment of coronary artery disease, coronary artery bypass grafting is an option with precise medium and long term, with good results. Can provide remission of symptoms of angina and also contributes to the increased expectation and improved quality of life. After surgery, the cardiologist is calling for cardiac rehabilitation, where the physiotherapist is very important at this stage of recovery, so the Kinesiotherapy is one of the therapeutic modalities, providing great benefits to patients who underwent myocardial revascularization, as improvement in functional status, prevent joint deformities, accelerates the exit of the bed which helps in early ambulation, besides decreasing the length of hospital stay, improving hospital cost and patient benefits. In this sense, this study aims to present the role of kinesiotherapy rehabilitation inpatients who underwent CABG will through a bibliographical study, with articles collected from trusted sites, such as Scientific Electronic Library Online-SCIELO, BIREME-Virtual Library Health database that gathers as LILACS and MEDLINE, the Digital Library of theses and Dissertations of IBCT and USP, and electronic libraries covering a selected collection of Brazilian scientific journals indexed with the temporal scope of the studies defined between the years 2000 to 2012. However with the literature considers that the Cinesioterapia, enables cardiac return as soon as possible, to active and productive life, despite possible limitations imposed by their disease process, the longest period of time possible. In addition to restore, in these patients, its best condition physiological, social and productive working; prevent progression or reverse the atherosclerotic process in patients with coronary artery disease.

Keywords: physiotherapy; kinesiotherapy; rehabilitation and functional kinetic dysfunctions.

Introdução

A cirurgia cardíaca teve um desenvolvimento extraordinário nos últimos 40 anos, sendo hoje uma terapêutica com indicações precisas e que necessitam de cuidados intensivos, clínicos ou cirúrgicos (LIMA et al.,2011).
Cirurgia cardíaca pode ser definida como processo de restauração e restituição das capacidades vitais, compatíveis com a capacidade funcional do coração daqueles pacientes que já apresentaram previamente doenças cardíacas. É o processo pelo qual o paciente busca retorno ao bem-estar do ponto de vista físico, mental e social (LIMA et al.,2011).
Dentre os procedimentos operatórios, um dos mais frequentes é a revascularização do miocárdio (RM) sendo um procedimento estabelecido para tratar a doença arterial coronária avançada (LIMA et al.,2004).
Neste sentido a Fisioterapia é parte integrante no atendimento ao paciente que será submetido à RM, pois são pacientes com alto risco de complicações cinético-funcionais, devido ao tempo de internação prolongada, diminuição de amplitude de movimento das articulações além de atrofia muscular, contraturas articulares e úlceras por pressão. Outra preocupação são as complicações respiratórias que esses pacientes poderão vim a apresentar devido ao imobilismo prolongado no leito; onde ocorre uma redução do volume corrente, do volume minuto, da capacidade pulmonar total, da capacidade residual funcional, do volume residual e volume expiratório forçado. Todas essas funções estariam diminuindo de 25 a 50% no imobilismo (RIVOREDO et.al.,2011).
Os movimentos diafragmáticos e intercostais são diminuídos com a posterior perda da força muscular. A respiração fica mais superficial e a troca gasosa alveolar é reduzida com um aumento relativo de dióxido de carbono nos alvéolos, aumentando a frequência respiratória (RIVOREDO et al.,2011).
A eliminação das secreções é mais difícil pelo decúbito no leito, a região pulmonar que fica em contato com o leito, acumula mais secreções do que a região livre. A tosse é menos efetiva, somada á fraqueza dos músculos abdominais e função ciliar, diminuindo e predispondo o paciente a infecções respiratórias (pneumonias) e atelectasias (RIVOREDO et al.,2011).
A relação ventilação-perfusão (V/Q) pode mudar nas áreas dos pulmões que ficam em contato com o leito, com a ventilação insuficiente e perfusão excessiva ocorre SHUNT pulmonar e hipoxemia (RIVOREDO,et al,,2011).
Segundo a ASSOBRAFIR (Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva) a Fisioterapia auxilia na manutenção das funções vitais de diversos sistemas corporais, pois atua na prevenção e/ou no tratamento das doenças cardiopulmonares, circulatórias e musculares, reduzindo assim a chance de possíveis complicações clínicas.
Conforme o COFFITO (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), a Fisioterapia busca alcançar, através de metodologias e técnicas próprias baseadas na utilização terapêutica dos movimentos e dos fenômenos físicos, uma melhor qualidade de vida para o cidadão, frente às disfunções intercorrentes. As metodologias e as técnicas da Cinesioterapia são práticas próprias e exclusivas do profissional Fisioterapeuta, sendo sua indicação e sua utilização prática terapêutica própria, privativa e exclusiva.
Considerando o tema apresentado este estudo levanta o seguinte questionamento: Por que se faz necessário a Cinesioterapia em pacientes que se submetem a Revascularização do Miocárdio?
O Fisioterapeuta acompanha o paciente desde o pré-operatório, passando pelo pós-operatório imediato ao pós-operatório tardio, contribuindo para uma melhoria funcional, o mais rápido possível. Dentro desse contexto a cinesioterapia visa à reabilitação dos movimentos passivos e ativos tendo como objetivo, melhorar a funcionalidade do paciente, evitar a atrofia muscular, além de contraturas articulares, úlceras por pressão e alterações cinéticos-funcionais (CRUZ,2012).
Deste modo este estudo tem como objetivo apresentar os benefícios da Cinesioterapia em pacientes que se submeteram a Revascularização do Miocárdio, devido a grande relevância de pacientes que realizam este procedimento cirúrgico, assim a imobilidade, o descondicionamento físico e a fraqueza muscular acabam sendo problemas frequentes e que estão associados a maior incapacidade e a reabilitação prolongada (CRUZ,2012).
Este estudo busca contribuir na minimização das consequências geradas pela imobilidade no leito, decorrente do tempo prolongado da internação hospitalar, ajudando assim na prevenção de complicações osteomusculares e bem-estar físico e psicológico do paciente (CRUZ,2012).

Metodologia:

Trata-se de uma pesquisa exploratória; bibliográfica sistemática mediante o método descritivo que segundo Vergara (2003) expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno, podendo ainda estabelecer correlações entre variáveis e definir sua natureza.
Esta revisão bibliográfica sobre o papel da cinesioterapia na reabilitação de pacientes hospitalizados no pós-operatório de revascularização do miocárdio foi dividida em duas etapas; a primeira etapa constituiu na procura dos descritores no site Ciências da Saúde (http://decs.bvs.br). Depois foram estabelecidos dois critérios para refinar os resultados: a abrangência temporal dos estudos definida entre os anos de 2000 a 2011 e o idioma, textos em português e inglês.
Para a busca dos artigos, foi utilizado o cruzamento de descritores/ palavras-chave: fisioterapia; cinesioterapia; revascularização do miocárdio; reabilitação e disfunções cinético-funcionais.
Os dados foram coletados na internet através do Scientific Eletronic Library Online- SCIELO, BIREME- Biblioteca Virtual em Saúde que reúne base de dados como LILACS e MEDLINE, Biblioteca Digital de teses e dissertações do IBCT e da USP, além de bibliotecas eletrônicas que abrangem uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros indexados.
Outra estratégia adotada e não menos importante foi à busca manual de artigos por meio de autores ou de referência consideradas clássicas da literatura.
Deste modo optou-se pela realização de uma leitura prévia dos artigos encontrados para posterior descrição do assunto abordado, acreditando ser este modo, o melhor possível para oferecer subsídios para efetivação de uma leitura compreensiva dos artigos. Após esta leitura e descrição inicial, os textos foram classificados conforme a conveniência do assunto abordado.
Essa temática é de grande relevância científica, pois reúne à visão de vários autores em um único trabalho. No que se diz respeito à motivação pessoal a mesma partiu da prática hospitalar, onde tivemos a oportunidade de acompanhar uma paciente desde o pré-operatório ao pós-operatório de Revascularização do Miocárdio, e percebemos o quanto é importante realizar a cinesioterapia precoce, a fim de evitar complicações sistêmicas e possibilitar qualidade de vida o mais rápido possível a este paciente.

Considerações Teóricas

As doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte nos países desenvolvidos e sua ocorrência tem aumentado de forma epidêmica nos países em desenvolvimento. Estudos recentes confirmam essas previsões, demonstrando que nos dias atuais, trata-se da maior causa de morbidade e mortalidade em países industrializados da Europa e da América do Norte. No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 30% de todos os óbitos (LAMARI et al., 2005).
Lamari et al., (2005) complementa que a incidência de patologias cardiovasculares nos países desenvolvidos vem aumentando a cada ano, com 80% relacionadas à doença arterial coronariana, na qual na maioria das vezes, a cirurgia de revascularização do miocárdio se faz necessária.
A doença arterial coronariana (DAC), como é de conhecimento por décadas, tem seu risco associado a fatores predisponentes classicamente: Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), lipoproteína de baixa densidade (LDL), colesterol elevado, lipoproteína de alta densidade (HDL) colesterol reduzido, tabagismo, diabetes mellitus, obesidade, padrão androgênico; sedentarismo, história familiar, hipertrigliceridemia e estresse (TREVISAN, 2006).
Apesar das inúmeras alternativas para o tratamento da doença arterial coronariana, a revascularização do miocárdio é uma opção com indicações precisas de médio à longo prazo, com bons resultados, proporcionando a remissão dos sintomas de angina e contribuindo para o aumento da expectativa e melhoria da qualidade de vida dos pacientes com doença coronariana (LAMARI,2011).
Neste sentido a Reabilitação Cardíaca (RC) faz parte desse processo onde a Organização Mundial da Saúde define como sendo “o conjunto das intervenções necessárias para fornecer ao doente cardíaco uma condição física, psicológica e social tão elevada quanto possível, de forma que os doentes com patologia crônica ou pós-aguda possam, pelos seus próprios meios, preservar ou retomar o seu lugar na sociedade” (CRUZ,2012).
De acordo com Cruz (2012) a reabilitação cardíaca permite aos cardiopatas retornar, o quanto antes, à vida produtiva e ativa, a despeito de possíveis limitações impostas pelo seu processo patológico, pelo maior período de tempo possível. Além de restaurar, nesses pacientes, sua melhor condição fisiológica, social e laborativa; prevenir a progressão, ou reverter o processo aterosclerótico, nos pacientes coronariopatas; reduzir a morbimortalidade cardiovascular, ou seja, aumentar a quantidade e a qualidade de vida com relação a custo/efetividade conveniente.
No que se diz respeito às complicações pós-operatória, a literatura pesquisada aponta as alterações que se seguem após alta hospitalar, como descondicionamento físico, atrofia e fraqueza muscular e menor capacidade aeróbia máxima, decorrentes em parte da inatividade pré-operatória, das mudanças hemodinâmicas, metabólicas, miocárdicas, vasculares e psicológicas (LAMARI,2006).
Conforme López (2002) um dos efeitos de uma imobilização é as contraturas, podendo envolver os músculos e outros tecidos moles que rodeiam a articulação, provocando atrofia e incompetência funcional pelo desuso. Este efeito não é apenas a redução do tamanho do músculo, mas também redução no movimento funcional, alongamento, resistência e coordenação.
Devido à restrição no leito o paciente também pode vim a desenvolver um descondicionamento cardíaco. A reabilitação cardíaca é importante nessa fase e pode reduzir os efeitos nocivos do desconhecimento cardíaco e ajudar o paciente a enfrentar as fases subseqüentes com confiança. Entretanto, ocorre um aumento do consumo de oxigênio por aumentar a freqüência cardíaca e o débito cardíaco (MIYAKE et al., 2000).
A Fisioterapia tem sido considerada um componente fundamental na reabilitação de pacientes cirúrgicos cardiovasculares com o intuito de melhorar o condicionamento cardiovascular e evitar ocorrências tromboembólicas e posturas antálgicas, oferecendo maior independência física e segurança para alta hospitalar e posterior recuperação das atividades de vida diária; sendo assim os indivíduos que participaram destes programas obtiveram diminuição de 75% das mortes no primeiro ano pós-revascularização do miocárdio (LAMARI,2006).
Portanto, como a Reabilitação Cardíaca integra uma equipe multidisciplinar, o papel específico do Fisioterapeuta, está relacionado com o componente funcional do paciente e baseado no esquema de reabilitação individual. O Fisioterapeuta atua na análise das capacidades e limitações do paciente, identificação de seus fatores de risco, orientação sobre os objetivos e os benefícios da Fisioterapia; com objetivo principal de influenciar as capacidades cardiorrespiratórias e de mobilidade, de modo a aumentar a tolerância ao exercício, otimizar a participação na vida social, e melhorar a qualidade de vida (SILVA,2012).
Todavia os programas de Reabilitação Cardíaca são habitualmente divididos em 3 fases: Intra-hospitalar (Fase 1): programa que fornece serviços de prevenção e reabilitação a doentes hospitalizados, após evento coronário agudo (durante o internamento, iniciado o mais precocemente possível, a partir das 12-24 horas; Extra-hospitalar precoce (Fase 2): programa que fornece a curto-médio prazo serviços de prevenção e reabilitação a doentes em meio extra-hospitalar, precocemente, após evento cardiovascular, geralmente nos primeiros 3-6 meses após evento, mas estendendo-se até 1 ano após evento, quando necessário; Extra-hospitalar a longo prazo (Fases 3 e 4): programa que fornece a longo prazo serviços de prevenção e reabilitação para doentes em meio extra hospitalar, após 1 ano (ABREU,2009).
Dentre os possíveis benefícios da prática sistemática da reabilitação cardíaca estão: melhora da função endotelial com subseqüente vasodilatação coronariana; aumento na variabilidade da freqüência cardíaca e um padrão autonômico mais fisiológico, menor demanda miocárdica de oxigênio, desenvolvimento de circulações colaterais, melhora no perfil lipídico além de interferir nos marcadores inflamatórios e nos fatores de coagulação, porém estes benefícios ocorre na fase ambulatorial, ou seja na fase II de reabilitação cardíaca (ARAÚJO,2006).
No que se diz respeito às técnicas utilizadas o tratamento Fisioterapêutico na fase hospitalar baseiam-se em procedimentos simples, como exercícios metabólicos de extremidades, para diminuir o edema e aumentar a circulação; técnicas de tosse efetiva para eliminar obstruções respiratórias e manter os pulmões limpos; cinesioterapia ativa para manter a amplitude de movimento e elasticidade mecânica dos músculos envolvidos; treino de marcha em superfície plana e com degraus, entre outras atividades, uma vez que a mobilização precoce dos pacientes após cirurgia cardíaca demonstra reduzir os efeitos prejudiciais do repouso prolongado no leito, aumenta a autoconfiança do paciente e diminui o custo e a permanência hospitalar (SARMENTO, 2010).
A Cinesioterapia é uma das técnicas utilizadas pelo Fisioterapeuta que possui grande relevância na melhora do estado funcional aos pacientes que realizaram à RM (Revascularização do Miocárdio). A Cinesioterapia passiva além de reduzir os efeitos prejudiciais do repouso no leito, maximiza a velocidade em que as atividades habituais podem ser reassumidas (LAMARI,2006).
Porém para que o Fisioterapeuta possa estar realizando a prescrição da Cinesioterapia é necessário realizar a avaliação física do estado geral e funcional do paciente, inicialmente contendo a história pregressa. Entre os tópicos que devem ser abordados encontra-se a determinação de fatores de risco como tabagismo, história familiar de doença coronariana, diabetes, obesidade mórbida, dislipidemia, insuficiência renal, hipertensão arterial sistêmica, acidente vascular cerebral, doença obstrutiva crônica, idade e sexo. Informações de intervenções cardiovasculares prévias, cirúrgicas ou não cirúrgicas, também devem ser coletadas (UMEDA,2005).
Além dos antecedentes, o exame físico também deve ser realizado. Na avaliação músculo-esquelética é importante observar se há presença de deformidades, limitações articulares, de marcha, de força muscular ou postura (cifose, escoliose e inclinação anterior), pois adaptações e modificações no programa de reabilitação podem ser necessárias. A avaliação da cor da pele, do tônus cutâneo, e a palpação de pulso femoral e periférico podem fornecer indícios de resposta circulatória insuficiente, uma vez que grande parte dos pacientes com doenças coronarianas apresenta doença vascular periférica concomitante (PULZ, 2006).
Durante o exame físico também devem ser coletados dados referentes ao peso, altura, índice de massa corpórea (IMC), diâmetro da circunferência abdominal e presença de edema. Uma avaliação diária da pressão arterial, da frequência cardíaca, da concentração sérica de lípides, como HDL (Lipoproteína de Alta Densidade), LDL (Lipoproteína de Baixa Densidade) VLDL, (Lipoproteína de Muito Baixa Densidade), e da glicemia também são de suma importância para averiguar e acompanhar a eficiência da cinesioterapia associado ao treinamento físico (UMEDA,2005).
O Fisioterapeuta deverá também realizar testes e aplicar instrumentos de medida que lhe permitirão estabelecer parâmetros de comparação, o seu diagnóstico e prognóstico funcional. Alguns dos parâmetros que poderão ser avaliados são: sinais vitais e saturação de oxigênio, sinais de dificuldade respiratória (através de observação e aplicação da Escala de Borg), ventilação, sons pulmonares (através da auscultação) eficácia da tosse, função pulmonar (através de espirometria) localização e intensidade da dor e presença de disfunções neuro-musculo-esqueléticas principalmente em pacientes submetidos à cirurgia; Escala visual Análoga – EVA, goniometria e Escala de Glasgow) (SILVA, 2007).
Após á avaliação é iniciada à cinesioterapia passiva realizada no leito com ajuda do Fisioterapeuta em seguida, o paciente tende a evoluir para os exercícios ativos onde se deve privilegiar o uso de grandes grupos musculares escolhendo-se atividades que possam ser mantidas por período de tempo prolongado, de forma rítmica. Nesse grupo de exercícios enquadra-se atividades como caminhada, corrida, ciclismo (PULZ,2006).
Outra modalidade dentro da prescrição terapêutica são os exercícios resistidos (ER) sendo seguro em diversas populações. Assim, o ER é considerado como componente primordial para a melhora da aptidão física, inclusive de cardíacos (CAMARA et al.,2010).
Camara et al.,2010 complementa que dentre as recomendações sobre a prescrição de ER para portadores de cardiopatias, as diretrizes internacionais apontam condutas semelhantes àquelas observadas para pessoas “saudáveis”. A American Heart Association (AHA, 2007), em posicionamento oficial, descreve a recomendação básica de ER para cardiopatas, que se sumariza na realização de oito a dez exercícios, com uma série de dez a quinze repetições, duas a três vezes semanais, diretriz que não difere em demasia com relação a populações adultas não enfermas. Porém os estudos têm demonstrado, outras variáveis inerentes do ER devem ser incluídas na análise e programação de exercício. Dentre estas, a amplitude de movimento, o tipo de ação muscular, o volume do grupo muscular envolvido, o tempo de intervalo entre as séries, o número de séries e a relação sobrecarga-número de repetições, podem influir diretamente na resposta cardiovascular e, assim, devem ser consideradas na prescrição dessa modalidade (CAMARA et al.,2010).
Entretanto a Cinesioterapia se faz necessário visto que o sistema osteomuscular é o mais acometido pelo imobilismo no leito podendo levar a atrofia muscular e descondicionamento além de contraturas, osteoporose e osteopenia; deterioração articular e deformidades (FERNANDES, 2003).
Ocorre ainda redução da reserva de glicogênio muscular, proliferação do tecido conjuntivo intramuscular, alteração do número de sarcômeros em série e diminuição da força muscular Cancelliero et.al (2005); podendo envolver outros tecidos moles que envolvem a articulação, provocando atrofia articular e incompetência funcional pelo desuso (SILVA et al., 2008).
Outra situação bastante relevante é a segurança que se deve ter nos programas de reabilitação cardíaca; conforme Dias (2007) o índice de complicações durante programas de reabilitação cardíaca é baixo. Um estudo realizado com 51.303 pacientes, evidenciou uma frequência de paradas cardíacas de 01 para 111.996 participantes hora/aula.
Cabe ressaltar a importância do treinamento dos profissionais da saúde envolvidos em programa de reabilitação, quanto ás manobras de reanimação cardíaca (suporte básico de vida) disponibilidade de material para atendimento de emergência e, acima de tudo, prévia avaliação médica, preferencialmente por médico cardiologista, liberando o paciente para a prática de atividades físicas (DIAS, 2007).
Diante do exposto pode-se perceber que a Cinesioterapia é uma abordagem motora que apresenta grande importância e que deve ser realizada pelo Fisioterapeuta no âmbito hospitalar; onde proporciona grandes benefícios como à melhora no estado funcional, saída do leito e deambulação precoce, além da diminuição do tempo de permanência hospitalar, melhorando a relação custos hospitalares e benefícios para o paciente (CHRISTOFOLETTI, 2012).

Considerações Finais

Considera-se de fundamental importância a realização da Cinesioterapia aos pacientes que se submeteram a revascularização do miocárdio, porém, verifica-se a necessidade de novos estudos que enfoquem essa temática. A Cinesioterapia pode ser realizada passivamente, ativamente e os estudos também evidenciaram a eficácia dos exercícios resistidos proporcionando um bom condicionamento cardiovascular. Visto que os benefícios são, menor tempo de internação no leito o que diminui os custos hospitalares, melhora das capacidades e volumes pulmonares e melhor condicionamento músculo-esquelético.
O Fisioterapeuta deve estar atento às fases de Reabilitação Cardíaca para a prescrição da Cinesioterapia, visto que é uma das modalidades terapêuticas que proporciona grandes benefícios ao paciente.
Neste sentido a Reabilitação Cardíaca, permite aos cardiopatas retornar, o quanto antes, à vida produtiva e ativa, a despeito de possíveis limitações impostas pelo seu processo patológico, pelo maior período de tempo possível. Além de restaurar, nesses pacientes, sua melhor condição fisiológica, social e laborativa; prevenir a progressão, ou reverter o processo aterosclerótico, nos pacientes coronariopatas; reduzir a morbimortalidade cardiovascular, ou seja, aumentar a quantidade e a qualidade de vida com relação a custo/efetividade conveniente.

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VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2003.

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