O grupo liderado pelo prof. Dr. Thiago Fukuda, estabeleceu um protocolo de fisioterapia que analisa o movimento da corrida

SILVIA HERRERA

06 Agosto 2017 | 10h10

O grupo de joelho e quadril da Santa Casa de São Paulo, liderado pelo professor doutor Thiago Fukuda, estabeleceu um protocolo de fisioterapia que analisa o movimento da corrida de forma minuciosa, utilizando recursos tecnológicos, para identificar possíveis causas de dor,  prevenir lesões e melhorar a performance de corredor, independentemente do nível técnico dele. #corridaparatodos

O maratonista Robson Luís dos Santos, por exemplo, estava com uma dor muito forte no calcanhar de Aquiles que o impedia de treinar. Começou a sentir o calcanhar durante o treino em fevereiro. A dor era tamanha que ele mancava para andar.  Os amigos da academia sugeriram que ele procurasse um fisioterapeuta. Ele foi até o Instituto Trata, em Guarulhos, fez a avaliação cinemática 2D. Depois do exame os fisioterapeutas identificaram que o problema estava no quadril e refletia no calcanhar de Aquiles. Elaboram um tratamento de fisioterapia esportiva e até orientaram a planilha de treinos de fortalecimento muscular da academia.

“O teste é muito útil e bem legal de fazer”, diz o maratonista. Depois da avaliação, na saída da terceira sessão da fisioterapia ele já conseguia caminhar sem dor. Hoje, seis meses depois, ele consegue correr 8K direto com pace 5:30 sem nenhuma dor. “Agora nem preciso mais fazer gelo”, destaca. A meta dele agora é correr uma meia maratona em novembro, vai começar a treinar para isso em breve. Robson corre há oito anos e sentiu muita falta da corrida nesses meses de recuperação. Quem o incentivou a começar a correr foi o atleta Roberto Casemiro, vizinho dele.

Esta avaliação dos membros inferiores é feita através de tecnologia avançada, utilizando um software, que permite analisar como os ossos e os músculos estão organizados na reação à gravidade e às forças atuantes no corpo humano. O foco deste trabalho se concentra no alinhamento biomecânico dos membros inferiores com o objetivo final de melhora do quadro do paciente e de uma maior qualidade de vida de forma não invasiva.

Rápido e indolor

Já tinha ouvido falar desse protocolo, que em alguns casos recupera lesões sem ter que operar, e fui conferir de perto. Eles fazem uma análise digital computadorizada da biomecânica do movimento da corrida. O processo dura em torno de 45 minutos e não dói nada. Fui atendida pelos fisioterapeutas Bernardo Sampaio e Raquel Silveiro, ambos responsáveis pelo tratamento de Robson.

Bernardo é diretor clínico da Unidade de Guarulhos do ITC Vertebral e do Instituto Trata. É também diretor regional da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABR Coluna). Com experiência em fisioterapia ortopédica, traumatologia e esporte, possui especialização em fisioterapia músculo esquelética, aprimoramento em membro superior e oncologia ortopédica pela Santa Casa de São Paulo.

No bate papo inicial, avaliação clínica, perguntam qual seu objetivo, seu histórico de corrida, se apresenta algum tipo de dor, lesões anteriores etc. Depois você troca de roupa, como no teste ergométrico. Por isso vá de top, shorts e tênis. O shorts não pode ter listras laterais nem elementos que reflitam a luz, o tênis também não deve ter elementos que reflitam a luz.  Ah, quem tem cabelo comprido deve fazer um coque.

Em seguida são coladas em pontos estratégicos do seu corpo pequenas esferas refletoras e começa a avaliação. Primeiro um agachamento no step, depois vem a esteira – caminhada e um trote a 7k/h de dois minutinhos, em duas posições distintas. Muito interessante mesmo se ver correndo de perfil e de costas, enxergar a própria biomecânica faz uma diferença danada.

Durante o exame me contaram que meu padrão de pisada é antepé-retopé – ou seja não aterrisso primeiro com o calcanhar, mas com a parte da frente do pé, explicaram até que tênis de corrida é o mais apropriado para mim. Observaram que corro com a coluna retinha, zero grau de inclinação, o que exige mais do meu quadríceps e pode gerar futuras lesões no quadril. Nunca iria imaginar isso. Explicaram que nosso corpo é sábio e arruma estratégias para proteger partes com dor, no meu caso o joelho esquerdo, que já passou por duas cirurgias e escapou da terceira. Sai de lá com um laudo, com conclusão e sugestão de tratamento preventivo de fisioterapia para eu poder voltar a correr com tudo, em breve, e livre de leões. #paciência

Fonte: http://esportes.estadao.com.br

Veja como é feita a avaliação cinemática no vídeo abaixo

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