Nova prova pode indicar as causas do acidente que matou Fisioterapeuta

Fonte: jornaldebrasilia.com.br

Uma nova prova pode ajudar nas investigações do acidente que matou um ciclista de 25 no último sábado. Na manhã de ontem, a câmera que a vítima carregava para filmar a trilha foi encontrada pelos amigos e familiares no local onde o fisioterapeuta Eric Bona Bezerra foi atropelado, próximo ao Jardim Botânico. O equipamento, que não foi localizado pela perícia da Polícia Civil no dia, foi achado durante um ato em homenagem ao esportista.

“Acreditamos que a câmera voou com o impacto da batida. A perícia nem sabia da existência dela. Eu mesmo fiquei sabendo depois. Comecei a procurar, mas a grama estava alta. Hoje (ontem), o local já estava limpo e foi mais fácil”, conta um tio do ciclista. Até o fechamento desta edição, a família ainda não havia entregado a filmadora à polícia. “A gente não sabe se a câmera estava gravando no momento do acidente ou se ele só filmou a trilha”, completa o tio.

“ACREDITAMOS QUE A CÂMERA VOOU COM O IMPACTO DA BATIDA.
A PERÍCIA NEM SABIA
DA EXISTÊNCIA DELA.
EU MESMO FIQUEI SABENDO DEPOIS”.
TIO DA VÍTIMA

Outro conhecido da vítima, no entanto, questionou a perícia. No Facebook, inclusive, algumas postagens sobre o assunto foram publicadas. “É uma prova crucial que estava faltando. Como cidadão, acredito que o trabalho podia ter sido mais detalhado”, declara. Aos 43 anos e também ciclista, ele conta que se sente inseguro ao sair de casa para pedalar. “Antes, eu tinha medo de ser roubado. Agora, tenho medo de morrer. O problema é que esse é o meu esporte, preciso pedalar na rua”, acrescenta ele, que pede mais campanhas educativas.

Saiba mais

  • A Ford Ranger branca que atingiu Eric, com placa de São Paulo, era conduzida por Renato Luis Casella Vettorato Júnior, 37 anos. Aos policiais, ele disse que dirigia no limite da velocidade da via quando, “de forma repentina”, o ciclista teria saltado o canteiro central e cruzado na frente do veículo, sem tempo de frear. Ele negou consumo de álcool e solicitou um teste do bafômetro. Mas a equipe do Batalhão de Trânsito  não pôde fazer o atendimento naquele momento. O homem foi encaminhado ao Instituto Médico Legal. A 1ª DP (Asa Sul) investiga o caso.

“É preciso mais fiscalização com os motoristas embriagados”, ressalta o amigo de Eric Bona. Ele ainda lamenta o fato de o colega ter morrido em uma ciclofaixa considerada segura. “O atropelamento aconteceu em um local bem sinalizado, apesar da falta de barreiras eletrônicas e pardais”, finaliza.

O JBr. procurou a Polícia Civil, mas, até o fechamento desta edição, não houve resposta sobre as investigações do caso e a maneira como a perícia foi feita no local.

Muitas orações por Eric

O pedal em homenagem à vítima, realizado a partir das 10h de ontem, contou com cerca de 150 ciclistas, segundo a família do fisioterapeuta. Logo cedo, o grupo saiu da QI 1 do Lago Sul em direção ao Jardim Botânico, onde aconteceu o acidente. No fim do percurso, eles rezaram e aproveitaram para se despedir do amigo mais uma vez.

Nascida em Brasília, a vítima foi enterrada na segunda-feira, no Cemitério Campo da Esperança. Ele era solteiro, morava no Guará II e trabalhava em uma clínica no Lago Sul.

O acidente

No último sábado, Eric Bona Bezerra foi atropelado por uma caminhonete enquanto pedalava, por volta das 12h30. Ele chegou a receber socorro ainda na ciclofaixa do Setor de Mansões Dom Bosco (SMDB), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

O fisioterapeuta sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi reanimado após 45 minutos de massagem cardíaca. Já estabilizado, foi levado ao Hospital de Base de Brasília (HBB) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) com traumatismo cranioencefálico e faleceu por volta das 15h.

Agora, a família procura por testemunhas. “Soubemos que as pessoas foram embora após o acidente. Precisamos de alguém que tenha visto para ajudar nas investigações e elucidar de quem foi a culpa. Temos que saber se foi alta velocidade ou negligência do meu filho”, disse, ao Jornal de Brasília, o comerciante Celmo Bezerra Soares, 53, no dia seguinte ao acidente.

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