Notas Avulsas

– Proferindo palestra em uma faculdade particular, falei de um tema que não estava na relação dos tópicos a abordar. O convite era para tratar da História e Organização Profissional da Fisioterapia; um momento de abstração e enveredei por outro assunto, relativo ao valor pago mensalmente pelos alunos e a contrapartida oferecida pelo mercado de trabalho, quando concluíssem o curso. Ora; desde sempre, a remuneração do Fisioterapeuta nunca foi justa.
Mostrar isso para os alunos causou impacto momentâneo; logo superado, quando foram alertados para a necessidade de serem empreendedores, de montarem seus próprios negócios – Consultórios, Clínicas -, fugindo assim da amarga procura por emprego. Voltei em seguida para o assunto inicialmente proposto. Hoje percebo que aquela abstração talvez tenha sido a parte mais importante da palestra.
Desconheço se em outras regiões do País é assim; mas no Nordeste e no meu Recife, não tem jeito. Vez por outra os pacientes em atendimento fisioterapêutico usam palavras e expressões populares somente encontradas no Dicionário de Tomé Cabral¹ ou no Google. Um linguajar típico das pessoas vindas do interior ou dos arrabaldes distantes; tendo como significado um determinado aspecto da cultura regional, a ponto de ter sido elaborado um dicionário específico para interpretá-lo. Alguns exemplos: ” Baticum no peito” (Taquicardia – Frequência cardíaca alta ou irregular); “Cacunda”  (Corcunda – Cifose); “Espinhela Caída” (Anormalidade do Apêndice Xifoide); “Esse menino é cangalha” ( Genu Varo); “Estou com uma dor no osso do mucumbu” (Coccigodinia); “Olha esse calombo no meu braço” (Inchaço ou tumor duro).
A Estimulação Precoce é preconizada em Protocolo emitido pelo Ministério da Saúde para os recentes casos de Microcefalia, visando à maximização do potencial de cada criança. Isso faz retroagir aos anos 1960 quando a epidemia de Poliomielite, doença infectocontagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito, assolou o Brasil. Naqueles anos os Fisioterapeutas desempenharam importante papel no processo de reabilitação das pessoas afetadas. Anos depois passaram a tratar da Síndrome pós-pólio que é  um conjunto de sinais e sintomas incapacitantes que afetam algumas pessoas vários anos após a poliomielite.
O passado consolidou a capacidade técnico-científica dos Fisioterapeutas no atendimento em afecções neurológicas, estando aptos a tratar pacientes acometidos, tanto da Síndrome de Guillain-Barré (Polirradiculoneurite aguda) quanto os que apresentarem sequelas decorrentes da Microcefalia². Mesmo sem a confirmação da correlação entre o vírus Zica e os atuais casos de Microcefalia no país, o papel da sociedade e das autoridades de saúde nessa atual situação é combater, sem trégua, o Mosquito Aedes Aegypti.
Referências:
¹ Cabral, Tomé – Novo Dicionário de termos e expressões populares. Fortaleza: Edições da Universidade Federal do Ceará, 1982 
²  Portal da Saúde – Microcefalia | Mosquito Aedes Aegypti
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