Modelo matou fisioterapeuta com golpe de jiu-jítsu

Suspeito disse em depoimento que matou após ter consumido drogas.
Fisioterapeuta e carnavalesco foi encontrado morto sem roupas em Macapá.

Um modelo de 21 anos foi preso no início da tarde desta segunda-feira (1º) suspeito de assassinar o fisioterapeuta e carnavalesco Francisco das Chagas Pereira, de 48 anos, desaparecido desde sábado (30) e encontrado morto sem roupas por volta de 10h desta segunda, em uma área de mata próxima ao residencial Alphaville, no distrito de Fazendinha, distante 9 quilômetros de Macapá.

Com o suspeito, a polícia encontrou um televisor que teria sido roubado da vítima.

O jovem confessou o crime alegando estar sob efeito de cocaína, informou o delegado Ronaldo Coelho, da Delegacia Especializada de Crimes Contra a Pessoa (Decipe).

Francisco das Chagas Pereira, de 48 anos (Foto: Reprodução/Whatsapp)
Francisco das Chagas Pereira, de 48 anos (Foto: Reprodução/Whatsapp)

O corpo do fisioterapeuta foi encontrado com uma lesão e sangue na cabeça, além de estar com uma toalha enrolada no pescoço.

“Segundo ele a morte foi de ímpeto, ele consumiu drogas e teria tentado um relacionamento com a vítima. Ficou chateado na hora e acabou matando. Ele disse que não sabe o que aconteceu, alegou que ouviu vozes, se aborreceu e matou. O modelo conhecia a vítima de festas, alegou que foi momentâneo e sem querer”, detalhou Coelho, acrescentando que o fisioterapeuta teria sido sufocado com um golpe de jiu-jítsu chamado de “mata-leão”.

Nas redes sociais, o suspeito compartilhava fotos dos concursos de beleza que já participou.

A investigação apontou que eles se conheciam há alguns meses, mas ainda não tem informações sobre algum relacionamento afetivo.

A polícia informou que chegou até o modelo após informações de que ele estaria envolvido no caso.

A prisão aconteceu na casa dele.

Televisor do fisioterapeuta foi encontrado na casa do suspeito (Foto: John Pacheco/G1)
Televisor do fisioterapeuta foi encontrado na casa do suspeito (Foto: John Pacheco/G1)

Amigos de Chagas, como era conhecido, informaram que ele desapareceu na noite de sábado enquanto preparavam o projeto de carnaval da escola Maracatu da Favela, da qual era carnavalesco.

Ele também atuava no hospital São Camilo e era servidor do Ministério Público do Amapá (MP-AP).

“Não terminamos o trabalho no sábado [30] e ficamos de terminar no domingo [31].

Vi de madrugada que ele saiu de todos os grupos de Whatsapp e não atendia as ligações.

Me preocupei e fui na casa dele, estava trancada.

A central de ar estava ligada e o carro não estava na garagem”, relatou Sandro Macapá, um dos carnavalescos da Maracatu.

O delegado acrescentou que a morte aconteceu na madrugada de domingo, e que o suspeito chegou a ir em festas com o carro da vítima.

O veículo foi encontrado ainda na tarde de domingo abandonado próximo a escola Deuzuite Cavalcante, no bairro Perpétuo Socorro, na Zona Oeste.

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Modelo será indiciado por homicídio em morte de fisioterapeuta, diz polícia

Delegado que investiga o caso descartou crime de latrocínio.
Investigação trabalha crime ocorrido em Macapá como passional.

O modelo Sérgio Luiz Ribeiro da Silva, de 21 anos, que confessou em depoimento ter matado o fisioterapeuta e carnavalesco Francisco Chagas, de 48 anos, será indiciado por homicídio qualificado, informou a Delegacia de Investigação de Crimes Contra a Pessoa (Decipe) nesta terça-feira (2). O suspeito foi transferido na noite de segunda-feira (1º) para o Instituto de Admininstração Penitenciária do Amapá (Iapen), em Macapá.

“Ele fez exames na Polícia Técnico-Científica (Politec) e depois foi encaminhado para penitenciária após a Justiça aceitar o nosso pedido de prisão preventiva”, disse o delegado Ronaldo Coelho, responsável pelas investigações.

O delegado acrescentou que mesmo com a televisão da vítima ter sido encontrada na casa do modelo, o caso não foi configurado como latrocínio por causa da morte não ter como motivação o objeto. A investigação trabalha o crime como passional. Sérgio usou um golpe de jiu-jítsu para assassinar o fisioterapeuta e sob efeito de drogas, diz a polícia.

“Foi um crime passional. Ainda não sabemos o que poderia estar por trás disso, mas o indiciamento será por homicídio qualificado porque acreditamos ser um crime por motivo fútil”, afirma Coelho.

Delegado Ronaldo Coelho, da Decipe (Foto: Abinoan Santiago/G1)
Delegado Ronaldo Coelho, da Decipe (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Segundo a Delegacia de Investigação de Crimes Contra a Pessoa, o suspeito foi para uma cela comum por não ter curso de nível superior.

Ele está no pavilhão de presos provisórios e ficará a disposição da Justiça.

O advogado do modelo, Ronaldo Serra, informou que por enquanto a defesa não vai pedir a revogação da prisão de Sérgio da Silva, mas que entrará com a solicitação “em momento oportuno”.

O modelo foi preso na segunda-feira suspeito de homicídio.

O crime foi praticado na madrugada de sábado (30) na casa do carnavalesco, no ramal do Micro Mundo, no distrito de Fazendinha, em Macapá.

O corpo da vítima foi encontrado dois dias depois em uma área de mata na mesma região.

Repercussão
O caso do modelo chamou atenção de internautas e entidades.

A Federação Amapaense de LGBT -FALGBT divulgou nota de repúdio contra a morte do fisioterapeuta e disse que o crime tem “característica de violência homofóbica”.

“É inaceitável que atos de homofóbicos ainda façam parte do dia a dia dos cidadãos LGBT´s amapaenses”, se manifestou em nota.

A forma como o crime foi praticado também mobilizou praticantes de jiu-jítsu.

Um internauta que se identificou como mestre de artes marciais disse que ele e “demais professores buscam ao máximo ensinar uma arte marcial voltada para competições e para defesa pessoal, nunca para agressão.”

Modelo Sérgio da Silva é suspeito de homicídio em Macapá (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Modelo Sérgio da Silva é suspeito de homicídio em Macapá (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Crime
O corpo de Fracisco das Chagas Pereira foi encontrado pela Polícia Militar por volta de 10h30 de segunda-feira.

Segundo o tenente Jonas Mourão, do 1º Batalhão da PM,  o corpo foi achado sem roupas e com marcas de sangue em uma área de mata no residencial Alphaville, no distrito de Fazendinha, distante 9 quilômetros da capital.

Desde o desaparecimento, a família iniciou uma campanha nas redes sociais em busca da vítima, que era servidor do Ministério Público do Amapá (MP-AP) e carnavalesco da escola de samba Maracatu da Favela.

Na publicação, a família informou que ele era natural de Viçosa, no Ceará.

Em nota, o MP decretou luto oficial pela morte de Chagas, acrescentando que ele era servidor do órgão há 23 anos.

Segundo o Ministério Público, ele prestou relevantes serviços para a instituição.

A Promotoria de Investigações Criminais (PICC) iniciou uma apuração para levantar os motivos do crime.

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