Movimento Brasileiro Para a Salvação da Fisioterapia

 

É este mesmo o nome do artigo desta edição. Parece coisa de campanha publicitária ou algo demagógico e apelativo, mas não é. Venho há vários anos levantando a questão da decadência da fisioterapia no seu sentido mais amplo, em relação à qualidade da formação dos novos profissionais, à capacitação docente, ao entendimento pelos alunos sobre o que é realmente a fisioterapia e o conseqüente comprometimento deles com a profissão, à qualidade dos estágios, à falta de políticas públicas voltadas para a reabilitação no sentido de reconhecimento da relevância e o investimento em ações primárias, secundárias e terciárias, à influência restritiva e aviltante dos seguros-saúde , à atuação de profissionais não fisioterapeutas (com nível superior de formação ou não) e, na linha final, a baixíssima remuneração obtida pela grande maioria dos profissionais.
Leva-se em conta que, existe um número expressivo de profissionais de excelência distribuídos pelo país, mas não perfazem a maioria nem a necessidade evidente observada em todos os segmentos da sociedade brasileira. Nossa legislação deontológica é avançada, propiciando uma ampla liberdade de ação e autonomia por parte do fisioterapeuta; nosso código de ética, idem. Infelizmente, a grande maioria desconhece os princípios básicos e a proteção garantida por essa legislação. Hoje, a partir do aumento significativo do saber e da abrangência profissional em todas as clínicas, é necessário, com urgência, de ser revisto, tanto o código, quanto o perfil de conduta e atribuições permitidas ou não aos profissionais.

Em função disso e mais vários pontos, considero necessário emergencialmente a criação desse Movimento, no sentido de analisarmos nacionalmente todos os itens que influenciam negativamente o crescimento da profissão, assim como, a proposta de soluções de curto, médio e longo prazos, pois não é mais tolerável o achincalhe que a fisioterapia vem sofrendo ao longo, principalmente, dos últimos dez anos.
Apesar de legítimos, não adianta realizar movimentos em prol de melhores salários, se há outros pontos mais específicos e prioritários, que vão desembocar consequentemente na melhoria relevante dos salários, assim como na maior respeitabilidade e credibilidade ao profissional e à profissão.
Observa-se, ao longo dos últimos anos, um esvaziamento progressivo das salas de aula da graduação. Por que? A resposta é simples e ampla: a fisioterapia continua sendo desconhecida e/ou desvirtuada por quem a procura; não há uma cultura fisioterapêutica implantada que caracterize o que é ser fisioterapeuta, como acontece com a medicina, odontologia, enfermagem, educação física, engenharia, direito etc; no ensino médio não é mostrada a fisioterapia com a relevância e a imparcialidade necessárias, pois os gestores das escolas e dos cursos pré-vestibular só enaltecem os cursos tradicionais, como se somente esses fizessem diferença de qualidade e fossem mais importantes que os outros (essa propaganda interessa financeiramente aos donos dos estabelecimentos e acabam por induzir os alunos de forma parcial); quando pesquisam a respeito do curso, os candidatos se deparam com uma realidade deplorável (salários baixos, poucos concursos públicos, falta de autonomia, desconhecimento por parte de quem informa, pressão de outras categorias, não abrangência do que realmente a fisioterapia pode fazer, uma cultura antiga que confunde o fisioterapeuta com massagista, distorção por parte de pais, professores, parentes e amigos desencorajando o candidato e colocando que essa profissão não é promissora e que outras carreiras são mais atraentes e estáveis).
Ao chegar à sala de aula o aluno se depara com um curso bem mais complexo do que imaginava, mas, ao mesmo tempo, encontra docentes despreparados (embora possam ser bons profissionais), sem experiência clínica, ministrando disciplinas sem aderência com a sua formação inicial e outras situações que contribuem para o desinteresse e pouca importância ao aprofundamento necessário para o bom desempenho profissional.

Na fase de estágio curricular, outra surpresa desanimadora. Em parte considerável dos locais que oferecem supervisão, visando o crescimento do futuro fisioterapeuta, observa-se o aluno sendo mão-de-obra gratuita, mero executor de prescrição, sem poder realizar procedimentos cinesioterápicos e, muito menos, tendo oportunidade de avaliar amplamente o paciente e idealizar o programa terapêutico a ser realizado.
O resultado é a formação de um profissional inseguro, incompetente, sem condições mínimas de assumir uma posição de autonomia e responsabilidade. Daí a estar sub-empregado ou desempregado é um pulo muito pequeno, o levando a aceitar situações vexatórias, contribuindo para colocar a fisioterapia em um patamar sem a importância que lhe é devida. Paralelamente, locais que atendem quantidades irreais de pacientes por dia sem qualidade alguma e com resultados nulos, proporcionam enriquecimento aos seus proprietários.
Esses colegas que aceitaram essas condições de trabalho, ao invés de lutar pela profissão, aprofundarem seus conhecimentos e resistirem às ofertas enganosas que se lhe apresentam, preferem desistir e mudar de profissão, buscando carreiras que lhes possibilitem melhores ganhos e estabilidade. E a fisioterapia? Continua aviltada e prostituída, cada vez menos reconhecida e com perda gradual de credibilidade. Hoje é comum esses comentários: “eu faço fisioterapia porque o médico mandou, mas não adianta nada”. Quantos enganos em uma pequena frase! Infelizmente, esse quadro faz parte de uma realidade que queremos e precisamos mudar.
De forma interrelacionada, muitos outros tópicos precisam ser debatidos nacionalmente. Propor soluções é o objetivo do MOBRASAFI. Para tal, é necessário o engajamento dos fisioterapeutas do Brasil inteiro. Precisamos ter a mídia ao nosso lado; precisamos levar projetos viáveis às autoridades da saúde (federal, estadual, municipal); é necessária a sensibilização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a participação efetiva das diversas instituições de seguro-saúde e a negociação de valores dignos para os tratamentos realizados. Precisamos ter a participação e apoio das instituições voltadas para a inclusão de pessoas portadoras de deficiência em todos os níveis; precisamos, enfim, mostrar à sociedade o real mérito da fisioterapia e quanto ela pode ajudar a equipe da saúde (preventiva, curativa e de manutenção e paliativa).
Nosso trabalho é importante – somos fisioterapeutas.

Vamos nos engajar nessa luta, vamos criar grupos de trabalho, fóruns de discussão pelo Brasil, criar comissões com representantes de todos os estados que possam negociar permanentemente em todas as frentes. Vamos levar ao conhecimento dos políticos do Congresso, Câmara dos Deputados, Câmara de Vereadores e a todas as instâncias e grupos de trabalho; vamos criar condições de discutir esses e muitos outros pontos importantes para a manutenção da nossa dignidade e autonomia profissionais; entretanto, sem a real participação de todos, nossas salas de aula continuarão esvaziadas, o nível de formação continuará deficiente, os concursos públicos continuarão escassos e aviltantes, nossas pós-graduações lato e estrictu senso continuarão pobres e frustrantes.
Tudo isso, porque o fisioterapeuta não se uniu e nada fez para mudar. Vamos sair dessa inércia, vamos mudar os rumos da fisioterapia porque o momento está mais do que ultrapassado.
Divulguem, espalhem, debatam, discutam, coloquem na rede (facebook, linkedln, twiter, email, telefone) e se juntem a nós. Nós podemos, porque não fazer.
Façam contato comigo e enviem email de onde estiverem para que eu possa saber efetivamente com quantos poderemos contar. Já perdemos tempo demais.
Até a próxima.
Jose da Rocha Cunha – crefito 769F
ze.rocha@oi.com.br
joserochacunha@yahoo.com.br

Se desejar, use os botões abaixo para compartilhar.

2 comentários em “Movimento Brasileiro Para a Salvação da Fisioterapia”

  1. silvia martins.de souza

    Concordo e devo ressaltar que estive entrando em contato com o CREFITO denunciando alguns casos aqui em minha cidade e não obtive nenhuma providencia. Estou certa que não podemos deixar nossa profissao chegar a níveis tão baixos. Vamos lutar.

    1. Olá Pessoal, além deste canal a revista tem uma sala de bate-papo exclusiva para fisioterapeutas trocarem informações seja por texto, seja por voz, além de arquivos, artigos e muito mais. Se você também precisar fazer uma reunião com sua equipe, temos salas apara até 99 pessoas simultâneas inteiramente grátis. Conheça nossa plataforma em: bit.ly/fisio-discord

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.