Mais uma vez a Fisioterapia volta à cena de forma Distorcida

Não é a primeira vez nem será a última que a fisioterapia é mostrada pela mídia de forma distorcida. O fato ocorreu há algumas semanas em um programa voltado para a saúde e veiculado na parte da manhã por uma emissora de forte penetração. O foco foi a fisioterapia respiratória e técnicas foram demonstradas por profissional não qualificado e de forma equivocada. O fato teve imediata repercussão nas redes sociais com a manifestação de colegas registrando sua indignação. A Associação Brasileira da Fisioterapia Respiratória (ASSOBRAFIR) expressou imediatamente seu repúdio, assim como o Crefito2, que também, em ofício ao referido meio de comunicação, solicitou direito de resposta.
Vale ressaltar que essa mesma rede de televisão costuma mostrar fisioterapeutas atuando em novelas e o vem fazendo de forma correta e coerente. Porque essa deturpação dentro da mesma emissora? Questionamentos à parte, é necessário abordar o tema de forma não emocional e com a ótica da reflexão.
O que a mídia mostra é o que a mídia vê ou o que é apresentado a ela – essa afirmativa está totalmente certa, parcialmente certa ou totalmente errada? Depende do foco com que nós direcionemos a nossa análise. Já não somos uma profissão tão jovem; mas, certamente mais nova que as demais categorias tradicionais da área da saúde. As situações de aviltamento e desvirtuamento profissionais já foram vivenciadas em tempos idos pela odontologia, psicologia, nutrição entre outras; isso não é justificativa, mas mostra que cada categoria necessariamente precisa superar obstáculos para se firmar definitivamente no espaço que ocupa no imenso universo das ciências da saúde.
Outro ponto a ponderar: se as referidas profissões acima citadas contornaram suas dificuldades e hoje estão plenamente estabelecidas, porque o mesmo não ocorre com a fisioterapia? Pelo menos no nível de autonomia e respeitabilidade que gostaríamos que fosse uma realidade plena.
Considero que aí reside o principal fator de reflexão e ponderação – de quem é a responsabilidade por esse estado de coisas? A fisioterapia é uma categoria profissional que continua a apresentar dois pontos bastante frágeis: a ética questionável e a união profissional pouco consistente. Esses dois pontos instabilizam muito a nossa profissão, acrescido de outro fator de igual representatividade e tão discutido ultimamente: a intrusão profissional. Várias frentes “terapêuticas” estão utilizando princípios fisioterápicos nos seus arsenais por profissionais que se intitulam “terapeutas” sem qualificação nenhuma específica, como também por categorias estabelecidas legalmente. A cinesioterapia parece ser terra de todo mundo; outros recursos próprios do fisioterapeuta estão sendo utilizados de forma clara e abusiva sem qualquer tipo de constrangimento e o pior, sem nenhum posicionamento por parte dos profissionais de fisioterapia.
Como me posiciono há muito tempo, a culpa desse estado de coisas é do próprio fisioterapeuta que não se une, não se fortalece eticamente, não denuncia os abusos diariamente praticados contra a dignidade, a competência, a credibilidade e respeitabilidade de uma categoria absolutamente indispensável à saúde da população nos três níveis de ação – primária, secundária e terciária. Até quando vamos aceitar passivamente a exploração do fisioterapeuta pelo fisioterapeuta, a exploração do fisioterapeuta por outras categorias, os sub-empregos, os salários e honorários aviltantes e ofensivos à nossa formação profissional?
Enquanto esse tipo de discussão não ganhar patamares realmente relevantes e permanentes, vamos continuar a ver colegas desistindo da profissão, se transferindo de carreira, desanimados e frustrados de ver uma especialidade tão bela e importante sendo jogada de qualquer maneira e manipulada por uma legião crescente de profissionais ou não incompetentes que brigam por atendimentos de R$10,00, prejudicando sobremaneira os pacientes, fornecendo uma imagem cada vez mais negativa e deteriorada perante as outras categorias e a sociedade, demonstrando a nossa absoluta falta de necessidade.
A fisioterapia é muito maior que a nossa imaginação permite alcançar, mas se não tomarmos uma atitude firme e definitiva esse e outros aviltamentos e distorções vão ser cada vez mais rotineiros. Há muito tempo venho batendo na mesma tecla – a fisioterapia é nossa e somos nós que temos que lutar por ela, e essa luta já está por demais tardia. Não percamos a esperança, dá para reverter; depende de nós.
Até a próxima.
ze.rocha@oi.com.br

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