LOMBOCIATALGIA: ESTUDO DE CASO

ANDRÉIA VALESQUI BRUM1, LILIAN WEGNER1, SIMONE BECK SALDANHA1

Resumo
O presente estudo foi realizado com um indivíduo do sexo feminino, E.L.S.R., 57 anos, que reside no Bairro Colonial, na cidade de Sapucaia do Sul / RS.A paciente tem como diagnóstico clínico uma lombociatalgia bilateral e apresenta, como queixa principal, dor na lombar que irradia para membro inferior esquerdo, dor em ombros e membros superiores. OBJETIVO: analisar o efeito das técnicas realizadas durante os atendimentos para a diminuição do quadro álgico. MÉTODO: anamnese, inspeção, palpação, coordenação, funcionalidade, equilíbrio postural, força muscular, coordenação, marcha e Escala de Dor (EVA) antes do tratamento e no término de tratamento. RESULTADOS: diminuição significativa em relação ao quadro álgico, onde no início a dor era insuportável, definida pela paciente como grau 9 (Escala Analógica de Dor) e no final dos atendimentos a paciente definiu sua dor como grau zero.CONCLUSÕES: Dessa forma o acompanhamento de fisioterapia é de extrema importância para a melhora da qualidade de vida da paciente.
Palavras – chave: lombociatalgia, fisioterapia, escala de dor.

Abstract
This study was conducted with an individual female, ELSR, 57 years, which lies in the Colonial District in the city of South Sapucaia / RS. The patient has the clinical diagnosis and presents a bilateral lumbosciatalgia as chief complaint, lumbar pain that radiates to the left leg, pain in his shoulders and upper limbs. OBJECTIVE: To examine the effect of techniques performed during the consultations to decrease the pain. METHOD: history, inspection, palpation, coordination, functionality, postural balance, muscle strength, coordination, range of motion and pain (VAS) before treatment and at the end of treatment. RESULTS: significant decrease in relation to pain, which in the beginning was unbearable pain, defined by the patient as grade 9 (Analog Scale of Pain) and at the end of patient care to set their pain as zero degree.
Keywords: low back pain, physical therapy, pain scale.

1 – Acadêmicas de Fisioterapia da Universidade do Vale dos Sinos – UNISINOS, São Leopoldo, RS, Brasil.
Introdução
Sucintamente, podemos definir a lombalgia como sendo um sintoma referido na altura da cintura pélvica, podendo ocasionar proporções grandiosas. O seu diagnóstico pode ser considerado simples, pois geralmente o quadro clínico da lombalgia é constituído por dor, incapacidade de se movimentar e trabalhar. (TOSCANO e EGYPTO,2001)1.
A hérnia de disco é uma freqüente desordem músculo-esquelética, responsável pela lombociatalgia (Negrelli,2001)2. O risco aumentado na faixa de idade entre 50 e 59 anos pode dever-se ao fato de que os processos degenerativos, de um modo geral, podem estar bem avançados, trazendo como conseqüências o desgaste das estruturas ósteo-musculares e orgânicas (Silva, Fassa e Valle, 2004)3
Segundo Murade, Neto e Avanzi(2002)4, “a lombociatalgia é um quadro de dor lombar ou lombo-sacra, com irradiação para membros inferiores, podendo estar acompanhada de atitude escoliótica e/ou de distúrbios sensitivos e/ou motores, que se manifestam conforme a raiz acometida. Para Monteiro, Rangel e Carvalho (2006)5, estes são os sintomas mais típicos onde se focam os tratamentos conservadores, para que alivie a dor, aumente a capacidade funcional e retarde a progressão da doença. Não havendo resposta positiva á este tratamento indica-se o processo cirúrgico.
O tratamento da lombociatalgia causada pela hérnia de disco apresenta bons resultados, em torno de 80-90%, com o tratamento conservador, devendo ser usado, pelo menos, de quatro a seis semanas, dependendo de vários fatores, principalmente da tolerância do paciente à dor e do comprometimento neurológico (HENNEMANN e SCHUMACHER, 1994)6.
Se o paciente obtém melhora pequena mas progressiva, é imperativa a persistência do tratamento não cirúrgico.
Na fase aguda, o tratamento é iniciado com repouso absoluto por três dias na posição mais confortável, para que o disco lesado não sofra mais compressão. Recomenda-se a flexão dos quadris para reduzir a lordose lombar, aumentando os forâmens intervertebrais; conjuntamente, é usado antiinflamatório não hormonal. Medidas físicas, como calor e massagem suave, podem ajudar no alívio do quadro álgico. Dentre os tratamentos, a pompagem, manobras que mobilizam as fáscias, se destaca por seus vários efeitos, na circulação, no relaxamento muscular e nas articulações (MONTEIRO, RANGEL e CARVALHO, 2006)5.
Na fase pós-aguda, em que a dor já e mais suportável, permitindo melhor mobilização, intensificamos as medidas fisioterápicas com calor e exercícios de alongamento e gradual reforço muscular com a técnica de Williams. Segundo Kajita e Fasolo7,os objetivos da Série de Williams é reduzir a dor e melhorar estabilidade de tronco por aumentar força muscular de reto abdominal, glúteo máximo e ísquio-tibiais assim como alongar flexores de quadril e músculos da região lombar (sacroespinhais). Em relação à estimulação elétrica trans-cutânea (Tens) existem controvérsias sobre sua real eficácia. Não está indicada como medida
inicial na lombalgia mecânica aguda.
Na fase tardia, em que o paciente apresenta apenas desconforto, é importante a manutenção da elasticidade e tônus muscular associada aos cuidados posturais. Para Toscano e Egypto(2001)1, “talvez mais importante que prevenir o aparecimento da dor lombar é evitar que ela volte, se não forem tomadas providências quanto à mudança de hábitos, os riscos de recidiva aumentam 60% no mesmo ano ou no seguinte, sendo a falta de exercícios um dos fatores que causam a cronicidade das dores na coluna”.
Sendo assim, o presente estudo tem por objetivo analisar o efeito das técnicas realizadas durante os atendimentos para a diminuição do quadro álgico, para o aumento da funcionalidade, diminuição de retrações e tensões musculares, melhora nas atividades de vida diária proporcionando assim uma melhora na qualidade de vida.

Materiais e Métodos

Foi realizado um estudo de caso com um indivíduo do sexo feminino, E.L.S.R., 57 anos, que reside no Bairro Colonial, na cidade de Sapucaia do Sul / RS.
A paciente tem como diagnóstico clínico uma lombociatalgia bilateral e apresenta, como queixa principal, dor na lombar que irradia para membro inferior esquerdo, dor em ombros e membros superiores. Em relação a sua dor, a paciente nos relatou que por muito tempo as dores a incomodavam, e eram de tamanha intensidade que ela tomava uma grande dosagem de analgésicos e antiinflamatórios diariamente e deixava de fazer suas atividades domésticas. A sua dor foi definida segundo a escala de dor como grau 9. De acordo com alguns dos seus exames (RX coluna e ressonância magnética), a paciente apresenta escoliose lombar a D, degeneração disco L5-S1, osteófitos, protusões discais L2-L3-L4-L5-S1, hérnia de disco mediano, paramediano e foraminal a D – L5-S1.
Foram realizados 12 atendimentos fisioterapêuticos domiciliares, no período de setembro a meados de dezembro / 2008. Cada atendimento era realizado uma vez por semana, com a duração média de uma hora e vinte minutos (1h 20min).
Inicialmente foi realizada uma avaliação fisioterapêutica da paciente para serem traçados os objetivos e as condutas. Na avaliação fisioterapêutica os seguintes parâmetros foram determinados: anamnese, inspeção, palpação, coordenação, funcionalidade, equilíbrio postural, força muscular, coordenação, marcha e Escala de Dor (EVA) antes do tratamento e no término de tratamento. Para a obtenção dos resultados foi realizada uma reavaliação da paciente e foi também realizada uma análise do discurso da paciente.
As condutas realizadas ao longo do tratamento foram: técnicas manuais para relaxamento da musculatura, diminuição de aderências, diminuição da tensão e da dor (massoterapia, pompage na região lombar, descolamento miofascial, mobilização escapular); exercícios para aumento da mobilidade (báscula , dissociação de cintura – em decúbito dorsal e na bola suíça, exercícios com bastão – flexão de tronco e de MsSs – 10 repetições cada exercício); exercícios para fortalecimento e resistência muscular ( ponte, isométricos de MsIs – quadríceps /adutores /abdutores – 10 repetições cada exercício); alongamentos – mantidos por 30 segundos e repetidos 2 vezes (cervical, peitoral, isquitibiais, tensor da fáscialata, piriforme, alongamento Willians); eletroanalgesia ( TENS – 20 min); orientações para o dia-a-dia (realizações de caminhadas, alongamentos, exercícios, orientações posturais e para realização das AVDs); verificação da pressão arterial, da freqüência cardíaca e da freqüência respiratória no início e no final dos atendimentos.

Resultados e discussão

A paciente apresentou uma melhora impressionante em relação ao quadro álgico, sendo que no início a dor era insuportável, definida pela paciente como grau 9 pela escala analógica de dor, e no final dos atendimentos a paciente referiu não sentir mais dor alguma, definindo sua dor como grau zero. Nos últimos atendimentos a paciente estava bem otimista em relação a fisioterapia, pois estava sentindo melhoras a cada semana que passava, e estava seguindo nossas orientações, nos relatando que quando sentia dores, logo realizava os alongamentos e exercícios que nós a ensinamos, e realmente sentia a dor acalmar durante a realização.
Segundo relatos da paciente, houve também uma melhora na realização das atividades domésticas, que antes eram impossíveis de ser realizadas.
Os resultados obtidos neste estudo demonstram que a fisioterapia é eficaz no tratamento da lombociatalgia, reduzindo ao máximo o quadro de dor da paciente estudada. Cada técnica utilizada nesse estudo foi de grande importância para alcançar estes resultados. Segundo Hennemann e Schumacher (1994)6 na fase aguda a massagem suave pode ajudar no alívio do quadro álgico e na fase pós-aguda, em que a dor já e mais suportável, permitindo melhor mobilização, intensificamos as medidas fisioterápicas com calor e exercícios de alongamento e gradual reforço muscular . De acordo com Brazil et al., (2001)8 os exercícios de fortalecimento da musculatura paravertebral são comprovadamente eficazes para a dor lombar.
Na fase tardia, em que o paciente apresenta apenas desconforto, é importante a manutenção da elasticidade e tônus muscular associada aos cuidados posturais (Hennemann e Schumacher, 1994)5. Assim como também é de extrema importância a orientação correta da postura e disciplinamento das posições do dorso (inclinação, exercícios de elevação e levantamento) (SILVA, 2002)9.

Conclusão

Os resultados obtidos em nosso estudo demonstraram que o tratamento fisioterapêutico é eficaz na lombociatalgia, promovendo uma melhora significativa no quadro álgico e no retorno as atividades de vida diária. Dessa forma o acompanhamento de fisioterapia é de extrema importância para a melhora da qualidade de vida da paciente.

Referências:
1. TOSCANO,José Jean de Oliveira; EGYPTO,Evandro Pinheiro do. A influência do sedentarismo na prevalência de lombalgia. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. vol.7 no.4. Niterói, p.132-137, Jul./Aug. 2001.
2. NEGRELLI, W. F.Hérnia discal: Procedimentos de tratamento. Acta Ortopédica Brasileira, vol.9, n.4. São Paulo, p. 39-45, Out/Dez 2001.
3. SILVA, Marcelo Cozzensa da; FASSA, Anaclaudia Gastal; VALLE, Neiva Cristina Jorge. Dor lombar crônica em uma população adulta do Sul do Brasil: prevalência e fatores associados. Cad. Saúde Pública vol.20 no.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2004

4. MURADE, Emílio Cezar Mamede; NETO, José Soares Hungria; AVANZI, Osmar. Estudo da relação e da importância entre a semiologia clínica, tomografia axial computadorizada e eletroneuromiografia nas radiculopatias lombares. Acta Ortopédica Brasileira, vol. 10, n.4. São Paulo, p.18-25, Out/Dez, 2002.

5. MONTEIRO, Renata R.; RANGEL, Pauline M.; CARVALHO Regiane A. de. EFEITO DAS POMPAGENS NO TRATAMENTO DE HÉRNIA DISCAL LOMBAR. In: X Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VI Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos: ano.p.701-703.

6. HENNEMANN, Sérgio Afonso; SCHUMACHER, Walter. Hérnia de disco lombar: revisão de conceitos atuais. Revista Brasileira de Ortopedia, vol. 29, n. 3. Porto Alegre, p.115-126, Março, 1994.

7. KAJIT,Graziela Tiemy; FASOLO, Simone Paganini. INTERVENÇÃO DE TÉCNICAS DE CINESIOTERAPIA CLÁSSICA EM DOR LOMBAR CRÔNICA: REPERCUSSÕES FÍSICAS E PSICOLÓGICAS. In: IX Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e V Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos: ano. P.1405-1408.
8. BRAZIL et.al. Diagnóstico e Tratamento das Lombalgias e Lombociatalgias. Projeto e diretrizes. Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Mediciona. 2001.
9. SILVA, Elaine Santos da. Tratamento Fisioterapêutico da Hérnia de Disco em L5/S1. monografia (Curso de Pós-Graduação com Especialização em Traumato-Ortopedia Funcional). Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, 2002

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