LESÃO DE LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR NA ATERRISSAGEM DO SALTO NO VOLEIBOL – REVISÃO DE LITERATURA

ANTERIOR CRUCIATE LIGAMENT INJURY ON VOLLEYBALL JUMP LANDING – LITERATURE REVIEW

NICOLLY AMANDA BITENCOURT1.

1Discente do curso de fisioterapia da Uningá- Centro Universitário Ingá.

*Rua Sagento Rui Alvez, 192, Vila Esperança, Maringá, Paraná, Brasil, CEP: 87020-420. E-mail: nicolly_bit@hotmail.com.

LESÃO DE LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR NA ATERRISSAGEM DO SALTO NO VOLEIBOL – REVISÃO DE LITERATURA.

ANTERIOR CRUCIATE LIGAMENT INJURY ON VOLLEYBALL JUMP LANDING – LITERATURE REVIEW.

RESUMO

O voleibol foi criado com o intuito de ser um esporte de menor contato físico, para que ocorresse menos lesões possíveis, porém essas lesões vieram no próprio corpo do atleta, isso aconteceu devido a sobrecarga de treinos e competições, uso excessivo da articulação e devido ao impacto gerado depois do salto quando acontece a aterrissagem ao chão. O local mais acometido é o joelho, onde acontece lesões de ligamentos, no caso do voleibol o ligamento cruzado anterior é a principal vítima. Este estudo trata-se de uma revisão de literatura de caráter descritivo, onde foi realizado um levantamento de informações por meio da base de dados Google Acadêmico e Scielo com os descritores: lesão de ligamento cruzado anterior, salto-aterrissagem e voleibol, em um período de 2000 a 2020. Conclui-se que a incidência maior de lesão de LCA está relacionada não só com a carga de treino, mas também as competições, idade e condição física. Com isso, é necessário que mais profissionais da fisioterapia, treinadores e preparadores físicos estejam preparados para realizar um trabalho de prevenção dessa lesão.

Palavras-chave: Lesão de LCA. Aterrissagem. Voleibol.

ABSTRACT

Volleyball was created in order to be a sport of less physical contact, so that there are fewer possible injuries, but these injuries came in the athlete’s own body, this happened due to overload of training and competitions, excessive use of the joint and due to the impact generated after the jump when landing on the ground. The most affected site is the knee, where ligament injuries occur, in the case of volleyball the anterior cruciate ligament is the main victim. This study is a descriptive literature review, where an information survey was conducted through the Google Academic and Scielo database with the descriptors: anterior cruciate ligament injury, jump-landing and volleyball, in a period from 2000 to 2020. It is concluded that the higher incidence of ACL injury is related not only to the training load, but also to competitions, age and physical condition. With this, it is necessary that more physiotherapy professionals, coaches and physical trainers be prepared to perform a work to prevent this injury.

Keywords: ACL injury. Landing. Volleyball.

INTRODUÇÃO

O voleibol foi criado em 1895 nos Estados Unidos pelo professor de Educação Física William George Morgan da Associação Cristã de Moços (ACM), com o intuito de ser um esporte de menor contato físico e impacto evitando lesões como o Basquete na época. No início era chamado de “mintonette”, pouco tempo depois foi chamado de Volley Ball. Esse esporte só teve sua ascensão quando foi levado para o Canadá cinco anos depois (online, 2018).

Como foi criado para ser um esporte de pouco contato físico, as lesões vieram no próprio corpo do atleta, devido à sobrecarga, uso excessivo e impacto ao tocar o chão depois dos saltos realizados no saque, ataque e bloqueio, causando assim lesões de ligamento cruzado anterior. Peterson & Renstron (1995) afirmam que mais de 50% das lesões nos atletas acontecem por má elaboração na prescrição do treinamento (ACHOUR JÚNIOR, 1997).

Existem dois fatores que podem causar a lesão no ligamento cruzado anterior, sendo eles os intrínsecos que são fatores anatômicos que englobam o ângulo Q, o valgismo estático e dinâmico do joelho, o ângulo de pronação do pé, a compleição do espaço entre os côndilos femorais e a geometria do LCA (GRIFIN et al., 2006) e os extrínsecos estão associados aos erros na prescrição do treinamento, falha na execução da técnica, equipamento e superfícies inapropriadas e falta de estrutura (CHIAPPA, 2001).

O joelho é a maior e mais complexa articulação do corpo humano, composto por três ossos: fêmur, tíbia e patela; no homem são identificadas três articulações diferentes: entre os côndilos (intercondilar), entre os côndilos laterais do fêmur e da tíbia (tibiofemoral lateral) e entre a patela e o fêmur (patelo-femoral). Composto também por ligamentos, tendões, capsula articular e cartilagem articular. Os ligamentos que entram na estrutura articular do joelho são: ligamentos cruzados, colaterais e a cápsula articular. Sendo que a estabilidade e a integridade da articulação dependem da integridade dos ligamentos e músculos (KELLER, D. K, 1996; RASCH e BURKE, 1987).

Os ligamentos impedem o cisalhamento dos joelhos e atuam de maneira a guiar a flexão-rotação do joelho. O ligamento cruzado anterior impede a rotação externa anormal, ou seja, estabiliza o joelho em extensão e evita a hiperextensão” (DAL’LIN, 1994).

O ligamento cruzado anterior tem origem femoral na porção póstero-lateral do intercôndilo que se dirige para frente até sua inserção tibial, anterior a espinha da tíbia. Tem como função: controle do deslizamento para a frente da tíbia sobre o fêmur, controle da mobilidade lateral em extensão, controle da mobilidade lateral em flexão, controle da rotação em extensão, controle da rotação em flexão, controle da hiperflexão e hiperextensão” (SMILLE, 1981).

Apenas cinco dos músculos que agem sobre o joelho são uniarticulares: sendo eles os três vastos (médio, intermédio e lateral), o poplíteo e a cabeça curta do bíceps femoral. Os outros são biarticulares e cruzam tanto o quadril quanto o joelho (reto femoral, sartório, grácil, semimembranoso, semitendinoso, bíceps femoral e o trato iliotibial do tensor da fáscia lata), ou o joelho e o tornozelo (gastrocnêmio) (RASCH e BURKE, 1987).

A lesão do ligamento cruzado anterior no voleibol é mais comum quando ocorre o agachamento profundo depois que o atleta termina o salto no bloqueio, saque e ataque. Os desequilíbrios musculares dos membros inferiores podem gerar alto índice de lesões no joelho, porque o quadríceps é muito exigido no voleibol e os isquiotibiais geralmente praticam um trabalho compensatório insuficiente nas técnicas desportivas do voleibol. Esta instabilidade muscular predispõe ao voleibolista de ter contusões no ligamento cruzado anterior (CHIAPPA, 2001; MAGALHÃES et al., 2001). Segundo Ghirotocc e Gonçalves (1997) as lesões no joelho podem ser crônicas ou ocasionam o fim da vida atlética do jogador. 

Chiappa (2001) informa que as lesões no joelho também estão associadas pela má coordenação, principalmente no salto dos jogadores. Observamos que os jogadores do voleibol de praia possuem menos lesões no joelho do que os atletas da quadra (CHIAPPA, 2001) e é analisado que superfícies suaves diminuem as contusões no joelho. Mas no estudo de Aagaard et al. (1997) as contusões no joelho nos desportistas de voleibol na quadra e na areia não diferiram muito, sendo superior para os primeiros. A maioria das lesões do voleibol na quadra acontecem nos membros inferiores, principalmente na cortada e no bloqueio.

Como esse esporte vem crescendo cada vez mais com o passar dos anos, as lesões estão aparecendo principalmente no movimento de bloqueio e ataque, quando o atleta termina o salto e toca o chão. Isso ocorre também pela quantidade e qualidade dos treinos e jogos realizados durante um período, podendo ocasionar o que chamamos de over trainning ou stress. Estas estruturas “quando em stress contínuo e duradouro estão sujeitos ao que chamamos de micro traumas por excesso, causados por traumatismos repetitivos” (GERALDES, 1993). Para Nicolleti (1995) treinamentos qualitativamente e quantitativamente inadequados podem sobrecarregar uma ou mais das partes responsáveis pelo funcionamento normal do ombro, tornozelo, joelho…; e consequentemente produzir inflamações e até rupturas ligamentosas.

O objetivo desse estudo foi realizar uma revisão de literatura mostrando qual é a incidência de casos de lesão de LCA em aterrissagem do salto no voleibol.

MATERIAIS E MÉTODOS

A presente pesquisa trata-se de uma revisão de literatura de caráter descritivo abordando o assunto sobre lesão de ligamento cruzado anterior em aterrissagem do salto no voleibol.

Realizou-se um levantamento de informações por meio da base de dados Google Acadêmico e Scielo, que incluíam os descritores com tema: lesão de ligamento cruzado anterior, salto-aterrissagem e voleibol. A pesquisa foi restrita à língua inglesa e portuguesa sem limitação de data. Foram incluídos os estudos que abordavam o tema em relação a lesão do ligamento cruzado anterior em aterrissagem do salto no voleibol, artigos que foram publicados nas línguas pesquisadas ou artigos que fossem de relevância para o estudo. Para critério de exclusão foram artigos que não estavam relacionados ao tema, artigos que não se encontravam na língua pesquisada, artigos do tipo carta e do tipo tese.

Na pesquisa foram encontrados 178 artigos, sendo excluídos 170 por não abordarem somente do voleibol e sobre a lesão do ligamento cruzado anterior, sendo assim 7 artigos selecionados para o estudo.

RESULTADOS

TÍTULOAUTOROBJETIVORESULTADOCONCLUSÃO
Principais lesões no atleta de voleibol.JUNIOR, Nelson Kautzner Marques, 2004O objetivo da revisão de literatura é explicar as principais lesões dos jogadores de voleibol e mostrar como amenizá-las através de exercícios de força e de flexibilidade.As principais lesões no voleibol localizam-se no tornozelo, joelho, ombro, nas mãos e na coluna vertebral. O joelho fica na segunda posição com 61% dos casos de lesões, acometendo principalmente o ligamento cruzado anterior, entre homens de 30 a 39 anos.Para prevenirmos ou amenizarmos a literatura indica redução da carga de treino, prescrever sessões de força e de flexibilidade. Entretanto, este artigo teve uma limitação, foram encontradas poucas referências e as lesões não estão relacionadas conforme a função tática (meio de rede, levantador) e específica (meio de rede que atua em todos os fundamentos, exceto no ataque dos 3 metros e na recepção do saque), e não são apresentadas de acordo com a categoria do atleta (mirim, infantil, profissional). Para futuras pesquisas, recomenda-se que as limitações dessa revisão sejam investigadas.
Análise da associação entre a dinamometria isocinética da articulação do joelho e o salto horizontal unipodal, hop test, em atletas de voleibol.D’ALESSANDRO, Rogério Leão et al, 2005.O objetivo deste estudo foi verificar se existe associação entre o hop test e dados da função muscular fornecidos pela avaliação do joelho no dinamômetro isocinético em atletas profissionais.Foi observada somente uma correlação baixa entre déficit de pico de torque (r = 0,441) e de trabalho (r = 0,610) a 60o/s com o déficit da distância saltada entre MMII. Foi observada baixa associação entre a performance muscular e a distância saltada no hop test exceto no membro inferior direito de mulheres.Existe associação baixa entre o hop test e os dados da função muscular fornecidos pela avaliação da articulação do joelho no dinamômetro isocinético, em atletas profissionais de voleibol de alto nível. Esta baixa associação não permite que o hop test seja utilizado como método de triagem de função muscular. Outros estudos são necessários para determinar a influência de cada fator (força, confiança e habilidade) no hop test para testar a sua utilização como método de triagem.
Estudo de casos: lesões musculoesqueléticas em atletas de voleibol em alto rendimento.PERRONI, Milena Gomes, 2007.O objetivo é conhecer e identificar os fatores de risco que colaboraram para as lesões musculoesqueléticas de cinco atletas da modalidade voleibol em uma equipe de alto rendimento, durante duas temporadas de competição.Os resultados da investigação foram categorizados demonstrando que os cinco atletas foram submetidos ao treinamento de mais de uma categoria durante a fase de formação esportiva e a precocidade no treinamento com equipe adulta, durante as temporadas 2001/ 2002 e 2002/ 2003.Conclui-se que a carga de treino e competições sem terem afastamento adequado agravaram ainda mais as suas lesões. Notou-se que se tivesse um tempo de descanso exato não teria se agravado as lesões tão rapidamente.
Diferenças na cinemática entre dois tipos de aterrissagens em atletas de voleibol masculinos.LEPORACE, Gustavo et al, 2010.O objetivo neste estudo foi comparar a cinemática angular e temporal dos membros inferiores, manifesta em aterrissagens de saltos com propulsão bilateral, realizadas sobre um e dois membros inferiores. Aterrissagens unilaterais e bilaterais no plano frontal e sagital de quinze atletas masculinos de voleibol foram registradas e processadas por meio de técnicas videogramétricas.Os resultados indicam que, na aterrissagem unilateral, os atletas apresentaram menor flexão do quadril e joelho, assim como maior valgismo do joelho, quando comparada com a aterrissagem bilateral. A diferença no tempo de aterrissagem entre as duas condutas não foi estatisticamente significante.Em conclusão, os resultados deste estudo apoiam a premissa de que a cinemática dos membros inferiores se altera em função da configuração da conduta motora realizada em homens. Estudos futuros são necessários para explorar o impacto das diferenças cinemáticas encontradas na tensão ligamentar e relacioná-las com os mecanismos de lesões no LCA em homens.
Parâmetros biomecânicos do salto vertical relacionados com lesão de joelho em atletas de voleibol: uma revisão narrativa da literaturaDE FREITAS, Grazielle Cristina E, 2015.O objetivo desse estudo foi realizar uma revisão narrativa dos parâmetros biomecânicos do salto vertical relacionados com lesão de joelho em atletas de voleibol.De acordo com os resultados dos estudos revisados, as evidências sugerem que a alteração do alinhamento dos membros inferiores, como por exemplo, o valgismo dinâmico de joelho, durante saltos e aterrissagens é fator associado à lesão de LCA e dor Patelofemoral em atletas de voleibol. Além disso, a técnica de aterrissagem unilateral e um padrão mais rígido somado à redução de dorsiflexão de tornozelo aumentaram o risco de ocorrência da tendinopatia patelar.Após a revisão da literatura, este estudo concluiu que a alteração do alinhamento dos membros inferiores, como por exemplo, o valgismo de joelho, durante saltos e aterrissagens é fator associado à lesão de LCA e dor Patelofemoral em atletas de voleibol. Além disso, a técnica de aterrissagem unilateral e um padrão mais rígido nessa manobra somado à redução de dorsiflexão de tornozelo aumentaram o risco de ocorrência da tendinopatia patelar. Assim, essas alterações e padrões de movimentos devem ser analisados conjuntamente com outros fatores relacionados à carga de treinamento e volume de jogos, pois o surgimento dessas patologias é de causa multifatorial.
Lesões musculoesqueléticas relacionadas com o salto vertical em atletas de elite de voleibol: Revisão narrativa.DE SOUZA, Ana Gabriela Pimentel; MENDONÇA, Luciana De Michelis, 2016.Objetivo é identificar as lesões e disfunções mais frequentes associadas ao salto vertical no voleibol a fim de favorecer estratégias de prevenção para minimizar o risco de lesões.Foram incluídos 7 artigos que envolveram um total de 279 indivíduos. Dos 7 artigos, 4 abordavam sobre a tendinopatia patelar (TP), 2 sobre lesões no ligamento cruzado anterior (LCA) e 1 sobre entorse de tornozelo.Jogadores de voleibol com uma habilidade natural para saltar, devem ser acompanhados por apresentarem maiores chances de lesões como TP e entorse de tornozelo. Técnicas que diminuam impacto sobre articulações dos membros inferiores devem ser repassadas para os atletas como as técnicas set-close-jump e a stick. São necessários mais estudos que preconizem uma quantidade segura de execução de saltos verticais durante os treinos e partidas.
Relação entre a força dos músculos extensores e flexores de joelho e o desempenho de saltos em jogadores de voleibol: uma revisão.PEYRÉ-TARTARUGA, Leonardo Alexandre et al, 2018.O objetivo da presente revisão de literatura foi reunir estudos que analisaram as relações entre o desempenho dos testes de saltos com a capacidade de geração de força em avaliações de dinamometria isocinética de joelho em jogadores de voleibol, além de investigar se os desequilíbrios musculares da articulação do joelho podem interferir no desempenho dos saltos.A capacidade de gerar força nas avaliações de dinamometria isocinética de joelho é relacionada com o desempenho de salto. Os desequilíbrios de força de um membro para outro parecem não interferir no desempenho dos saltos. Os desequilíbrios de força entre os flexores e extensores de joelho podem ter relação com a funcionalidade dos jogadores de voleibol.A utilização de velocidades angulares intermediárias no dinamômetro isocinético parecem refletir melhor as necessidades de geração de força dos jogadores de voleibol para realização dos saltos. Os saltos SJ e CMJ parecem ter relação semelhante com a força dos músculos do joelho analisada no dinamômetro isocinético, saltos que são realizados com o auxílio de outros componentes, como o CAE e o uso dos braços, parecem ter uma relação menor. O pico de torque dos extensores de joelho é mais associado com o desempenho de saltos do que os flexores. A contração concêntrica dos extensores de joelho é mais associada ao desempenho nos saltos SJ e CMJ do que a excêntrica, não havendo diferença em relação a contribuição das contrações concêntricas e excêntricas para os dois saltos. Os valores de déficit contralateral não parece interferir no desempenho dos saltos de jogadores de voleibol, por outro lado os valores de razão convencional podem ter relação com a funcionalidade dos jogadores nas atividades esportivas.

Autor

DISCUSSÃO

Conforme o estudo de Souza e Mendonça (2016), o maior risco de lesão de LCA é em relação ao aumento de força no cisalhamento anterior da tíbia proximal quando ocorre a aterrissagem do salto. Abordam também que a lesão ocorre no início da aterrissagem logo quando o pé toca o chão, isso ocorre por causa do impacto gerado entre eles. Consequentemente o resultado que foi encontrado é que os preparadores físicos e fisioterapeutas realizem treinos específicos relacionados aos tipos de técnicas que podem ser abordadas em relação ao salto e sua aterrissagem tentando evitar um impacto menor na articulação do joelho, fazendo com que tenha menos lesões de LCA.

No estudo de Freitas (2015) foi abordado que a lesão de LCA é mais comum no sexo feminino porque a força realizada na aterrissagem é maior, gerando um estresse mais grave nessa articulação em relação ao sexo masculino. Outros fatores que geram a lesão do LCA no sexo feminino é a menor flexão de quadril e joelho e falta de musculatura essencial no quadríceps. Nesse estudo foi realizado uma comparação entre os sexos para mostrar que quando as atletas femininas realizam a aterrissagem do salto sendo ela no bloqueio ou no ataque é mais comum causar um aumento do valgismo do joelho bilateralmente e unilateral do que no sexo masculino. Então o resultado e conclusão deste estudo foi que a carga de treinamento, jogos e o sexo estão muito correlacionados quando se fala de lesão de LCA.

O estudo de Peyré-Tartaruga et al (2018) teve o intuito de abordar sobre os testes que podem ser realizados em relação ao salto para mostrar quais podem ser os desequilíbrios musculares na articulação do joelho e se podem afetar ou não o desempenho do atleta dependendo da posição que o mesmo joga. No final deste estudo o autor relata que a utilização de forças angulares intermediarias vistas no dinamômetro isocinético parecem refletir melhor quando a força é gerada para o salto nos atletas de voleibol do que os saltos que vem de um auxílio. O autor relata também que os desequilíbrios contralaterais não interferem muito no desempenho do salto do atleta. O estudo de D’Alessandro et al (2005) concorda com o estudo de Peyré-Tartaruga et al (2018) mostrando que o teste de força muscular feita pelo dinamômetro isocinético mais o hop test tem uma baixa associação com o desempenho do atleta de voleibol em relação aos saltos executados durante os jogos ou treinamentos e relata também que o hop test não pode ser utilizado como método de triagem de função muscular e sim é necessário realizar mais estudos que abordem esse tema, para que possa ter mais discussão em relação a esses testes e se realmente esses desequilíbrios podem ou não afetar o desempenho do atleta de voleibol.

Perroni (2007) apresentou um estudo de caso com 5 atletas de alto rendimento no voleibol entre as idades de 19 a 30 anos. Nele foi possível observar que as lesões se agravaram por sobrecarga ou por excesso de repetição de movimentos e saltos e também foi possível ver que a maioria das meninas que tiveram essas lesões durante a temporada de 2001/2002 e 2002/2003 foi porque estavam sobrecarregadas em relação a tempo de uma competição e outra e por excesso de treinamento sem ter um tempo de descanso apropriado. Então o resultado foi que tanto a idade, características físicas e motoras estão totalmente relacionadas as lesões que aconteceram nas atletas, pois elas não só treinavam em sua categoria, mas também em categorias acima. Com tudo isso, deve se levar em consideração que para ter uma performa de alto nível os atletas em geral acabam se desdobrando em treinamentos em uma ou mais categorias sem ter o cuidado ideal para cada um, ocorrendo assim as lesões principalmente na articulação do joelho sendo mais comum a de LCA. Ou seja, a conclusão é que é necessário ter um “afastamento” adequado e necessário para cada atleta de acordo com o cronograma de competições, para que não ocorra lesões pela sobrecarga e repetições excessivas.

O estudo de Leporace et al (2010) monstra que realizado o teste de salto com aterrissagem unipodal os atletas não só da categoria mirim, mas também todos os atletas estão mais suscetíveis a lesão do LCA, pois quando ocorre o contato do pé ao solo o joelho está mais próximo à extensão, e também aborda que estudos mais recentes mostram que quando já aconteceu a lesão de LCA o joelho se apresentava com valor maior de extensão. Nele foi observado também que angulações maiores de 8º a 9º de valgismo tanto na aterrissagem unipodal quanto bipodal podem causar lesões ligamentares do joelho. Com isso, o resultado final deste estudo mostrou que aterrissagens de saltos unipodais apresentaram uma menor flexão de quadril e joelho e uma maior angulação do valgismo quando comparado com a aterrissagem dos saltos bipodais, consequentemente essas aterrissagens causam menores lesões de LCA.

Contudo o estudo de Marques Júnior (2004) relata que as principais lesões estão localizadas em tornozelo, joelho, ombro, mãos e coluna vertebral, isso ocorre pela excessiva carga de treinamentos. Foi abordado que os atletas não só se lesionam por instabilidade muscular, mas também porque a coordenação motora principalmente no salto é feita de forma incorreta tendo maior acometimento em atletas que bloqueiam, atacam e sacam. Para que a lesão do LCA seja menor nesses casos o estudo relata que deve ser feito um treinamento de força e flexibilidade e que mais estudos devem ser realizados com esse tema.

CONCLUSÃO

Conclui-se que a incidência maior de lesão de LCA está relacionada não só com a carga de treino, mas também as competições, idade e condição física, pois se a estrutura do joelho não estiver bem estabilizada essa lesão está mais fácil de acontecer. Com isso, é necessário que mais profissionais da fisioterapia estejam adequados para realizar esse trabalho de prevenção e que preparadores físicos e técnicos ensinem corretamente a forma de realizar o salto e a aterrissagem.

REFERÊNCIAS

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