Joyce Lira representa 24 estudantes de fisioterapia que ganharam calote

Delegados Roberto Wanderley e Joselito Kehrle passaram detalhes da investigação à imprensa, na manhã desta terça-feira (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Delegados Roberto Wanderley e Joselito Kehrle passaram detalhes da investigação à imprensa, na manhã desta terça-feira (Foto: Katherine Coutinho/G1)

O prejuízo causado pelos calotes da empresa W9! contra formandos do Recife pode chegar a R$ 10 milhões, disse, nesta terça-feira (23), o delegado responsável pelo caso, Roberto Wanderley, durante uma coletiva de imprensa. “Quase 100 comissões de formatura já registraram queixa nas duas delegacias. Esperamos ao menos mais 50. Ele fazia em média 150 formaturas por ano. Cada formatura custava em média R$ 50 mil. Podemos estimar o prejuízo entre R$ 5 e 10 milhões”, detalha Wanderley.

Para ele, o calote tem indícios de crime de estelionato. As comissões de formatura estão prestando queixa na Delegacia do Consumidor e na do Estelionato. O caso vai ser investigado pela especializada do Consumidor, uma vez que o calote vem de uma relação de consumo.
Os estudantes prestaram queixa contra a companhia após receberem um e-mail no qual a empresa informa que, devido à crise e à inadimplência, não terá condições de honrar seus compromissos e realizar as cerimônias e festas. Entretanto, segundo as investigações, não há nenhum processo judicial com pedido de falência.

Joyce Lira representa 24 estudantes de fisioterapia que pagaram cerca de R$ 32 mil à empresa (Foto: Katherine Coutinho/G1)
Joyce Lira representa 24 estudantes de fisioterapia que pagaram cerca de R$ 32 mil à empresa (Foto: Katherine Coutinho/G1)

Endereço laranja
A polícia identificou o endereço comercial e o residencial do dono da empresa. No comercial, foi encontrado apenas um vigia, que toma conta do imóvel, fechado. “É uma casa alugada. Já entramos em contato com o proprietário para pedir que deixe a casa como está. Estamos protocolando na Justiça um pedido de busca e apreensão para poder ver o que tem na casa”, aponta o delegado.
O endereço residencial do empresário não pertencia a ele, segundo a polícia. “É um endereço laranja. Chegamos lá e disseram que ele nunca morou naquele endereço, que sequer o conhecem. Isso é mais um indício de estelionato, que foi um golpe premeditado”, destaca Wanderley.
O fato do endereço residencial ser fictício e o desaparecimento do proprietário da empresa corroboram a tese de estelionato. “Esse e-mail padrão, assinado cada hora de uma forma, também indica golpe. Juntando isso aos contratos recentes, com um, dois meses firmados, serviços pagos e não prestados, tudo aponta, de fato, para estelionato”, afirma.
A polícia vai continuar tentando localizar o proprietário da empresa para que ele se pronuncie. Caso ele não seja encontrado, o delegado deve pedir um mandado de prisão. As comissões de formatura que ainda não formalizaram queixa devem procurar a Delegacia do Consumidor.

Comissões
Na noite da última segunda-feira (23), houve uma reunião das comissões de formatura na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no bairro da Boa Vista, região central do Recife. Nela, os prejudicados se encontraram com advogados que orientaram sobre o que fazer. Cada comissão está em busca do próprio apoio legal.
A estudante Joyce Lira é da comissão de formatura da turma de terapia ocupacional da UFPE. Os 24 alunos pagaram cerca de R$ 32 mil à empresa para que fosse realizada a formatura em março de 2015. “A parte criminal muitos de nós já fizemos, agora é preciso consitituir advogado para poder pedir na Justiça o bloqueio dos bens do dono da empresa. A gente não sabe como vai fazer, queremos tentar fazer o baile mesmo com o calote”, conta.
Na quarta-feira (24), representantes das comissões vão até a Promotoria do Consumidor do Ministério Público de Pernambuca em busca de ajuda para a situação. “Vamos às 14h para lá. Queremos fazer uma denúncia com ainda mais peso, além da delegacia”, explica Reginaldo Júnior, da comissão das turmas de Ciências Biológicas e Engenharia de Pesca da UFRPE.

Orientação jurídica
A orientação do advogado Gesner Lins é que os funcionários da empresa, além de procurarem o MPT, devem entrar em contato com um advogado trabalhista para promover uma ação judicial e bloquear os bens da empresa. Os consumidores devem procurar a Delegacia de Repreensão ao Estelionato, que fica no bairro de Afogados, na Rua São Miguel, 268.
“É indicado que os consumidores prestem queixa na Delegacia de Repreensão ao Estelionato assim como na Delegacia do Consumidor, como muitos já fizeram. Em seguida, procurar um advogado para entrar, de forma urgente, com uma medida cautelar para bloquear qualquer atividade financeira da empresa e dos sócios”, afirma Lins.
Cuidados com contratação de serviço
De acordo com o advogado, antes de contratar a empresa, é importante verificar o contrato e analisar as cláusulas do documento, como a quantidade, qualidade dos serviços e preços. A comissão de formatura, responsável por representar os formandos e pela contratação do serviço, deve verificar o contrato social, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), quem são os sócios e quais são as empresas terceirizadas.
“Também é muito importante procurar o Procon, pois eles geralmente têm uma relação fundamentada de reclamações de demais usuários. A comissão deve procurar saber quem são os terceirizados, porque as empresas não executam os serviços sozinhas. É importante que saibam quem são para ter a quem cobrar depois, como em situações desse tipo. Os consumidores lesados poderiam ir atrás dessas pessoas e tentar minimizar o prejuízo, assegurando a realização do evento”, conclui.

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