INVESTIGAÇÃO DO CONHECIMENTO DA POPULAÇÃO IDOSA SOBRE A EXISTÊNCIA DO VASO SANITÁRIO ADAPTADO NA CIDADE DE SANTO ANDRÉ

Claudia Cristina Cardoso Amorim, Rubia Célia Fernandes, Patrícia Santiago Improta

Resumo
O termo envelhecimento é usado para referir um processo ou conjunto de processos que ocorrem em organismos vivos e com o passar do tempo levam a uma perda de adaptabilidade, deficiência funcional e finalmente a morte. Pensando nesta população onde, os idosos a cada dia têm expectativa de vida maior, alguns fabricantes desenvolveram um vaso sanitário adaptado com medidas e design especiais. Esta pesquisa ocorreu em um grupo de idosos objetivando verificar o conhecimento ou não e acessibilidade ao vaso sanitário adaptado para pessoas com necessidades especiais. Participaram da pesquisa 30 idosos com idade igual ou superior a 60 anos. Os dados foram coletados através de um questionário fechado. O Teste Qui-quadrado mostrou que a maioria da população estudada não conhece o produto, portanto não tem acesso ao mesmo.
Palavras Chaves: Acessibilidade, Envelhecimento, Aparelho Sanitário, Qualidade deVida
Abstract
The term aging is used to relate a process or set of processes that occur in organisms livings creature and with passing of the time leads to a loss of adaptability, functional deficiency and finally the death. Thinking about this population where, the aged ones to each day have bigger life expectancy, some manufacturers had developed suitable a sanitary vase with special measures and design. This research occurred in a group of aged objectifying to verify the knowledge or not and special accessibility to the adapted sanitary vase for people with necessities. They had participated of the research the 30 aged with equal or superior age 60 years. The data had been collected through a closed questionnaire. The Test Qui-square showed that the majority of the studied population does not know the product, therefore does not have access the same.
Keys words: Accessibility, Aging, Sanitary Device, Quality of life

Introdução
De acordo com a definição da ONU (2006), é considerado idoso, nos países desenvolvidos, o cidadão a partir de 65 anos de idade. Já nos países em desenvolvimento esta idade cai para 60 anos. Está diferença está ligada à qualidade de vida disponível em cada um dos dois grupos de países [10].
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), idoso é qualquer pessoa acima de 60 anos de idade, embora nem sempre esse limite acompanhe as mudanças do envelhecimento, devido às mudanças do estado de saúde. Atualmente a proporção desta população cresce mais rapidamente do que qualquer outro grupo [8].
A população acima de 65 anos, por outro lado, passou de 1,6 milhões, em 1950, para 8,7 milhões, em 2000, e, provavelmente, 42 milhões, em 2050. A população de pessoas de 70 anos poderá crescer sete vezes mais do que a de 60; a de 80 crescerá oito vezes mais do que a de 70. Assim, os mais idosos poderão chegar a representar 20% da população idosa [7].
O prolongamento da vida representa uma conquista dos tempos atuais, decorrente do desenvolvimento da medicina e da prevenção de doenças, mas, por outro lado, hoje, estamos diante da dificuldade de acesso a esses recursos em virtude da falência das redes públicas e do custoso atendimento a essa faixa etária, pelo sistema privado [6].
Nossa sociedade deve ser preparar para uma mudança do perfil de sua população, caso contrário, esse contingente de idoso ficará preso em sua residência. É imprescindível que medidas de acessibilidade sejam adotadas para evitar esse futuro. É necessário incluir o indivíduo nos ambientes em que vive.
Os ambientes devem ser planejados para promover e encorajar a independência e a autonomia, de maneira a proporcionar uma boa qualidade de vida à todos os indivíduos. É necessário criar espaços onde todas as pessoas sintam-se incluídas, que permitam adaptações de qualquer indivíduo, até mesmo aqueles que apresentam perdas funcionais.
A transformação do idoso em um novo ato social está na pauta das plataformas políticas e do mercado de consumo, que se oferecem, reiterando essa mudança [6].
A questão acessibilidade também é uma preocupação do mercado em se tratando de louças sanitárias. Pensando no desenvolvimento de produtos para melhorar a participação do idoso na sociedade, criou-se um vaso sanitário com características que facilitem a utilização dos idosos e dos deficientes físicos, mas percebe-se que o vaso é mais acessível aos deficientes físicos que aos idosos, devido à falta de orientação do próprio mercado.
Segundo o fabricante o vaso sanitário adaptado é um dos produtos que foram desenvolvidos para esse fim, pensando em reunir características técnicas e estéticas interagindo o vaso sanitário a qualquer ambiente, seja hospitalar, residencial ou público, podendo ser utilizadas por pessoas desabilitadas tanto temporariamente quanto definitivamente [3].
Assim sendo este trabalho tem como objetivo verificar o conhecimento da população idosa sobre a existência do vaso sanitário adaptado, com design e medidas antropométricas diferentes do vaso sanitário padrão, para facilitar a acessibilidade de idosos.

O Envelhecimento

O Brasil entrou precocemente na rota do envelhecimento populacional, sendo cada vez maior de caminhantes grisalhos, a ponto de já serem mais de 31 mil os brasileiros remanescentes do século XIX. A previsão dos demógrafos é de que no ano 2020 existam cerca de 1,2 bilhões de idosos no mundo, dentre os quais 34 milhões de brasileiros acima de 60 anos, que, nesse caso, corresponderão à sexta população mais velha do planeta, ficando atrás apenas dos europeus, do Japão e da América do Norte Os estudos demográficos mostram que as mulheres constituem maior parte da população mundial idosa [4] .
O termo envelhecimento é usado para referir a um processo ou conjunto de processos que ocorrem em organismos vivos e com o passar do tempo levam a uma perda de adaptabilidade, deficiência funcional, e, finalmente, à morte. O envelhecimento é uma extensão lógica dos processos fisiológicos do crescimento e desenvolvimento, começando com o nascimento e terminando com a morte. O envelhecimento ocorre com o implacável passar do tempo, mas poucas pessoas realmente morrem por causa da idade. A maioria morre porque o corpo perde a capacidade de suportar os fatores de estresse físicos ou ambientais, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos [9].
Se quisermos que o envelhecimento seja uma experiência positiva, uma vida mais longa deve ser acompanhada de oportunidades de saúde, participação e segurança. A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou o termo “envelhecimento ativo” para expressar o processo de conquista dessa visão [5].
Envelhecimento ativo é o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas. O objetivo do envelhecimento ativo é aumentar a expectativa de vida saudável e a qualidade de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados [1].
A sociedade deve se preparar, através de reformas institucionais na área da seguridade social, para conviver, num futuro próximo, com altas e sustentadas taxas de dependências de idosos [11].

Teorias do Envelhecimento
O processo de envelhecimento seria do nascimento até a morte, geneticamente programado. É de fundamental importância que o profissional interessado nesta área esteja atualizado nas peculiaridades anatômicas e funcionais do envelhecimento, sabendo discernir com máxima precisão os efeitos naturais deste processo (senescência) das alterações produzidas pelas inúmeras afecções que podem acometer ao idoso (senilidade) [2].
Durante toda a história, os seres humanos têm tentado entender porque as pessoas envelhecem, em parte por curiosidade, mas principalmente porque muitas pessoas gostariam de descobrir um processo pelo qual o envelhecimento pudesse ser retardado, detido ou revertido [9].
O envelhecimento depende de vários aspectos onde cada indivíduo reage de forma única ao avanço da idade. Conforme quadro abaixo [9].

Quadro 01: Fatores relacionados ao envelhecimento humano e suas conseqüências físicas.

Especificações Técnicas do Vaso Sanitário
O vaso sanitário tem altura de 440 cm, sendo 5,0 cm mais alta que as convencionais, possui abertura frontal 195 cm, largura 360 cm e comprimento 485 cm, conforme figura 01 .
Segundo o fabricante esta abertura frontal (figura 02) é para facilitar a higiene pessoal e mais alta melhor adequação ao sistema de alavancas dos idosos.


Materiais e métodos
Realizou um estudo do tipo transversal nas dependências do Sesc de Santo André. O instrumento utilizado foi uma Ficha de informação contendo nome, gênero, idade, estado civil e escolaridade (Anexo A) e questionário com 5 questões fechadas (Anexo B), o qual foi elaborado pelas pesquisadoras.
O grupo estudado foi composto por 30 idosos ( 6 do sexo masculino e 24 do sexo feminino) com idade igual ou superior a 60 anos. Foram excluídos do estudo sujeitos que não desejaram participar da pesquisa e que não apresentaram as características dos critérios de inclusão.
A pesquisa foi realizada após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) da Universidade do Grande ABC – UniABC (segundo a resolução CNS 196/96, do Conselho Nacional de Saúde, de 10/10/96). Todos os voluntários foram informados da pesquisa, além de assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
O questionário foi aplicado individualmente de maneira informal após a prática das suas atividades. A foto do vaso sanitário não foi apresentada inicialmente, após aplicação do questionário foi apresentada à foto do produto e foi esclarecido sobre o design e as medidas especiais do vaso sanitário.

Resultado
Foram entrevistados 30 idosos com idade média de 66,36±5,29 anos. A amostra é composta de 24 participantes do sexo feminino (80%) e 6 do sexo masculino (20%). Eles responderam um questionário composto por 5 questões com respostas binárias (sim ou não). As questões foram as seguintes:
1- Você acha que o vaso sanitário tradicional atende as necessidades tanto dos idosos quanto dos jovens?
2- Você acha que um vaso sanitário mais alto e com uma abertura frontal para facilitar a higiene seria útil?
3- Você conhece o vaso sanitário adaptado para pessoas com necessidades especiais?
4- Você já teve acesso ao vaso sanitário adaptado?
5- Se já teve acesso foi em local público?
Para comparar a freqüência de respostas para cada questão vamos utilizar uma série de testes qui-quadrado. Os testes qui-quadrado para uma amostra mostraram que não houve diferença significativa entre as respostas das questões Q1 (p=1,000) e Q3 (p=0,068), apesar dos dados não apresentarem significância estatística, a maioria não conhece o vaso sanitário. Já para as questões Q2 (p=0,001), Q4 (1, p=0,001) e Q5 (p=0,001) temos freqüências de respostas sim e não diferentes.

Tabela I – Freqüência absoluta das respostas significantes para o teste qui-quadrado

A tabela 1 acima mostra que as respostas respondem Sim aparecem com freqüência muito maior para a questão 2 e menor para as questões 4 e 5.
Observando as respostas em função das variáveis sócio demográficas, não encontramos diferença significativa em função do sexo do participante (p=0,266) ou do grau de escolaridade (p=0,361). Ou seja, independente do sexo ou da escolaridade do participante, os resultados encontrados são os mesmos.

Tabela II – Grau de Escolaridade

Discussão
Devido à falta de referências que abordam o assunto, tornou-se importante a realização deste estudo, visto que o envelhecimento populacional do Brasil está em crescimento, cujos dados demográficos estima-se que em 2020 existam cerca de 34 milhões de brasileiros acima de 60 anos.
Segundo estudos realizados anteriormente explicados por Veras (1994) a predominância do sexo feminino é devido ao estilo de vida adotado, a mulher se expõem menos a riscos ocupacionais, homicídios e suicídios.
De acordo com o Censo/IBGE 2000 realizado na cidade de Santo André, referente à distribuição por faixa etária da população idosa, percebe-se uma maior concentração entre 60-64/65-69 anos na região.Acesso em 02/06/2009.
Stamato e Moraes (2007) observaram as mudanças que o organismo sofre com o processo do envelhecimento, aumentando os fatores relacionados com a idade como: desmineralização óssea, força muscular diminuída cerca de 50% em braços e pernas e suas conseqüências: mobilidade fica diminuída, desequilíbrio, risco de lesões por acidentes, queda, fraturas e menor capacidade de auto defesa. Acreditamos que a melhor aceitação ao vaso sanitário adaptado ocorra devido a essas mudanças.
Conforme Stamato e Morais (2007) torna-se necessárias implantações de políticas urbanas voltadas para a acessibilidade tanto para idosos quanto para portadores de deficiência física.
Assim sendo houve uma preocupação do mercado para atender esta população, a princípio o vaso sanitário foi projetado para os idosos e depois adaptado aos portadores de deficiência física. Observou-se que devido à falta de informação do próprio mercado o vaso sanitário é mais conhecido e acessível aos deficientes físicos do que aos idosos. Acreditamos que seja pela forma como ele está colocado em locais públicos, onde só é encontrado em banheiros exclusivamente com identificação para deficientes físicos, dificultando assim o acesso aos idosos.
Uma das dificuldades encontradas para realização desta pesquisa foi encontrar um local que permitisse a divulgação do vaso sanitário; devido ao receio de criar uma expectativa em relação ao produto aos seus frequentadores

Conclusões
Através dos achados deste estudo, foi possível verificar que a população idosa estudada na sua maioria não conhece o vaso sanitário adaptado, e estes quando conhecem não têm acesso ao mesmo.
Embora a amostra de idosos seja reduzida, encontraram-se evidências significativas quanto aos benefícios que o produto pode trazer, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos idosos.
É importante ressaltar que este produto (vaso sanitário adaptado) já existe no mercado desde 2001, porém a divulgação do mesmo é escassa.
Diante dos resultados, sugere uma divulgação maior do produto direcionada a essa população.
Agradecimentos
Agradecemos ao SESC Santo André pelo apoio para realização deste trabalho.

Referências

1. Brasil. Organização Mundial de Saúde. Relatório Mundial de Saúde. Brasília, OMS, 2005.

2. Carvalho Filho, Eurico Thomaz de; PAPALÉO NETTO, Matheus. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 1. ed. São Paulo: Atheneu. 2000.

3. Coelho, Marcelo, Henrique, Paulo. Informações sobre a Bacia da Linha Conforto, email do autor deca@deca.com.br, 29/04/2008, e-mail para biafernandes14@hotmail.com.

4. Envelhecimento ativo: uma política de saúde/ World Health Organization ; tradução Suzana Gotinjo. – Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. Disponível em http://www.opas.org.br

5. Figueiredo, Maria do Livramento Fortes. et al. As diferenças de gênero na velhice. Rev Bras Enfermagem, 2007; 60(4).p. 422-7.

6. Lopes, Ruth Gelerter da Costa. Saúde na velhice. 1. ed. São Paulo: Puc Educ. 2000.p.20-27.

7. Moreira, Morvan de Mello. Mudanças estruturais na distribuição etária brasileira: 1950-2050. Trabalhos para discussão, nº 117/2002, maiod de 2002. Disponível em: .

8. Pecher, Simão Arão. Asma brônquica no idoso. Rev. Para. Med., 2007,21(3).

9. Prefeitura Municipal de Santo André. População Residente por faixa etária de Santo André, 200. Disponível em:

10. Spirduiso, Waneen W. Dimensões físicas do envelhecimento. 1. ed. São Paulo: Manole. 2005.p.6-19.

11. Stamato, Cláudia.; Moraes, Anamaria de. A visão de idosos cariocas sobre a segurança do banheiro domiciliar. 2007, 13; 2 Disponível em:

12. Veras, R. P. País jovem com cabelos brancos: a saúde dos idosos no Brasil. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1994.

13. Wong, Laura L. Rodríguez.; Carvalho, J. A. O rápido processo de envelhecimento populacional do Brasil: sérios desafios para as políticas públicas. Rev Bras Pop, 2006; 23 (1). P.10

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