Indicação de Fisioterapia ou Fisioterapia de indicação?

Tradicionalmente a Fisioterapia não gerava demanda espontânea de serviço, porque é uma atividade que surgiu para atender pacientes encaminhados por médicos.

Contudo, com o passar do tempo as pessoas passaram a conhecer melhor a sua utilidade, logo, a procurar diretamente pela assistência terapêutica.

Isso gerou conflito junto à classe dominante na área da saúde, a medicina, que a cada dia tem dividido mais o mercado com outras especialidades.

 

Mesmo com o progressivo aumento da autonomia profissional da Fisioterapia, os médicos continuam a demandar em larga escala a reabilitação física de pacientes, porque esta atividade é meio, diz-se da transição de doente para saudável, diferente daquelas ditas de “ponta”, tal como a Educação Físca, na qual o indivíduo faz porque “quer” e não porque “precisa”.

Quem possui ingerência sobre o poder de escolha do paciente pode atuar como agenciador, criando demanda para os fisioterapeutas em troca de retorno pecuniário.

Em primeira análise, soa estranho pensar que a saúde é “comercializada”, mas no mundo capitalista é esta a realidade, fonte de trabalho para muitas consultorias especializadas.

 

Em outra frente, mais antiga e comum, as empresas de fisioterapia que nasceram de iniciativas de pessoas alheias à profissão e povoaram o mercado ao longo dos anos, firmando convênios com a maioria dos Planos de Saúde, fato este referenciado no art. 30 da Resolução COFFITO 37/84.

Então, novos empreendimentos na área enfrentaram dificuldades para manutenção do negócio na época em que os serviços privados de saúde atraíam o grande público, tornando o trabalho nos estabelecimentos já consolidados alternativa de eleição dos fisioterapeutas para aquele momento.

 

Essa mercantilização é inevitável, porque sem dinheiro não há como manter o bom andamento do serviço oferecido aos usuários, assim como sem demanda não há como permanecer estabelecido em pleno funcionamento.

Percebido isto, iniciou-se a “fisioterapia de indicação”, uma forma de intermediação de negócios para ampliar os ganhos de quem encaminhasse o paciente, sem que fosse necessário gerenciar o serviço de fisioterapia.

Claro que ele pode até ser induzido, mas sua busca quando procura a reabilitação física é resolver o problema que o direciona a ela, logo, passa à vez a “indicação de fisioterapia” e nessa hora que o profissional perde – ou não – a oportunidade de agregar valor ao trabalho, seja porque não o divulga devidamente ou não o sistematiza o suficiente para maximizar o índice de resultados com êxito.

No primeiro caso, o fluxo de usuários “independe” da excelência no atendimento porque “quem indica” respalda, mas no segundo cada experiência bem sucedida é fundamental para fortalecer a crença das pessoas no potencial da Fisioterapia.

Cada sucesso é um número, que precisamos transformar em estatística de eficácia terapêutica, por isso, fiquem atentos que em breve sugestões de instrumentos para tanto surgirão nos meus textos.

Colunista carlos-iuri

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