INCIDÊNCIA DE ESCOLIOSE EM ALUNOS DE 7ª E 8ª SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL EM UMA ESCOLA PRIVADA DE MANAUS-AM.

Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 15, nº 86, Maio/Junho de 2012. https://www.novafisio.com.br

 

Incidência de escoliose em estudantes nas classes 7 ª e 8 ª do ensino fundamental em uma escola particular em Manaus-AM.

INCIDENCE OF SCOLIOSIS IN STUDENTS IN GRADES 7ª AND 8ª OF ELEMENTARY SCHOOL IN A PRIVATE SCHOOL IN MANAUS-AM.

 

Tamyres Bindá Dias (tamybinda@hotmail.com);  Karina Crubellati Sousa (kacrubellati@yahoo.com.br); Andrea Janz Moreira

Centro Universitário Nilton Lins.

 

Revisado por: Rodrigo Silva Perfeito (rodrigosper@yahoo.com.br)

Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 15, nº 86, Maio/Junho de 2012. https://www.novafisio.com.br

 

Resumo

As alterações posturais são problemas ortopédicos que comumente acometem os indivíduos. Atingem principalmente crianças no período do crescimento e desenvolvimento dos sistemas por estarem mais propicias em adquirir deformidades pelas forças gravitacionais e pelos habituais vícios de postura. Identificar alterações posturais nesta fase da vida implica em tratamento mais eficaz, menos duradouro, menos caro e com melhor prognóstico. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar alunos em fase de desenvolvimento, entre 12 e 13 anos de idade, das 7ª e 8ª séries, de uma escola privada em Manaus-AM. Foi utilizado uma ficha de avaliação e fotos digitais para análise dos mesmos. Com este protocolo, procurou-se estabelecer uma metodologia simples e objetiva de quantificação de alterações posturais. A metodologia mostrou-se válida para identificar as alterações posturais. Após a análise dos dados foi identificado que 62,5% dos alunos têm escoliose adaptativa.

Palavras-Chave: Alterações Posturais, Escoliose, Escolares, Fisioterapia.

 

Abstract

Stance changes are orthopedic problems that commonly occur with individuals. It occurs mainly between children with systems in growth and development for they are more liable to acquire deformities by the gravitational forces and position’s vices. To identify stance changes in this period of life calls a more effective treatment, less abiding, less expensive and with a better prognostic. In this context the objective of this study was to evaluate students in the development phase, between 12 and 13 years old of 7th and 8th grades in a private school in Manaus-AM. We used an evaluation form and digital photos to look the same. With this protocol, we tried to establish a simple and objective method of quantification of postural changes. The methodology proved to be valid to identify the postural changes. After analysis of data was identified that 62.5% of students have scoliosis adaptive.

Key-words: Stance Changes, Scoliosis, Scholars, Physiotherapy.

Introdução

A Escoliose é um termo usado para nomear qualquer curvatura lateral da coluna vertebral, mas não somente lateral, a escoliose é uma deformação tridimensional de um grupo de vértebras, compreendendo em deformação frontal (inclinação lateral), deformação sagital (flexão ou extensão, caracterizado como lordose ou cifose) e deformação horizontal (rotação e torção). Afeta principalmente as crianças em desenvolvimento por estarem mais propícias em adquirir deformidades em função das forças gravitacionais. Porém, afeta não somente os discos vertebrais, mas também músculos, ligamentos, tendões, partes ósseas, causando desvios na estrutura anatômica de pulmões, coração, diafragma, comprimentos de pernas, entre outras alterações (FILHO, 2000).
Identificar a escoliose em escolares em fase inicial implica em tratamento precoce buscando melhor prognóstico, menor morbidade e menores custos ao final do tratamento. O fato de que atitudes escolares favorecerem aos maus hábitos posturais e que a adolescência é o inicio do crescimento acelerado dos sistemas esquelético e muscular que às vezes não se desenvolvem harmoniosamente desencadeando alterações posturais. O diagnóstico precoce sugere tratamento mais eficaz evitando a progressão da doença dispensando tratamento conservador ou mais futuramente cirúrgico (FILHO, 2000).
A Escoliose sendo uma doença de caráter estrutural ou não, necessita de detecção precoce e a prevenção, associados às orientações quanto à postura correta, pois a maioria dos problemas é decorrente de etiologia idiopática e/ou devida à má postura durante as atividades de vida diária.

A postura adequada na infância ou a correção precoce de desvios posturais nessa fase possibilitam padrões posturais corretos na vida adulta, pois esse período é da maior importância para o desenvolvimento músculo-esquelético do indivíduo, com maior probabilidade de prevenção e tratamento dessas alterações posturais na coluna vertebral. Por outro lado, na maturidade podem se tornar problemas irreversíveis e sem tratamento específico. A idade escolar compreende a fase ideal para recuperar disfunções da coluna de maneira eficaz; após esse período, o prognóstico torna-se mais difícil e o tratamento mais prolongado.
Os hábitos posturais inadequados alteram a estática e a dinâmica do corpo. Quando mantidos na rotina diária de um indivíduo, produzem estresses mecânicos sobre determinados pontos de estruturas inertes e dinâmicas, que dificulta a capacidade de estabilização mecânica, desencadeando as alterações posturais (STOKES,1987).
Portanto, o estudo se fez necessário por ter como objetivo identificar a incidência de escoliose em escolares de forma precoce, podendo-se buscar tratamento preventivo e eficaz, por meio de avaliação postural dos estudantes,  quantificando-as e oferecendo-os proposta de intervenção preventiva em relação às carteiras e mochilas.

 

Materiais e Métodos

Este tipo de estudo é quali-quantitativo, utilizando os métodos comparativo, prospectivo, avaliativo, observacional e diagnóstico.
A população escolhida para o presente estudo foi composta por crianças na faixa etária de 12 a 13 anos, cursando as 7ª e 8ª séries do ensino fundamental, constituindo-se assim, amostra de 16 alunos, sendo divididos em dois grupos, masculino e feminino, cuja análise dos dados obtidos foram expressos em média e desvio padrão, e os valores comparativos foram submetidos ao software Graphpad.
A coleta de dados teve início no dia 19 de fevereiro de 2009 tendo término no dia 23 de março do mesmo ano. Eram realizadas as segundas, terças, quartas e quintas feiras durante à tarde de 17:00h as 17:55h e terças, quintas e sextas feiras pela parte da manhã no horário de 11:30h as 12:30h, na Academia Nilton Lins.
Anteriormente ao estudo, foi realizado o levantamento da quantidade de estudantes na faixa etária escolhida para composição da amostra. O objetivo da pesquisa foi exposto ao grupo estudo. Na oportunidade foi entregue a autorização aos pais, para que os alunos participassem da pesquisa, uma vez que todos eram menores de idade, sendo este um critério de inclusão, onde os mesmos tinham que comparecer com a autorização dos pais para participar da pesquisa no momento da avaliação.
Os instrumentos utilizados na coleta de dados foram uma ficha de avaliação postural contendo anamnese e exame físico. Ao iniciar-se a pesquisa, primeiramente o aluno era pesado e medido, após isso, o mesmo era convidado a ficar frente ao simetrógrafo em posição neutra para que fosse analisado nas vistas anterior, posterior e perfil (Figura 1) e posteriormente fotografado para que sua postura fosse analisada a fim de encontrar ou não desvios.

 

 

Resultados e Discussão

Foram examinados e entrevistados 19 alunos, sendo 3 excluídos por não estarem na faixa etária proposta pelo estudo. Portando, 16 fizeram parte da pesquisa na faixa etária de 12 e 13 anos, 9 do sexo feminino e 7 do sexo masculino, com média e desvio padrão da idade e peso segundo a tabela 1.

 

 

A escoliose foi diagnosticada em 62,5% dos alunos, 18,75% do sexo masculino e 43,75% do sexo feminino, porém, a escoliose encontrada foi adaptativa. Nesse caso, o indivíduo cria uma postura escoliótica, normalmente por desarmonia da musculatura que mantém a coluna vertebral ereta sem rotação dos processos espinhosos na concavidade, diferentemente da escoliose estrutural que causa deformidades. Como os alunos normalmente se portam em posições errôneas na cadeira durante as aulas e também por carregarem mochilas fora do peso permitido unilateralmente, a escoliose adaptativa torna-se mais susceptível.
Alguns autores encontraram maior prevalência de escoliose no sexo feminino. Contudo, nos estudos de Ferriani et al. (2000) e Ferst (2003), foram observados mais casos no sexo masculino. No estudo de Tavares et al. (2001), a proporção de escoliose foi similar entre homens e mulheres.
Nenhum aluno apresentou Teste de Adam positivo, teste esse que verifica a presença de escoliose estrutural, caracterizando o total de escolioses encontradas em apenas adaptativa. Os gráficos a seguir elucidam os pontos principais para identificação da escoliose:

 

O desalinhamento da cabeça esteve presente em 75% dos alunos analisados (gráfico 1), aparecendo com maior frequência nas meninas com 88%, e menor frequência nos meninos com 57%. Este deseixo aparece como forma de compensação da coluna vertebral, pois embora a coluna vertebral entre em desalinhamento, sempre busca manter o ponto de gravidade no centro do corpo através de mecanismos compensatórios. (SOUCHARD & OLLIER, 2001).
Observando-se que o desalinhamento se dava em maior proporção com lateralização da cabeça a direita com rotação à esquerda.

Gráfico 2: Assimetria dos ombros nos alunos participantes.

 

 

A desigualdade na altura dos ombros mostrou-se relevante aparecendo em 88% dos alunos (gráfico 2), em função da lateralidade, 50% obtiveram o lado direito mais alto e 50% o lado esquerdo.
A assimetria do ombro está relacionada ao suporte de mochilas escolares de maneira inadequada, lembrando que ajustes posturais e ações compensatórias surgem diante da aplicação dessas cargas assimétricas. O modo como cada indivíduo carrega a sua carga pode ser determinado por fatores como o peso, o tamanho e a forma do utensílio escolar, o tempo de transporte, o terreno, o clima, a característica e a constituição física do indivíduo. Os desequilíbrios posturais gerados nessas situações são agravados pelo fato de o peso carregado ser frequentemente desproporcional ao peso do próprio corpo e pelo uso inadequado da mochila, como no caso do apoio em um único ombro (SACCO et al., 2003).

A presença do triângulo de tales alterado em 100% dos alunos (gráfico 3), pressupõe alterações na coluna vertebral e tronco, podendo ser facilmente visualizado na vista anterior. É de extrema importância a avaliação do mesmo, pois geralmente em pacientes que se observam alterações no alinhamento dos ombros, o triângulo de tales vai apresentar-se alterado. Neste caso, 100% dos alunos tiveram a alteração presente, o que mostra uma grande disponibilidade a escoliose (SACCO et al., 2003).
O triângulo de tales alterado sugere modificação do centro de gravidade (CG), que pode ser causado pelo uso inadequado da mochila. Neste caso, o mesmo vai desviar para o lado contralateral ao da mochila.
Esse fato somado a desigualdade na altura dos ombros sinaliza tendência de lateralidade nas posturas estáticas desses escolares (SACCO et al., 2003).

Estas alterações supracitadas (tabela 2) que foram visualizadas nas avaliações posturais dos alunos são normalmente mecanismos compensatórios que ocorrem em decorrência de desequilíbrios musculares, explicados pela diferença de força e flexibilidade entre grupos musculares que atuam sobre uma mesma articulação, isto é, quando determinado grupo muscular se apresenta mais forte e mais tensionado do que seu respectivo antagonista. Os desequilíbrios ocorrem pela promoção de um desalinhamento que altera o posicionamento de composições ósseas. Essa alteração é decorrente de encurtamentos musculares ou de sobrecargas excessivas em articulações, ligamentos e outras estruturas, podendo causar lesões agudas ou crônico-degenerativas (SANTOS et al., 2009).
As causas mais comuns para a má postura adotada pela criança têm relação direta com suas características físicas. Durante a fase de crescimento a coluna vertebral cresce mais rapidamente que os membros, músculos e tendões e nem sempre acompanham o crescimento ósseo, levando tempo para acomodar-se com o seu novo corpo. Por exemplo, é
comum vermos jovens que tendem a curvar-se em busca de um melhor equilíbrio; de meninas que passam a andar com flexão de tronco e ombros protusos buscando esconder os seios em desenvolvimento, de jovens obesos que, esforçam-se para sustentar seu próprio peso. É nessa fase de muita introspecção, sensibilidade e até vergonha que é comum uma postura em flexão anterior de tronco, uma deambulação inadequada e, de certa forma, descoordenação dos movimentos, desenvolvendo os diversos tipos de desvios posturais. Entretanto, a ergonomia das cadeiras escolares não favorece, e o mau posicionamento do aluno durante uma média de 3 horas e 30 minutos revela alterações (CHACON et al., 2005).
Souchard e Ollier (2001), explicam que as crianças tendem a projetar seu abdômen para frente e hiperextender os joelhos como forma de distribuição do peso ântero-posterior, e que cerca de 80% das crianças de uma população geral apresentam joelho valgo/varo durante fase do desenvolvimento e que esta alteração aparece dos 3 aos 6 anos de idade, desaparecendo logo em seguida.

 

Gráfico 4: Desalinhamento do Quadril nos alunos avaliados:

 

 

O desalinhamento do quadril conforme o gráfico 4, esteve presente em 69% dos casos, com o lado direito em 72,7% dos casos mais alto.
Em relação às alterações compensatórias, mecanismos da biomecânica para manter a linha de gravidade no centro do corpo e promover um menor gasto energético, a inclinação pélvica foi observada em 69% dos alunos. A diferença no comprimento do membro inferior, a alteração unilateral da fáscia plantar, a contratura na musculatura adutora ou abdutora podem ser fatores desencadeantes desse mecanismo compensatório (SANTOS et al., 2009).

 

Considerações finais

Diante dos resultados obtidos e analisados dentro das limitações do estudo, conclui-se que a maioria das crianças apresenta algum grau de desvio postural. A escoliose adaptativa apresentou-se em mais da metade dos alunos totalizando 62.5% da população, o que a torna significativa. Portanto, profissionais especializados na área atuando dentro das escolas com um serviço especializado visto que as condições ergonômicas nas escolas são inadequadas e não atendem as necessidades individuais de todas as crianças e considerando que as mesmas permanecem por um longo período de tempo nas instituições escolares, a fisioterapia se faz importante visando prevenção de possíveis alterações posturais através de orientações, avaliações periódicas e intervenção fisioterapêutica caso haja necessidade.

Referências Bibliográficas

CHACON, T; SANTANA, E; SALVALÁGIO, F; et al. A importância da avaliação postural em crianças no período escolar: Revisão bibliográfica. Disponível em: < http://www.fibbauru.br/files/TAMIRES%20CHACON.pdf >

FERRIANI, M; CANO, M; CANDIDO, G; KANCHINA, A. Levantamento epidemiológico dos escolares portadores de escoliose da rede pública de ensino de 1º grau no município de Ribeirão Preto. Revista Eletrônica de Enfermagem. 2000; 2(1).

FEREST, N. O uso da mochila escolar e suas implicações posturais no aluno do Colégio Militar de Curitiba. Florionópolis: Faculdade de Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina; 2003.

FILHO, L. Fisioterapia da Escoliose Idiopática. 1ª. Ed. Rio de Janeiro: Epub, 2000. 77p.

SACCO, I; MELO, M; ROJAS, G; et al. Análise biomecânica e cinesiológica de posturas mediante fotografia digital: estudo de casos. Revista Brasileira Ciência e Movimento. 2003; 11(11): 25-33.

SANTOS, C; CUNHA, A; BRAGA, V; et al. Ocorrência de desvios posturais em escolares do ensino publico fundamental de Jaguaríuna, São Paulo. Revista Paulista de Pediatria. 2009:27(1):74-80.

SOUCHARD, P; OLLIER, M. As Escolioses: seu tratamento fisioterapêutico e ortopédico. 1ª Ed. São Paulo: É Realizações, 2001. 240 p.

STOKES, Maria, Neurologia para Fisioterapeutas. 1ª. Ed. São Paulo: Premier, 2003. 314p.

TAVARES, A; FEITOSA, E; BEZERRA, L. Proposta de implantação do Fisioterapeuta na escola face a alterações posturais. Revista Coluna Fisioterápica. 2001; 1(1): 18-21.

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1 comentário em “INCIDÊNCIA DE ESCOLIOSE EM ALUNOS DE 7ª E 8ª SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL EM UMA ESCOLA PRIVADA DE MANAUS-AM.”

  1. Héctor Igor Muñoz Catalan

    Este tipo de trabalho só serve para desinformação.
    Os numero são irrelevantes, as fonte não tem a mais mínima validação.
    Este trabalho não passaria nem pela recepção do Cochrane. (Independent high-quality evidence for health care decision making.

    Com essa mediocridade se pretende tratar seriamente a escoliose no Brasil.

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