IMPACTO DO PROLAPSO DE ÓRGÃOS PÉLVICOS NA QUALIDADE DE VIDA DE MULHERES: UMA REVISÃO DE LITERATURA

IMPACT OF PELVIC ORGAN PROLAPSE ON WOMEN’S QUALITY OF LIFE: A LITERATURE REVIEW

Stephanie Guedes Salvador1 ;
Thâmella Kananda Costa Guimarães1 ;
Dra. Thaiana Bezerra Duarte2 .

1Discentes do Curso Superior de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte –UNINORTE.
2Doutora, Docente do Curso Superior de Fisioterapia do Centro Universitário do Norte –UNINORTE.
Endereço: Av. Joaquim Nabuco, 1232, Centro | Manaus | AM | CEP: 69020030 | (92) 3212-5000

RESUMO

Introdução: O prolapso dos órgãos pélvicos (POP) é definido como a descida das vísceras pélvicas em direção ao hiato genital, é uma condição ginecológica que não acarreta ameaças a vida, mas é causa importante de morbidade, e pode afetar intensamente a qualidade de vida das mulheres, causando impacto psicológico e social. Objetivo: verificar os principais fatores ligados ao impacto do prolapso de órgãos pélvicos e as interferências que o mesmo apresenta na qualidade de vida das mulheres. Materiais e métodos: Trata-se de uma revisão de literatura com abordagem descritiva de artigos científicos coletados nas bases de dados Scielo, Portal Periódicos CAPES e Pubmed, publicados entre os anos de 2010 a 2020, tendo como critérios de inclusão estudos observacionais que avaliaram a qualidade de vida das mulheres com POP, e exclusão os artigos que não estavam disponíveis na íntegra. Resultados: foram incluídos 07 artigos referentes ao prolapso de órgãos pélvicos, incluindo 1423 mulheres na faixa etária entre 46 e 74 anos e que apresentavam queixas sintomáticas relacionadas ao POP, como bola na vagina e perda de urina. Conclusão: Conclui-se que o POP é um grande distúrbio que afeta de maneira negativa a qualidade de vida das mulheres, implicando em problemas de atividades de vida diária e emocional. 

Palavras-chave: Prolapso de órgãos pélvicos. Qualidade de vida. Saúde da mulher. 

Abstract Introduction: Pelvic organ prolapse (POP) is defined as the descent of the pelvic viscera towards the genital hiatus, it is a gynecological condition that does not pose a threat to life, but is an important cause of morbidity, and can severely affect women’s quality of life. , causing psychological and social impact. Objective: to verify the main factors related to the impact of pelvic organ prolapse and the interferences that it presents in the quality of life of women. Materials and methods: This is a literature review with a descriptive approach to scientific articles collected in the databases Scielo, Portal Periódicos CAPES and Pubmed, published between the years 2010 to 2020, having as inclusion criteria observational studies that evaluated the quality of life of women with POP, and excluding articles that were not available in full. Results: 07 articles referring to pelvic organ prolapse were included, including 1423 women aged between 46 and 74 years old and who had symptomatic complaints related to POP, such as ball in the vagina and loss of urine. Conclusion: It is concluded that POP is a major disorder that negatively affects the quality of life of women, resulting in problems with activities of daily and emotional life. 

Key words: Prolapse of pelvic organs. Quality of life. Women’s health. 

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INTRODUÇÃO

O assoalho pélvico feminino é formado por um conjunto de estruturas interligadas que vão desde o peritônio parietal posterior até a pele da vulva, garantindo assim sustentação e suporte dos órgãos pélvicos, essencial para a qualidade de vida da mulher (BARACHO, 2007). Tem ainda a função esfincteriana uretral, retal e vaginal, bem como permite a passagem do feto durante o parto (SILVA; SILVA, 2003).
Bezerra et. al. (2004) definem prolapso dos órgãos pélvicos (POP) como a descida das vísceras pélvicas em direção ao hiato genital. A etiologia do POP começa com a lesão do diafragma pélvico, lesões no levantador do ânus produzem aumento do seu hiato ocasionando estiramento e rompimento da fáscia endopélvica (VASCONCELOS et. al., 2013).
O POP é multifatorial, os fatores de risco ambientais incluem: parto, aumento crônico da pressão intra-abdominal, obesidade, idade avançada e deficiência de estrogênio, os quais podem receber intervenções (ALVES, 2018). Já os fatores genéticos não são passíveis de intervenção e, segundo Baracho (2007), os fatores intrínsecos incluem: hereditariedade, raça, defeitos no tecido conjuntivo, alterações neurológicas e esqueléticas. A classificação do prolapso proposta pela Sociedade Internacional de Continência (ICS) é dividida em três, avaliados conforme alguns pontos específicos de suporte dos órgãos pélvicos da mulher: – Prolapso da parede vaginal anterior – conhecido como cistocele; – Prolapso da parede vaginal posterior – retocele ou enterocele, e; – Prolapso apical da vagina – uterino. Mesmo com todas essas modificações estruturais que ocasiona, o POP não traz ameaças à vida, porém é uma das principais causas de morbidade em mulheres, acarretando complicações como alterações nas condições de saúde física, funções cognitivas, satisfação sexual, nas atividades do cotidiano, no bem-estar emocional, na vida familiar e social, ocasionando problemas sexuais, isolamento social, baixa autoestima e depressão. Sem contar que poucas mulheres buscam tratamento para o problema, pois chegam a considerar como algo normal do processo de envelhecimento ou acreditam não ter solução para sua condição (ALVES, 2018).
Devido a esses sintomas e as disfunções que pode acarretar, o POP tem grande impacto na qualidade de vida da mulher se tornando assim, um importante problema de saúde pública. Faria (2010) diz que, em se tratando da saúde, o termo qualidade de vida (QV) está relacionado à avaliação de dados objetivos e mensuráveis ligados ao grau de limitação e desconforto que a patologia ou sua terapêutica desencadeiam na vida do paciente. A ICS recomenda a inclusão da avaliação da qualidade de vida em todos os estudos voltados à saúde da mulher, como uma forma de complementar medidas clínicas. Özel e colaboradores em um estudo no ano de 2005 com aplicação do questionário “Pelvic Organ Prolapse/10 Urinary Incontinence Sexual Questionnaire – Short Form” (PISQ-12), demonstraram que a incontinência urinária (IU) e o POP alteram drasticamente a vida das mulheres, porém a maioria não procura ajuda desenvolvendo estratégias próprias para minimizar a gravidade dos sintomas, como restringir o consumo de líquido ou a micção frequente. Tais estratégias reduzem os sintomas, porém também afeta a qualidade de vida. Portanto, na avaliação do impacto é primordial levar em consideração características físicas, psicológicas, sociais, domésticas e sexuais da paciente. Existem vários questionários que podem ser aplicados a mulheres com disfunções urinárias, colorretais e sexuais e tornaram-se altamente específicos para detectar mudanças em pacientes com essas disfunções, entre eles encontram-se o Pelvic Floor Distress Inventory (PFDI-20) e Pelvic Floor Impact Questionnaire (PFIQ-7) (SANTANA, 2010). O PFDI-20 e o PFIQ-7 foram desenvolvidos por Barber et al. (2001) e validados para o português por Arouca et al (2016), eles são breves, e confiáveis para identificar as disfunções do assoalho pélvico e seu impacto na qualidade de vida. A partir da análise dos resultados dos questionários é possível identificar o quesito de maior impacto bem como traçar planos de tratamento para as disfunções identificadas (MASCARENHAS, 2011). Diante o exposto, este estudo tem como objetivo identificar os aspectos mais afetados na qualidade de vida de portadoras de prolapso de órgãos pélvicos, bem como determinar a principal faixa etária e fatores que incorrem para o mesmo. Visto que há escassez de revisões sobre o tema em questão, sua importância se dá pela contribuição junto ao meio acadêmico agregando mais conhecimento, assim facilitando no processo de formulação de protocolos de prevenção e tratamento.


MATERIAIS E MÉTODOS

Esta pesquisa trata-se de uma revisão de literatura com abordagem qualitativa descritiva. Foram analisados, no período de fevereiro a abril de 2020, artigos na língua inglesa e portuguesa coletados a partir das plataformas digitais Scientic Electronic Library Online (SciELO), PubMed e Portal Periódicos CAPES, e foram usadas as seguintes palavras chaves em inglês: pelvic organ prolapse, quality of life e pelvic floor disorders, e seus correlatos específicos identificados no Medical Subject Headings (MESH) e em português nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCs): prolapso de órgãos pélvicos, qualidade de vida, distúrbios do assoalho pélvico. Os critérios de inclusão foram: estudos observacionais ou transversais que avaliaram a qualidade de vida em mulheres com POP. Foram excluídos artigos não disponíveis na íntegra e publicados anteriormente ao ano de 2010. Como métodos de organização das etapas de seleção dos estudos analisados, foi feito um fluxograma e uma tabela com a síntese dos dados de cada estudo incluso nesta revisão. Os resultados foram apresentados por meio de síntese descritiva e algumas tabelas para melhor compreensão de dados relevantes.


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram encontrados 63 artigos nas plataformas digitais SciELO, PubMed e CAPES, após uma criteriosa leitura foram selecionados 07 estudos que foram incluídos na presente revisão, conforme demonstrado no fluxograma da figura 1.

Figura 1– Fluxograma de seleção dos artigos.

A tabela 1. apresenta as principais características dos 11 estudos analisados nesta revisão:
Tabela 1 – Artigos incluídos na revisão de literatura.

AUTOR/ANOOBJETIVOMÉTODOSRESULTADOS
Santana, 2010.Traduzir e adaptar culturalmente para o Português o Questionário
Sexual para Incontinência Urinária/Prolapso de Órgãos Pélvicos – PISQ-12.
Tradução e Adaptação Cultural com aplicação do PISQ-12 e ICIQ-SF.A idade média das participantes ficou entre 49,8 ± 11 anos e 46,6 ± 10,2 anos, a versão traduzida e adaptada culturalmente do PISQ-12 mostrou-se um instrumento confiável, consistente e válido para avaliar os sintomas de IU e POP e função sexual. Os sintomas do POP causam impctos negativos na QV das mulheres, pincipalmente em relação a sexualidade.
Flores E., 2012.Descrever a função sexual de um grupo de mulheres que apresentam algum tipo de disfunção do assoalho pélvico.Aplicação do instrumento PISQ-12.73,7% das mulheres relataram ter algum
grau de insatisfação com a vida sexual atual,
afetando principalmente a área do desejo
sexual.
Vasconcelos et al., 2013.Descrever o perfil sociodemográfico e clínico das pacientes do ambulatório de um hospital terciário em Fortaleza, Ceará.Anamnese e aplicação do questionário ICIQ-SF.Os sinais e sintomas relacionados aos distúrbios do assoalho pélvico relacionam-se ao tipo de parto, multiparidade e menopausa.
Por sua multifatoridade, causam impacto negativo na QV, gerando transtornos sociais e familiares.
Mazzariol Jr., 2017.Avaliar o impacto na qualidade de vida das pacientes submetidas à
correção cirúrgica do prolapso genital, e correlacionar grau do prolapso com sintomas.
Aplicação do questionário P-QOL e POP-Q.Sintomas com forte impacto na QV: geniturinárias, físicosociais e sexuais. 100% das mulheres apresentam melhora na QV
após correção do POP.
Alves, 2018.Analisar o impacto do POP na QV de mulheres.Aplicação do
questionário
SF-36 e P-
QOL.
As participantes fora divididas em 3 grupo: sem POP/POP leve, com POP (estadio 2) e com POP acentuado. Todos os grupos foram afetados negativamente, as maiores repercussões no grupo com POP acentuado.
Domínio com mais destaque no P-QOL foi o impacto do POP.
Willie-Tyndale e Eldemire-Shearer, 2019.Identificar correlatos de
distúrbios do assoalho
pélvico em uma amostra clínica de mulheres com 50 anos ou mais.
Entrevista durante consultas agendadas. Aplicação de questionário.Aproximadamente 52% das mulheres tiveram DAP e cada parto vaginal adicional aumentou essas chances em 14%. Os DAP afetam negativamente a QV na terceira idade.
Melo, 2019.Avaliar a QV das pacientes após tratamento cirúrgico de POP.Aplicação de POP-Q e P-QOL.Na avaliação da QV, a área mais afetada foi
o impacto do POP, que melhorou
significativamente após cirurgia.

O prolapso de órgãos pélvicos é um distúrbio que pode surgir na vida de uma mulher em qualquer fase, porém é mais frequentemente constatado em mulheres em idade avançada, seja pela falta de percepção que algumas mulheres têm do seu próprio corpo, seja pelo fato de que muitas vezes é assintomático ou pela demora na procura de assistência médica (WILLIE-TYNDALE E ELDEMIRE-SHEARER, 2019).

Levando em consideração a idade de todas as mulheres dos estudos inclusos, a principal faixa etária de mulheres atingidas pelo POP está entre 46 e 74 anos de idade, tendo a idade forte influência principalmente sobre o estadiamento do POP, como comprovaram Melo (2019) e
Alves (2018) em seus estudos que demonstraram que pacientes na faixa etária de 57 a 70 anos estavam no estágio 3 e 4 da doença.

Em relação aos principais fatores que podem acarretar o surgimento do POP, foram encontrados: paridade, idade, menopausa ou pós-menopausa, baixa escolaridade e histórico familiar de POP, conforme apresentado na Tabela 2.

Tabela 2 – Principais fatores predisponentes do POP, de acordo com cada autor.

FatoresAutores
Paridade: multíparas ̸ parto vaginalFlores, et al. 2012; Vasconcelos et. al., 2013; Mazzariol Jr.
2017; Alves, 2018; Willie-Tyndale e Eldemire-Shearer, 2019;
Melo, 2019.
IdadeVasconcelos et. al., 2013; Alves, 2018; Willie-Tyndale e
Eldemire-Shearer, 2019; Melo, 2019.
Menopausa ou pós-
menopausa
Willie-Tyndale e Eldemire-Shearer, 2019; Vasconcelos et. al.,
2013; Alves, 2018.
Baixa escolaridadeFlores, et al. 2012; Alves, 2018; Willie-Tyndale e Eldemire-
Shearer 2019.
Histórico familiar de POPAlves, 2018; Melo, 2019.

Sendo o POP multifatorial é importante ressaltar que seu surgimento sempre está relacionado com a existência de dois ou mais fatores predisponentes, ou seja, não há estudos que comprovem que um fator isolado é capaz de desencadear o POP em uma mulher. É quase
unânime entre os autores dos artigos inclusos nesta revisão que o fato de uma mulher ser submetida a pelo menos um parto vaginal já a deixa suscetível ao POP, esse fator quando relacionado com um peso fetal acima de 4.000g aumenta ainda mais a sua suscetibilidade
(VASCONCELOS et al., 2013). Segundo Rodrigues et al. (2009), isso ocorre porque, de acordo com a literatura, durante a passagem do feto pela pelve pode ocorrer a lesão do nervo pudendo, do suporte fascial e do músculo levantador do ânus, estes últimos são responsáveis pela
manutenção da correta posição anatômica das vísceras pélvicas. A baixa escolaridade também, geralmente está relacionada à paridade, pois famílias nessa condição, têm falta de informações e recursos para investir na contracepção, o que afeta diretamente na qualidade de vida da mulher.

Idade, menopausa ou pós-menopausa estão intimamente ligados, Willie-Tyndale e Eldemire-Shearer (2019), observaram que as mulheres que ainda tinham o período menstrual estavam bem menos propensas a ter POP do que as que estavam na menopausa ou pós-
menopausa. Todas as mulheres em menopausa ou pós, não tiveram reposição hormonal, o que pode ser uma grande influência para o surgimento de POP, os autores destacam ainda a sua correlação com maiores estadiamentos da patologia. Isso se deve ao fato de que durante a menopausa ocorre a queda dos níveis de estrogênio, apontado pela literatura com função importante no trofismo da musculatura e ligamentos de sustentação e suspensão do assoalho pélvico, essa escassez de estrogênio associada à perda de massa e diminuição de força muscular podem levar à disfunções do assoalho pélvico (FRANCO, 2012). O histórico familiar para POP, foi comprovado pelos autores, com baixa taxa, porém significativo, fatores genéticos associados a fatores ambientais se tornam potentes na gênese dessa doença.

Quanto à Qualidade de Vida das mulheres afetadas pelo POP, na avaliação geral não foi observada grande diferença entre os estadiamentos, demonstrando que o POP tem impacto sobre a vida dessas mulheres em uma mesma proporção. A avaliação de domínios específicos da QV nos estudos inclusos, foi realizada através do questionário P-QoL, composto por 20 perguntas divididas em 9 domínios que avalia a gravidade dos sintomas e o impacto da qualidade de vida dessas mulheres, bem como a eficácia de tratamento. Os mais significativamente afetados estão na tabela 3:

Tabela 3. Domínios mais afetados na QV.

Mais afetadoDomínio
72,2%Impacto do POP
66,67%Limitação da atividades diárias
50%Emoções
44,44%Limitações físicas
33,33%Limitações sociais
33%Medidas severas
Fonte: Mazzariol Jr., 2017; Alves, 2018; Melo, 2019

Madail Alayón et al. (2013) e Alves (2018), destacam ainda a relação de estadiamento e tempo de acometimento da doença com a QV, quanto mais avançado, maior é o impacto negativo sobre os domínios específicos, principalmente no que diz respeito ao impacto do POP, nas atividades diárias e emoções. Pois o POP pode levar a sintomas como sensação de bola na vagina, dores abdominais, bem como perda de urina, esses sintomas tendem a intensificar com o avanço de estádio do prolapso afetando a QV dessas mulheres (RESENDE et al., 2010). Isso
aponta a necessidade de sempre se aplicar em conjunto os questionários que avaliam a QV tanto global, quanto específicos, pois assim, os resultados são mais fidedignos e nos dão uma ampla ciência sobre o real impacto do POP na vida das mulheres por ele acometidas.
De acordo com Flores et al. (2012) e MazzarioL Jr. (2017), foi observado ainda um forte impacto negativo sobre a sexualidade das mulheres em estudo, pois o POP pode desencadear a disfunção sexual (DS) prejudicando ainda mais a QV das mulheres. Mais uma vez foi constatada que o estadiamento e o tempo da doença influenciam sobre essa questão, pois o sentimento de vergonha da imagem corporal e o medo de dor e de ocorrência de incontinência urinária, dificulta ou, muitas vezes, impede o início das etapas principais do ato sexual.

De acordo com a OMS, a DS é a incapacidade de participar do ato sexual com satisfação.
Na literatura, relatos sobre a função sexual de mulheres com POP é muito escassa, talvez devendo-se ao fato de que ainda exista um tabu em torno do assunto sexualidade. Fortunato et. al. (2017), diz que falar sobre disfunção sexual (DS) em mulheres é falar sobre qualidade de
vida, uma vez que o bem estar sexual tanto em mulheres quanto em homens incluem a personalidade de cada indivíduo e está atrelada à integridade de aspectos emocionais, sociais e físicos intelectuais. É a busca da satisfação do desejo e do prazer físico, como uma necessidade emocional de proximidade e pertinência nos contatos humanos. Portanto é uma das principais características que devem ser levadas em consideração durante a avaliação do impacto do POP na QV das mulheres.

Sendo evidente que o POP é uma patologia multifatorial que atinge não só o físico, como também psicológico e relações sociais das suas acometidas, o trabalho de tratamento deve envolver uma equipe multidisciplinar capaz de ajudar em todas as áreas atingidas. Portanto,
existem alguns tipos de intervenção para o POP, dentre as quais a fisioterapia é um dos tratamentos conservadores mais eficazes para os graus mais leves. O 4th International Consultation on Incontinece recomenda os seguintes exercícios: – Exercícios musculares do assoalho pélvico que previnem ou retardam a deterioração do prolapso anterior e ajudam a melhorar os sintomas; – Exercícios musculares do assoalho pélvico efetuados no pré e no pós- operatório ajudam a melhorar a qualidade de vida e os sintomas urinários nas mulheres submetidas a cirurgia do prolapso (MASCARENHAS, 2011). Duarte (2017), em um ensaio clínico randomizado e controlado com 94 mulheres divididas em dois grupos, obteve uma redução nos score do PFIQ-7 no grupo de mulheres que fizeram cirurgia de correção de POP associado a treinamento da musculatura do assoalho pélvico antes e após a cirurgia, o que evidencia a melhora na qualidade de vida destas.

A revisão apresentou uma limitação importante, os estudos analisados foram feitos com mulheres que também possuíam outras disfunções do assoalho pélvico e não exclusivamente com portadoras de POP, sendo assim os grupos eram mistos, por mais que acredita-se que mulheres com alguma disfunção do assoalho pélvico pode ser portadora de POP assintomático. Outra limitação foi a idade das pacientes, em sua maioria era bem avançada, não possibilitando assim o conhecimento sobre o grau de acometimento do POP em mulheres mais jovens. O que nos estimula a prosseguir com investigações mais aprofundadas sobre esse tema.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em relação a temática proposta, visa compreender e avaliar melhor de forma consciente quais os fatores que proporcionam esses considerados transtornos entre as mulheres. Diante dessa realidade ficam evidentes alguns fatores que contribuem para essa problemática
como: paridade, idade, menopausa ou pós-menopausa e histórico familiar de POP. Foi possível observar também que o POP afeta negativamente a qualidade de vida das mulheres, principalmente no que tange às questões de atividades diária e emocionais, o que nos leva à necessidade de aprimorarmos objetivos e condutas que visem ajudar essas mulheres na resolução de seus problemas, trabalho que deve ser feito por uma equipe multidisciplinar Mediante os dados obtidos, observa-se a necessidade de estudos sobre a qualidade de
vida das mulheres com POP, com a aplicação em conjunto de questionários que avaliam domínios globais e específicos, pois como já mencionado, nos dá a real noção sobre cada ponto afetado pelo POP, bem como facilita na hora da formulação de protocolos de cuidados. Também existe a necessidade desses estudos serem feitos em território nacional, uma vez que os trabalhos encontrados, em sua maioria são estrangeiros, o que demonstra ser esse um tema de grande escassez na literatura brasileira de saúde.

REFERÊNCIAS

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