Hospitais privados limitam serviços que não são urgentes

Grupos hospitalares estão a reorganizar-se para dar resposta a uma maior procura por causa do Covid-19 e para manter os pacientes não urgentes longe de possíveis fontes de contágio. Nas clínicas dentárias e nos serviços de fisioterapia a palavra de ordem ou é fechar ou apenas acautelar casos que não podem esperar

Além de ter de se manter longe do Covid-19, neste momento convém acautelar que não é afetado por outros problemas de saúde. É que, se o caso não for urgente é grande a probabilidade de não ter resposta não só do Estado, bem como por parte dos prestadores privados de saúde.

As unidades do sector privado estão focadas em prepararem-se para dar resposta a uma previsível maior procura por causa do Covid-19, embora não possam (ainda) tratar estes casos, que devem ser encaminhados para os hospitais públicos de referência. Está, aliás, agendada uma reunião entre a Direção-Geral de Saúde e a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada para garantir a sua articulação quanto aos procedimentos e protocolos no âmbito do novo coronavírus e estará em cima da mesa a possibilidade dos grandes hospitais privados internarem pessoas infetadas.

Também nas clínicas dentárias e de serviços de fisioterapia a palavra de ordem é fechar e acautelar apenas os atos urgentes. “Só estamos a receber doentes para tirar pontos ou quando têm um grande abcesso, por exemplo”, indicou ao Expresso, pelo telefone um grande prestador de medicina dentária de Lisboa. Na fisioterapia é igual, só os doentes cujos tratamentos não podem ser interrompidos continuam a ser recebidos, enquanto “a marcação de consultas está suspensa até ao final do mês”, foi dito ao Expresso por um funcionário de uma rede que presta este tipo de serviços na capital.

HOSPITAIS PRIVADOS REORGANIZAM-SE

“Estamos a fechar áreas que não são prioritárias e tudo o que não é programado, como cirurgias, estamos a reduzir”, refere ao Expresso fonte oficial da Lusíadas Saúde, frisando que “o problema é que alguns dos casos não programados são urgentes”. E há também que fazer o acompanhamento pós-cirúrgico. “Temos que ser muito cuidadosos nesta gestão. Também estamos a limitar consultas e exames não urgentes, mas não podemos esquecer que esta é uma altura em que todos os prestadores estão a por trancas à porta”.

Uma das mudanças adotada a partir desta terça-feira é a saída da urgência pediátrica para uma nova ala do Hospital Lusíadas de Lisboa.

É uma realidade comum as três maiores grupos portugueses de hospitalização privada que estão numa azáfama a reorganizar os seus serviços, a mudar circuitos e a condicionar a prestação de atos que não são programados e que não são urgentes.

Na CUF, do grupo José de Mello Saúde, um comunicado interno a que o Expresso teve acesso, dá conta de uma reorganização dos serviços para responder de forma mais eficaz ao crescimento previsto da afluência de casos suspeitos de Covid-19, com a concentração de meios, sobretudo, na área metropolitana de Lisboa.

Assim, o Atendimento Permanente (serviços de urgência) a doentes adultos será centralizado nos Hospitais CUF Descobertas, CUF Infante Santo e CUF Cascais. Além disso, “como forma de assegurar uma maior segregação dos doentes adultos e doentes pediátricos, a Clínica CUF Almada e o Hospital CUF Sintra irão encerrar temporariamente o respetivo atendimento médico não programado de adultos, mantendo-se em funcionamento o respetivo atendimento médico não programado de pediatria”.

Por sua vez, a Luz Saúde, controlada pela Fidelidade, está a condicionar “a atividade eletiva não urgente nos seus hospitais, isto é, consultas, exames e cirurgias programadas”, de acordo com um comunicado disponível no site do grupo privado. Trata-se de uma medida “conter a propagação da doença, designadamente evitando a concentração de pessoas em salas de espera e em circulação pelos nossos hospitais e clínicas”. E ao mesmo tempo “assegurar que os doentes seguidos na rede Hospital da Luz mantêm a resposta de que precisam ao nível de tratamentos oncológicos, vigilância das suas doenças crónicas, diagnósticos urgentes para doenças graves, entre outros”.

No sector público já há hospitais e centros de saúde que estão a fazer as consultas médicas através do telefone. É expectável que, nos próximos dias, exista uma crescente procura por serviços médicos online ou por vídeo, que algumas seguradoras já incluem nos seus pacotes.

Fonte: https://expresso.pt/coronavirus/2020-03-17-Hospitais-privados-limitam-servicos-que-nao-sao-urgentes

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