Futuro e presente dos tratamentos de coluna

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O filme “De Volta Para o Futuro II” foi lançado em 1989 e mostrou muitas cenas de como era esperada a nossa vida em 2015. Milhões assistiram o filme, mas poucos vão se lembrar de que em uma das cenas aparece como seria o tratamento de coluna no futuro.  Michael James Fox, no papel de George McFly, se coloca de costas em uma máquina e, momentos depois ficam pendurado de cabeça para baixo e assim sua dor da coluna é tratada. Chegamos em 2015 e infelizmente esta máquina não foi inventada. Apesar de ainda não termos esta tecnologia muitos fatores evoluíram em relação aos tratamentos de coluna desde 1989 quando foi estreado o filme. Nesta época os tratamentos eram à base de remédios, repouso, massagens, terapias de calor e frio. Nos dias de hoje aprendemos a lidar melhor com estas desordens, desenvolvemos exames, tratamentos, equipamentos e estratégias preventivas. Esta evolução na abordagem dos problemas de coluna se deu através da realização de muitos estudos científicos e pesquisas na área.

Dor na coluna lombar é mais comum que muitos imaginam, estudos apontam que cerca de 50 a 80% da população adulta vai sofrer deste problema em uma época da vida. Em uma pesquisa feita com 165 estudos científicos em 54 países estimou que 23% da população apresentam dor na coluna. Dor de coluna é o maior motivo que levam as pessoas a consultarem um médico e perder dias de trabalho, sendo considerado o maior causador de incapacidades físicas e trabalhistas no Brasil e no mundo. Sabendo disso, governo e universidades trabalham juntos para obter os dados epidemiológicos, econômicos e para melhor lidar com estes problemas. Porque essa incapacidade e suas consequências físicas, psicológicas, sociais e econômicas representam um enorme fardo não só para o indivíduo, mas também para a sociedade. Por ano são gastos no Brasil bilhões de reais em consultas, exames, terapias e cirurgias para resolver estes problemas.

O nosso estilo de vida cada vez mais sedentário no qual tendemos a passar horas por dia assentados na frente do computador tendem a piorar estes números. Alguns profissionais da área da saúde classificam “sentar” como o novo “fumar”. Realmente o sedentarismo está tão ligado a estas desordens que não é encontrado problemas de coluna em “populações indígenas” devido ao seu modo de vida ativo. Pesquisas recentes sugerem também que a genética é um importante fator que contribui para o desenvolvimento de problemas na coluna. Atualmente na Universidade Federal de Minas Gerais está sendo feita uma pesquisa precursora na América Latina acompanhando e comparando pares de gêmeos, para saber qual a relação de dores na coluna com fatores genéticos e ambientais. Já sabemos que a obesidade, o tabagismo, insônia, estresse e depressão são fatores de risco para incidência ou recorrência destas dores. Portanto, manter hábitos de vida saudáveis, boa postura e uma coluna flexível podem evitar o seu aparecimento.

Os tratamentos para quem já sofre com estas dores também têm evoluído. Em um passado próximo o tratamento de coluna era à base de remédios e repouso, alimentando a indústria de gastos e ineficiência com esta doença. O paciente com dor de coluna procurava um médico para fazer um exame de imagem (raio-x, ressonância ou ultrassom), onde era feito o diagnóstico e direcionado o tratamento. Porém hoje vemos que os exames de imagem sozinhos não devem ser usados como prognóstico nestes casos. O que se observou que pessoas com dores e sem dores de coluna apresentam os mesmos resultados nas imagens. Exames de imagens têm sido usados para confirmação de hipóteses após um exame clínico minucioso ou para tirar dúvidas quando o paciente pode estar sofrendo de um problema grave na coluna como uma fratura ou tumor.

A maioria de problemas de coluna é causada por acometimentos em músculos, ligamentos, articulações ou em discos intervertebrais. São desordens designadas de origem mecânica ou física. Entretanto as estruturas causadoras não são claras em 85% dos casos. Hoje temos uma infinidade de técnicas e tratamentos para estes problemas. Alguns na verdade ainda sem comprovação científica da sua eficácia como o uso de ultrassom terapêutico,  tração, modalidades térmicas, estimulação elétrica, acupuntura, bandagens, repouso no leito e as escolas de coluna. Algumas outras, porém possuem evidências que aprovam o seu uso como exercícios, educar o paciente, laser, terapia comportamental e manipulação (benefício por curto prazo em alguns casos). As cirurgias nestes casos também não têm apresentado bons resultados e só são indicadas após o fracasso do tratamento conservador ou em casos graves.

A tendência dos tratamentos de coluna no futuro é que o primeiro profissional a ser consultado seja o fisioterapeuta. Hoje ele é o último. Este profissional saberá diagnosticar se o paciente sofre de um problema físico e assim dará início a terapia física. De outro modo, se este profissional suspeitar de um problema mais sério, que são na minoria dos casos, a terapia física não é indicado e o paciente será encaminhado para o médico. O médico fará os exames mais detalhados, como de imagens, já que a terapia física não é indicada para o paciente naquele momento. A forma que será feita no futuro é menos dispendiosa, rápida e eficiente. Os pacientes são beneficiados porque tem seu problema resolvido mais rápido.

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A reincidência de dores de coluna é muito alta, se você tiver dor de coluna uma vez na vida tem 85% de chance de ter de novo. Um grande problema para os tratamentos recomendados atualmente é que os indivíduos com recuperação incompleta ou com episódios recorrentes muitas vezes procuram mais tratamento. Tal fato pode gerar um processo de dependência dos serviços de saúde e aumentar os custos diretos e indiretos com essa condição. Uma a possível solução para o processo de dependência dos serviços de saúde é a mudança dos modelos tradicionais de atendimento, em que o paciente é um receptor passivo de tratamento, para modelos nos quais os pacientes participam ativamente do tratamento. Desta forma o paciente aprende a gerenciar o seu problema tornando-se autossuficiente. Um método de tratamento que tem se destacado pela premissa de educação do paciente e autocuidado é o Método McKenzie. Nos Estados Unidos e na Europa o Método McKenzie é o preferido pelos fisioterapeutas no tratamento de desordens na coluna. Portanto, no futuro “o melhor terapeuta será o melhor educador”. A educação do paciente e o autocuidado parecem ser o caminho a seguir. Os pacientes têm de aprender a cuidar-se e prevenir as suas dores de coluna. O maior responsável pela saúde da sua coluna tem de ser  você!

Autor: Rafael Bonaparte

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